Presente

1 Presente


Notas iniciais
HEY Na fic, o Hinata e o Kageyama já estão namorando há um ano e são alunos do segundo ano, evitei ao máximo passar spoilers do mangá (acabei por cortar algumas coisas). Então podem ler com tranquilidade, sem medo de pegar algum spoiler. Um dos motivos para eu deixar pra postar no último dia foi a minha dúvida de pôr ou não lemon na one, acabei decidindo por não colocar. Caso contrário, eu iria exceder o limite de 5k palavras e não estou a fim de traumatizar ninguém com um lemon ruim. Sou péssima narrando cenas de sexo. OSHSHAJSKAHSAÇ Enfim, espero que vocês se divirtam lendo tanto quanto eu me diverti escrevendo. Yay. Boa leitura.~

As mais diversas possibilidades de presentes que ele poderia dar para Kageyama, no aniversário de um ano de namoro dos dois, já haviam passado pela mente de Hinata enquanto este dava a sua habitual pedalada de meia hora até Karasuno.

Talvez desse uma joelheira nova — o moreno havia reclamado alguns dias atrás que a sua estava começando a ficar um pouco frouxa — ou, quem sabe, um novo par de tênis para vôlei...

Não, não.

Ele queria algo que, de certa forma, fosse especial e marcasse o relacionamento deles. Afinal, quem iria supor que a sua relação com Kageyama fosse se desenvolver ao ponto dos dois estarem em um namoro que completaria um ano amanhã?

Hinata sorriu ao se lembrar da surpresa dos seus amigos do Clube de Vôlei quando finalmente contaram que estavam namorando, com a exceção de Sugawara e Yachi; os dois já sabiam dos seus sentimentos em relação ao levantador antes mesmo que ele percebesse e foi com a ajuda deles que conseguiu reunir coragem o suficiente para se declarar.

A mente de Shoyo acabou então por divagar para o momento em que ele finalmente confessou seus sentimentos para Kageyama.

– x -

Hinata e Kageyama estavam sozinhos no vestiário após a vitória no Torneio de Primavera. Havia sido uma disputa acirrada, mas finalmente haviam conseguido derrotar Shiratorizawa e iriam para as Nacionais. O ruivinho prometera para si mesmo, e para Sugawara, que só se declararia para Kageyama caso ganhassem o jogo, e ali estava ele conforme prometera — se bem que no fundo sabia que ganhariam e a promessa tinha sido apenas uma desculpa para que ele não adiasse ainda mais o inevitável.

Seu coração estava palpitante, parecendo que iria pular a qualquer momento de seu peito. Talvez por causa do jogo, talvez por estar sozinho com Kageyama. Quem sabe?

"Err, Kageyama... eu preciso dizer-lhe uma coisa." Disse em meia voz, os olhos fixos em seus sapatos nem um pouco interessantes. "Uma coisa que estou guardando dentro de mim já tem um certo tempo."

"Sim?" Tobio murmurou, ele podia sentir a atmosfera tensa que pairava sobre eles.

Hinata inspirou e expirou, a fim de se acalmar, antes de continuar.

"Pode parecer estranho, talvez por sermos ambos garotos..." Tentava se lembrar do que havia ensaiado com Sugawara e Yachi para quando o grande momento chegasse, mas o nervosismo o fizera esquecer de tudo... Precisaria improvisar, e isso o deixava ainda mais nervoso. "Mas eu, sabe, meio... Meio não..." Hinata balançou a cabeça, aquilo não estava dando nem um pouco certo e sua mente lhe dizia para ser o mais direto possível, que nenhuma palavra ensaiada a priori era a correta para aquele momento.

Fitou Kageyama com toda a sua coragem e notou que este o encarava curioso, provavelmente estava sendo lerdo e ainda não descobrira o que ele queria falar ou o que aquela cena toda representava.

"1, 2, 3... Kageyama Tobio, eu gosto de você." Hinata fechou os olhos e finalmente falou as palavras que estavam entaladas em sua garganta. Podia sentir um certo peso deixando seu coração e corpo. Sentia-se bem mais leve, como se aquelas palavras estivessem pesando toneladas dentro de si.

O silêncio que se seguiu foi devastador. Os únicos barulhos no recinto eram duas respirações aceleradas e dois corações palpitantes. Seus donos estavam paralisados, sem saber muito bem o que deveriam fazer em seguida. Estavam demorando e logo alguém apareceria para chamá-los, algo que nem mesmo Sugawara poderia evitar em algum momento. Um deles, de preferência Kageyama, precisava ceder e quebrar o silêncio.

"Eu também." Kageyama finalmente quebrou o silêncio, seu rosto visivelmente avermelhado. Já fazia um bom tempo que lutava contra a sensação estranha que sentia na barriga quando via Hinata, embora, de início, tivesse pensado que aquilo não passasse de uma dor de barriga esquisita, muito esquisita por sinal. "Eu só preciso de um tempo para pensar." Também não podia negar os pensamentos de como seria beijar o menor que sondavam sua mente antes de dormir e, apesar de suas palavras, queria descobrir como era a sensação de beijá-lo naquele exato momento.

Hinata, que finalmente tomara coragem para abrir os olhos, sorriu com a visão de um Kageyama corado e anuiu. Não tinha sido rejeitado, o moreno apenas havia dito que precisava de um tempo para pensar e isso não era, de forma alguma, um não.

Os dois saíram do vestiário juntos e, em silêncio, caminharam até o resto da equipe que os esperava para partir. Sugawara e Yachi trocaram um olhar de cumplicidade ao verem os dois e foi cada um para o seu lugar; Suga sentou-se perto de Daichi, Yachi de Shimizu e ambos em bancos separados.

E uma semana depois Kageyama enfim pediu Hinata em namoro, que aceitou sem pestanejar.

– x -

Hinata freou quando chegou aos portões de Karasuno e pulou da bicicleta, empurrando-a até o bicicletário. Pôs-se então a correr até o ginásio para o treino antes do início das aulas.

Encontrou-se com a Kageyama — que também corria — na metade do caminho, olharam-se rapidamente e começaram a correr ainda mais rápido. Mesmo após começarem a namorar, continuavam a competir para ver quem chegaria primeiro até a entrada do ginásio.

Hinata havia ganhado daquela vez, o que contabilizava 100 vitórias para Kageyama e 101 para ele.

Os dois ficaram alguns minutos parados em frente à porta para estabilizarem as suas respirações. O barulho da bola e dos tênis quicando no chão da quadra servindo como calmante.

"Bom dia, Shoyo." Kageyama olhou para os lados, confirmando que estavam sozinhos, e deu um selinho rápido no menor. Não gostava muito de trocar carícias ou demonstrar afeto com pessoas ao seu redor, era constrangedor demais.

– x -

Desde que os terceiranistas haviam se formado, Ennoshita assumira a posição de capitão e, com o início do novo ano letivo, o Clube de Vôlei Masculino recebera diversas inscrições de calouros querendo fazer parte do time. Haviam deixado de ser corvos sem asas, para tornarem-se corvos com asas ainda mais belas e poderosas que as anteriores.

O treino da manhã passou rapidamente. Os novatos, sob o olhar atento de Ukai, estavam aos poucos melhorando suas habilidades. Tanaka, agora um aluno do terceiro ano, implicava constantemente com eles, apesar das broncas do novo capitão.

Hinata, ainda perdido em pensamentos sobre qual presente poderia dar para Kageyama, levou alguns boladas na cara; que provocaram risadas da equipe e alguns puxões de orelha de Kageyama, que não havia mudado nada em relação ao ruivinho enquanto treinavam ou jogavam vôlei.

Às 8h, o apito do treinador encerrou o jogo e, enquanto os novatos arrumavam a quadra, os veteranos seguiram para a sala do clube. Trocaram as roupas de ginástica pelo uniforme e seguiram para as salas. Hinata e Kageyama ainda estudavam em salas diferentes, então cada um seguiu para sua respectiva sala; despedindo-se com um tímido aceno de mãos.

As aulas pareciam passar ainda mais lentamente do que o normal para Hinata, que tentava não cair no sono durante a aula de matemática. Quando o sinal finalmente tocou, anunciando o horário de almoço, pegou seu bentô e saiu correndo até o lugar em que costumava comer com Kageyama.

Os dois costumavam comer sob uma frondosa árvore perto do campo de futebol, o mesmo local que os dois usaram para treinar antes do jogo contra Tsukishima e Yamaguchi quando tinham sido expulsos do time de vôlei no início do primeiro ano.

Quando chegou notou que Kageyama já estava sentado sob as sombras que árvore fazia, sugando o conteúdo de uma caixinha de leite. Seus olhos azuis fitavam-no, inexpressivos. Um sorriso, ou pelo menos a tentativa de um — Tobio ainda tinha dificuldade em sorrir como um ser humano normal -, despontou nos lábios do rapaz de cabelos pretos e ele acenou para Shoyo, chamando-o para sentar ao seu lado.

Os dois comeram e conversaram no tempo livre que tinham antes do sinal tocar anunciando as aulas da tarde, e os dois só retornariam a se ver novamente durante o treino depois das aulas.

Dessa vez, as aulas transcorreram com mais rapidez e logo Hinata se viu na quadra ao lado de Kageyama, treinando cortadas e saques.

"Kageyama, eu vou indo na frente hoje. Preciso comprar algo para a minha mãe antes que as lojas fechem." Shoyo não gostava de mentir para o namorado, mas precisava inventar uma desculpa para que ele não o acompanhasse até as lojas.

"Não quer que eu te acompanhe?" Perguntou Kageyama, enquanto passava a camiseta por cima da cabeça. Ao lançar um olhar de esguelha para o ruivo, notou que este já estava pronto.

"Não, não precisa. Obrigado." Disse com um sorriso no rosto e saiu correndo porta afora.

– x -

Hinata já tinha percorrido diversas lojas e não tinha encontrado nada que achasse que o namorado fosse gostar. Estava quase desistindo e comprando aquela joelheira que vira apenas algumas lojas atrás.

Vagava pelas prateleiras de uma loja qualquer quando achou vários pingentes para celular e o que mais chamou-lhe a atenção foi um pingente com um pequenino corvo. Era um presente simples mas adorável e ainda haviam dois pingentes iguais. Quem sabe eles pudessem combinar?

Notou que estava ficando tarde e que já não havia mais tempo para continuar a sua busca. Acabou por levar os dois pingentes, guardando-os em sua bolsa para amanhã.

– x -

Em casa resolveu mandar uma mensagem perguntando a opinião de Kenma sobre os pingentes. Os dois já trocavam mensagens havia bastante tempo e o garoto de Tóquio tinha sido um dos primeiros a saber do relacionamento dele com Kageyama, assim como Hinata fora um dos poucos para quem Kenma contara do seu namoro com Kuroo.

"Comprei esses pingentes como presente de um ano de namoro. Você acha que ele vai gostar? Pensei que poderíamos combinar... Piegas, não?" Escreveu rapidamente, anexou uma foto do presente e clicou em enviar; revirando-se na cama enquanto esperava uma reposta do amigo. Já era um pouco tarde, mas, como amanhã era sábado, a resposta que Hinata esperava não tardou a chegar.

"Achei fofo. Espero que ele goste. Enquanto isso o Kuroo meu deu mais um gato. É o segundo em menos de três meses... Chamei-o de Kuroo II." A resposta tinha em anexo a foto de um gato preto de olhos amarelos e não havia como negar que o nome combinava bastante com o bichano, embora Hinata esperasse que ele não tivesse uma personalidade parecida com a de Kuroo I.

Fechou o celular, jogando-o em algum canto do quarto, e ficou a olhar para teto por vários minutos. Centenas, se não milhares, de questionamentos rondavam sua mente. Queria saber se Kageyama havia planejado alguma coisa para amanhã... Se ele iria gostar do presente... Mas, e se ele houvesse esquecido que amanhã era o aniversário de um ano de namoro deles? Não, não. Hinata sacudiu a mão em frente ao rosto, como se estivesse a espantar mosquitos imaginários. O moreno era um tanto lerdo e esquecido com coisas que não envolvessem vôlei, mas ele tinha certeza de que o namorado não esqueceria uma data tão importante quanto aquela era para eles... Não é mesmo?

Ainda com aquelas perguntas aterrorizando seus pensamentos, seus olhos começaram a pesar e sua boca abriu-se em um bocejo, formando um "o" quase perfeito. Hinata rolou um pouco na cama, buscando uma posição mais confortável, e acabou por adormecer logo em seguida; sonhando com algo que parecia envolver presentes de aniversário, gatos e vôlei.

– x -

Kageyama acordou com a estranha sensação de que havia esquecido alguma coisa, sua cabeça latejava e o impedia de tentar descobrir com mais ímpeto o que era. No entanto, suas suspeitas foram apenas confirmadas quando o celular apitou avisando-o de que Hinata o mandara uma mensagem.

"Assunto: Parabéns, Bakayama!

Adivinha que dia é hoje? Não, não é o seu aniversário... E sim o nosso aniversário de um ano!

Passarei aí durante a parte da tarde, okay? Iria mais cedo, mas tenho que a ajudar a Natsu com o dever de casa.

Tenho uma surpresa para você. Espere ansiosamente!

Com amor,

Shoyo."

Leu a mensagem mais uma vez... Duas, três, quatro vezes... Ele poderia continuar relendo aquela mensagem várias vezes seguidas e ainda não acreditar que tinha esquecido a data do aniversário de namoro deles.

O que ele poderia fazer? Kageyama andava de um lado para o outro pelo quarto tentando encontrar uma solução para aquela situação. Talvez ele devesse sair e comprar algum presente para o menor, mas ele não tinha dinheiro o suficiente para tal em casa e seus pais só chegariam tarde da noite do trabalho.

Ainda sem saber o que fazer, seus olhos acabaram encontrando um panfleto anunciando a abertura de uma nova confeitaria nas redondezas e ele finalmente teve uma ideia. Bolo! Hinata adorava bolo de morango, e uma fatia de bolo não era tão cara assim. A quantia de dinheiro em sua carteira provavelmente daria para comprar duas fatias, mas algo o dizia que aquilo não seria o suficiente para uma data tão especial quanto aquela.

Talvez devesse pedir ajuda a alguém; mas quem?

Oikawa Tooru.

O nome dele foi o primeiro que apareceu na cabeça de Tobio, e ele não fazia ideia de quem mais poderia ajudá-lo numa situação como aquela. Afinal, ele era uma das poucas pessoas que Kageyama conhecia que tinha uma vasta experiência com garotas — mesmo que Hinata não fosse uma — e relacionamentos.

Não, ele não podia recorrer logo a ajuda dele. Porém, o tempo passava rapidamente e Hinata logo estaria chegando. Mordendo os lábios e tentando conter a sua vontade de tacar o celular na parede, Kageyama discou o número de Oikawa e esperou.

"Alô, Tobio-chan~!" O jeito como a voz daquela pessoa pronunciava o seu primeiro nome irritava-o imensamente, mas não podia deixar aquilo perturbá-lo. Precisava de ajuda, e muita.

"O-O-Oikawa, eu pre-preciso da su-sua ajuda. Por fa-favor."

As risadinhas abafadas de Oikawa, que começaram logo após a fala de Kageyama, ecoavam pela linha.

"É gago agora, Tobio-chan? Mas, quem disse que eu quero ajudá-lo?" Mesmo sem poder ver o rosto do outro conseguia imaginar o sorriso de desdém que Oikawa provavelmente tinha estampado em seu rosto naquele exato momento. "Antes de mais nada, eu ganho alguma coisa com isso?"

Kageyama engoliu a raiva em sua voz antes de tentar articular alguma resposta.

"Eu... Qualquer coisa... Você... Quiser."

"Hm, não entendi. Pode repetir, Tobio-chan?"

"Eu faço qualquer coisa que você quiser, desde que... desde que você me ajude."

"Oh, agora sim estamos começando a nos entender melhor, Tobio-chan. Algum problema no vôlei?" Após a derrota para Karasuno na semifinal do Torneio de Primavera em seu último ano como colegial, Oikawa recebera uma bolsa de estudos para estudar em uma grande universidade de Tóquio e, mesmo fazendo parte do lado vencedor, Kageyama não podia negar que ainda tinha muito a aprender com Tooru caso quisesse se tornar o melhor levantador do Japão e, quem sabe, do mundo.

"Não, não é nada disso... Eu meio que esqueci que hoje era uma data importante para mim e para o Hinata..."

"Você esqueceu que hoje é o aniversário de namoro de vocês, certo?" Oikawa suspirou. "Às vezes, eu acho que você tem uma bola de vôlei no lugar do cérebro, Tobio-chan."

"Sim, algo como isso... Então, o que eu devo fazer?" Perguntou, ignorando a parte sobre ele ter uma bola de vôlei no lugar do cérebro.

"Já pensou em se oferecer como presente? Colocar uma fitinha vermelha na cabeça e dizer 'Sou o seu presente. Faça o quiser comigo esta noite' ou coisa do tipo?"

"... Eu nunca faria isso!" Kageyama disse revoltado, não conseguindo evitar de corar ao imaginar a cena e agradecendo pelo outro levantador não estar do seu lado naquele momento.

A risada de Oikawa, que Kageyama não conseguia deixar de achar irritante, parecia ecoar por sua cabeça. Com a sua paciência, que era pouca, esgotada, desligou o telefone sem se despedir nem agradecer pela ajuda que não recebera.

"Maldito Oikawa!" Praguejou e chutou uma bola de vôlei, que ricocheteou na parede e o acertou na cabeça.

Sentou-se na cama buscando se acalmar, mas a raiva foi apenas substituída pelo desespero. Seu desespero era tanto que a ideia de se oferecer como presente parecia cada vez menos absurda e idiota.

Mas, antes de disso, ele precisava sair para comprar os bolos. Era o mínimo que podia fazer por Hinata.

– x -

16h.

As fatias de bolo já estavam devidamente compradas e se encontravam na geladeira. Kageyama andava de um lado para o outro pelo quarto, esperando impaciente pela chegada de Hinata.

Olhou para a fita vermelha sobre a cama. Será que ele conseguiria fazer um laço no mínimo apresentável em si mesmo?

O som da campainha ecoou pela casa silenciosa, despertando Kageyama de seus devaneios, que correu para atender a porta e encontrou um Hinata sorridente do outro lado.

Quando o viu, o ruivinho pulou para abraçá-lo, envolvendo seu pescoço com os braços e prendendo as pernas contra a sua cintura; o peso fez com que ambos caíssem no chão. Hinata beijou-o rapidamente e, praticamente gritando, desejou-o um feliz aniversário de um ano de namoro. A felicidade do menor era tanta que chegava a ser tangível.

Ainda em cima de Kageyama, Hinata abriu a bolsa e retirou o pequeno embrulho com o presente, entregando-o para o moreno e obrigando-o a abri-lo imediatamente.

Um pingente para celular, com um pequeno corvo pendurado, caiu na palma da mão de Kageyama quando este virou o embrulho. Era estranhamente adorável como o pequeno pássaro lembrava Hinata.

"E aí?" Hinata perguntou, praticamente quicando de ansiedade em seu colo.

"E-Eu... Eu adorei."

Shoyo sorriu e retirou seu telefone do bolso da calça.

"Olha, eu também tenho um! Agora estamos combinando!" Um pingente idêntico ao que estava na mão de Kageyama balançava no celular de Hinata, e ele achou aquilo estupidamente fofo. Enquanto muitos casais usavam anéis ou pulseiras como símbolo de seu relacionamento, os dois possuíam pingentes para telefone.

Kageyama segurou Hinata pelos ombros, empurrando-o para trás e invertendo as posições, ficando por cima. Pego de surpresa, Hinata riu e, passando seus braços pelo pescoço de Tobio, puxou-o para mais perto de si; deixando seus narizes colados em um beijo de esquimó.

– x -

Os dois estavam sentados na cama de Kageyama, um clima tenso se estabelecera entre eles. A embalagem do bolo estava sobre a escrivaninha, vazia.

"Você esqueceu..." Hinata disse em um tom melancólico.

"Sim. Eu sinto muito." Kageyama não conseguira mentir para o namorado e acabara confessando ter esquecido o aniversário. Ele não imaginava que o ruivinho fosse ficar tão triste quando ouvisse a verdade.

Hinata estava de costas para ele. Será que estava chorando?

Agindo por impulso, o que não era de seu feitio, Kageyama abraçou o menor.

"Me desculpe."

Não obteve nenhuma resposta, mas ao menos seu abraço não foi rejeitado por Hinata — o que era um bom sinal.

"Eu te amo." Quando aquelas três palavras mágicas saíram de sua boca, notou que as falava pela primeira vez. Nunca falara para Hinata que o amava. Ele realmente era um péssimo namorado.

A surpresa fez com que Hinata se desvencilhasse de seu abraço, virando-se para encará-lo.

"Eu também te amo, Bakayama." Disse, um sorriso abrindo-se em seu rosto marcado pelas lágrimas, e jogou-se em cima de Kageyama, derrubando-o na cama.

Quando a tensão enfim passou, os dois pareceram notar que estavam sozinhos em casa. O constrangimento começando a tomar conta. Eles ainda não haviam indo adiante, sempre parando um pouco antes das coisas realmente começarem a esquentar.

"Er, Kageyama..." Hinata começou, as bochechas ficando vermelhas de vergonha. "Você quer tentar, hm, bem..." Ele não conseguia terminar de formular a frase, o que queria falar era constrangedor demais.

Tobio apenas anuiu com a cabeça e abraçando-o, de modo que o rosto de Hinata ficasse escondido em seu peito e que ele não pudesse ver o seu rosto, sussurrou:

"Podemos tentar o que você quiser. Eu sou... Eu sou o presente." Kageyama disse, usando a ideia de Oikawa. Seu rosto corando de vergonha assim que acabou de proferir aquelas palavras.

Hinata tão logo ouviu aquilo ser falado de forma tão séria, começou a rir; o que serviu para deixar Kageyama ainda mais envergonhado. Bem, sua frase não surtira o efeito desejado, porém tinha quebrado a tensão que estava se formando.

Cansado de ser feito de piada, Kageyama beijou Hinata, obrigando-o a parar de rir.

– x -

Após fazerem sexo pela primeira vez, Kageyama e Hinata descansavam na pequena cama de solteiro do moreno, entrelaçados em um abraço. Tobio brincava com os cabelos rebeldes de Shoyo, que ressonava baixinho.

Eles podiam ficar daquele jeito para sempre.

Aquele era o melhor presente que eles poderiam querer, a companhia do outro.

Notas finais
Eu queria ter escrito a primeira vez deles, mas não deu. Estava muito em cima da hora e não ficaria tão bom assim. Já comentei que sou péssima com cenas de sexo? Er, sim? Desculpa. -q Acabou ficando implícito, porém achei que o final ficou fofinho. :3 Tomara que não tenha ficado MUITO clichê, mas o romance KageHina, na minha humilde opinião, é tão aquele romance adolescente, fofinho e tals, e tals. NO MEU HEADCANON O ENNOSHITA VIRA CAPITÃO DEPOIS DO DAICHI, HELL YEAH. Não consegui revisar tão bem quanto eu queria. Depois, assim que eu tiver tempo, faço uma revisão mais detalhada. Espero que não tenha nenhum erro grave ou alguma falha/brecha no plot. Tem tanta coisa para estudar. ;A; Aliás, também preciso escrever a drabble de hoje para o Desafio de Outubro. Obrigada por lerem. ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!