Preso Á Sete Chaves
8 6ª Chave
Notas iniciais
A névoa me cercou antes que eu pudesse ver quem nos atacara. Eu estava no quarto do hospital do meu pai. A garota sorria para ele, enquanto desligava os aparelhos que mantinha meu pai vivo.
Meu pai estava magro, sem forças. O cabelo grisalho penteado para o lado, disfarçando a calvície. Os olhos fundos, a barba a fazer, a tristeza em sua face.
Então a névoa me cercou e estávamos em uma sala vazia – o farol –, a garota brincava com um isqueiro enquanto meu pai, amarrado em um poste, pedia socorro. Ela cantava a canção de ninar que meu pai cantava para minha irmã dormir.
- Essa fumaça que te matou... – ela disse, colocando fogo na palha que estava abaixo do poste, queimando também meu pai.
- Foi essa maldita fumaça... – ela disse – Não eu, papai.
O que? A garota o tempo todo era ela? Rosalie? Rosalie. Minha irmã. Lembrei das manchetes dos jornais. Ela matou meu pai, e me matou também? Então, antes de pensar mais, a névoa me cercou e me levou de volta para o farol.
Porra! – era a voz de Dan – Acorda Alex... Merda!
Então levantei do chão rapidamente, olhando para Dan assustado. A sala em que estávamos pegava fogo por todos os lados, a fumaça invadia todo o lugar.
Olhei para onde Dan olhava e vi um vulto. Era um homem, magro e esquelético. O corpo todo pegava fogo, mas ele parecia estar acostumado com aquilo. O vi sorrir para nós, então jogou uma bola de fogo em nossa direção.
Pulei para a direita, e Dan para a esquerda. O fogo não nos acertou. Levantei do chão e percebi que eu estava desarmado. Olhei para Dan e vi o rifle em suas mãos. Procurei as pistolas no meu cinto, mas não às achei. Talvez as tenha perdido em algum lugar.
- Me dá um abraço filho! – o monstro disse para mim.
- Velho! – Dan disse – Sua família é desgraçada de fudida hein!
- Percebi! – eu respondi – Por que raios você não atira?
- Atira você! – ele disse, jogando o rifle para mim.
Eu peguei o rifle e mirei no meu pai – ou melhor, o lado demoníaco, monstruoso e obscuro dele. Atirei uma vez, acertando na cabeça.
- Merda pai! – eu disse – Por que você? Eu não queria nada disso...
Então ele parou e nos encarou. Eu não consegui ter nenhuma reação a não ser parar também.
Ficamos naquela posição por uns cinco minutos – ele parado, inexpressível, eu mirando para ele, sem saber o que fazer, Dan com cara de paisagem, olhando para nós dois ao mesmo tempo.
- Faça o que tem que fazer logo! – o lado sombrio do meu pai disse, abrindo um buraco no peito e deixando o coração a mostra – A chave está dentro de mim, você terá que me abraçar de qualquer jeito.
Então atirei em seu coração, fazendo-o cair no chão. O fogo a nossa volta se apagou, e junto com o fogo o sangue nas paredes também desapareceram.
Então me aproximei de meu pai, olhando-o com as lagrimas rolando em meus olhos. Eu estava lembrando do que o jornal dizia. Eu ia morrer, meu pai também. Todas essas pessoas morreriam, e a assassina será minha irmã! O que eu posso fazer para mudar isso?
Então eu enfiei a mão dentro do seu coração, sentindo o meu braço queimar com a chama que não acabava de sair dele. Então peguei a chave e tirei a mão rapidamente, gemendo de dor.
- Cara! – Dan falou, se aproximando de mim – Loucura.
-Eu acho que vou desmaiar. – falei – Você tem que quebrar a chave...
- Cara... – ouvia a voz de Dan enquanto tudo ficava escuro para mim – Alex, não morra.
Então eu ouvia o barulho do motor do carro roncando, mas eu não conseguia abrir os olhos. Voltei a dormir, sem saber o que acontecia ao meu redor – sem querer saber.
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