Presente do Inverno
13 Biscoitos e Café
Notas iniciais
"Se havia uma coisa que ela estava aprendendo com tudo isso era a facilidade com que é possível perder tudo que se pensa que será para sempre."
— Cidade dos Ossos
O restaurante era feito de madeira, com o teto triangular e com grandes janelas. Na mesa onde os semideuses almoçavam, podia-se ver o lago congelado do lado de fora. Lucy abriu a leve porta do local, tocando um pequeno sino, e sentando-se ao lado de Anny e em frente a Henry.
A garota percebeu como olhares passavam por ali, sempre prestando a atenção nos seus amigos, que devoravam vorazmente a comida. Eles pareciam aspiradores de pó humanos.
Igualmente a Lucy, apenas Angelina não parecia estar com apetite. Cutucou o bife que repousava em seu prato e o fitou, logo olhando para Anny. Não que ela fosse vegetariana, mas a lembra aqueles cães.
— Vocês já se viram comendo? — perguntou Lucy, pegando um prato e enchendo-o de salada.
Henry começou a mastigar devagar e a olhou. Angelina observa a paisagem pela janela, enquanto Anny tomava-lhe o prato. Ele pensou em uma resposta, depois fechou a boca e continuou a comer.
Quando todos concordaram que quando chegassem em Nova Iorque iriam pedir um cappuccino, seguiram para a estação e compraram passagens. Era pequena, a céu aberto e com poucas pessoas. Pegaram o primeiro trem que apareceu e se acomodaram nos bancos, frente a frente.
— Possivelmente vamos chegar ao anoitecer — disse Henry. — se quiserem, podem dormir.
Foi a primeira coisa que Anny fez. Do lado de Angelina, deitou a cabeça em suas coxas e babou enquanto dormia, a visão apagando com a paisagem que passava do lado de fora devagar, as árvores balançantes cobertas de neve. Lucy apenas reclinou e roncou, deixando Henry e Angelina sem assunto. E ela não queria conversar, apenas apreciar o lago que dali começava a aparecer: escuro e reluzente, com uma cauda colorida se mostrando na superfície.
O trem parou quando o sol ameaçava se pôr. Não que desse para ver grandes coisas com aquela névoa...
Henry acordou as garotas e caminharam para fora da estação. Voltando ao ar urbano, Lucy espirrou, e espirrou, e reclamou como o ar da cidade era poluído. Dizendo assim, parecia que ela era uma fazendeira daqueles filmes que a garota era obrigada a morar na cidade grande e sofria bullying, ou daqueles da cidade que eram obrigados a morar em fazendas.
Angelina apontou para um local pintado de verde, com uma janela de cada lado da porta, mostrando doces e mais bolos e pães nas prateleiras. Parecia uma padaria rica em guloseimas, tendo uma placa escrita no topo "Coffee and Cookies"
— Vamos entrar. Estou morrendo de fome.
Henry cerrou os olhos e a olhou como se dissesse "Por que não comeu antes?", mas a garota parecia disposta a comer apenas besteiras. Dentro, pediram café e biscoitos, sendo que Angelina pedira chocolate-quente com mashmallows e palitos açucarados vermelho e branco. Depois de se empanturrarem e comprarem mais biscoitos para a viajem, seguiam para o ponto de ônibus. Ficaram até o anoitecer, e não seria agora que Lucy iria perceber algo comum para as pessoas da cidade...
Entraram no ônibus depois da paciência quase se esgotar e pagaram a condução. Elas não se perguntaram como Henry conseguira tanto dinheiro.
Como previsto, Angelina sentou-se com Anny enquanto Lucy e Henry riam atrás delas.
— Então o porco ronronou para mim e me olhou como "É? Nem ligo!" — gargalhou Henry, lembrando-se de outra aventura.
Lucy também riu, mas logo parou.
— Como é o acampamento?
— É incrível — respondeu Henry, remexendo-se em sua cadeira. — você praticará muito, mas se divertirá também. Eles te treinam e te protege, e você conhecerá muitas pessoas interessantes. Veja, estamos no Inverno, então não terá muita gente... Mas no Verão estará lotado!
Lucy ficou sem reação. Não por causa do acampamento, mas por causa do céu. Que azulado era aquele...?
— Cadê as estrelas?! — perguntou ela, arregalando os olhos.
— É raro encontrar elas nas cidades — disse Henry, decepcionado. — mas no acampamento você poderá vê-las novamente, porque o local é rodeado por florestas.
A garota ainda estava boquiaberta. Ela lembrou-se da família, que deixara para trás. Será que estavam bem? Será que ela os veria novamente?
A noite segui-se lenta e brilhante pela lua, quando o ônibus parou e os dispensaram em uma estrada nevada e escorregadia, com árvores cobertas de branco.. Isso lembrou Anny e Angelina como tudo começou: quando o táxi capotou, quando lobos a perseguiram e elas acabaram chegando no acampamento que outrora Henry acomodava-se. Andaram com cautela até Henry mudar de curva, subindo uma colina e a apontando:
— Chegamos. Acampamento Meio-Sangue.
Fale com o autor