Presa no Tempo
11 Capítulo 11: Over and Over and Over (+18)
Notas iniciais
(Por favor, leiam as notas iniciais antes de começar o capítulo.)
~ 19:20, Segunda-feira, Junho, Ano: 2140.
~ NARRAÇÃO DE RAFAEL ~
Helena saiu correndo pela rua, sozinha.
— Helena! — eu gritei, mas ela já estava longe de mais para me ouvir... ou se ouviu ignorou.
A chuva começou a cair.
— Porra... Agora vai parecer aqueles trailers... — fui resmungando até a garagem da empresa.
Peguei minha moto e acelerei pelo estacionamento até a saída.
**
Na rua, as gotas de chuva batiam no meu rosto até o portão da garagem do prédio em que moro e lá a garagem era coberta. Fui até o fundo da garagem onde tinha um pequeno portão, entrei por ele e estacionei minha moto. Era uma garagem reservada só para mim, tinha outra igual a essa só que para meu vizinho do andar de cima.
Fui para o elevador e subi até o penúltimo andar... Não, eu não moro na cobertura igual Helena diz, eu moro um andar baixo, uma: "semi-cobertura", se é que isso existe. Puis minha mão no leitor de digitais e entrei em casa.
— Ah, minha casa... — suspirei.
Tirei meus sapatos e joguei num canto qualquer. De repente algo bateu em meu pé, era o robô da limpeza que ficou o dia todo ligado, peguei ele e o desliguei.
— Depois ponho você pra carregar.
Puis no chão do lado da porta e me joguei no sofá pondo os pés na mesa de centro.
"Será que se eu ligar pra ela, ela me atende?"
Peguei meu celular e cliquei no contato dela. O holograma de sua foto de perfil apareceu para mim.
"... eu não acho que deveria."
Puis o celular de lado desistindo da minha ideia.
"Não vou ligar", pensei desligando a tela, “ela me da medo quando fica brava”, ri.
Fiquei por uns minutos sentado no sofá, com as mãos atrás do pescoço e os pés em cima da mesa de cento.
— Ligar TV. — falei.
A televisão virou para mim e ligou. Levantei do sofá e fui para o meu pequeno barzinho. Peguei um copinho pequeno de Vodka.
— Fazia tempo que não bebia isso. Nem devo lembrar o gosto.
Tomei um pouco do que tinha no copo.
— Como é bom beber isso nos momentos difíceis da vida.
Voltei pra sala e sentei no sofá com o copo no apoio de madeira ao meu lado.
**
~ 21:32, Segunda-Feira.
"Se fosse antes eu beberia até ver a última gota", pensei olhando a garrafa, “Eu não me orgulho disso. Nem um pouco.”
Eu conheci as bebidas depois que fugi de casa... Não é uma época que me orgulhe... Como será que seria minha vida se eu não tivesse sumido?
Olhei pro lado e vi que tinha um mísero resto de bebida no copo. Virei o copo em meus lábios.
~ FLASH BACK ~
~ Ano: 2132 (idade: 18 anos)
Eu queria sumir! Eu queria acreditar que era mentira, eu precisava sumir!
Não aguentei ver minha mãe deitada lá com o médico em pé do lado, sai correndo para meu quarto e bati a porta toda a força que consegui. Depois de uns minutos, ouvi alguém bater de maneira delicada do outro lado da porta.
— Rafael? — era a voz da Helena.
— O que foi? — disse.
— Posso entrar?
Abri e ela entrou. Sentamos na cama juntos e ela segurou na minha mão.
— Amor... — ela disse — Isso é doloroso mas...
— Helena... Ela é a única pessoa que sobrou da minha família...
— Eu sei... — ela me abraçou.
— Se algo acontecer com ela... O que eu faço?
Ela ficou quieta por um instante, me deu um rápido beijo no ombro e deitou na minha cama.
— ... Por que ela? — disse.
Helena me puxou para deitar ao seu lado.
— Só os bons morrem jovens. Todo o mal parece viver para sempre.
— É de alguém famoso essa frase?
— Iron Maiden.
— É aquela banda né?
Ela acenou com a cabeça e ficamos em silêncio. Deitado um do lado do outro, eu acariciava seus cabelos enquanto ela acariciava meu braço.
Ela rolou pra cima de mim.
— Hey... — ela pegou meu rosto entre as mãos — Vai ficar tudo bem. Temos um ao outro. E ela também vai melhorar.
— Desculpe, Helena. Não consigo melhorar com essas palavras.- olhei pro lado. – Você diz isso por que não sente essa dor que eu to sentido no momento.
— ... Eu senti... Muito antes de você, Rafael. – ela deu ênfase no “muito antes” — Afinal, eu também tive mãe, né. E... Pai.
— O que aconteceu com sua mãe?
Ela pensou por um instante.
— ... Não lembro. — foi uma resposta insegura.
Sentindo seu peso sobre meu corpo ela tocou meus lábios com os seus. Agarrei sua cintura bem forte, com medo de perde-lá também.
— Eu... Tenho medo de te perder. — disse entre nosso beijo.
— Você nunca vai me perder. — ela disse – Eu nunca vou te abandonar.
Ela me beijou, dessa vez mais profundamente. Helena pois a mão em meus cabelos enquanto a outra acariciava meu peito. Deixei uma das minhas mãos escorregarem para as costas dela depois um pouco mais abaixo onde agarrei com força.
— Sempre, você vai direto para minha bunda!
— É fofa... — olhei nos olhos dela com uma certa tristeza.
— Eu te amo... — ela disse pra mim.
— Eu também... Gosto de você.
— Não era isso que eu esperava.
— Desculpa.
— Tudo bem. Não é o momento... — ela disse triste e tentando sair de cima de mim.
Eu a segurei pela cintura para que não saísse.
— Fica... — murmurei — Preciso de você...
Ideias malucas estavam vindo em minha mente e eu precisava que essa garota ficasse comigo.
— Está bem. — ela disse.
Ela soltou seu peso sob mim e eu a abracei enquanto nossos lábios não se desgrudavam. Acariciei seus cabelos, ela tinha acabado de lavar eles então estavam macios e muito cheirosos. Toquei seus braços, sua cintura, suas costas. Parecia que eu estava marcando cada pedaço de seu corpo em minha mente para lembrar deles mais tarde, eu amava essa mulher, mas por que eu não conseguia dizer a ela? Sou um frouxo? Sim, eu sou.
Enquanto acariciava suas costas eu senti uma vontade forte de tirar sua blusa, a olhei como se tivesse pedindo permissão que a concedeu. Tirei sua blusa, ela estava usando um sutiã preto com uma pequena florzinha em cada uma das alças. Ela é muito linda. Sorri.
— Será que eu realmente te mereço? — disse.
Ela deu uma risada fraca.
— Claro que merece.
Ela tirou minha blusa para que pudéssemos sentir o calor um do outro e desfrutar disso. Eu a puxei para junto de mim, quando senti seus seios em meu peito e sua barriga nua sobre a minha, meu corpo se aqueceu por inteiro e eu me excitei. A beijei intensamente.
**
Depois de um pequeno cochilo, eu não conseguia mais dormir. Helena estava deitada comigo, uma perna sobre as minhas, a cabeça em meu braço, que já estava dormente e a mão em minha barriga. Ela estava com o seu shortinho de dormir mas ainda sem blusa e eu também.
Não fizemos amor. Não era o momento certo para isso e ambos sabíamos. Com minha mãe nesse estado só precisávamos de um pouco de carinho um do outro e isso fizemos, beijos, abraços e carícias. Olhei para o teto, Helena estava muito triste afinal era como uma mãe para ela também, mas não demonstrava para não me deixar mais triste. Eu não ia aguentar ver minha mãe nesse estado, eu queria apagar tudo isso da minha mente. Precisava esquecer do que o médico disse, mas como vou fazer isso estando tão perto de tudo?
— Mãe... — murmurei.
Fugir de casa não era uma opção... ou era? Minha mãe ficaria feliz com isso?
"Retardado, claro que não ficaria."
Tirei o braço de baixo da cabeça de Helena, que retirou seu corpo de perto do meu ainda dormindo e virou de costas para mim, eu aproveitei e sentei na cama pondo a cabeça entre as mãos. Olhei no relógio, 3 da manhã.
O celular de Helena vibra do lado da cabeceira e aparece a mensagem: "Fuja do que lhe causa problemas."
Peguei o celular e dei dois toques na tela fazendo a mensagem sumir
— Maldito text-in. – murmurei, eu odiava esse aplicativo.
Eu não acho que sumir pra sempre seja uma boa opção... Só sumir por 1 ou 2 dias já seria ótimo... Mas não posso deixar Helena na mão, ela nem filha da minha mãe é! Mas eu precisava disso, um filho ver a mãe morrer não é suportável... e eu tinha certeza que ela iria entender.
Levantei da cama
— Amor...? Aonde vai? — Helena perguntou sonolenta.
— Pegar água. — respondi acariciando seu cabelo, que voltou a dormir.
Fui para a cozinha, peguei uma garrafa de água da geladeira e a bebi inteira. Voltei para o quarto peguei minha mochila, coloquei algumas roupas dentro e a joguei nas costas. Antes de sair do quarto peguei a coberta no pé da cama e a cobri, a cobri como fiz na primeira vez que a vi.
— Adoro essa cicatriz... — murmurei vendo seu ombro que estava virado para mim.
Tirei o cabelo de seu rosto.
— Linda. — beijei sua bochecha.
— Eu amo você... Helena. — murmurei — Queria ter coragem para dizer isso para você.
Sai do quarto e tranquei a porta com minha digital, a dela estava salva no sistema da casa. Desci as escadas de casa, minha mãe dormia no sofá e o médico estava na cozinha fazendo uma ligação.
— Eu logo volto, mãe. — dei um beijo em seu rosto também.
Sai de casa no meio da madrugada sem ouvirem.
~ FIM DO FLASH BACK ~
O copo escapou da minha mão, caiu no chão e se estilhaçou.
— Maldito text-in. — disse abaixando pra pegar os cacos de vidro — E agora Helena? O que vou fazer pra você me desculpar?
Fui para a cozinha e joguei os cacos no lixo. Aproveitei, peguei uma garrafa de água na geladeira e fui para o meu quarto.
— Música.
Uma música instrumental começou a tocar. Peguei meu celular, tomei coragem e liguei para Helena. O celular tocou, mas ela não atendeu.
— Porra, justo agora que tomei coragem. Fala comigo gata... Porra.
Deitei na cama e acabei pegando no sono.
~ 00:16, Terça-Feira.
Meu celular tocou e eu acordei com um susto. Era Lucas, um antigo amigo.
"- Lucas? Caramba, quanto tempo... O que foi?"
Som de música alta tocava do outro lado.
"- RAFAEL?
— Caralho! Não grita!
— NÃO CONSIGO OUVIR NADA, TEM UMA FESTA NUMA CASA NOTURNA ROLANDO AQUI PERTO DO MOTOCLUBE.
— E daí? — disse.
— TEM MUITA GATA CARA, QUE VAI CAIR DE BOCA EM VOCÊ. LITERALMENTE! VEM LOGO ESTAMOS PRECISANDO DE VOCÊ AQUI!
— Vou pensar.
— HEY! — uma voz feminina exclamou do outro lado do telefone — SEM CELULAR AQUI!
— LUANA! – outra voz feminina no fundo."
A ligação caiu.
"A outra voz que ouvi parecia ser da Helena.", pensei.
Joguei o celular pro lado.
— Ela não vai pra essas festas. — falei encostando na cama. — Ou vai?
Passei a mão no meu pescoço.
— Caralho, ao mesmo tempo que eu a conheço eu não a conheço...
Parei pra pensar por um instante. Eu só queria ficar em casa, me remoendo por todas as merdas que eu fiz, mas eu acho que essa festa vai ser perfeita pra mim nesse instante, preciso respirar um pouco. Levantei da cama.
— Banho! – falei do quarto e o chuveiro ligou.
**
~ 00:50, Terça-feira.
Passei pela sala, peguei minha jaqueta e fui pra garagem. Subi na minha moto e dei partida. Fui em direção ao motoclube que frequento, o som da música era tão alto que dava pra ouvir a 1 quarteirão de distância, não tinha como errar. Passei na frente da porta onde estava rolando a festa e todos os olhares se voltaram para mim, foi quando percebi que minha moto estava fazendo mais barulho do que a festa e eu não notei, puxei uma travinha embaixo do retrovisor que silenciou o som ao máximo. Estacionei do outro lado da rua, travei as rodas e fui em direção a entrada, tinha uma fila para passar da porta, mas o segurança ao me ver, me chamou. Ele era alto, pele morena, de óculos escuros e terno.
"Por que ele está de óculos escuros a noite?", pensei.
Uma arma presa em seu quadril e em seu peito um pequeno holograma em seu peito escrevia seu nome, Endresson.
— Você é dos motoqueiros?
— Sou.
— Reconheci pelo jeito de vestir, vocês são VIPs.
Ele abriu a porta e me deixou entrar.
— Valeu cara.
— Vocês tem acesso a qualquer bebida, comida,
Entrei. Estava muito escuro, única coisa que iluminava era flashes de luz branca e muitos feixes de luzes coloridas, fazia muito tempo que não vinha numa festa assim que esqueci como essas luzes me fascinavam. Elas faziam desenhos no ar, faziam movimentos ondulatórios no ar de acordo com a música como se fosse cordas musicais. A música que tocava era de uma banda chamada Hot Chip, Over and Over. Maioria desse povo aqui deve nem saber quem é, mas Helena saberia.
— PARA DE PENSAR NELA, PORRA!
"Nós vamos te deixar relaxado
Eu vou te deixar relaxado.
De novo e de novo
O prazer da repetição realmente está em você
Abaixo e abaixo
E mais, mais e mais baixo
O cheiro da repetição realmente em você
De novo e de novo"
Muitas pessoas dançavam mesmo não conhecendo a música e elas mesmas. Homens com mulheres, mulheres com mulheres, homens com homens. Descobri que nessas casas noturnas da porta pra dentro você descobre coisas sobre você que não sabia.
— Isso me assusta. — dei risada.
— O que te assusta, gato?
Olhei pra trás, tinha um cara magro de cabelo curto, super alto e com uma voz afeminada. Ele estava tentando me seduzir?
— Não precisa ter medo daqui não. — ele se aproximou de mim.
— Não, não. Desculpa mas... — dei risada.
— Ah qual é. — ele pegou na minha mão.
Eu soltei.
— Não, sério. — eu disse indo para trás e trombando numa mesa que tinha perto de mim — Eu prefiro, mulheres. Sabe? Não só o jeito feminino. Peito, bunda... Nada contra.
— Ah seu chato. — ele me deu um tapa no ombro. — Bunda eu tenho, o resto a gente improvisa.
Ele saiu dando uma piscadinha pra mim.
— Não é hoje que vou transar com um homem. – disse rindo e sentando na mesa do bar.
— O que quer? — a barmaid disse para mim.
Tinha um cabelo castanho bem claro quase loiro, preso em um rabo de cavalo e olhos azuis. Usava um vestido preto e nas mangas tinha uns brilhos dourados.
— O que você sugere? — disse pondo um dos meus braços no balcão, ela era uma gatinha.
— Não sei seu tipo. — ela disse séria e limpando um copo.
— Forte, saborosa e doce é meu tipo. — confesso que foi um flerte.
Ela sorriu.
— Sex on the Beach.— ela falou e se virou para pegar os ingredientes — Não tente flertar comigo.
— Eu não estou tentando.
— Não é o que parece.
— Ao meu ver parece que é você que está flertando comigo. — dei risada.
— Por que eu faria isso? — ela pois uma taça tulipa na minha frente.
— Porque achou eu interessante, talvez?
Ela pois vodka e licor de pêssego na taça.
— Não achei.
— Ótimo então.
Acrescentou o suco de laranja, o xarope de groselha e pegou um palito para mexer tudo.
— Um Sex on the Beach perfeito para você. — ela pois um canudo
— Obrigado.
Ela pois os cotovelos no balcão como se esperasse eu tomar o primeiro gole. Puis o canudo entre os lábios e bebi um pouco.
— Delicioso. — disse sorrindo olhando em seus olhos azuis.
— Claro que é, eu que fiz. — ela se virou para ajeitar as garrafas de bebidas atrás dela.
— Você namora? — perguntei.
— O que acontece fora daqui, fica fora daqui.
— Isso é um sim?
— Isso é um não. — ela riu.
— Entendi. — voltei a tomar meu drink.
— Você namora? — ela perguntou.
Nesse tempo que sentei aqui a imagem de Helena sumiu da minha mente. Mas com essa pergunta voltou como um soco no estômago.
— Ow! — ela falou.
— O que? — perguntei.
— Tu namora?
— ... — pensei por um instante.
Não namoro, nem tenho nada com ela...
— Não. Não namoro. — disse, tirando o canudo da taça e bebendo direto do vidro.
Ela pegou o canudo da minha mão, o lambeu para tirar o resto de suco e jogou fora.
— Depois eu que flerto.
Ela deu risada e foi atender outro cliente que chegou ao lado.
**
~ 01:32, Terça-feira.
Mesmo de dia de semana de madrugada, o povo estava animado e não parava de dançar ao som das batidas de música eletrônica. Consegui ver Lucas no meio da multidão dançando com uma garota de cabelo comprido até a cintura que jogava sorrisos e olhares maliciosos para ele.
— Escuta... — disse virando pro bar — Você não me disse seu nome.
— Não costumo dizer meu nome a clientes. — ela disse enquanto entregava uma bandeja ao robô da limpeza.
— Achava que eu fosse um cliente especial.
Ela riu.
— Ta escrito no holograma ali, meu nome.
— Mayara R.C., o que significa o R.C.?
— Meu sobrenome. Mas isso não lhe interessa.
— Me chamo Rafael.
Olhei pra ela que me olhou confusa.
— O que? Ta esperando que eu diga "prazer em conhece-lo!"? — ela perguntou fazendo uma reverência.
— Não! — eu ri.
Ela virou de costas pegou uma taça triangular, pois uma bebida que eu não vi e uma cereja dentro, deu pra mim.
— O que é? — perguntei.
— Um coquetel de Martini. — ela disse pegando um igual — Por conta da casa.
Mayara bateu a beirada da sua taça na minha. Eu peguei e bebi um gole, enquanto ela virou a taça toda de uma vez.
— Estou impressionado. — disse.
Fui imita-la, porém não era acostumado com Martini e fiz uma cara estranha quando terminei. Ela riu.
— Você é fraco, Rafael. — ela pegou a cereja de dentro da taça e comeu jogando o talinho fora — Parece um adolescente de 17 anos que decidiu vir pra uma casa noturna vendo se arranja alguém pra perder sua virgindade.
Peguei a cereja da minha taça.
— Não tem como perder a virgindade mais de uma vez... – dei uma leve debruçada sobre o balcão com a cereja e aproximei da boca dela – Só vim me divertir.
— Não é comigo que você vai perder a virgindade, meu caro. — ela olhou em meus olhos com uma sobrancelha arqueada e um sorriso malicioso nos lábios.
Ela aproximou esse sorriso de minha mão abriu a boca e pegou a cereja com uma delicadeza incrível. Eu sabia que se acontecesse algo entre a gente iria ser um caso de apenas uma noite, nós dois sabíamos disso e nós dois estamos aceitando isso. Aproximei os lábios dos dela, mas eu bati minha boca na garrafa de Martini que ela estava segurando em frente a boca dela.
— Se quiser me beijar não vai ser aqui. A postura profissional eu não perco. — Mayara sorriu passando um pano na garrafa onde eu tinha acabado de beijar — Tenho 40 minutos de intervalo daqui a pouco.
— É tudo que preciso. — disse com um sorriso malicioso.
— Ah... Só isso? Que pouco... — a garota disse guardando a garrafa no lugar.
— O que? Pera... Não foi isso que eu quis dizer! — eu tentei consertar o que disse, mas não consegui e com isso ela riu.
**
~ 02:00, Terça-feira.
Com a chegada do intervalo de Mayara, ela me puxou pelas escadas e alguma coisa me dizia que alguém olhava nossos passos, olhei ao redor todos continuavam dançando, bebendo, se pegando passando a mão em lugares que não passaria em público e parecia que orgias iriam rolar fora daqui. Ignorei a sensação. Fui até andar de cima onde os funcionários da casa noturna se arrumavam para ir trabalhar. A música deixava de ser um som super alto e começou a ficar meio abafado por conta das paredes que pareciam acolchoadas. Ela entrou em um dos "camarins" e me puxou pra dentro.
Sem esperar ela me puxou pelo pescoço e me deu um beijo desesperado. Eu a agarrei pela cintura com um de meus braços enquanto o outro usava pra fechar a porta. A segurei e a pressionei contra a porta enquanto ela tirava minha jaqueta e jogava aos nossos pés. Estávamos fazendo tudo as pressas, acho que nós dois precisávamos esquecer de alguém por um momento, não a conheço mas era isso que parecia. Eu tirei o vestido que ela usava, revelando uma linda tatuagem de uma árvore cheia de flores que descia de sua cintura até sua perna direita. Ela usava uma lingerie azul marinho de renda. Passei minha mão pelas suas costas encontrando seu cabelo, o acariciei enquanto afogava meus lábios em seu pescoço quente. Minha mão passava por toda sua tatuagem e agarrava em suas pernas fortemente levando-as aos meus quadris que ela agarrou com força pressionando seu corpo no meu. A pressionei de novo na parede que já estava quente com nosso toque, dessa vez com mais força que a fez soltar um gemido. O cabelo que eu acariciava peguei e o puxei pra trás me aproximando de sua orelha.
— Eu não viria aqui nesse showzinho para perder a virgindade. — sussurrei.
— Ah... – ela me respondeu com um gemido.
Nos beijamos novamente. Eu não sentia nada quando a beijava, não sentia amor, não sentia desejo, eu a beijava por beijar. Mas eu precisava desse tipo de carícia novamente, depois de tanto tempo.
Ela pegou minha camisa e a tirou derrubando-a no chão. Mayara tirou seus lábios dos meus e deu beijos quentes no meu pescoço enquanto suas unhas arranhavam minhas costas e acariciavam minha barriga, causou fortes arrepios me deixando excitado. As mordidas que ela dava entre os beijos eram de se perder a cabeça, incrivelmente irresistíveis. Seu sutiã raspava em meu peito e sua barriga ficava colada na minha. Enquanto ela beijava meu pescoço dei uma leve olhava ao redor e tinha um pequeno sofá no canto da sala, ainda em meu colo eu a levei até lá onde a deitei e fiquei entre suas pernas. Pressionei meu quadril sobre sua parte íntima que a fez soltar um suspiro. Passei a mão nas suas costas e abri seu sutiã o tirando, revelando seus seios que estavam quentes, subia e descia com uma respiração pesada. Levei umas de minhas mãos até eles que apertei e massageei levemente a fazendo soltar uns gemidos curtos.
Suas mãos passavam por toda as minhas costas, me acariciando e arranhando. Peguei seu rosto e o virei pro lado para beijar seu pescoço de novo, percebi que ela adorou. Distribuía beijos, mordidas e cada um deles fazia ela reagir. Mordi sua orelha que a fez soltar um gemido baixinho e passei minha língua por ela levando-a a loucura. Minha mão livre passava de sua barriga e descia até entre as suas pernas, onde comecei a fazer uns movimentos com meus dedos, rápido e devagar, do jeito que imaginaria que ela gostasse. O som da música ficava abafado e as batidas escondia seus gemidos calorosos, transformava esse momento em algo sensual. Eu mexia em sua intimidade enquanto olhava fixamente em seus olhos pra saber onde eu causava mais efeito, ela me olhava com um sorriso de lado, os olhos cerrados e a boca entreaberta.
Ela passou a mão pela minha barriga e alcançou meu jeans, tirou um dos botões e pois a mão dentro da minha calça. Fechei os olhos por um instante suspirando fundo e depois a olhei com ferocidade.
Eu passei minhas mãos seguindo as linhas cintura até suas coxas, onde peguei a beirada de sua calcinha tirando-a e derrubando no chão. Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, ela me puxou para cima.
— Anda logo... — ela disse em um suspiro pegando meu cabelo.
Ela empurrou minha calça pra baixo e puxou com as pernas meu quadril contra o seu. Juntamos nossos corpos, eu a segurava com uma mão em seu quadril, outra em suas costas e puxava seu corpo mais e mais contra o meu, de novo e de novo e de novo, parecia um vício, era um movimento rápido que não conseguia-mos parar. Ela jogou sua cabeça para trás e eu a enchi de beijos os seus seios e mordia fazendo ela gemer ainda mais. Nossos corpos mexia um contra o outro, as vezes mais rápido, as vezes mais devagar, estávamos aproveitando ao máximo esse nosso único momento junto.
**
Eu estava no chão frio que me causava arrepios ao entrar em contato com minhas costas quentes. Nossa respiração pesada se misturava ao som abafado da música.
— Isso foi... — ela começou a dizer
— Foda? — eu disse.
— Literalmente.
Nós dois demos risada.
— Você... — ela suspirou levantando um pouco no sofá — Fode bem.
Olhei pra ela e arqueei uma sobrancelha.
— Obrigado?
— Eu to toda dolorida! — ela disse levantando um pouco seu corpo no sofá e massageando o pescoço — Por causa do sofá, claro.
— Ta bom! — falei como deboche.
Ela riu. Uns minutos depois ela perguntou:
— Quem é Helena?
— ...? — a olhei com um ponto de interrogação estampado na cara.
— Enquanto transavamos você murmurou esse nome tão baixo que eu nem consegui ouvir direito. — ela deitou de lado no sofá apoiando sua cabeça na mão — Você disse que não namorava.
— E não namoro. — falei sentando no chão procurando minha calça — É minha amiga.
— Amiga. Ta.
— Ciúme?
— Por que eu ia ter ciúme de alguém que só fiquei uma vez?
Fechei o botão do meu jeans.
— Então, você gosta dela. — ela disse sentando no sofá e pegando seu sutiã do chão.
Peguei minha blusa que estava na frente da porta.
— Não te interessa. – disse sério.
— Ow, — ela me chamou — parece que sua amiguinha está te ligando.
Meu celular estava caído no chão e vibrava. Era Helena, ela estava telefonando pra mim. A essa hora? 02:34? Por que ela tava ligando pra mim?
"Não vou atender não.", pensei.
— Atende, deve ser algo importante. Relaxa, Romeu. Eu não tenho ciúme não. — ela terminou de se vestir — Estou lá em baixo se quiser alguma bebida.
Ela passou por mim e me deu um tapa na bunda, eu dei um pulo, tomei um susto.
— Ow!
Ela riu e saiu.
"- Helena? — disse atendendo o celular."
Música alta tocava do outro lado da linha.
" — RAFAEL? — ela disse desesperada — ME AJUDA! EU NÃO SEI O QUE ELE VAI F...
— Helena? — eu disse alto — HELENA!
— EU...
— DESLIGA ISSO!"
A voz dela foi cortada por uma voz autoritária e forte.
"- QUEM TA AI?
— ... "
O telefone foi desligado. A batida da música que tocava no fundo era muito alta não dava pra ouvir nada do outro lado da linha. Tentei ligar de novo e ninguém atendia. Essa música alta, eu reconhecia, Helena estava aqui na casa, ela estava e eu não sabia. Eu não devia ter ignorado o que senti quando subia a escada.
Peguei minha jaqueta do chão, joguei nas costas e sai correndo pro andar de baixo
~ FIM DA NARRAÇÃO DE RAFAEL ~
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