Presa no Tempo

13 Capítulo 13: Você é meu anjo, venha e deixe tudo bem.


Notas iniciais
Boa noite pessoal! Mais um capítulo espero que gostem! Link do título nas notas finais. . "O passado e o futuro parecem-nos sempre melhores; o presente, sempre pior." ~ William Shakespeare . #MeninaImprovável

~ 02:35, Terça-feira, Junho, Ano: 2140

— ME SOLTA! — eu gritava batendo nele.

Ele pegou minha mão e a apertou no chão enquanto a outra passava pelo meu corpo. Consegui soltar a minha mão da dele e o empurrei pra trás conseguindo me mover de lugar.

— VOLTA! — ele disse me puxando pela manga da jaqueta.

Eu passei os braços por dentro das mangas e a jaqueta saiu de mim, ao sair do contato da minha pele ela sumiu por ser da pulseira. Ele tentava me agarrar por onde dava mas a chuva fazia com que minhas roupas e corpo ficasse mais escorregadio. Continuei me debatendo e tentando sair de perto dele enquanto ele puxava meu short pra baixo.

De repente a porta por onde saímos se abriu com força, um homem chegou, jogou o que segurava em suas mãos no chão e pulou em cima do cara que estava me prendendo. Eu me afastei ainda sentada empurrando o chão com o pé que não torci até encostar na parede, enxuguei a água do meu rosto com as mãos e olhei naquela direção, era Rafael.

Ele estava em cima daquele homem dando socos em seu rosto com toda força que conseguia. Ele estava com uma expressão que nunca havia visto, era raiva pura.

Rafael levou um soco no rosto que o virou em minha direção e me olhando rapidamente. Ver o medo em meus olhos só o fez ficar com mais raiva, parecia que ele nem tinha levado aquele soco e continuou batendo no cara que me pegou.

— DESGRAÇADO! — Rafael gritou puxando ele pelo colarinho da blusa e o batendo no chão que soltou um gemido de dor.

— Eu não faço mais! — o homem agora era puro desespero.

— Não, não vai. PORQUE EU VOU TE MATAR! — Rafa disse puxando do bolso seu canivete e pondo no pescoço do meu agressor.

O homem segurou o pulso que estava o canivete tentando afasta-lo sem sucesso.

— O que você prefere? — perguntou — Prefere no pescoço que morre mais rápido ou posso cortar seu pau e o ver sangrar até morrer. PODE ESCOLHER! — Rafael sorriu e apertou a faca no pescoço dele.

— PARA!! — ele gritava e implorava para que o soltasse.

— Eu acho a segunda opção mais interessante! — Rafael disse passando a lâmina no rosto do homem fazendo um corte aparentemente fundo e sangue escorreu pelo seu rosto.

Eu não sabia o que fazer, ao mesmo tempo que eu queria ver o cara completamente destruído, eu não queria ver Rafael sendo incriminado e preso, eu comecei a ficar desesperada, eu não conhecia esse lado dele. Minha respiração ficou mais pesada que antes, eu não conseguia respirar direito.

— Rafa... el... — eu disse em um sussurro não proposital.

O segurança da casa noturna apareceu no beco graças aos gritos desesperados daquele covarde.

— PARADO! — o segurança tirou a arma de seu quadril e a apontou pra Rafael.

A ponta da arma estava com uma luz vermelha indicando estar completamente carregada. Rafael deu um último soco no corte que tinha feito no rosto do cara o fazendo gemer e então levantou as mãos olhando para o policial.

— SOLTA! — o segurança ordenou.

Rafael abriu a mão e deixou o canivete cair na poça de água ao seu lado.

O segurança se aproximou de Rafael ainda com a arma apontada em sua direção, até que olhou pra mim sentada no chão. Ele se aproximou de mim ainda apontando a arma para os dois.

— O que houve?

— Ele... — eu ainda respirava pesado — Ele tentou...

Eu não conseguia dizer nada.

— Rafael... Me ajudou...

Ele virou o olhar pros dois.

— Quem é Rafael? — perguntou a mim.

Eu só consegui levantar a mão na direção dele. Automaticamente, o segurança tirou a arma da direção de Rafael e a apontou para o homem deitado.

— Sai dai. — ele disse ao Rafa que saiu rapidamente de cima do cara.

Quando foi passar, o segurança o pegou pela blusa.

— Só vou aliviar sua barra... — ele sussurrou algo no ouvido dele.

Eu estava sentindo minha visão ficar turva. Vi Rafael pegar o canivete, a jaqueta e a por em meus ombros.

— Va... — ele tentou me levantar do chão.

Minha respiração ficou pior que estava e meus ouvidos já não ouviam mais nada. Minha visão ficou turva, desmaiei.

**

~ 12:34, Terça-feira.

Acordei passando a mão na cabeça.

— Poderia dormir mais dois dias... — murmurei.

Abri os olhos.

— Hã?

Sentei na cama e olhei ao redor.

— ...?

Passei a mão na cama, era muito mais macia que a minha e a minha nem era tão ruim assim.

Olhei pra porta e tinha umas roupas penduradas, era algumas das roupas do Rafael que ele provavelmente esqueceu que estavam penduradas ali, passando os olhos pelo quarto foi quando olhei pro meu pé e vi que ele estava enfaixado por causa da torção de ontem. Levantei da cama e, mancando, abri a porta do quarto, na frente tinha o quarto de Rafael com a porta aberta. Entrei.

— Rafa? — perguntei.

Ninguém respondeu. Olhei para o fundo do quarto onde estava o guarda roupa dele e me olhei no espelho. Eu estava descabelada, com o pé enfaixado e com a blusa suja por causa de ontem. Eu estava horrível!

Abri as portas do armário dele, peguei uma blusa azul marinho e coloquei-a. Ficou larga em mim, isso era óbvio que iria acontecer, mas pelo menos não estava suja.

Sai do quarto e andei mancando pelo corredor até a sala, foi quando cheiro de batatas veio até mim. Fui à cozinha e vi Rafael cozinhando virado para o fogão fazendo carne de panela, era meu prato favorito e ele sabia. Ele estava com uma calça de moletom cinza e sem camisa, ele estava completamente a vontade, fazia tempo que não o via assim e o que eu via era muito lindo e sexy. Encostei um pouco no batente da porta para observa-lo antes de o chamar.

— Rafa? — disse.

Ele tomou um susto e deixou a espátula que usava para fazer as batatas cair no chão.

— Heleka! — ele disse pegando e levando até a pia pra lavar — Que susto.

Eu dei risada, ele olhou pra mim.

— Essa blusa ficou muito bem em você.

— Obrigada. — sorri e ficamos nos encarando por alguns minutos até que falei: — Precisa de ajuda?

— Ah! — ele exclamou — Sim! Por favor. Pode ralar esse queijo? Quero usar um pouco no meu molho depois de pronto.

— Claro.

Ele me deu uma tigela com um queijo e um ralador. Comecei meu trabalho. Estávamos em completo e absoluto silêncio, só o barulho bem baixinho da panela cortava o silêncio. Mais alguns minutos se passaram e eu acabei de ralar todo o queijo, até que me lembrei.

— Hoje a gente não deveria ter ido trabalhar? — perguntei.

— Você ta com o pé inchado. — ele disse pondo alguns ingredientes no arroz — Pedi 2 ou 3 dias de licença médica.

— Com que atestado? — olhei pra ele largando o ralador na pia.

Ele sorriu de lado.

— Uma mentirinha não faz mal a ninguém.

Nós nos encaramos sérios e começamos a rir.

— Rafa, você não vale nada.

— Nem cinco centavos. — ele disse rindo.

Meu celular começou a tocar em cima da mesa da sala, ele estava funcionando!

— Ela ta te ligando a horas. — ele disse. — Eu pedi que concentrassem seu celular hoje de manhã. Ele estava a tela quebrada e por conta disso entrou água dentro. Você sabe que os celulares são a prova d'agua agora mas quando quebra a tela fudeu né?

— Sei. — ri — Obrigada.

Fui até a mesa e atendi.

" — Alô?

— SUA VACA!!! — Luana gritou do outro lado da linha.

— Boa tarde. — disse sentando e pondo o pé machucado no braço do sofá que era mais confortável que a cama.

— Quase me mata de preocupação! Onde você foi ontem?

— Ah eu fui na... Hã... — tentei lembrar e disfarcei — Que fofo da sua parte lembrar de mim!

— Cala a boca Helena para com isso. — ela disse séria — Ontem você sumiu do nada, o Rafael apareceu correndo até o Lucas e ficou perguntando aonde você estava!

— Eu não lembro! — eu disse me rendendo — Lembro que sai, torci o pé do lado de fora e meu celular quebrou. Só isso.

— Hm. Tudo bem. O pé ta bem? — ela perguntou.

— Eu acabei de falar que eu torci! — eu dei risada e ela riu comigo.

— Luana! Almoço ta pronto! — ouvi uma voz grossa do outro lado da linha.

— Esse é o Lucas? — eu disse ficando espantada.

— Alguém se deu bem a noite passada gata! — Luana riu — Vou desligar.

— CAMISINHA!

— Tchau!"

Nós rimos e ela desligou o telefone.

— O que ela queria? — perguntou Rafael pondo uma toalha na mesa da sala.

— Ela queria saber se eu estava bem e por quê eu sumi ontem. — disse levantando e sentando à mesa.

Com tudo na mesa, ele sentou na minha frente. Era uma mesa simples mas a comida com certeza estava deliciosa. Uma linda carne de panela com batatas e arroz estava me esperando. Mas, eu tinha algo a fazer antes. Quando Rafael estendeu a mão para pegar a colher eu puis a mão em cima da dele rapidamente. Eu o encarei e ele fez o mesmo.

— Rafa... — disse — Me desculpa... Por ontem... Eu...

— Foi uma mala? — ele disse.

Arqueei uma sobrancelha.

— Que direto!

Ele riu.

— Desculpa.

— Sim, eu fui mala. — dei risada — Eu... Devia ter esperado seu tempo e qualquer hora você iria me dizer tudo. Eu fui egoísta, chata e mais um monte de coisas.

Ele levantou a minha mão na altura de sua boca.

— Eu te entendo. Eu faria o mesmo. Te desculpo e também peço desculpas. — ele beijou minha mão.

Ele tirou os lábios da minha mão.

— Por ter brigado com você e te beijado a força.

— Tudo bem, Rafael. — eu sorri e acariciei sua mão com meus dedos.

Nós ficamos um tempo de mãos dadas.

— Ah! — minha barriga roncou tão alto que ele ouviu e começou a rir.

Peguei a colher, puis um pouco de arroz e uns pedaços de carne no meu prato.

— Deixe-me ver se sua comida é melhor do que era antes. — disse pondo ela na boca.

Estava uma delícia.

— Muito bom! — disse com a boca cheia.

Ele deu risada.

— Com certeza não foi com você que eu aprendi!

Olhei pra ele com cara de ódio que começou a rir.

**

Depois de comermos eu comecei a ajuda-lo com a louça.

— Rafa... — disse deixando a água morna cair em minhas mãos — O que... Houve ontem?

— Hã?

— Por que eu estava suja como se tivesse rolado na lama? Por que a Luana estava preocupada? Por que eu torci o pé? Por que estou aqui no seu apartamentozinho com colchões de rico?

— Não tenho colchões de rico! — ele riu — E você estava suja por que caiu na água suja... Eu não iria tirar suas roupas enquanto dormia pra te trocar, então, te sequei com meu robozinho.

Eu sorri pra ele.

— Só... Lembro de algumas coisas de ontem. — sequei minhas mãos — Lembro direito só até a parte que tomei tequila, depois disso só flashes.

— Você tomou tequila?

— Eu era a única que sabia o "ritual".

Ele riu.

— Me lembrei da nossa formatura.

Eu dei risada. Ele pegou os copos recém-lavados e secos da pia para guardar.

— Bom, foi sorte estarmos na mesma festa.

— Sim, foi. Eu me lembro de você lá. — disse.

— Lembra? — ele ficou confuso.

— Claro. Eu estava bêbada, mas... Lembro claramente de você subindo as escadas com uma moça acho que chama Mayara. — disse.

— Ah! — ele ficou vermelho — Era você...

— ...?

— Eu senti que alguém me observava enquanto subia as escadas. — ele disse envergonhado.

— Por que está com vergonha? — disse — Onwt, que fofo.

— PARA! — ele riu sem graça.

Aproximei-me dele e apertei sua bochecha.

— Ficou com vergonha de eu descobrir que você perdeu a virgindade?

Ele deu um tapa fraco na minha mão.

— Eu não sou virgem! — ele virou o rosto — Por que todo mundo acha isso?

— Eu adoro te irritar com isso.

Dei risada, mas confesso que senti um pouco de ciúmes. Ele ficou em silêncio.

— O que aconteceu ontem? — perguntei sentando nos banquinhos altos da cozinha.

— Eu não sei, porquê eu não estava com você, mas... Depois que sai... do camarim da Mayara...

— Ah, no camarim é? — olhei pra ele cruzando os braços e arqueando as sobrancelhas.

Ele sorriu de lado.

— Sim! — nós dois rimos — Enfim, — ele pegou um copo com água e sentou ao meu lado — depois, você me ligou, mas a ligação caiu, foi ai que eu te procurei por toda a festa.

Fiquei passando as minhas mãos uma na outra.

— Encontrei Lucas, um amigo meu...

— Lucas é seu amigo? — perguntei — Minha amiga estava tentando ficar com ele ontem e parece que ela conseguiu.

Dei risada.

— Sim, — ele riu — encontrei ele e a garota estava desesperada te procurando. E, alguns dos meus amigos me disseram que você tinha ido pra fora pela saída de trás. Eu fui até lá correndo e bom, empurrei a porta e vi... Você caída no chão com um cara por cima de você. — ele começou a se sentir incomodado e começou a passar a mão na nuca como sempre faz.

— Ele...? — perguntei apontando para meu corpo.

— Não, ele não chegou a te abusar assim do jeito que você está pensando mas... Bom, ele te tocou, ele tentou! E isso... — ele fechou os punhos com muita força — Isso me irritou muito! Eu fiquei muito puto!

— O que você fez? — disse passando a mão em seu braço para acalma-lo.

— Eu... Bati nele.

— Bateu? — perguntei.

— Sim... Eu não aguentei... Eu comecei a espancar ele.

Fiquei em silencio ouvindo.

— E... Ameacei matar ele.

Eu tirei a mão do braço do braço de Rafael.

— É eu sei, eu ia mata o cara, eu... Fiquei maluco...

Ele pois a mão na cabeça

— Sou um idiota.

— Sim, é. — disse — Mas me ajudou Rafa. Se não fosse você...

Levantei-me e cheguei perto dele, me colocando no meio de suas pernas que estavam abertas com seus pés apoiados no banco.

— Obrigada, meu anjo. — dei um beijo em sua testa.

O peguei pelos ombros e o puxei para perto de mim encostando sua cabeça no meu peito, ele pois os braços em volta da minha cintura e me puxou pra perto dele o máximo que pode. Passei as minhas mãos pelo seu cabelo para acalmá-lo, ele estava tenso, eu conseguia sentir em seus ombros. O peito quente dele contra a minha barriga é a melhor coisa do mundo, passei as mãos em suas costas que estavam nuas e senti ele se arrepiar com meu toque.

— Como você me trouxe até aqui? — olhei pra ele ainda abraçado em mim.

— Subi em cima da minha moto com você no colo.

— Que?

— To brincando. — ele riu olhando pra mim.

Dei risada.

— E meu carro? — perguntei.

— Eu chamei um guincho. Ele pois seu carro e minha moto atrás e eu fui com você no colo na cabine do motorista.

Sorri pra ele.

— Você levou meu carro pra minha garagem?

— Não, trouxe pra cá. Eu tenho uma vaga de moto, mas eu aluguei a vaga de carro da vizinha da frente por uns dias.

— Obrigada... Mas eu vou voltar pra casa.

— Não. — ele disse me soltando — Não vai.

— Como não? — me afastei encostando na pia da cozinha — Acha que você fala e eu obedeço?

— Sei que você não me obedece. Mas isso são ordens médicas.

— O que?

— Mas é uma criatura. Você não consegue andar direito acha que vai conseguir dirigir? Olha... — ele disse levantando ficando alguns centímetros perto de mim — Você vai ficar 3 dias de repouso. E... — ele passou a mão na nuca de novo — E eu quero que você fique aqui comigo. Pra eu cuidar de você.

Cruzei os braços em frente ao peito, virei os olhos para o outro lado.

— O que me diz? — ele perguntou.

Eu queria ir pra minha casa, mas eu adoro a ideia de ficar aqui com Rafael, depois do nosso desentendimento que eu pensei que iria durar semanas só durar um dia, um tempo juntos vai nos fazer bem. Virei os olhos de novo dessa vez olhando pra ele.

— Só se você trouxer o Minx e... Preciso de roupas também, não quero ficar usando as suas.

Ele sorriu e ficou me olhando.

— Vai logo pegar antes que eu mude de ideia.

— Já vou! — ele disse pegando a pulseira dele e pondo no pulso selecionando uma blusa vermelha com um dragão preto estampado.

— Vai trazer o gato na moto? — perguntei arqueando as sobrancelhas.

— Relaxa. Eu chamo carona.

Ele abriu a porta pra sair.

— OW! — eu segurei a porta — Como você vai entrar na minha casa?

Ele me encarou pensando por um instante.

— Hackeando seu sistema de novo!

— Nada de hackear sistema DE NOVO! — peguei uma caneta da mesinha ao lado da porta e peguei a mão dele — Pode cadastrar sua digital na minha casa. Eu tenho acesso a sua, você pode ter acesso a minha, nada mais justo!

Marquei meu código na mão dele.

C87A56J, ele vai pedir esse código, você vai ter que por meu nome inteiro e minha data de nascimento.

— Ok.

— Ah e por favor. Cadastra como RAFAEL. Não como: Amor da sua vida.

Ele riu.

— Seria engraçado. — apertou o botão do elevador.

— Ah, claro. — eu ri.

Ele entrou no elevador. Eu fechei a porta e encostei nela logo em seguida.

— Ok... O que tem pra fazer aqui?

Eu fui pro quarto dele. Parecia que estava maior do que a última vez que eu vi, ele deve ter feito alguma reforma. Não que eu já tenha entrado aqui muitas vezes, mas quando ele se mudou pra cá, uma vez quase fui parar na sua cama. Mas isso não vem ao caso.

Falando nisso lembrei-me do que Rafael falou:

"Eu não iria tirar suas roupas enquanto dormia pra te trocar..."

Isso, é tão fofo. Como que ele consegue ser tão fofo? Eu deitei na cama dele, peguei um de seus travesseiros e abracei de encontro ao peito, estava com seu perfume. Isso é tão bom, me sinto bem, me sinto protegida mais do que na minha casa... Eu não passei nem umas horas aqui e já quero passar uma semana inteira ainda mais se o Minx ficar aqui com a gente. Esses 2 ou 3 dias, como ele diz, vão ser ótimos para nós, vou tentar arrancar dele todos os segredos que tem pra esconder de mim de alguma maneira e vou contar alguns meus também se ele perguntar. Isso é bom... Queria contar pra ele como que era entediante o passado.

**

Olhando em volta me lembrei que suas roupas estavam penduradas atrás da porta do meu quarto, fui lá devagar e peguei elas. Voltei pro quarto dele, dobrei todas as roupas e abri o armário para guarda-las. Quando abri a gaveta para por sua blusa dentro eu vi, encostado no canto, um envelope azul bem claro. Eu não devia, mas peguei e o abri.

Dentro tem duas fotos reveladas em papel fotográfico, isso é raro hoje em dia, uma das fotos era da mãe dele com o pai. Rafael, de rosto e físico, claro, não era nada parecido com sua mãe, mas ele era o clone perfeito do pai, tirando os olhos, os olhos de Rafa são verdes iguais os da mãe, os do pai eram castanhos. Não sei muito sobre o pai, nunca me contaram, eu sei onde ele está, mas... Será que me conta algo sobre ele agora?

Dando uma última olhada na foto, eu sorri e a puis de volta no envelope tirando a outra foto de dentro. A outra foto era de Rafael encostado na moto dele ao lado de uns amigos também encostados em suas respectivas motos, ele estava mais jovem na foto... É a mesma aparência que ele tinha quando me deixou sozinha. Sorri, não por ter me deixado, mas por lembrar como ele era antes.

— Cheguei! — ouvi da entrada.

Guardei a foto rapidamente, puis na gaveta e a fechei como se nada tivesse acontecido. Sai do quarto.

— Por que estava no meu quarto? — ele disse pondo uma mala minha no chão e uma caixinha de transporte do outro lado.

— Estava deitada na sua cama. — disse.

Ouvi um miado.

— MINX! — fui até a caixinha — Oi meu anjo!

Apertei um botãozinho em cima da caixa e a portinha se abriu, Minx saiu e começou a roçar na minha perna.

— Foi difícil enfiar esse gato na caixinha! — Rafael me disse sentando no sofá.

— Ele não gosta. — eu ri.

— Percebi! — ele me mostrou o braço onde tinha umas marcas de arranhão.

Dei risada.

— Última vez que o enfiei na caixinha foi pra ir ao veterinário, desde então ele não gosta mais dela.

Rafael deu risada.

— Obrigada pelas roupas! — disse pegando a mala de rodinhas.

Minx pulou no sofá e já se enrolou para dormir.

— Ele deve amar esse sofá mais do que o meu. — disse.

— Não tem muito o que falar, esse é muito melhor.

Arqueei a sobrancelha olhando pra ele que riu. Levei minha mala até meu quarto.

— Trouxe bastante roupa em. — disse.

— Sim, — ele disse do quarto dele — eu não sabia o que você iria querer então trouxe algumas a mais né...

— Fez bem! — sorri — Sempre gosto de ter algumas roupas extras.

Virei para o armário e as portas se abriram. Coloquei algumas roupas penduradas nos cabides e outras nas gavetas. No fundo da mala tinha minhas roupas íntimas, na verdade tinha muitas.

— Não economizou nas lingeries em. — disse rindo pegando elas.

— Foi a parte mais interessante.

Ele riu. Fui até a sala, peguei o Minx no colo e levei até a cama do meu quarto.

— Fica aqui, Mon Amour.

Meu gato levantou na cama, se espreguiçou o máximo que conseguia, deitou de lado e voltou a dormir.

Sentei na beirada da cama acariciando o gato que ronronava e comecei a pensar em tudo que havia acontecido... O cara que me assediou, Rafael que por sorte estava no mesmo lugar que eu e me ajudou. Eu não lembro de nada mas pensar que um homem desconhecido me tocou me fez estremecer de medo.

Rafael... Queria saber onde ele aprendeu a lutar e tudo mais... Eu sei que foi logo depois que ele fugiu de casa, é engraçado pensar que quando ele foge de casa ele aprende a andar de moto, ganha dinheiro, aprende a lutar... O máximo que eu fiz nesse tempo que fiquei sem ele foi cortar o cabelo sozinha em casa, está que até que ficou bom, bem curto, mas... Em meus pensamentos fugi e só depois de um tempo percebi que estava pensando alto.

— É...

— Está falando com quem?

— Hum? — olhei pra ele que estava em pé na porta do quarto.

— ...?

— Ah! Nada... Eu estava pensando e comecei a pensar alto.

Ele sentou ao meu lado.

— Você parece assustada.

— O que? Não, não to não.

Ele me encarou como se buscasse respostas em minha alma.

— Está bem, agora eu to assustada.

Ele riu.

— Desculpa... — disse — Eu fiquei assustada quando você me disse sobre aquele cara. E confesso que fiquei meio assustada quando você disse que mataria ele.

Ele ficou em silêncio e me abraçou. O calor de seus braços me envolveu e eu me senti como se ele tivesse acabado de por em mim um escudo protetor de um avião de guerra Alpha-Jet.

— Eu vou te proteger. — ele disse beijando minha testa.

— Eu sei me proteger. — disse com o rosto enfiado em seu pescoço.

— Não foi isso que eu vi.

— Eu estava bêbada. — disse olhando pra ele.

— Tem razão. — ele riu.

— Se eu não sei me proteger, por que não me ensina? — perguntei.

Ele me olhou.

— Te ensinar? A lutar?

— Não, me ensinar a plantar batata.

Ele riu.

— Nunca ensinei alguém. Quem sabe um dia. — ele disse sorrindo pra mim.

Sorri de volta.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Deixe seu comentário! :D Aerosmith - Angel > https://youtu.be/CBTOGVb_cQg . #MeninaImprovável