Presente do Inverno

6 A aparição de Lucy


Notas iniciais
E aí pessoas? Então, a personagem nova, Lucy, gosta de filmes/séries e fotos, meio que baseando esses fatos em mim, igual a Angelina, que gosta de cozinhar, etc. Boa leitura!

"Algumas vezes as coisas simplesmente acontecem."

— Marvel Comics


Lucy brandiu a espada ao lado do corpo, rodando-a para acertar a lateral do monstro. Ela não sabia o que diabos era aquilo, pois só recebera a informação que eram monstros. Se deixassem por enganar, eles iriam assemelhar-se a um husky, como aqueles do filme Neve Pra Cachorro. Só que, para ela — ou ela só achasse que para ela —, eram muito mais altos, pelos mais intensos e escuros, ainda com o olhar feroz, tão feroz e sombrio que faria qualquer um sujar as calças.

O monstro rugiu e uivou.

A tentativa de pular em cima do cão falhou, pois no meio do percurso ele mostrou as garras e, quase cravando-as em seus peitos, a jogou longe, chocando-a contra uma árvore. Neve caiu em sua cabeça. Sangue parecia querer pular para fora da onde foi acertada. Levantou-se, mas esperou recompor a visão que girava.

Lucy lutava em meio a uma floresta nevada, com pinheiros gigantescos em intervalos de espaço longos. Neve havia caído quando o sol ainda brilhava, mas agora, no fim da tarde, parara. As estrelas esperavam para reluzir ali em cima. Nunca ela gostaria de sair daquele lugar, pois sabia como era a cidade: cheia de luzes, sem estrelas. Com carros poluentes, sem silêncio. Com pessoas, sem paz.

Suspirou e correu, desviando-se de outro golpe. Contornou a criatura e enfiou a pesada espada em suas costas, transformando-o em pó. Mesmo tendo matado alguns monstros com aquela espada, Lucy não se considerava boa com ela.

Lucy bateu a espada dezenas de vezes no chão, sujando a neve de sangue. Ela deu meia-volta e saiu batendo os pés, procurando os galhos secos que havia coletado para a lareira minutos atrás, antes de ser atacada.

Caminhou pela floresta atrás de mais galhos. Quanto mais, melhor, pois assim não sairia tão cedo de casa atrás de outros. Dando em um campo, Lucy observou os vários cervos que corriam para lá e para cá. Era a oportunidade perfeita de tirar uma foto. Colocou a madeira no chão e enfiou a mão no bolso do casaco, pegando uma câmera antiga. Apontou e... Eles correram. Ótimo. Acabara de perder alguns filhotes que pareciam o Bambi.

Ela agachou-se e pegou novamente aqueles objetos, disparando para casa. Se os cervos correram sem a ver, deveriam ser monstros aproximando. Não que ela soubesse o nome deles, mas talvez fosse uma coisa que ela não precisasse saber.


Com onze anos, Lucy não possuía aparência ou idade para dizerem que ela é uma despejadora de sangue, e por um lado Lucy odiava ser assim. Ninguém esperava que ela desse uma acrobacia em uma bicicleta, passando por uma corda em chamas. Mas essa era a vantagem: assim, quando ela entrava em ação, seus queixos não tinham tempo de cair. Já havia deixado os olhos dos inimigos fechados ou abertos, impenetráveis. Os olhos eram de mel, e com a sombra que sua franja propunha os faziam parecer dourados. Apesar disso, os cabelos eram loiros e encaracolados, como uma princesa antiga.

Assim que ela entrou em sua casa de madeira e bateu as portas, o padrasto a aguardava com os braços cruzados.

"Eu não tenho culpa!", pensou em dizer.

Ou teria?

— Por que demorou? — Perguntou o pai, tomando a madeira de suas mãos.

Ela não respondeu, mas o silêncio foi a resposta exata. O pai a olhou de cima para baixo, quase que a examinando. Depois desviou o olhar para ver seu trabalho de queimar madeiras.

Lucy não o culpava, mas não o agradecia. Primeiro, sua azar de ser atacada por tudo que é monstro vinha de sua origem grega; segundo, sua sorte só piorou quando essas criaturas começaram a aparecer como nunca. Ninguém ali registrara tantos monstros assim antes.

— Vai ficar aí parada? — Perguntou a mãe, levantando os olhos de seu romance. — Fiz chocolate quente, caso queira.


Enquanto ouvia as batidas crepitantes do fogo, ela franziu os cenhos quando a língua queimou-se com o chocolate. De novo. Ela desviou o olhar para a mãe, que lia seu livro. Por que sua mãe conseguia, e ela não? Mas graças a isso ela aprendeu tudo que era necessário sem ir para escola. Tudo, menos a verdade sobre aqueles monstros.

Ela piscou quando ouviu alguém bater na porta: Monstros? Aquilo seria bizarro, mas não havia pessoas naquelas redondezas. Ela olhou para o pai que roncava, então colocou o copo na cabeceira ao lado e seguiu até porta, rodando a maçaneta devagar, para ver quem estava ali. Lucy espantou-se, não apenas por ver aquelas pessoas ali. Mas aquele garoto... Onde estariam as pernas dele...?

Notas finais
Tãm tãm! Não deixem de comentar! :3