Prepare-se Para Morrer
2 Arya
Notas iniciais
Havia feito meia dúzia de dias que ela chegou em Winterfill. Sua casa tinha sido reconstruída do incêndio após seu irmão Jon Snow ter-se nomeado Rei do Norte. Tinha se passado mais de 5 anos desde que ela fugiu para Braavos, era uma mulher agora. Conhecimento de plantas desconhecidas até aos Meistres, mentiras, fingimentos e treinos intensivos completaram seus últimos anos. Claro que seus irmãos não sabiam de tudo, somente que ela conheceu um Braavosiano e ele lhe ensinou como usar uma espada, nada de mais.
Já era quase à noite, ela estava sentada em uma mesa no fundo de uma taberna. Ela gostava daquele lugar, com sua capa camuflada quase ninguém à via e ela via todos daquele lugar. Também gostava de observar as feições das pessoas, conseguia ver que a maioria mentia ao contar “suas” histórias.
Estava bebendo cerveja, tinha tomado um gosto pela bebida de gosto amargo. Foi quando ouviu um homem falar mal do seu irmão.
– Bastardo Jon Snow. Desgraçado se nomeia Rei do Norte, vê se pode. Filho bastardo de um traidor, irmão do idiota Jovem Lobo que morreu. Irmão também da putinha do Rei Joffrey, e do Quebrado.
Algo dentro dela mexeu. Ela sentiu uma pontada de raiva, não era a primeira vez que isso acontecia desde que ela voltara. Ela se controlou, não demonstrando nenhuma emoção, mesmo que ninguém estive olhando para ela. Ela era uma Assassina do Templo do Preto e do Branco, deveria controlar melhor suas afeições e emoções. Então a voz do Homem Bondoso surgiu em sua mente “Homens pegam muitos caminhos através deste vale de lágrimas e dor. O nosso é o mais difícil. Poucos são feitos para caminhar nele. É preciso ter força incomum de espírito, e um coração duro e forte.” Ela era forte, iria conseguir.
Ela olhou para todos os presentes no lugar. Ninguém se manifestava de nenhuma maneira. Isso era estranho, um homem insulta o Rei do Norte em seu próprio território e em publico. Qual um com um pouquinho de ambição, não pensaria duas vezes e o derrotaria (ou mataria) para entregar a Jon como Traidor. Será ele é perigoso ou poderoso? Se ninguém o interfere ele deve ser alguém importante. Olhei para ele. Era muito grande e musculoso, com media de uns 45 anos? Uma espada afiada na cintura. Olhando mais atentamente como tinha aprendido nos últimos anos, percebeu que pela postura que era autoconfiante, o modo como movia os braços mostrava agilidade. Um bom espadachim, percebeu rapidamente. Então ela agiu como Arya agiria este caso, afinal a última coisa que ela queria era suspeitas.
– Estúpido e mentiroso – ela praticamente rosnou essas palavras.
Levantou e andou em direção ao homem desconhecido.
– Você é um estúpido, idiota e mentiroso – ela disse quando chegou perto o suficiente, ele estava sentado na mesa e ela em pé de frente a ele, só com a mesa para separa-los.
– Você sabe com quem esta falando, putinha? – ele falou levantando-se encarando-a. Ele era gigante e vagamente familiar.
– Não me interessa. Mas para alimentar o seu ego e ignorância vou perguntar, quem é você, estúpido? – Ela não sabia por que estava o provocando, mas estava então continuou – Ou melhor, quem você pensa que é?
Ele bateu o punho fechado na mesa com força, o que fez a mesma tremer.
– Meu nome é Montanha. Assustada garotinha?
Montanha. Montanha. Montanha. Montanha? Ah, Montanha. O Clegane, irmão do Cão do Rei Joffrey, o idiota. Agora entendia porque ninguém o enfrentava, afinal ele foi considerado um dos melhores espadachins de Porto Real, herdando assim, várias terras.
– Meu nome é Arya. Da Casa Stark. Irmã do Rei. Filha e Princesa do Norte.
Viu um movimento de alguém levantando de uma cadeira no meio da taberna.
Ele bateu com o punho mais uma vez, fazendo a mesa tremer novamente. Então ela também bateu na mesa, mas com a mão aberta. A mesa não tremeu, ela rachou. Sério, rachou mesmo. Não foi surpresa para ela, sabia até quebrar pedra, mas era doloroso.
Quando ele viu ela havia feito com a mesa, viu uma expressão que ela adorava. Orgulho ferido. Com o canto do olho viu quem tinha levantado antes ainda estava em pé, com uma expressão de confusão e preocupação no rosto. Seus cabelos eram negros, olhos de um azul intenso. Espera, eu conheço esses azuis.
Montanha moveu a mão esquerda para cima para bater em meu rosto, desviei por reflexo, pequei o pulso dele e torci com muita força, empurrando para baixo. Ele gritou e não demorou muito para sentir um estalo no seu pulso. Aproveitando que ele estava um pouco curvado, puxei seu curto cabelo para baixo e levantei o joelho com força. Acho que chegou a quebrar dentes. Ele estava quase inconsciente, então para terminar lhe deu um murro forte. Ele caiu inconsciente, quase morto. Arya olhou para sua mão. Sangue, sorriu de canto.
– Você é tediante, Montanha. – disse antes de se desculpar com os donos da taberna pela sujeira e transtorno.
Estava saindo quando ouvi passos vindos em minha direção. Ela sorriu, ele tentava ser silencioso, mas quem disse que o Touro estúpido conseguia? Sim, agora ela se lembrou de quem eram os olhos de azuis intensos na taberna. E seu andar forte e barulhento era quase sua marca registrada.
– Me pergunto o que você, Touro, esta fazendo em Winterfill. – ela disse virando para encarar o (agora) homem que uma vez traiu sua confiança.
– Trabalhando em uma das forjas do Rei, Senhora – ela o olhou seriamente, ele não estava caçoando dela. Seu olhar era sério e respeitoso embora a sombra duvida, surpresa e... dor (?) não passou despercebida a Arya.
– Não me chame de Senhora, Touro estúpido – ela fingiu ralhar com ele.
Ele sorriu. Estava feliz por ela estar viva. Talvez agora, depois de anos ele poderia dormir sem sonhos perturbadores quando não com insônia. Afinal a pequena Arya cresceu, dando lugar a uma mulher bonita e tão destemida quanto era. Ela estava viva e continuava a mesma que ele conheceu.
Como ele estava enganado. Ela havia vindo com um único propósito. Vingança.
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