Era semana natalina, e como todos os anos, as avenidas do centro se encontravam lotadas. Os shoppings não tinham como se locomover. E a única coisa que salvava eram as ruas decoradas lindamente para a maior festa que existia: O natal.

Para os crédulos significava algo muito mais do que simples ceia, e sim a recordação do nascimento de Cristo.

Para os comerciantes significava lucro em cima de lucro.

E para um garotinho de sete anos, que morava num apartamento pequeno somente com a mãe, era a representação da fé.

No outro dia seria a festa de natal de sua escola, há exatos cinco dias para 24/12. Como todos os anos, Trunks imaginava que talvez, papai Noel atenderia seus pedidos.

Lembrava com tristeza dos ultimo dias de aula, quando sua mãe fora chamada na escola.

Ele sabia que tinha passado de ano e não recordava de ter aprontado algo serio, era na melhor das hipóteses, um garoto tranqüilo. E não entendia a razão para a diretora Lunch desejar a presença de sua mãe.

Bulma era Psicóloga e altamente independente.

Sentiu na pele o fato de levar consigo a faixa de “FILHA PERDEDORA”. Tudo isso porque a família rica e estruturada não esperava que a caçula mimada fosse se envolver com um metaleiro sem futuro.

Muito menos que esse metaleiro faria questão de engravidá-la.

O romance juvenil custou caro para Bulma.

Ela teve que escolher entre Vegeta e seus pais, optou pelo amor estilo Shakespeare que estava vivendo.

Teve que escolher entre esse bebe “errado” ou um aborto seguido do típico: “isso tudo nunca aconteceu”. Vamos seguir e você será a filha mais exemplar que um Briefs poderia ter. Afinal, dinheiro apaga tudo. Ou quase.

Bulma escolheu o bebe. Nunca seria capaz de escolher a outra coisa.

Mas Vegeta e Trunks valeram sua família e status, foi expulsa de casa, sem nada e grávida.

E quando esperava sonhadoramente que Vegeta a resgataria da cama de gato que criou, conheceu o lado do rapaz que talvez seus pais já vissem.

Um lado descompromissado, um lado que queria só curtir a vida, só curtir a novinha-gostosinha-riquinha para depois chutar. Então se viu só.

E se não fosse seus amigos, ela nem imaginava como poderia ter sido.

Hoje em dia não falava com os pais, nunca mais há quase oito anos.

E com Vegeta... Bom, com ele era tudo delicado. Já que o senhor Vegeta — seu pai — descobriu que o filho tinha engravidado uma moça, e o obrigou a arcar com suas conseqüências.

Isso não acarretou um casamento ou coisa do tipo, não mesmo. Mas ele teve que trabalhar de verdade e sem embromação. Teve que visitar o garotinho nos dias corretos. E por todo esse excesso de responsabilidade, culpava Bulma.

No inicio foi difícil, o mesmo fazia questão de jogar em sua cara todo esse “problema”. Mas conforme os anos foram passando, e toda a magia que uma criança tinha, fez com que Vegeta aceitasse bem seu filho.

Hoje em dia eram... Amigos. Ou algo bem próximo disso.

E o tempo fez com que ele admirasse Bulma. Afinal ela venceu na vida sozinha.

Porem quando recebeu o bilhete da diretora, Bulma fechou a cara imaginando o que o filho tinha aprontado nos últimos dias de aula.

Trunks nunca soube o que foi falado, só que sua mãe saiu com semblante ainda mais fechado, e assim que chegou a casa, ela ligou para seu pai.

Como muitas vezes, acarretou numa serie de gritos e palavras que Trunks não conhecia, mas pelo tom, era nítida uma discussão.

Essa ligação fez também com que Vegeta aceitasse ir à festa natalina da escola que seria no outro dia.

Bulma definitivamente não esperava escutar o que a diretora disse.

Ou melhor, a mulher simplesmente estendeu uma serie de cartinhas destinadas ao papai Noel.

Todas escritas por Trunks, e todas também com o mesmo desejo. Era tão triste que Bulma se viu irada, e após despedir da diretora, a primeira coisa que conseguiu fazer foi despejar seu estresse em Vegeta. Afinal ele era tão culpado quanto ela nessa questão.

Ao deixar Trunks na festa do Dojo onde treinava artes marciais, Bulma seguiu para a empresa de peças automotivas que ficava no centro da cidade. E sequer desceu do carro quando chegou, já que o rapaz marrento se aproximou sem delongas.

— Precisando de alguma peça, dona? — perguntou reprimindo um sorriso irônico.

— Deixa de brincadeira, estou com pressa.

— Acha mesmo que vou de carona?

— Meu carro não é desses importados iguais aos seus, mas funciona muito bem!

— Claro que sim, o problema não é o carro e sim a motorista.

— Ah Vegeta, olha bem...

— Vai para o banco do carona logo Bulma, afinal estou tão atarefado quanto você. Vou dirigir bem mais rápido.

— Argh...

Vegeta quando soube da noticia que Bulma estava grávida, não se preocupou tanto, uma garrafa de vodka era mais importante na época. Ela tinha sido... Legal.

Uma pirralha da escola particular, onde os pais proibiam ate de ir à padaria sozinha, cheia de pudor e desejo reprimido. É, foi legal. Gostoso. Empolgante.

Mas achou que seria só isso. ERA para ter sido só isso.

Porem ela ficou grávida, e se não fosse seu pai, Vegeta nunca sequer teria conhecido Trunks, pois ele mesmo fez questão de expeli-la da pior forma possível.

Não se orgulhava daquilo hoje em dia, na verdade era uma das poucas coisas que sentia vergonha. Tudo bem que só queria saber de sexo, drogas e rock in roll. Mas agir feito um moleque nunca fora seu perfil, já era um homem quando engravidou a moça.

Um homem descompromissado com a vida, mas um homem.

Começou a trabalhar serio como mecânico, e sua persistência o levou ate onde estava. Hoje em dia tinha uma empresa de peças automotivas e era na medida do possível, bem estabilizado.

Adorava desafios, aventura e adrenalina. Porem andar de carona com Bulma já era demais. Fora que gostava de provocá-la. E vê-la bufando ate o assento ao lado era impagável.

— Já pensou o que vamos comprar?

— Não. Bom, acho que ele gostou dos bonecos grandes de super herói.

— Aquela ligação sua mais cedo...

— Que você ignorou deliberadamente?

— Você só fazia gritar Bulma, e eu estava com cliente na hora.

— Não quero falar sobre isso. — ela murmurou, fazendo um bico.

Vegeta apertou a mão no volante enquanto acelerava, e deu um sorrisinho ao ver Bulma verificar se seu cinto de segurança estava bem encaixado.

— Espero que não ande feito um maluco quando esta com meu filho no carro.

— Ele adora velocidade, puxou o pai.

— Ah certo, acontece que preciso dele inteiro. Entendeu? Você pode se explodir sozinho, mas ele não.

— Quem ouve ate acha que você não liga para mim. Se me explodisse você choraria um ano inteiro.

— Vai sonhando...

Os dois chegaram ate a loja de brinquedos, que assim como todas as outras lojas, se encontrava lotadíssima. Uma vendedora cheinha e empolgada veio atendê-los.

— Boa tarde, procuram algo em especial?

— Boneco grande de super heróis. — Bulma respondeu.

— Certo, temos o Hulk, Iron Man, Thor e Capitão America. Algum em especial?

— Iron Man e Thor.

— Capitão e Hulk.

Vegeta e Bulma disseram ao mesmo tempo, fazendo a vendedora não saber qual deles atender primeiro.

— Certo, acho que não entendi.

— Iron Man e Thor.

— Claro que não Bulma, será o Capitão e o Hulk.

— Mas ele tem ate fantasia do Iron Man, e o Thor é um gato!

— Ei mulher você ficou maluca. O Hulk é bem melhor que o Thor.

— Thor é um deus!

— Vocês querem se resolver e depois me chamam? Sou a Alice.

— Obrigada Alice, mas vamos levar o Iron Man e o Thor.

A vendedora queria obedecer, mas sentiu um forte desejo de olhar para Vegeta. Afinal o homem impunha respeito, alem de impaciência.

— Bulma, eu entendo disso. E será o Capitão e o Hulk.

— Vegeta eu quero o Thor!

— Por que não levam os quatro, tenho certeza que o rapazinho vai adorar... — a vendedora disse, já imaginando sua comissão maior.

Bulma abraçou os quatro bonecos enormes dos heróis, como se pudesse ser parte dela. Vegeta tinha certeza que ela levaria todos. Maldita vendedora esperta, sabe bem como manipular uma mente feminina.

— Não tem necessidade de levar todos Bulma, não vamos mimar Trunks.

— São só bonecos, ele ia adorar tanto ter todos...

— Bulma...

— Eu levo dois e você dois.

— Não é pelo valor e... DROGA MULHER! Por que me olha com essa cara? Vamos levar os quatro!

A vendedora saiu saltitando para separar a mercadoria, enquanto Vegeta ia para o caixa sem esperar Bulma.

— Pensei que dividiríamos o valor, você pagou tudo!

— Digamos que tenho um credito com você.

— Não gosto de estar em debito com ninguém.

— Depois penso numa forma de quitar sua divida, agora vamos logo que preciso trabalhar.

— Vegeta não esqueça a festa da escola amanha.

— Estarei lá.

Após deixar Vegeta na sua empresa, Bulma seguiu ate a escola de Trunks, onde deixou o presente comprado. E voltou para buscar o filho.

No outro dia seguiu com um garotinho impaciente ate o colégio para a confraternização, temendo que Vegeta não aparecesse.

Porem, encostado num carrão chamativo, com óculos de sol e roupa toda negra. Encontrava-se aquele homem que fora por anos seguidos a perdição de Bulma.

Varias mães, ate mesmo acompanhadas de seus maridos, quebravam o pescoço para secá-lo como se tivessem ganhado na loteria tal visão. Trunks agitou em euforia a mão que estava empunhada com a da mãe e correu ate ele, sendo erguido no ar.

— Você veio papai!

— Claro que vim, não disse que viria?

— Foi mesmo, olha quem esta aqui mãe, o papai.

— Sim, estou vendo. — e como via. Ela completou, dando uma conferida no corpo musculoso dele.

— E ai, acha que o papai Noel vai te dar o presente que quer?

— Vocês estão aqui, talvez sim né.

Ele disse indo para dentro no local onde seria a festa, fazendo questão de mostrar para todos os coleguinhas seus “pais”.

Quando papai Noel lhe entregou o presente, Trunks sentiu-se levemente decepcionado. Não fora o que desejou tanto, mas eram quatro bonecos de super heróis e ele amou!

Na hora do almoço, Bulma se viu deslocada.

Afinal não tinha amigas mães de colegas do seu filho, na verdade sua amizade era limitada para poucas pessoas. Vivia em prol de Trunks.

Mas Vegeta conhecia muitos homens, talvez esse meio automotivo os unisses de certa forma.

— Não vai comer isso? — ele apontou para uma vasilhinha com sobremesa intocada.

— Já estou satisfeita. — ela murmurou, cruzando a perna.

— Ótimo. — Vegeta respondeu, pegando sua vasilha e comendo. Olhando sem pudor algum para as pernas dela que apareciam anda mais na bermuda estilosa que Bulma vestia. — Deliciosa.

A moça sentiu a face corar com o duplo sentido da frase, e virou o rosto.

— Já estava me esquecendo, pode levar Trunks hoje para mim?

— Não é o seu dia.

— Meus pais vão fazer uma ceia, e querem o moleque lá.

— Hoje é dia vinte e um, porque teriam uma ceia?

— Dia vinte e quatro é aniversario de casamento e eles vão comemorar viajando. Então adiantaram a ceia de natal. Não custa nada deixar Trunks lá. Levo de volta assim que acabar.

— Tudo bem.

Era uma sensação de inveja.

Vegeta não sofreu com a aversão dos pais, era um casal simpático e tranqüilo. Bom, talvez o senhor Vegeta assustava um pouco, mas apenas no primeiro momento.

E eles estavam juntos.

Como casal, com os filhos, já que Vegeta os respeitava. E Tarble, o mais jovem, sequer tinha saído da casa deles ainda.

E melhor de tudo, tinham total carinho e amor pelo neto.

Ao tocar a campainha, Bulma sentia a face formigar.

Não era como passar a ceia de natal sem seu filho, já que nem chegou o dia ainda. Mas ela não o queria soltar. Na verdade, ela apenas queria ir junto.

Porem cumprimentou Tarble, que fora quem a atendeu na porta. E deixou seu filhinho.

Andou com passos tão duros ate onde tinha deixado seu carro que só serviu para deixá-la nervosa. E pior, revirava as chaves do carro na mão como se tivesse perdido a correta. Como se fosse possível perder a chave certa.

— Bulma?

Ela sentiu o corpo arrepiar, e rapidamente virou-se para trás.

— Ei.

— Meus pais pediram para vir atrás de você. Estão te chamando para estar conosco.

— Não, tenho compromisso.

— Engraçado que Trunks disse que você ia pedir comida japonesa e comer ate a hora de buscá-lo.

— Aquele pirralho falador! — ela disse dando um sorriso. Trunks era um pequeno fuxiqueiro.

— Vamos. É só para jantar. Não é como se tivéssemos tendo algo ou coisa do tipo.

— Todos vão pensar isso. — ela murmurou.

— Foda-se, nunca liguei para o pensamento dos outros. A gente sabe que não tem nada mesmo.

— Não estou arrumada para isso.

Ela apontou para o próprio corpo, usava uma calça jeans e uma camisa preta sem alça e justa. Completando com um tênis.

Ele a olhou de cima a baixo. Demorando na parte dos seios.

— Esta ótimo.

— Com certeza esta.

— Ah vamos, só parece que ainda tem uns dezessete anos. Fora isso ta tudo bem.

— Vou levar isso como elogio. Vamos antes que mude de idéia.

Ao entrar Bulma recordou de quando realmente tinha dezessete anos. E fez esse mesmo trajeto.

Na época, o senhor Vegeta estava sentado na sala e tinha um olhar assustador. Ele gritava para o filho mais jovem, alegando que a culpa disso tudo era de Tarble que foi quem os apresentou.

Tarble estudou com Bulma no colégio particular, ele era um dos melhores da turma e entrou no local por meio de bolsa estudantil.

Foi Bulma quem viu Vegeta certa vez deixando o garoto na escola de moto.

Era um homem com cenho franzido, tatuagem, roupa de couro e emitia uma aura sexy.

Foi fácil manipular Tarble para apresentá-los. Foi fácil levar Vegeta no papo.

Ou não. Já que quem fora cozida o tempo inteiro foi à própria Bulma. Vegeta era homem e aquela patricinha tremendo de excitação por experiências novas era demais. Ele apenas a mostrou o caminho.

Naquela fática vez, o senhor Vegeta gritou também com o filho mais velho, o obrigando cuidar de Bulma e dessa gravidez. Fora nesse momento que o hoje, pai de seu filho, gritou com Bulma, a xingando pelos piores nomes que podia. Culpando-a por toda desgraça que se abateu.



Bulma sacudiu a cabeça, expulsando essas lembranças. Já tinha se passado sete longos anos. Todos tinham mudado.

Jantar com eles foi intenso. Ela percebeu que não estava conseguindo comer nada direito, talvez por estar constrangida. Já tinha encontrado com todos ali, incluindo os primos de Vegeta por varias vezes.

Todos os anos no aniversario de Trunks. E só.

Porem estar na mesa com eles, aqueles olhares que demonstravam algo como: “sei o que vocês vão fazer durante a madrugada” era demais.

E pior, Vegeta parecia nem se importar e Trunks parecia estar nas nuvens.

Três dias se passaram, vinte e quatro de dezembro, véspera de natal.

O apartamento compacto tinha adquirido um aroma gostoso com as iguarias que de noite apareceriam, e Trunks se encontrava nervoso na sala.

Seu tio Tarble lhe deu um presente bem legal, mas alem disso deu-lhe também uma grande idéia. E só dependia de Trunks fazer dar certo.

Quando a campanhinha tocou, o garotinho deu um salto e foi atender a porta.

— Ei papai!

— Filho, vim te desejar um feliz natal.

— Eu sei. Entra... — ele puxou a mão do pai ate a sala.

Bulma apareceu, tinha um livro de receitas na mão e os cabelos presos num coque solto.

— Ei Vegeta.

— Fala Bulma, muito atarefada?

— Quebrando a cabeça com as receitas.

Vegeta sorriu e ela os deixou a sós, mas não demoraria tanto. A verdade é que Vegeta queria passar a virada de Natal com Trunks, e ate o Ano Novo, mas sabia que essas datas eram importantes para Bulma.

Que apesar de ter direito a uma dessas datas com o filho, preferia não ir de em contra ela.

— MAMÃÃÃÃE, PAPAI ESTA INDO!

Ela voltou para sala, agora sem o livro de receita. Trunks já não estava.

— Bom, feliz natal adiantado.

— Feliz natal Vegeta, vai fazer o que hoje à noite?

— Encher a cara, provavelmente. Agora já vou.

— Certo. Adeus.

Assim que trancou a porta, Bulma encostou-se nela. Era ridículo sentir-se mexida por Vegeta depois de tantos anos.

Mais uma embalagem na mesinha de centro chamou sua atenção. Era uma caixa pequena enfeitada como presente.

“De: Vegeta

Para: Bulma”

O que?

Ele tinha lhe deixado um presente?

Quando abriu viu um pequeno enfeite natalino, onde sacudia e a neve borbulhava pelo vidro dando um efeito mágico.

Uma sensação enorme de constrangimento a invadiu. Vegeta tinha lhe deixado um presente, e ela não fez nada em troca.

Ele não ia encher a cara, falou aquilo apenas para arrancar um sorriso dela, e conseguiu. Na verdade seria como tantos outros natais, comendo em casa e dormindo.

Assim que fechou a porta do carro, ele reparou algo sobre o banco do carona.

Uma caixinha de presente.

“De: Bulma

Para: Vegeta”

Era um típico enfeite natalino, e ficaria bem na sala de seu apartamento ou no escritório da empresa e... Bulma lhe tinha dado um presente!

Tudo bem que ele ganhava presentes no dia dos pais ou em seu aniversario, onde obviamente ela comprava para Trunks lhe entregar.

Mas ele fazia o mesmo no dia das mães.

Só que um presente assim? De natal?

Um sentimento de culpa o assolou, logo depois que Trunks nasceu, passaram quase um ano guerreando, ele e Bulma optaram por se agüentar em prol do filho. E ate tinham uma convivência boa.

Mas ela ultrapassou isso ao lhe dar um presente, e ele não tinha feito nada em troca.

Pegou o celular e discou sem pensar muito. Ela atendo no primeiro toque.

Vegeta. Eu...

— Bulma olha...

É que eu não sei como...

— Foi bem de surpresa e...

Quer jantar conosco hoje?

Vegeta ficou mudo ao telefone.

— Quero. Que horas?

Pode vir umas 21h30min, o que acha?

— Perfeito.

Ela apertou o celular contra o peito. Não conseguiu agradecer o presente, mas fez um convite para jantar, era quase uma redenção.

Na hora certa Vegeta chegou com duas garrafas de vinho. Bulma tinha armado uma mini-ceia de natal.

Mini porque tinham poucas porções de pratos típicos. Apenas para os três.

Trunks mantinha um sorriso sapeca no rosto desde horas atrás, e continuou assim ate após a sobremesa. Quando os pais resolveram esvaziar as garrafas de vinho na sala, e ele acabou pegando no sono.

— Ele ficou bem? — ela perguntou. Assim que Vegeta retornava para sala após deixar o garotinho no quarto.

— Como um anjo. Dormindo ele sempre parece um anjo, mas quando acordar...

— Não diga isso dele! — murmurou, mas acabou rindo.

— Um brinde ao natal? — ele perguntou, enchendo as duas taças novamente.

— Sim sim, ao natal é uma boa. — Bulma disse corando mais, na verdade sentia-se acalorada pelo principio de porre que viria.

Ele sentou ao seu lado e os dois tocaram suas taças antes de virar num longo gole.

— Obrigada.

— Obrigado.

Ambos disseram ao mesmo tempo.

— Er... Obrigada pelo presente Vegeta.

— Eu que agradeço o presente que me deu e...

— Que presente? — ela perguntou.

— Espera. Você esta agradecendo por que Bulma?

— O enfeite de natal que me deu.

— Não, você me deu um. Achei o embrulho no carro hoje.

— Não Vegeta, eu achei na mesa. Estava assinado com seu nome.

— E o meu assinado com o seu.

Ambos se encaram.

TRUNKS.

Então acabaram gargalhando novamente.

— Aquele pestinha fez isso! — Bulma disse.

— Fez sim, provavelmente tem a ver com aquelas cartinhas de pedido ao papai Noel.

— Ele é só uma criança sonhadora Vegeta. E tenho que admitir que o plano estava dando certo. Sem duvida a inteligência dele veio do meu lado.

— A beleza também, e graças a Deus por isso.

— Esta admitindo que me acha bonita?

Ele a encarou, estavam sentados lado a lado.

— Nunca neguei que fosse.

— É?

Mas ele não respondeu, apenas curvou sobre a mulher, arrancando-lhe um suspiro ao encostar seus lábios aos dela.

Sentindo toda tensão se esvaziar conforme os dedos de Bulma entravam em seu cabelo, trazendo um arrepio gostoso que só antecipava o real prazer.

Trunks tinha um sorriso de orelha a orelha durante o café da manha, tudo isso porque seu pai estava à mesa.

Isso significava que ele tinha dormido ali. E isso deixava sua mãe com um sorrisinho bobo no rosto o tempo inteiro.

Seu pai parecia bem relaxado e a vontade.

Era tudo bom demais.

Na noite do dia vinte e cinco, ele demorou a pegar no sono, olhava sua janela esperando poder agradecer ao papai Noel.

Tinha escrito tantas cartinhas na escola, todas pedindo o mesmo: seu pai e sua mãe juntos como uma família.

Era algo simples, algo que qualquer criança desejaria.

Quando seu tio Tarble deu a idéia de trocar o presente entre os dois, temia um castigo, mas acabou dando certo.

Talvez papai Noel precisasse apenas de uma ajudinha.

Hoje seu pai dormiria novamente ali. E ter ele em casa durante o dia e junto com sua mãe era muito bom. Trunks pegou os dois se beijando, isso significava uma família, certo?

Bom, para ele sim.

E isso apenas se firmou quando ao invés de sair com sua mãe, iriam os três na viajem de fim de ano que logo viria.

Sem duvida, papai Noel existia.

Ou deveria agradecer a Deus?

Ou os anjos?

Ou seria o duende trabalhador do Pólo Norte?

Ou seu tio Tarble?

Como saber a quem agradecer?

Talvez apenas aos seus pais por terem lhe dado a vida, e batalhado com dificuldade para que hoje ele estivesse assim, tão feliz.

— Obrigado papai, obrigado mamãe. Boa noite.

O garotinho murmurou jogando uma mão em cima de cada um dos dois que estavam deitados ao seu lado.

Vegeta e Bulma trocaram um olhar confidente, e ele curvou-se de uma forma que não apertava o filho, porem apenas para beijar os lábios dela.

— Boa noite gata.

— Boa noite.

E os três terminavam a noite de natal deitados juntos na cama, assistindo a um filme infantil.

Seria o primeiro natal unido dos três. O primeiro de todos os outros que seguiriam.

FIM.

Notas finais
Opa, um especial de Natal, completamente baseado na propaganda da O Boticário sobre o perfume Malbec, hihihi.

Como dizem que a propaganda é a alma do negocio, assim que bati o olho naquele comercial, me veio um enredo inteiro para fanfic.
Aquele menininho trocando presente entre os pais e... BOOOOOOOOM, apenas usei da minha criatividade.

Espero que alguém tenha gostado, e bom, desejo desde já um FELIZ NATAAAAAAAAAAAL!
Que ganhem muitos presentes e sejam felizes!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!