Prepare-se Para Morrer

7 Arya Passado - Parte 1


Notas iniciais
Estou de volta!!! Eu demorei SÉCULOS para postar, eu sei. Mas é que eu tive umas ideias fantásticas. Eu decidi colocar alguns capítulos "extras", como do passado de Arya. Vai ser necessário porque vai aparecer alguns personagens desconhecidos. Mas, vamos para a história, vou parar de enrolar.

A assassina olhou para a porta da sala secreta, que se mantinha entreaberta. Sem se importar em bater, entrou. Sempre foi um de seus cômodos preferidos no Templo – havia algo reconfortante na mistura retrógrada do piso de mármore com as armas de madeira para treinamento e de aço cintilante. Os livros com capas de couro e veludo se estendendo em um corredor infinito. No canto, atrás das pilhas de livros tinha a mesa sustentadas estátuas gêmeas do Deus de Muitas Faces. Por um momento, se permitiu ver Syrio sentado naquela cadeira, como antigamente. Entretanto, havia alguém na velha poltrona. Alguém magro e cinza, que se levantou de forma fluida, como a serpente de um encantador de cobras, e virou-se para ela com sorriso frio.

Era uma mulher. Usava uma capa cinza antiquada que caia até os sapatos e por baixo uma conhecida roupa das cores preta e branca (N/A: A mesma capa que Arya usa atualmente). Seus cabelos eram de uma espécie de louro pálido quase branco, puxados firmemente para trás, e seus olhos eram lascas negras brilhantes. Ela podia senti-los, como o toque de água gélida, enquanto seu olhar passava pelo seu rosto, o seu rosto original. Seu olhar caiu sobre seus olhos, cinza tempestade, como o inverno, o mais terrível inverno.

Por um segundo, algo quente se acendeu no olhar dela, como o brilho de uma chama presa sob gelo. Em seguida, sumiu, tão rapidamente quando veio.

– Você é a garota?

Antes que ela pudesse responder, uma voz o fez: era o sacerdote. O apelidado Homem Bondoso pelo seu subconsciente, ela riu de sua infantilidade, de bondoso o sacerdote não tinha mais do que seu rosto amigável e sua voz gentil. Ele tinha certa inimizade com Syrio, seu mestre de dança, motivo pelo qual o mesmo não se encontrava ali. Presenciando um marco importante em sua “profissão” como disse a Menina Orfã. Os dois nunca se encontravam, e entre todas as tentativas para descobrir o real motivo do desentendimento foram frustradas e inúteis.

– Sim, Adaeterny.

A mulher foi em direção a ela como fumaça pairando. Parou em frente dela e estendeu a mão – seus dedos lembravam a ela uma aranha albina.

– Olhe para mim, menina – disse segurando firmemente seu queixo, forçando-a olhar para cima. Ela era incrivelmente forte – Não sei se poderíamos transforma-la em uma Assassina. Ela não parece capaz. Tem certeza que ela é a garota?

Ouviu-se o riso de um sacerdote, ela não se atreveu a desviar do olhar Adaeterny para vê-lo.

– Pensei que gostava de um desafio, Guy... – disse ele com um tom sério, porém ainda se podia perceber o sorriso na sua voz – Adaeterny.

– Na verdade – interrompeu a sacerdotisa, Menina Órfã, sua voz era estranhamente inferior, seu tom era baixo e submisso, e fez ela se perguntar o quão o título era superior.

– Não acreditaria nas aparências, Adaeterny – ela continuou a falar – ela tem potencial e talento.

Não parecia que a sacerdotisa se atrevia a falar mais do que isso. A assassina viu de relance a Menina Orfã olhar para o Homem Bondoso, porém ela não conseguia entender o que aquilo significava. Um olhar de segredos era a única coisa que conseguia concluir. Mas isso ali isso era comum, frases incompletas, olhares significativos, pergaminhos secretos, códigos indecifráveis. A grande inimizade do Homem Bondoso e de Syrio.

– Você vai me chamar de Adaeterny. Não deve me chamar de mais nada – A pele ao redor dos olhos da mulher era marcada com linhas finas como rachaduras em tinta. Era tão real, perfeito que ela podia jurar que aquele era seu rosto de verdade – Entendeu?

Durante quase toda a vida, Adaeterny, traduzido para o idioma comum como Assassina de Braavos, tinha sido uma figura distante e quase mítica para ela. Sua identidade e mesmo muitas de suas funções permaneciam envoltas no sigilo do Templo. Ela sempre imaginava que seria como os assassinos em geral, com poder contido e mistérios escondidos. Não tinha imaginado alguém tão direto – e hostil.

– Dei-me licença – pediu Adaeterny, vendo todos da sala saírem em total silencio. Quando ela se encontrou sozinha com a mulher na sala, uma espécie de pânico a tomou. Ela não sentia medo – não se permitia sentir medo. Todas as manhãs, quando acordava, repetia as mesmas palavras: Eu não terei medo. Durante mais de dois anos, essas palavras significavam a diferença de partir e ceder.

– Quem é você?

– Ninguém – sua resposta veio automaticamente. Rápida e fria, como uma lâmina.

– Você não tem direito a esse nome – a resposta da mulher a surpreendeu, sua respiração falhou audivelmente em uma aspiração de surpresa, até que ela se recompôs. Aquilo certamente era um teste.

– Por que não?

– Você não tem direito a esse nome – Adaeterny repetiu – Você é Arya Stark. Apropriar-se ao nome Ninguém faz de você uma mentirosa. Exatamente como muitas pessoas, inclusive seu mestre de dança, Syrio Forel.

– Na verdade – ela respondeu rispidamente, ignorando totalmente o fato de a mulher a sua frente ser bem mais superior e forte que ela -, prefiro pensar que sou mentirosa de uma maneira inteiramente minha.

– Entendo. Você quer sair por cima nessa discussão. Mesmo inconscientemente você quer proteger seu orgulho, sua honra — Um pequeno sorriso se formou nos lábios pálidos da Adaeterny. Não era um sorriso simpático. – Exatamente como uma Stark.

Ela só conseguia encará-la. As palavras morreram em sua boca. Onde aquela mulher queria chegar?

– Muito sábia, Arya Stark. Vejo que já está aprendendo a melhor lição que eu poderia te ensinar – O sorriso dela era como um esqueleto feliz — Manter a boca fechada.

Com os dedos ela agarrou seu queixo com uma ferocidade repentina, afundando as unhas dolorosamente na pele.

– Sua palavra agora é sua honra. Talvez algum dia você entenda isso. Quando um assassino quebra o seu juramento, ele morre. – Seu rosto estava perigosamente perto, ela podia sentir seu hálito amargo, como vinagre – Se você desafiar a minha autoridade, prometo que invejará esse destino.

Então ela soltou seu rosto e deu um passo para trás. Ela podia sentir o rastro lento de sangue onde as unhas da Adaeterny haviam cortado seu rosto. Suas mãos tremiam de raiva, mas ela se recusou a erguer uma delas para limpar. Por um momento se deliciou com o pensamento de como seria bom ver o sangue da mulher derramar-se no chão de mármore.

Um sorriso cruel cruzou por um segundo, quando Adaeterny se virou para se retirar da sala.

– Partiremos amanhã, Arya Stark.

Notas finais
Se por acaso você não gostarem, POR FAVOR digam isso nos comentários. Eu preciso da opinião de vocês. Uma pequena observação: Os capítulos extras não vão ser todos "seguidos", todos de uma vez. Vão aparecer ao longo da fic.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.