Present Perfect

10 9. Before the storm


Notas iniciais
Gente do céu, me perdoem pela demora! Eu tô com esse capítulo escrito tem mais de dois meses e ele já foi postado no wattpad e no ffobs, mas por algum motivo eu simplesmente esqueci de atualizar aqui também! Espero que possam me perdoar por isso! Boa leitura ;*

Capítulo 9. Before the storm

14/07/2009

— Por favor! — Ethan exclamou de súbito quando seus olhares se encontraram.

Seu rosto estava tão próximo dela que por pouco Amy não rolou ao chão por conta do susto.

— Para de ser estranho. — Reclamou desgostosa e empurrou-o para longe.

Ainda com o iPod laranja em uma das mãos, ela virou o tronco para deitar-se de lado no sofá e continuar ignorando a criatura irritante que era seu melhor amigo.

O cutucão que recebeu nas costelas pouco depois a pegou tão desprevenida que acabou derrubando a parte pontuda do aparelho contra o peito. Reprimiu um gemido de dor ao fitá-lo sem muita paciência.

Ethan continuava com a mesma feição suplicante de antes.

— Por favor!

Amy não precisou pensar muito para perceber de que raios ele estava falando.

— Não. — Respondeu séria e logo tratou de afastá-lo pelos ombros para que pudessem ter uma conversa à mesma distância de duas pessoas normais.

Ethan caiu sentado sob o carpete e apesar de esboçar uma careta, aquilo não o impediu de continuar insistindo como o ser insuportável que era.

— Por favor!

— Não!

— Por favor!

— Meu deus, como você é chato! — Bufou, sem vontade alguma de continuar lidando com aquele assunto. — Eu não vou mudar de opinião.

— Mas olha só pra isso! — Disse em êxtase ao erguer seu mais recente experimento para que ela pudesse vê-lo mais de perto.

O cheiro do vinagre irrompeu por suas narinas e Amy precisou esforçar-se conter um espirro. O maldito havia mexido no armário embaixo da escada — onde ela estabelecera um pequeno laboratório improvisado, um lugar calmo para a realização de suas experiências científicas — sem a sua supervisão.

De novo.

— Eu estou olhando para isso têm duas semanas, já. — Não fez esforço algum para disfarçar a irritação. — Eu te mostrei quando comecei, lembra?

— Lembro. — Ethan anuiu e havia uma empolgação absurda em sua voz. — Mas eu não imaginava que ficaria assim! É muita bruxaria.

Como se para provar o que dizia, Ethan dobrou em um nó o osso de galinha que segurava.

A facilidade com que fez aquilo não impressionou nem um pouco a menina, que já esperava que o carbonato de cálcio daquela estrutura reagisse com o ácido acético do vinagre. Se o osso agora se assemelhava muito a uma borracha, era porque havia se tornado basicamente um enorme aglomerado de colágeno.

E bom… aquele havia sido exatamente o objetivo de sua experiência. Podia ser legal e tudo o mais, mas não podia fingir que estava surpresa pelo resultado ser o que prevera.

— É muita química. — Corrigiu enquanto o observava com uma expressão séria no rosto. — E vai fazer parte do meu projeto pra feira de ciências, coloca de volta antes que acabe estragando o negócio.

— O ano letivo nem começou. — Ethan rebateu, mas fez o que foi pedido e adiantou-se para guardar o osso no frasco vazio que estava ao seu lado no chão.

Ele podia adorar provocá-la, mas de vez em quando também lembrava-se de ter um pouco de amor à vida.

— E daí? Eu quero muito ganhar de novo esse ano, é divertido.

— Você não tem noção de como é igual à Hermione! — O menino exclamou, estendendo-lhe a mão com o recipiente. — Ou à Lily Evans, a mãe do Harry.

Sem paciência para discutir aquele mesmo assunto pela enésima vez, Amy pousou o frasco com o osso ao lado do abajour e jogou-se ao lado de Pistache contra as almofadas.

— Não começa com isso de novo, pelo amor de tudo o que é mais sagrado.

— Com certeza igual à Lily, você é até ruiva como ela. — O menino fez uma pausa e pela visão periférica, Amy o observou coçar o queixo com uma expressão pensativa. — Aposto que você também seria a melhor do seu ano em poções.

— Eu estou falando sério, Ethan.

— Eu também. — Ele continuou, aproveitando para sentar-se no lugar do carpete próximo de onde seus pés pendiam. — Agora quanto à sua casa em Hogwarts… Provavelmente Corvinal.

— Ethan…

— Ou sonserina, você tem essa vibe meio bruxa das trevas, vingativa e tudo mais. Combinaria direitinho.

Há muito mais tempo do que conseguia se lembrar, Amy vinha fazendo todo o possível para manter-se afastada daquele universo mágico que era tão apelativo a Ethan. O esforço fora tamanho — afinal, ela estava na Grã-Bretanha e aquele conjunto de países era ridiculamente aficionado à saga de J.K Rowlling — que nem mesmo fazia ideia de a que raios o melhor amigo a estava comparando. Ainda assim, seu discurso pareceu-lhe ofensivo e ela atirou uma almofada com força em sua direção.

— Definitivamente sonserina. — Concluiu, sem se deixar abalar enquanto esfregava o nariz no local em que fora atingido.

Amy bufou.

— Você não vai desistir nunca?

— Jamais. — Ethan respondeu com um sorriso confiante. — Sou um lufano e minha casa é conhecida pela paciência dos seus membros.

— Já comentei o quanto você consegue ser insuportável quando quer?

Ethan ponderou por alguns segundos com uma feição concentrada no rosto.

— Deixa eu ver… Só hoje você disse que eu era desastrado demais para entrar no seu laboratório. Depois me chamou de inconveniente e irritante quando eu insisti e te fiz me mostrar tudo mesmo assim.

— Porque você é.

Ele ergueu uma mão para impedi-la de continuar a falar e Amy rolou os olhos.

— Você também fez eu me sentir uma criança quando me proibiu de encostar em qualquer coisa sem a sua permissão. E quando eu te ignorei e derrubei sua maquete com moléculas de DNA, você também fez questão de gritar comigo, me acertar na cabeça com a Adenina de isopor que eu quebrei e dizer que eu tenho a delicadeza de um hipopótamo.

Amy irritou-se ainda mais com drama.

— Porque você tem.

— Não terminei. — Ethan a interrompeu e ela sentiu-se tentada a lançar outra almofada contra seu rosto. — Depois de me agredir fisicamente, você também me chamou de destrambelhado, colocou os fones de ouvido, disse que eu era um porre e começou a me ignorar! Isso tudo depois de ter implorado para que eu saísse do conforto da casa do meu pai para vir te ver…

— Eu não implorei coisa nenhuma! — Amy arquejou na defensiva.

— Os prints das nossas conversas dizem outra coisa. — O garoto rebateu, erguendo o celular para o seu rosto. Também deu zoom nas palavras “você vem hoje??” seguidas de um emoticon sorridente para provar o argumento. — Mas voltando ao assunto… Comentar sobre eu ser insuportável? Não, isso você não fez hoje.

— Pois saiba que estou fazendo agora.

Ela fitou com intensidade os olhos castanhos do melhor amigo, uma expressão impassível no rosto, como se para ressaltar que não pretendia continuar aquele assunto.

Sem se deixar abalar, Ethan sustentou seu olhar com a mesma determinação.

— Por favor?

Amy expirou o ar com força ao quebrar o contato visual e deitar a cabeça sob o colo de Pistache.

— Eu não vou mais discutir com você.

— Eu faço qualquer coisa!

A declaração levou Amy a erguer o tronco outra vez, agora para encará-lo com uma expressão divertida e desafiadora no rosto.

— Qualquer coisa?

Ela tinha uma das sobrancelhas arqueadas e foi só então que Ethan pareceu perceber o quanto aquele tipo de frase dava margem a outras interpretações.

— Finge que eu não disse isso.

— Tarde demais, queridinho. — Amy declarou, sem disfarçar um sorriso ao vê-lo corar até a raiz dos cabelos.

— Não é não. — Ethan rolou os olhos.

— Minha mãe sempre fala que não dá pra retirar as palavras depois que elas saem da sua boca. — Disse em um tom condescendente que sabia que o tiraria do sério. — E é por isso que se deve pensar muito antes de dizer qualquer coisa.

— Pode até ser. — Ele concordou com desânimo. — Mas você nunca escuta o que a sua mãe fala.

Amy riu ao dar de ombros.

— Detalhes.

— Detalhes que vão fazer a gente esquecer que esse último minuto da nossa conversa aconteceu.

— Mas era um argumento tão convincente. — Ela protestou, fingindo estar chateada. — Juro que me faria reconsiderar.

— Até parece. — Ethan respondeu, cruzando os braços depois de se deitar de costas contra o carpete. — Eu sei o que você quer e me recuso, minha dignidade me impede.

— Mas eu achei que você quisesse muito que eu lesse os livros de Harry Potter. — Ela o lembrou acerca do que estava em jogo.

— Eu não vou aprender a usar sua língua da tabela periódica, Amy.

A ruiva tentou não sorrir por finalmente ter ganhado a discussão.

— Então sinto informar, mas parece que eu vou continuar sem fazer parte desse seu universo mágico.

— Ninguém consegue usar esse negócio. É bizarro demais.

Ficaram em silêncio por alguns segundos até que Amy conseguisse pensar no que responder.

— O Alec consegue. — Argumentou por fim, lembrando-se com desgosto do gêmeo que trocara um dia inteiro de férias com ela pela chance de acompanhar os pais em um plantão no hospital.

— Porque ele é estranho igual a você.

Sem pensar muito no assunto, Amy cedeu ao impulso de atacá-lo com uma das almofadas vermelhas que decorava o sofá. Era uma coisa quando ela pensava no próprio irmão como o embuste que sabia que Alexander podia ser. Mas era outra completamente diferente quando alguém de fora o fazia.

A agressão fez seu amigo bufar e puxá-la pelo tornozelo esquerdo até que ela caísse de costas contra o carpete.

— Isso doeu.

— Da mesma forma que dói toda vez que você se recusa a assistir os filmes comigo.

A ruiva rolou os olhos com o drama, mas se ajeitou de uma forma que pudesse deitar ao lado dele no chão.

— Eu não vou ler, Ethan. — Disse, preparando para repetir o discurso de sempre enquanto fitava com desinteresse os risquinhos. — Eu odeio Harry Potter.

— Ódio é uma palavra muito forte. Você nunca nem deu uma chance para ele.

Amy assentiu.

— Eu sei.

Ficaram em silêncio até Pistache decidir ocupar o espaço entre eles.

— Algum dia você vai me contar o por quê? — Ethan perguntou, lutando para afastar do rosto os longos pelos brancos do cachorro.

— Acho improvável. — Amy admitiu.

Por mais nova que fosse, a menina gostava de transparecer uma postura forte e impassível — algo que destoava bastante de sua aparência frágil de pré-adolescente. E a ideia de que alguém, mesmo que seu melhor amigo, pudesse vir a conhecer aquele lado de si que era totalmente vulnerável a apelidos e zoações por conta da cor de seu cabelo a incomodava.

Como admitir a qualquer um que uma infância inteira sendo chamada de cenoura, palito de fósforos e ferrugem havia realmente a afetado? Amy fora chamada de filhote de raposa e Weasley — com direito a piadinhas não só pela cor de seu cabelo como pelas roupas que usava — tantas vezes que se recusara até mesmo a pesquisar sobre aquela família, membro do universo de Harry Potter, para descobrir a que seus bullys se referiam quando a chamavam por aquele sobrenome. Desenvolver uma aversão gigantesca a qualquer coisa relacionada àquela saga inteira de livros e filmes fora uma espécie de defesa natural.

E estaria se saindo muito bem em sua missão de continuar alheia a tudo aquilo se não fosse pela insistência de Ethan. Parecia-lhe uma belíssima piada que universo a tivesse presenteado com um melhor amigo cujo principal defeito estava justamente nos gostos literários.

— Nem mesmo se eu te contar algo em trocar?

Amy virou-se de lado e apoiou o rosto sobre os cotovelos para encará-lo com curiosidade.

— Estou ouvindo.

— Tem alguma coisa que você queira muito saber?

— Sim. — Ela afirmou, sorrindo travessa. — Os detalhes de quando você tentou impressionar uma menina da sua turma com um truque de basquete, acabou caindo e teve de fazer aquele seu amigo, Connor, te carregar até a enfermaria porque achou que tivesse quebrado o braço, mas na verdade foi só o dedinho?

Ethan arregalou os olhos, surpreso.

— E você precisa de mais detalhes além desses?

Ela deu de ombros enquanto enrolava os dedos no pelo de Pistache.

— Só se eles forem bastante constrangedores.

— Nada além do que você já sabe, eu sempre te conto tudo.

— Sério? — Indagou com o cenho franzido, sem conseguir acreditar no que ouvia. — Tudo mesmo?

— Sério. — Ethan confirmou com a cabeça, parecendo um tanto envergonhado. — Eu não sei esconder as coisas de você.

A confissão arrancou um sorriso de Amy e, pela primeira vez, ela percebeu o quão injusta estava sendo com o menino.

Eles se conheciam há mais de cinco anos agora, conversavam quase todos os dias pelo MSN, e se falavam pelo menos uma vez por semana pelo skype, às vezes com mais frequência se algo urgente surgia na vida de um dos dois. Quando Ethan estava em Manchester, passavam tanto tempo juntos que os pais dela ligavam no celular do menino para descobrir onde estavam — já que Amy sempre se esquecia de colocar o seu para carregar. Aprontavam um com o outro e, se estivessem inspirados, usavam os conhecimentos científicos de Amy e a habilidade de Ethan de resolver problemas para pregar peças nas pessoas que ela desgostava. Geravam tamanho caos juntos que os pais agradeciam aos deuses pelo fato de passarem três quartos do ano separados por um oceano inteiro.

Alexander podia ser seu gêmeo e a pessoa mais importante do mundo para Amy, alguém com quem ela partilhava uma conexão absurda e inquebrável. Mas Ethan era seu melhor amigo e embora fosse irritante e a tirasse do sério diariamente, era também seu parceiro no crime. Compartilhava com ele detalhes de sua vida, histórias vergonhosas e acontecimentos de sua vida amorosa que jamais teria coragem de pronunciar ao irmão.

Se Amy pretendia continuar se recusando a conhecer a história favorita dele, talvez lhe devesse mesmo uma justificativa plausível.

— Pode começar a revirar as suas outras histórias, então.

— E por que eu faria isso? — Ele questionou desconfiado e a menina rolou pelo carpete, empurrando o cachorro até que pudesse se colocar exatamente ao seu lado e pousar a cabeça em seu ombro.

— Porque se eu vou me abrir à possibilidade de talvez mergulhar no universo dos seus livros preferidos, vou mesmo querer alguma história muito pessoal em troca.

— Parece justo. — Ethan tentava disfarçar um sorriso. — Quer que eu te fale sobre o meu lugar favorito nos hotéis do meu pai.

Amy ergueu o rosto para fitá-lo e arqueou uma sobrancelha. Sabia que seria repreendida pela provocação que viria a seguir, mas não conseguiu se conter.

Era mais forte do que ela.

— Finalmente vai me explicar o seu fetiche por jardins? Ok, é uma troca justa.



13/07/2017

Qualquer pessoa com o mínimo de sanidade mental sabe que não há maior prenúncio de desgraça do que uma atmosfera pacífica.

E nos três dias que se seguiram ao incidente na Universal Studios, não houve qualquer novo conflito entre Amy e Ethan.

Muito daquilo se devia ao fato de não terem sequer dirigido uma frase completa um ao outro nesse período. Limitavam-se a coisas como: responder que horas eram, passar uma cerveja ou enviar um emoji no grupo do whatsapp quando alguém capturava outro companheiro de viagem em um momento nojento ou engraçado. A falta de diálogo, no entanto, não impedia Amy de flagrá-lo observando-a de tempos em tempos, embora ela tinha a impressão de que todos preferiam que continuassem distantes como estavam.

Constatar isso a matava por dentro.

Ela preferia os gritos e discussões constantes àquele tratamento polido e educação forçada. Preferia as brigas por coisas inúteis à indiferença. Preferia não ter de agir como se fossem total estranhos quando a verdade era que haviam sido melhores amigos por uma década.

Tudo estava calmo demais e aquele era o tipo de coisa que incomodava Amy a ponto de perder o pouco controle que conseguia exercer sobre a sua ansiedade. O desejo de agir e alterar aquele quadro equilibrado a tomava com tamanho fervor que perguntava-se com frequência por quanto tempo mais conseguiria resistir.

Para a total surpresa de Amy, no entanto, os outros não estavam nem um pouco alheios ao seu estado de espírito. Pareciam também inteiramente decididos a evitar o provável pandemônio, de modo que a ruiva encontrava-se o tempo todo sendo distraída pelo irmão e pela prima. Os dois custavam a deixá-la sozinha por um momento que fosse, quase como se temessem o que ela faria caso tivesse a oportunidade de passar algum tempo sem supervisão com os próprios pensamentos.

Mas Amy não tinha culpa de sua mente ser uma máquina a todo vapor. Algo que tinha vida própria e seguia num ritmo tão distinto do restante de seu corpo que a obrigava a estar em constante funcionamento.

Por isso, sempre que começava a sentir-se agitada demais, Amy corria.

Corria e sentia com satisfação o suor fazer com que finas mexas de cabelo alaranjado grudassem contra o seu rosto. Corria, ignorando os protestos de suas pernas quando o exercício começava a fatigá-las demais. Corria a toda velocidade, como se tivesse o rei da noite e um exército de White Walkers em seu encalço. Amy corria porque tinha a impressão de que apenas quando estava em movimento que todo o seu organismo entrava em sintonia.

Era no ritmo das passadas, do sentir de seus pés deixando e retornando ao chão e da respiração, calma e constante, que conseguia encontrar calma para organizar os pensamentos. Então seus problemas pareciam diminuir e abandonar a postura de monstros que tendiam a ostentar oitenta por cento do tempo.

Amy corria e a cada centena de metros deixava para trás uma preocupação, um conflito interno, ou um temor.

O problema era que Hollie e Alexander não compartilhavam de seu entusiasmo pelo exercício físico prolongado. Logo, a partir do momento em que os dois davam início a seus planos de mantê-la ocupada para adiar um confronto — que todos sabiam ser inevitável -, suas corridas estavam fora de cogitação.

A princípio, tivera um dia inteiro dedicado apenas à manutenção do sistema capitalista: acompanhada de Mochaccino, visitara shoppings e outlets com Hollie em uma jornada consumista que a prima pretendia compartilhar com os inscritos em seu canal. Amy, que gostava de fingir fazer parte do lado da família que era controlado, responsável e tão mão de vaca quanto o Julius de Todo mundo odeia o Chris, limitou-se a observar, mas a verdade era que só não havia torrado uma montanha de dinheiro também porque tal montanha não existia.

Complicado esbanjar quando seu orçamento consiste em uma bolsa de pesquisa e se é enviado ao outro lado do oceano com apenas uma semana de aviso prévio. Não havia qualquer possibilidade de multiplicar seu saldo quase negativo ou implorar um pequeno empréstimo aos pais naquele período.

Depois do que lhe parecera uma eternidade no interior de lojas de departamento, retornaram ao hotel. Amy, que apenas acumulara energia ao passar metade do dia esperando do lado de fora de provadores, estava prestes a sair com Mocha para dar uma volta pelo bairro quando três batidas soaram contra a porta.

— Oi! — Alexander sorriu e ela arregalou os olhos, surpresa ao vê-lo.

Desde que havia lhe contado sobre o noivado, o irmão havia começado a procurá-la com mais frequência. Amy não saberia dizer se por finalmente ter sentido sua falta ou apenas por carregar a culpa pelas consequências de suas ações — como ser o responsável por trazer Ethan de volta à sua vida e ainda obrigá-la conviver com o antigo melhor amigo por meses em uma viagem quando ela na verdade deveria estar ocupada, antecipando o mestrado — mas a ruiva jamais reclamaria dos motivos se o resultado fosse ter o gêmeo tão próximo a ela quanto antes.

Só não deixaria de surpreender-se com isso tão cedo.

— Oi. — Disse, por fim correspondendo o sorriso.

Não demorou a sentir uma respiração quente contra seu tornozelo, seguida de unhas arranhando a pele exposta. Ela deu um passo, afastando-se da porta para que Mochaccino pudesse passar e seu irmão tomou o buldogue nos braços.

— Expresso! — Alec exclamou, apertando o filhote contra o peito. — Sentiu minha falta?

Mocha emitiu um ronco satisfeito em resposta, o que foi interpretado como um sim pelos gêmeos e os fez rir.

A troca de carinhos continuou por mais alguns instantes e Amy escorou-se contra a porta a fim de esperar que o irmão pronunciasse o motivo de sua vinda até ali. Quando não o fez, ela achou melhor interromper.

— Alec? — Chamou.

O gêmeo ergueu o olhar para ela por um segundo, uma mão ainda estava ocupada em afagar as orelhas do buldogue, enquanto este tentava morder seus dedos.

— Sim?

— Aconteceu alguma coisa?

— Não. — Ele respondeu e, por um instante, pareceu verdadeiramente confuso com a pergunta. — Por quê?

— Não sei. — Confessou, recostando a cabeça contra o batente de madeira. Uma infame tentativa de parecer mais relaxada do que se sentia — Você apareceu, cumprimentou o cachorro e não disse mais nada.

— Tem razão. — Alec admitiu com uma risada. — Mas não aconteceu nada, só vim descobrir se você tem planos para essa noite.

— Ler artigos pra minha tese de mestrado conta? — Indagou, franzindo o cenho.

— Não. — Alec negou com a cabeça. — A não ser que planeje fazer isso durante um encontro com alguém que conheceu pelo Tinder ou coisa do tipo.

A mera sugestão a fez rir incrédula e isso atraiu a atenção de Mochaccino, que começou a contorcer-se para desvencilhar-se dos braços de seu irmão e pular para os seus.

— Você sabe que eu não estou saindo com ninguém. — Lembrou-o enquanto tomava o cachorro para si. Mocha fitou-a com adoração em seus olhos cor de mel e ela não pode evitar sorrir ao acariciar seu pelo curto. — Não tenho pretensão de mudar meu status de solteira nunca mais. — Ela havia, afinal, acabado de passar pelo traumático término de um relacionamento que durara mais de quatro anos.

Alec a encarou e tinha um sorriso divertido no rosto.

— Existe um ditado popular que diz “nunca diga que dessa água não bebereis…

— Isso não é um ditado. — Ela corrigiu. — É um meme.

— Que termina dizendo: porque vai que bebereis, nadareis e se afogareis.

Amy rolou os olhos com o desfecho.

— Você está passando tempo demais com o Connor.

Ele colocou uma mão sob o peito como se o comentário o tivesse ofendido, mas não continuou o assunto.

— Isso quer dizer que não tem planos?

— Claro que não.

— Ótimo. — Ele disse por fim, sorrindo outra vez ao estender a mão para bagunçar seus cabelos. — Porque a Hollie pretende continuar colocando as sacanagens com o Connor em dia e eu vim te salvar do terrível destino de ter que acordar com os dois transando na cama ao lado.

Um arrepio de horror percorreu sua coluna e Amy se pegou balançando a cabeça para afastar as imagens nítidas que brotaram em sua mente. Ter uma Imaginação muito fértil podia se mostrar uma grande merda às vezes.

— Vou pegar a comida do Mochaccino.

— Seu pijama e uma escova de dentes também. — Alec acrescentou. — Seu hálito matinal é horrível.

Respondeu com um soco fraco em seu ombro enquanto murmurava um “cala a boca”, mas correu para fazer o que o irmão pedira.

— Onde está a Cassandra? — Perguntou com curiosidade quando entraram no quarto e o encontraram impecavelmente organizado e silencioso.

— A Cassie saiu com o Ethan. — Alexander a corrigiu, mas ela deu de ombros ao colocar o cachorro no chão depois de a porta ser fechada. — Nós fomos a uma exposição de maquetes de obras arquitetônicas hoje, sabia?

Aquilo soara a Amy como a coisa mais entediante do universo, mas ela se forçou para não deixar transparecer enquanto caminhava em direção ao frigobar próximo à cama.

— É mesmo? — Indagou ao abaixar-se para apanhar duas cervejas. — Que interessante.

Seu olhar encontrou com o do irmão e ao vê-lo segurar o riso, a ruiva soube que não o havia enganado nem um pouco. Estendeu uma longneck a ele como um pedido de desculpas pelo dia perdido.

— E tem um restaurante japonês maravilhoso perto da Downtown Disney que você precisa conhecer. — Completou, aceitando a bebida e a simples menção a comida fez o estômago dela roncar alto. — Serviço de quarto?

Amy assentiu com fervor.

Eles seguiram trocando comentários sobre os mais aleatórios assuntos enquanto davam a Mocha toda a atenção que o buldogue estava mal acostumado a receber: afagaram sua barriga, coçaram suas orelhas, apertaram suas dobrinhas e também revezaram-se para arremessar uma meia pelo quarto até que o coitado caísse exausto sob o carpete e se limitasse a emitir um ronco sempre que precisava se mexer durante o sono.

Conversaram por horas, comendo uma porção de porcarias fritas — que com certeza os deixara mais próximos de um infarto — e virando cervejas. Amy adormeceu ao lado do irmão na cama de casal e, quando acordou no dia seguinte, encontrou-o ainda dormindo, abraçado à cintura da cunhada na ponta oposta. Cassandra devia ter chegado em algum ponto depois de terem pego no sono.

Acabou precisando de mais café do que o aconselhável para conseguir se forçar a acompanhar os demais pelo gigantesco Epcot. Alexander parecia bastante determinado a ignorar o cansaço e arrastá-la para conhecer cada mísero canto do parque temático, estava tão enérgico que não se parecia nem um pouco como alguém que não dormira por menos de quatro horas naquela noite.

Amy culpava a faculdade de medicina por fazê-lo funcionar normalmente mesmo quando deveria estar no modo zumbi de The walking dead.

Retornara ao hotel tão exausta que lhe faltara energia para fazer algo além de buscar Mochaccino na creche animal e tomar um banho morno. Seus pés latejavam, os ombros ardiam pelas queimaduras solares e ela acabou por desabar como uma pedra sob a cama de Hollie ao invés da sua, renegando à prima a tarefa de manter seu cachorro entretido por algumas horas até que o próprio a deixasse dormir.

Foi recobrar a consciência — de um sono pesado e sem sonhos — apenas quando o interfone tocou no dia seguinte, trazendo um recado do irmão pelo recepcionista: estavam atrasadas para o café da manhã. As duas se arrumaram o mais rápido que puderam, chegando ao restaurante faltando menos de dez minutos para o fim do serviço e então passaram as sete horas seguintes perambulando em grupo pelo Animal Kingdom: um parque que possuía filas demais e atrações de menos.

Nos primeiros vinte minutos de espera pela vez deles na expedição pelo Everest, uma das únicas montanhas-russas realmente radicais do complexo Disney, Amy tentou se ocupar com a leitura dos artigos do mestrado que havia atrasado. Mas havia um limite de conteúdo científico que se podia absorver sob um calor de 35ºC, de modo que diversas vezes pegou-se usando as folhas de papel como um abanador improvisado.

Rendeu-se à tecnologia, pegando o celular do bolso para passar o tempo em alguma rede social e encontrou uma série de novas fotos no grupo de sua família no WhatsApp. Seus pais haviam cruzado com golfinhos em mar aberto e em meio a declarações exaltadas à natureza e à beleza do universo, tornaram a ressaltar o quanto queriam poder compartilhar aquele momento com os filhos. Amy estava prestes a responder com um emoji irônico quando seu pai completou a mensagem com um “brincadeirinha, nunca me senti tão livre” que a fez rir.

Ao menos alguém estava se divertindo pra valer naquelas férias.

E aquele fora exatamente o tipo de pensamento errado que tanto seu irmão quanto Hollie vinham tentando fazê-la evitar há dias, pois acabaria desencadeando algum plano mirabolante que resultaria em desgraça.

Era de conhecimento geral que Amy cansaria de bancar a pacífica eventualmente. E no momento que ela o fizesse, seria a faísca que faltava para que o caos se instalasse de vez.

**

Uma vez, anos atrás, quando ainda eram tão próximos quanto unha e carne, Amy e Ethan confiaram um ao outro informações que ninguém mais tinha. Ela lhe dissera os motivos de ir contra todos e se manter afastada daquela que era a sua saga literária favorita e ele lhe contara sobre o lugar que mais gostava nos hotéis de seu pai.

Ethan lhe falara sobre uma época na qual tudo era mais simples. Antes do pai ser vítima de um esquema fiscal que faliu tanto sua empresa quanto seu relacionamento, levando-o a desistir de tudo — incluindo os próprios filhos — e mudar-se para Manchester. Mason recomeçara a vida com o auxílio de um primo, mas até que conseguisse voltar a prosperar economicamente, Caroline tivera trabalho para reencontrar a estabilidade que as crianças estavam acostumadas.

Amy o ouvira falar sobre jardins de inverno e como eles o lembravam da casa em que vivera quando os pais ainda estavam juntos. Por isso, apesar de parte de si alegrar-se com a surpresa de perceber que ainda o conhecia muito bem, não estranhou nem um pouco encontrá-lo ali.

Tratava-se de uma área com pelo menos trinta metros quadrados e de uma atmosfera agradável e tranquila. Havia pedras grandes no entorno da grama, plantas em vasos espalhados pelo chão e pelas paredes e o único som audível era o da água que escorria por uma fonte. Não havia mais ninguém por lá e a ruiva se lembrou também de algo que o rapaz lhe dissera sobre os hóspedes certa vez: eles nunca se davam ao trabalho de explorar as áreas que não fosse a piscina, o bar ou a academia.

Ethan desviou o olhar do livro que tinha aberto sobre as pernas para fitá-la logo que ela se colocou à porta e por um momento, houve legítima surpresa e curiosidade nos olhos castanhos, mas ele não demorou a voltar a atenção para a leitura.

Uma das mudanças que mais a havia incomodado no rapaz desde que o reencontrara fora essa facilidade com a qual ele se mostrava alheio à sua presença.

Permaneceu em silêncio, analisando seu perfil à distância enquanto ele limitava-se a mudar de página de tempos em tempos. Estava sentado na grama, as costas apoiadas contra um grande vaso de cerâmica branco como se o livro em suas mãos fosse a coisa mais valiosa do universo.

Ele tinha uma aparência tão mais adulta agora, Amy reparou. Abandonara o estilo desleixado que tivera durante a adolescência — com shorts largos, camisetas com estampas irônicas e bonés que nunca combinavam — para adotar uma postura que transbordava responsabilidade. Embora traços da rebeldia que ela um dia despertara se fizessem presentes nos cabelos mais compridos e na barba por fazer.

Contemplar as pintinhas ao redor de seu nariz a enchia de lembranças agridoces e sentimentos contraditórios. Vivia numa constante luta interna acerca do que fazer desde que o vira naquele restaurante: devia ignorá-lo por agir como um completo babaca? Ou gritar a plenos pulmões com a sua pessoa por agir como um completo babaca?

Tentara ambas as alternativas e nenhuma apresentara um resultado satisfatório: Ethan seguia tratando-a com uma indiferença que fazia seu sangue ferver. Era tão frustrante que a fizera surtar.

Literalmente.

— Vai durar mais tempo se você tirar uma foto.

Talvez não tão indiferente assim. Ele também era adepto de uma troca de provocações vez ou outra, só para variar um pouco.

— Dizem que criaturas demoníacas não aparecem em fotografias.

Não precisava de convite para se aproximar, mas Ethan pareceu chocado pela atitude mesmo assim.

— Quase certeza de que isso só é válido para vampiros. — Respondeu, fechando o livro quando ela se sentou ao seu lado. — E na última vez que chequei, não sou do tipo que morre quando exposto ao sol.

— Uma pena. — Disse com pesar e esticou o pescoço para ler o título na capa. — Ele morre no final.

O rapaz arregalou os olhos, incrédulo.

— O quê?

— Capítulo cinquenta e três. — Amy repetiu o spoiler falso, sustentando seu olhar incrédulo enquanto tentava prender o riso. — Vai ser envenenado pela antiga melhor amiga.

Ethan estreitou os olhos, mas abriu o livro para procurar pela página com o índice.

— A história acaba no cinquenta e quatro.

— Será coincidência? — Ela questionou com um uma expressão divertida enquanto ele seguia encarando-a sem acreditar no que ouvia.

Balançou a cabeça por um momento antes de se render e perguntar:

— O que você quer?

Foi bastante sensato da parte dele não terminar a frase com um “Amelia”.

— Tantas coisas. — Amy respondeu e deixou escapar um suspiro ao começar a enumerar — Fazer uma descoberta que revolucione a ciência, ganhar um prêmio Nobel, ter um programa como o do Carl Sagan ou do Neil Degrasse Tyson e usar a nave da imaginação para investigar o cosmos…

Ethan tentou não esboçar reação alguma, mas acabou deixando escapar um sorriso sutil. Tratava-se de uma lista que gritava seu nome de tão típica.

— Você entendeu. — Disse por fim e ela assentiu.- Por que está aqui?

— Eu não sei. — Admitiu, esticando os braços em um alongamento antes de voltar a encará-lo e Ethan estreitou os olhos com desconfiança.

— Isso quer dizer que a trégua acabou?

Amy sorriu e se ele foi capaz de vislumbrar os planos escondidos por trás daquele gesto, não demonstrou.

— Claro que não, Ethan. — Disse com o seu melhor tom passivo-agressivo ao se levantar para seguir em direção à saída. — Claro que não.

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O hotel dos Holmes na Flórida fora muitíssimo bem decorado: tons pastéis, móveis caros e pinturas modernas espalhados em alguma lógica Feng Shui que Amy não compreendia. Era o tipo de coisa relevante somente a pessoas fúteis que gostavam de fingir-se cultas e desconstruídas.

Tudo tinha um estilo tão diferente das pequenas pousadas espalhadas pelo interior da Inglaterra que nem mesmo pareciam fazer parte da mesma franquia.

— Boa noite, senhorita McKinnon. -O gerente do luxuoso Inspector Inn, um homem de meia idade, com pele cor de café e um punhado de cabelos grisalhos interrompeu seu fluxo de pensamentos.

— Boa noite, Lucius. — Ela o cumprimentou com um aceno.

Já tinha dado outros dois passos em direção à porta de saída quando foi tomada por uma ideia.

— Está tudo bem? — O homem perguntou simpático ao vê-la à sua frente no balcão. — Tem algo que eu possa fazer pela senhorita?

— Tudo tranquilo. — não que isso vá continuar por muito tempo, completou para si mesma. — Na verdade, tem sim.

Deu seu melhor sorriso envergonhado — fruto de muito tempo observando Hollie praticar técnicas de atuação — e fingiu coçar a têmpora por um momento.

— Sou todo ouvidos.

— Eu queria avisar o senhor de uma coisa e, se não for muito abuso, fazer um pedido.

— O que houve? — Havia genuína preocupação em sua voz e aquilo a fez sentir-se culpada.

Viajar com os filhos do chefe apresentava algumas vantagens no atendimento. Mas Amy odiava aproveitar-se da hospitalidade e da boa educação dos outros.

— Eu estive no Jardim de Inverno agora há pouco e notei que a grama está um pouco seca. — Lucius arregalou os olhos como se ela tivesse dito que um tornado estava a caminho. — Queria saber se vocês têm como ligar os irrigadores, estou preocupada com as plantas.

— Mas é claro. — O gerente não titubeou ao concordar. — Vou fazer algumas ligações e posso te prometer que em dez minutos estará tudo devidamente irrigado.

— Obrigada. — Amy sorriu. — E me desculpe por incomodar com isso, de verdade.

— Bobagem! — Lucius jogou uma mão para o ar. — Eu que me desculpo por ter arruinado sua visita às flores com um cenário indigno.

Ela gargalhou com o exagero em suas palavras, mas tentou esconder a satisfação que teimava em espalhar-se por seu rosto quando lembrava-se de Ethan e da curiosidade com a qual ele perguntara se a trégua acabara.

Pobre rapaz, ninguém nunca havia lhe dito que não se pode pôr um fim no que sequer começou?

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Observações:

¹ White Walkers: ou caminhantes brancos, são uma antiga raça de criaturas do gelo humanóides,que vêm do extremo norte de Westeros. Acabaram por se tornar as criaturas mais temidas do universo fictício de Game of Thrones e representam uma ameaça a qualquer coisa viva.

²Todo mundo odeia o Chris: dramédia estadounidense inspirada na infância do comediante Chris Rock e situada na década de 1980. Julius, pai do personagem principal, é conhecido por ser extremamente avarento.

³The walking dead: série de televisão baseada nos quadrinhos de Robert Kirkman que retrata a vida após o apocalipse zumbi.

Notas finais
Heeey! Como eu disse lá em cima, mil desculpas a vocês por essa demora além do normal! Além de esquecer de atualizar aqui, eu ainda tive uma maratona de provas de vestibular em novembro/dezembro e faz poucos dias que estou oficialmente de férias, então só agora voltei a ter tempo de escrever. Enfim, espero que tenham gostado! Esse capítulo foi bem mais introspectivo do que os outros, mas espero que eu tenha conseguido transmitir a mensagem a respeito dos dilemas internos da nossa personagem principal. Por favor, não deixem de comentar me dizendo o que acharam, pois o feedback de todos é a coisa mais maravilhosa da vida! E boas festas a todos vocês! Nos vemos ano que vem ♥ Ps: eu fiquei em 2º lugar no concurso do @fanctions com uma short Jily que escrevi baseada no enredo proposto por esse tweet ""uma fic que lily trabalha em uma empresa e tenta sempre pegar vírus no computador pro gatinho da informática james potter ir lá arrumar". Aviso desde já que é do tipo NSFW (tbm conhecido como +18/restrita/hentai e etc hahahha), mas aos interessados, eis o link: https://fanfiction.com.br/historia/735414/O_cara_da_TI/ PARA SABER MAIS SOBRE ATUALIZAÇÕES: Grupo no facebook:https://www.facebook.com/groups/128749984389140/?ref=bookmarks Twitter: @rvolcov