Notas iniciais
esse aqui é o que revela tudo, ou quase tudo!!

Acordei no banco do carona do carro, olhei para fora e vi, além da névoa, uma enorme igreja. Lembrei-me do noticiário – “Jovem morto em igreja numa cidade abandonada”. Sai do carro assustado, meio tonto.

- Dan! – chamei por Dan, mas ninguém atendeu.

Andei em direção a igreja, subindo as escadas. Então vi de onde saia o som da sirene – do alto da igreja, perto da imagem da cruz.

Subi apressadamente as escadas, enquanto a cidade escurecia cada vez mais. Então entrei na igreja, sentindo uma forte dor de cabeça. Então a névoa me cercou e tive mais uma daquelas visões, essa mais completa, esclarecedora.

Eu estava no interior de uma igreja, queimada por um incêndio, a imagem de Jesus caída no chão. Eu me vi, estava um pouco mais velho, uma barba a fazer, o cabelo mais curto e penteado.

A garota – minha irmã – estava brincando com uma faca. Sorriu para mim e disse.

- Você já sabe o que acontece! – ela disse.

- Sim! – “eu” respondi.

Então ela veio em minha direção e me apunhalou com a faca dizendo.

- Você deixou que eles me abandonassem. – ela disse – Não derramou nenhuma lagrima por mim.

Então eu me vi morrer, no chão frio daquela igreja abandonada. E a névoa me cercou trazendo-me de volta ao meu tempo.

Então olhei a igreja e vi dois vultos, a igreja estava cercada por arame farpado por todo o lado, no centro uma fogueira já cinza, no chão um enorme buraco, de onde saiam os arames farpados. A porta da igreja então se fechou.

- Alex! – Dan sussurrou – Me salva.

Corri em direção aos dois vultos. Eram Dan e uma garota – Rosalie mais velha, bem mais velha. Ela sorriu para mim e disse algo em uma língua desconhecida por mim.

Ela então foi ficando cada vez mais jovem. Os cabelos brancos foram ficando pretos, a pele enrugada foi sumindo dando lugar a uma pele macia como seda. Seu corpo curvado deu lugar a um corpo esbelto de mulher e em seguida foi tomando a inocência de uma garotinha.

Então a gargalhada inocente dela ecoou por todo o interior da igreja. Dan me olhava com cara de quem não tava entendendo porra nenhuma, mas eu entendia, tudo se clareava dentro de minha mente.

- Olá irmãozinho! – ela disse – Pegue a chave logo.

- Que chave? – me fiz de idiota.

- Não seja burro! – ela disse – Não adianta tentar me enganar. Você não estaria aqui se não tivesse pegado as outras chaves.

- Onde ela esta? – perguntei.

- Na cama! – ela disse, apontando para uma cama de hospital pendurada nos arames farpados.

- Como eu vou fazer isso? – perguntei.

- Subindo. – ela disse rindo.

- Vai você! – respondi a ela.

- Não posso porra! – ela disse – Se eu pudesse não o tinha trago para cá.

- Merda! – eu disse.

- Ele está chegando... – ela disse, parecendo amedrontada.

- Quem? – perguntei.

- Não faça perguntas. – ela mandou.

Eu não sabia por que, mas senti que tinha que fazer o que ela “mandou”. Fui para o centro da igreja e comecei a subir até a cama, segurando no arame farpado e me cortando os braços.