Presente de Grego, Entrega de Maroto (Marauders)
5 Biscoitos & Leite (Ou: A Sociedade Secreta do Papai Noel
Notas iniciais
A cozinha de Klaus não se parecia com nada que os elfos de Hogwarts pudessem conjurar. Era um cômodo rústico, aquecido por uma lareira onde toras de madeira estalavam alegremente, e cheirava a manteiga derretida, xarope de bordo e conforto.
Os quatro Marotos estavam sentados ao redor de uma mesa de madeira maciça, devorando o que Klaus chamava de "Café da Manhã dos Campeões".
— Isso aqui... — murmurou Peter, com a boca cheia de panquecas de mirtilo que pareciam reabastecer-se magicamente no prato — ...é a melhor coisa que já aconteceu na minha vida. Esqueçam a magia. Eu quero morar dentro dessa panqueca.
— Tenha modos, Rabicho — repreendeu Remus, embora ele mesmo estivesse no seu terceiro prato de ovos mexidos com bacon de javali encantado.
James estava recostado na cadeira, equilibrando-se nos pés traseiros dela, com um copo de suco de abóbora gelado na mão. Ele parecia exausto, com olheiras profundas, mas havia um brilho de satisfação em seus olhos.
— Tenho que admitir, Klaus — disse James, apontando o garfo para o anfitrião. — Seu sistema de navegação precisa de uma atualização, mas o serviço de catering é cinco estrelas.
Klaus estava sentado na cabeceira. Ele parecia um rei viking em repouso. A barba estava limpa de vinho, e ele comia uma torrada com geleia com uma calma que contrastava com a fúria da noite anterior.
— Fico feliz que aprovem — disse Klaus, a voz grave ecoando calorosamente. — É o mínimo que posso oferecer aos estagiários mais caóticos que já tive o desprazer de contratar.
Eles riram. O clima era leve, banhado pela luz dourada da manhã polar que entrava pelas janelas. Mas Sirius Black, que estava estranhamente quieto enquanto brincava com uma fatia de bacon, notou algo.
Klaus sorria, sim. Mas seus olhos percorriam a mesa vazia ao lado deles — onde provavelmente dezenas de elfos ou outros visitantes mágicos deveriam estar, mas não estavam. O velho bruxo estava feliz com a companhia, mas havia aquela sombra sutil de quem sabe que a visita está acabando. De quem sabe que, em uma hora, o silêncio da torre voltaria.
Sirius conhecia aquele olhar. Ele via aquele olhar no espelho toda vez que voltava para o Largo Grimmauld nas férias. A solidão não era sobre estar sozinho; era sobre saber que a felicidade era temporária.
Sirius chutou a canela de James por baixo da mesa.
— Ai! — James quase caiu da cadeira. — O que foi, Almofadinhas?
Sirius fez um gesto sutil com a cabeça em direção a Klaus, depois tocou o bolso do peito onde guardava seus pergaminhos de anotações (geralmente usados para planejar detenções). James, cuja conexão mental com Sirius era quase telepática, entendeu imediatamente. O sorriso brincalhão de James suavizou-se para algo mais sério e quente. Ele assentiu.
James pigarreou, colocando a cadeira no chão com um baque.
— Bem, Klaus. A comida estava ótima, a aventura foi suicida, e as renas são uns amores, apesar da atitude. Mas, infelizmente, temos que voltar. McGonagall tem um radar para camas vazias e se ela notar que sumimos, ela vai transformar nossos travesseiros em porcos-espinhos.
A sombra nos olhos de Klaus aumentou uma fração, embora ele tenha mantido o sorriso educado.
— Claro. Eu entendo. Eu posso abrir uma passagem direta pela Rede de Flu para a lareira da Grifinória. Vocês estarão lá em segundos.
— Ótimo — disse Sirius. — Mas antes... nós temos uma reclamação formal a fazer.
Klaus ergueu uma sobrancelha.
— Uma reclamação? Eu dei bacon infinito a vocês.
— Exatamente — Sirius levantou-se, assumindo sua postura de orador dramático. — O serviço foi bom demais. E nós, como Marotos, não gostamos de ter dívidas. Nós entregamos os presentes, sim. Mas você nos deu uma noite lendária e café da manhã. Pelos nossos cálculos matemáticos complexos (feitos pelo Aluado), nós ainda estamos devendo um presente a você.
— Eu não preciso de presentes — Klaus dispensou com um aceno de mão, voltando a ser o velho rabugento. — Já tenho meias suficientes.
— Não é uma meia — disse Remus, tirando a varinha do bolso. Ele puxou um pedaço de pergaminho em branco que Sirius deslizou sobre a mesa.
— O que é isso? — Klaus inclinou-se para frente.
Remus tocou a ponta da varinha no papel.
— Juro solenemente não fazer nada de bom.
A tinta começou a brotar no pergaminho, não formando o mapa de Hogwarts, mas desenhando quatro figuras caricatas: um cervo de óculos, um cachorro grande, um lobo e um rato, todos sentados ao redor de uma lareira com um homem barbudo gigante.
James pegou o pergaminho e leu em voz alta, com a pompa de um decreto real:
— "Os Senhores Aluado, Rabicho, Almofadinhas e Pontas, fornecedores de recursos para feiticeiros malfeitores, têm o orgulho de apresentar: O Contrato Vitalício de Invasão Natalina."
Klaus piscou, confuso.
— Invasão Natalina?
— Cláusula Um — continuou Sirius, roubando o papel de James. — Fica estabelecido que o Papai Noel, doravante denominado 'O Velho Klaus', está proibido de passar a manhã de Natal sozinho bebendo coisas de qualidade duvidosa.
— Cláusula Dois — disse Peter, limpando a boca com a manga. — Uma delegação dos Marotos comparecerá anualmente, na manhã do dia 25, para realizar o controle de qualidade dos biscoitos e do leite.
— Cláusula Três — finalizou Remus, sorrindo gentilmente. — A troca de histórias é obrigatória. Nós prometemos trazer as fofocas de Hogwarts, e você promete nos contar sobre a vez em que a Rainha Vitória tentou feitiçar uma rena.
Eles empurraram o pergaminho para Klaus. No rodapé, as quatro assinaturas brilhavam em tinta dourada e vermelha.
Klaus olhou para o papel. Seus dedos grossos traçaram os desenhos dos animais. Ele ficou em silêncio por um longo tempo. Quando ele levantou o olhar, seus olhos azuis estavam suspeitosamente brilhantes, úmidos.
— Vocês querem voltar? — a voz dele falhou um pouco. — Aqui? Todo ano? Para ver um velho rabugento?
— Nós não gostamos de você — mentiu James, com um sorriso torto. — Nós só gostamos das panquecas.
— E do trenó — acrescentou Sirius. — Eu quero dirigir de novo ano que vem. Sem o Pontas. Quero as renas de verdade.
Klaus soltou uma risada, e dessa vez não foi seca. Foi uma gargalhada profunda, que veio da barriga, sacudindo a mesa e fazendo os pratos tilintarem. Ele limpou o canto do olho com o polegar.
— Vocês são insuportáveis — disse Klaus. — E são, sem dúvida, o melhor presente que recebi em doze séculos.
Ele levantou-se e foi até um armário antigo. De lá, tirou uma pequena chave de ferro preto, com a cabeça moldada em forma de floco de neve. Ele a jogou para Sirius, que a pegou no ar.
— A Chave Mestra da Chaminé dos Visitantes — explicou Klaus. — Ela ignora as proteções mágicas. Se vocês tentarem entrar sem ela, os ursos polares atacam. Com ela... a porta está sempre aberta.
Sirius apertou a chave na mão, sentindo o metal frio. Ele olhou para Klaus e assentiu, um gesto de respeito silencioso entre dois renegados.
— Estaremos aqui, Klaus.
— Eu vou preparar o chocolate — prometeu Klaus.
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A viagem de volta foi um borrão verde e vertiginoso através das chamas esmeralda. Um momento eles estavam no Polo Norte, no outro, estavam caindo (de novo) no tapete felpudo do Salão Comunal da Grifinória.
A lareira se apagou atrás deles, voltando a ser apenas brasas inofensivas.
O salão estava silencioso. A luz da manhã de Natal entrava pelas janelas, iluminando a poeira que dançava no ar. A árvore de Natal no canto estava cercada de pacotes coloridos que tinham aparecido durante a noite.
James levantou-se, espanando fuligem das vestes (que agora estavam magicamente limpas e consertadas, cortesia de um feitiço de despedida de Klaus).
— Foi um sonho? — perguntou Peter, bocejando, a barriga cheia de panquecas sendo a única prova física.
— Não — disse Remus, tocando o bolso. Ele tirou um pequeno objeto. Não era a chave (que estava com Sirius), mas um pequeno boneco de madeira encantado que se movia, uma miniatura perfeita de um lobisomem tricotando um cachecol. Klaus tinha enfiado nos bolsos deles sem que percebessem.
Sirius tirou do bolso uma miniatura de uma moto voadora. James encontrou um pomo de ouro que não tentava fugir, mas que pairava lealmente ao redor de sua cabeça. E Peter achou um pacote infinito de feijõezinhos de todos os sabores.
— Ele entregou os presentes — sorriu James. — O velho é rápido.
— Bom — Sirius espreguiçou-se, jogando-se no sofá com a chave de ferro preto pendurada no pescoço como um troféu. — Acho que salvamos o Natal, rapazes.
— E garantimos comida de graça para o resto da vida escolar — pontuou Peter.
— Malfeito feito — murmurou Remus, sorrindo para a lareira apagada.
James olhou para a janela, para a neve que cobria os jardins de Hogwarts. A neve que, agora, caía suavemente, sem travar no ar. O tempo tinha voltado a correr. A magia estava viva.
— Feliz Natal, Marotos — disse James.
— Feliz Natal, Pontas — responderam os três em uníssono.
E enquanto o resto do castelo começava a acordar com gritos de alegria e papel rasgado, os quatro amigos adormeceram ali mesmo, nos sofás do salão comunal, sonhando com trenós voadores, auroras boreais e a promessa de que, não importava o quão solitário o mundo fosse, eles sempre teriam um lugar — e um amigo secreto — esperando no topo do mundo.
FIM
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