Preparativos E Provocações

3 Capítulo III - Prejudicando um Amigo


Notas iniciais
Alguns recadinhos antes de postar. Primeiramente, desculpem pelo sumiço! Como postei em meu perfil, é difícil pra mim me comprometer com prazos nisso que é lazer, pois trabalho, dou aula, faço mestrado, tenho família, amigos e, as vezes, parece que somente euzinha não dou conta de tudo com o que me comprometo... Mas saibam que não esqueci vocês e que vou tentar, de verdade, postar com mais frequencia.

Capítulo III — Prejudicando um Amigo

- O que foi meu fofucho congelado?

Milo pergunta preocupado com a face consternado do seu noivo ao telefone. Camus franze o cenho e faz sinal para Milo ficar quieto.

- Entendo, ele ainda está na escola, correto? Vou agora mesmo até aí.

Camus desligou o telefone pensativo.

- Ah, claro que é coisa do pato frito das arábias!

- Milo...

- Não, sem Milo, sem nada. Ele sabia que eu almoçaria com você e decidiu estragar tudo!

- Milo...

- Não, você não enxerga! Ele ouviu que eu vinha almoçar com você e decidiu atrapalhar...

- CHEGA MILO.

Camus gritou no meio da rua, o que assustou Milo. Camus não era de escândalos, não chamava a atenção para si e muito menos gritava em público. Milo abriu os olhos, preocupado, enquanto Camus lentamente abaixava a cabeça para a calçada.

- Hyoga não está se sentindo bem, parece que se envolveu numa briga e o diretor quer falar comigo.

Milo encarou Camus, percebeu que ele realmente acreditava que a crise rebelde do loirinho havia passado e que se ele não jogasse esse jogo, Hyoga acabaria por ganhar essa disputa. Por um momento pensou em mostrar o vídeo que fez com a câmera digital que estava em seu bolso, mas desistiu, sabia que aquilo iria magoar seu amado.

- Bom meu amor, se quiser podemos ir juntos ver o que aconteceu.

Camus sorriu para Milo, pegou na sua mão e se dirigiu até seu carro. No caminho fez algumas ligações de trabalho enquanto Milo se perdia em seus pensamentos.

"Se o pato quer medir forças, não tem problema"

Camus chegou até a escola, correndo mais do que o costume. Tinha receio que houvessem machucado seu filho, respirava fundo se acalmando e se reprimindo pela tola preocupação, afinal, seu filho era um dos cavaleiros mais forte que conhecia.

Milo acompanhava Camus em silencio, com a dor de vê-lo se remoer por pura imaturidade do filho. Por um segundo, se lembrou da sova dada no menino há algum tempo, se questionando sobre a eficácia desses métodos.

Como ele poderia fazer o loirinho enxergar?

A batida da porta o tirou de seus devaneios. Milo piscou duas vezes até mirar Camus impaciente pela sua demora. Rapidamente, tirou o cinto de segurança e saiu do carro seguindo Camus que andava ainda mais rápido do que o costume.

Ambos chegaram à sala da diretoria, surpreendendo-se com Shaka que aguardava nervoso junto com Aldebaran.

- O que aconteceu? – Perguntou Camus aos companheiros, visivelmente nervoso, batendo na porta do diretor impaciente.

O diretor, ao perceber que todos os pais estavam no local, abriu a porta. Todos entraram afoitos, se deparando com a cena: Shun tinha o nariz sangrando e chorava inconsolável, Jabu um olho roxo e o braço enfaixado e Hyoga o lábio inchado.

Cada cavaleiro de ouro correu para seu protegido, a fim de verificar os ferimentos. Quando todos viram que não se tratava de nada muito grave, passaram a questionar sobre o que aconteceu.

- Diga Shun, o-que-aconteceu? – Perguntou Shaka com uma voz que denotava perigo. Shun olhava suas mãos sem parar de chorar.

- Shun... – Shaka voltou a advertí-lo.

- O... (snif) O... Hyoga... – Shun começou a falar, amedrontado. Mas logo foi cortado por Hyoga que estava olhando com cara feia para Milo enquanto Camus olhava para Shun.

- Eu o salvei!

Hyoga sentenciou seu heroísmo, todos olharam para ele.

- Jabu estava importunando Shun, procurando briga. Eu tinha que fazer algo.

Shaka olhava para Shun, via que algo ali não se encaixava.

- É verdade, Shun? – Shaka perguntou, todos sabiam que ele não admitia mentiras.

Shun olhou para Jabu que estava indignado com a versão de Hyoga e depois para Hyoga, de quem tanto gostava. Se viu encurralado.

- SHUN... – Shaka dessa vez elevou o tom de voz. Camus colocou uma mão em seu ombro como quem pede alguma calma, os amigos se entre-olharam.

Shun não respondeu, apenas olhou para suas mãos, chorando, e sacudiu um sim com a cabeça. Jabu, prontamente, pôs-se a gritar.

- Isso é mentira! É mentira! Eu apenas conversava com Shun e Hyoga chegou nos atacan... AI!

Jabu parou de falar quando seu mestre, Aldebaran, agarrou sua orelha. Milo sabia bem que aquilo tudo era armação de Hyoga, que sorria com os olhos ao ver que tanto Shaka quando Albebaran haviam acreditado nele.

- Calma, Deba! – Disse Milo – Ainda não sabemos o que realmente aconteceu.

- Está mais que claro para mim. – Albebaran dizia torcendo a orelha do pupilo – Mas vamos ter uma loooonga conversa quando chegarmos em casa.

Milo olhou com o cenho franzido para Hyoga que sorriu. Shaka viu a cena e estava um pouco desconfiado, mas confiava cegamente em Shun, que jamais ousaria mentir.

Aldebaran levou o menino arrastado para fora, após ouvir sobre a suspensão dos três garotos por uma semana da escola. Shaka mandou Shun se levantar e Camus decidiu se pronunciar.

- Diretor, se foi Jabu que tratou de iniciar a briga com Shun que não revidou e Hyoga apareceu para ajudar, não me parece muito justo que todos sejam suspensos.

Milo colocou a mão na cara para esconder sua reação, não acreditava que Camus havia caído na história como um patinho.

- Não interessa quem começou, os três brigaram e infringiram regulamento escolar. Se Shun tinha problemas deveria ter procurado a mim ou a algum professor. Hyoga agiu com violência e não toleramos esse tipo de atitude aqui.

Camus apenas concordou com a cabeça, puxando Hyoga gentilmente. Shaka puxou Shun sem tanta gentileza e olhou para Milo, ficando um pouco para trás de Camus e dos meninos para que pudessem conversar.

- Algo está errado.

- Sim, tenho certeza que Hyoga não é esse herói da história.

- Sim, Milo... Mas ao mesmo tempo Shun jamais mentiria.

- Hyoga é manipulador, e ninguém enxerga isso...

Shaka fez uma cara de "paciência", afinal, ninguém podia provar nada naquele momento. Milo respirou fundo vendo Camus abraçar o filho como a pessoa mais justa do mundo.

Shun e Shaka foram embora, Camus mandou que Hyoga esperasse com Milo enquanto comprava algo na cantina.

Assim que Camus saiu, Hyoga trocou a face sofrida por um sorriso largo.

- Estraguei seu almoço, né?

Milo não respondeu, apenas levantou uma sobrancelha. Hyoga, ainda rindo, colocou ambos os braços atrás de sua nuca encarando as nuvens.

- Eu vou tornar sua vida um inferno, você sabe disso, porque não desiste dele?

- Porque eu o amo, e amo você também seu pestinha. E morro de medo do que Camus vai fazer com você quando descobrir que...

- Não seja idiota, ele vai acreditar em quem? Em mim que agora sou o filho perfeito ou em você que é a louca histérica com casamento?

- Hyoga, você não está pensando...

- Ah, cala a boca. Você é um idiota.

- Olha como fala comigo, você me deve respeito, em breve serei seu pai com papel passado e tudo! E mais, me explica o que aconteceu nessa escola hoje, não me parece que a culpa foi de Jabu.

- Meu pai? – Hyoga riu – Você é um bosta. E claro que a culpa não foi de Jabu, enganar vocês é tão fácil, eu bati em todos, vi Jabu se engraçando com Shun e...

- Hum... Ciúmes?

- Porque você não vai pra put...

Camus começou a se aproximar, Hyoga percebeu e deu um abraço apertado em Milo.

- Obrigado, Milo. Obrigado por estar aqui comigo, eu não sei o que seria de mim sem vocês.

Camus sorriu e disse.

- Vamos agora. Vamos deixar você em casa para fazer o que quiser e precisamos voltar ao trabalho.

- Camyu, ele se meteu numa briga, não seria melhor que ele não pudesse fazer o que quiser?

- Ele defendeu um amigo, meu amor. Não me parece algo que mereça um castigo, diferente de Jabu que agora já estaria debaixo do meu cinto se fosse meu filho, onde já se viu..

Milo pensou em Jabu e tremeu indignado com a injustiça, precisava falar com o amigo taurino antes que cometesse uma injustiça com o filho. Assim que entrou no carro desligou o gravador que usou em sua roupa para deixar mais uma prova do comportamento absurdo de Hyoga.

Todos voltaram para o seu destino, Hyoga vitorioso, Camus orgulhoso e Milo preocupado com o que fazer...

...continua...