Presa no Tempo
5 Capítulo 5: Ela dá um mergulho em meus devaneios.
Notas iniciais
~ 10:27, Terça-Feira, Junho, Ano: 2140.
— Minx desce da estante. Não tem nada pra você fuçar ai! — disse levantando da cama com o cabelo todo bagunçado. — Janelas.
Falei e as janelas se abriram deixando uma brisa entrar... Em Junho começa o inverno uma das minhas estações favoritas, mas começa no dia 21, um dia depois do meu aniversário.
Peguei o papel que tava na estante que Minx jogou no chão.
— Por que jogou isso no chão Minx? Queria ler? — falei.
"Tecnologias antigas que somente fábricas e empresas tem, Pag. 28."
Estava escrito na capa da revista.
"Por que ainda tenho isso guardado? Eu podia lê pela internet sobre isso." — pensei enquanto escovava os dentes.
**
Fui pra sala e joguei a revista em cima da mesa.
— Depois guardo.
Peguei meu café da manhã e sai comendo pro carro.
— TCHAU MINX!! — gritei pro fundo do corredor e o gato miou.
**
~ 11:02, Terça-Feira.
— Bom dia Rafa! — disse sentando na frente da minha mesa.
— Bom dia Heleka. Você parece meio séria hoje...
— Pareço?
— Parece. Dormiu bem?
— Dormi sim...
Abaixei a cabeça e passei a mão na mesa, o touch ligou e hologramas apareceram.
— No que ta pensando? — ele perguntou.
— Você sabe uma maneira de encontrar alguma coisa perdida? — perguntei.
Ele ficou pensativo. Eu já pensei em contar para o Rafa que eu vim do passado. Mas nunca contei, foi um conselho recebido pelo meu pai quando ele criou a máquina.
~ Flash Back ~
— Filhote, sabe uma das coisas boas de mexer com o tempo? — meu pai disse enquanto montava um protótipo de uma de suas invenções.
— Diga.
— Você poder voltar pro passado e mudar alguma besteira que fez, ou alguma coisa que aconteceu.
— Poderia voltar pro passado pra salvar alguém? — perguntei.
— Claro...
— Poderia salvar a mãe?
Ele ficou quieto e sorriu. Minha mãe faleceu em um tiroteio fazia 2 anos.
— Poderíamos claro... Mas... Não se pode mexer muito no passado. — ele virou pra mim — Mudar o passado pode trazer muitas coisas ruins ao presente que estamos agora. Pode causar mudanças drásticas.
— Então se eu voltasse e impedisse da mãe sair comigo aquele dia, poderia ter acontecido alguma coisa ruim? — perguntei.
— Talvez sim, talvez não. Nunca saberemos...
— E se eu fosse pro futuro e contasse pra alguém de lá que sou uma viajante?
— Certas coisas devemos manter em segredo... Essa é uma delas. Guarde segredo... É sempre a melhor escolha.
— Por que?
— Vai saber as coisas que podem fazer com você ao saber que você é uma viajante no tempo.
~ Fim do Flash Back ~
— HEY!!! Acorda! — disse Rafa passando a mão na frente do meu rosto.
— Desculpa... Eu acho que tive um devaneio.
— São frequentes? — ele riu.
— Estão piores. — dei risada.
— Queria ouvir esse riso. — ele sorriu pra mim.
Olhei aquele sorriso bobo e fiquei vermelha.
— Hã... Trabalho! — disse imitando a Suzana.
Ele deu risada.
**
— Sabe, — disse pro Rafa na hora do almoço — você realmente acha besteira eu estar indo atrás de algo que talvez não exista?
Ele colocou o canudo do refrigerante na boca.
— Talvez. — ele engoliu e pediu um mousse.
— ...
— É estranho sabe... — ele começou a dizer quando vieram entregar um mousse de morangos com chocolate para ele.
— Ta, é estranho eu correr atrás disso eu sei. — disse pegando uma colher do mousse dele.
— Estranho mesmo é você estar comendo meu mousse!!! — ele puxou o doce de volta pra frente dele.
Ele pegou a colher, pegou um pouquinho de doce e encostou na minha bochecha deixando ela suja de chocolate.
— Vingança. — falou.
Arqueei uma sobrancelha e ele começou a rir.
— Idiota! — disse rindo junto com ele.
Ele debruçou na mesa e deu um beijo onde passou o chocolate.
— Que você adora! — ele sorriu.
Acho que fiquei azul de vergonha. Peguei um guardanapo e limpei minha bochecha.
— Não faça isso.
— Mas você gostou! — ele falou convencido.
— Mas eu fico sem graça você sabe!
— Então próxima vez encosto a colher nos seus lábios. — ele deu um sorrisinho.
— RAFA!
Começou a rir.
— Só fui sincero.
**
"Alguma coisa pra achar... Achar alguma coisa..." — Pensava enquanto levava o holograma para o escritório ao lado.
"Poderia ser qualquer coisa, parece que estou numa caça ao tesouro. Brincava disso mas não é a mesma coisa, isso é real. Preciso de alguma coisa que sirva pra achar algo..."
— Toma. — disse estendendo o tablet com o holograma para... Qual o nome dele? Estava sentado em uma mesa.
— O que é isso?
— Suzana mandou isso pra você... Disse que era pra você arrumar alguma coisa mas não disse o que.
— Cada coisa que me arrumam pra fazer. — disse ele passando os hologramas. — Vou ver a localização desses prédios. Obrigado.
— De nada... Qual seu nome?
— Noa.
— Okay.
— Vamos embora — disse Rafa surgindo do nada e me puxando pelo braço para fora do outro escritório.
— Ai calma.
~ Flash Back ~
— NÃO PEGA ISSO AI! — meu pai gritou pra mim enquanto eu ia pegar um tubo de ensaio em cima da mesa.
— Ai por que não?! — Falei.
— Porque você não pode encostar nesse líquido ai...
— Por que?
— Nada só não pode... Se eu perder a máquina é ele que vai fazer eu encontra-la de novo com esse aparelho, — disse levantando uma coisa que se parecia com um celular — mas ele causa alguns efeitos colaterais em pessoas, não sei quais! Mas causa.
— Só pra isso que serve?
— Não. — ele disse pegando uma ferramenta no chão — Ele faz a viagem no tempo acontecer.
— Como você fez isso?
— Segredo.
~ Fim do Flash Back ~
— Devaneios. — disse Rafael passando a mão na frente da minha cara e dando risada.
— Sim. — dei risada.
**
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