Preparativos E Provocações

6 Capítulo VI – A Dura Realidade


Notas iniciais
Pessoal, hora do "picolé azedo" (by Milo) de começar a cair na real! Me falem o que estão achando e o que querem para os próximos capítulos MUAHUMAHUMHUA (risada maligna com desejos de vingança rs)
Beijos!!!

Capítulo VI – A Dura Realidade

Milo se levantou e caminhou até as coisas que Camus lhe trouxe, aquelas que havia esquecido no escritório. Se moveu mais lentamente que o de costume, pois sabia o quanto ver tudo aquilo iria magoar a pessoa que ele mais amava na vida.

Primeiro pegou a câmera de fotografias que continha a filmagem do café da manhã, nessa hora notou que Camus já estava de pé por perto com uma face bastante curiosa. Milo olhou para trás e quase desistiu de colocar o vídeo, mas o fez.

Camus se sentou, guiado por Milo no sofá na frente do televisor de sessenta polegadas. Logo as imagens começaram a aparecer.

POV Camus

Eu não sabia ao certo onde aquilo tudo daria, Milo parecia extremamente preocupado com a situação, o que me preocupou um pouco. Mas eu não ia me enganar, Milo sempre foi a pessoa mais dramática de todo o universo, exagerado que só ele, característica que sempre me irritou e fascinou.

O vídeo começou, me surpreendi ao ver que era filmado extremamente fora de esquadro, provavelmente por ser de maneira oculta a Hyoga. Os vi na cozinha interagindo, provavelmente algum dia depois de eu ter ido ao trabalho.

Vi Hyoga comendo o café da manhã que fiz especialmente para Milo e rasgando o cartão que deixei desejando um bom dia. Aquilo fez meu sangue ferver, mas me segurei, quem sabe ele estava com sono e nem enxergava o que fazia.

Mas esse controle começou a se esvair com o diálogo que veio a seguir.

– Estava gostoso Hyoga?

– Hum, uma delícia! – Hyoga sorriu e piscou para Milo da maneira mais debochada que já vi na vida, sem um pingo de respeito.

– Você sabia que esse café da manhã era meu?

– Claro que sim. – Eu não podia acreditar no que estava vendo e ouvindo.

– E por que comeu?

– Porque sim, Milo.

Hyoga respondeu com desdém e Milo foi para o quarto buscar suas coisas. Quando Hyoga viu que não conseguiu provocar Milo, começou a elevar o tom da voz, como quem procura briga.

O que que é hein? Acordou sem fome?

– Ah Hyoga, estou cansado das suas criancices. Não aguento mais você desmarcando meus compromissos, sumindo com as minhas coisas, fazendo mil e uma caretas. Não vou mais perder meu precioso tempo tentando te mostrar o quão infantil e imaturo você tem sido... Camus uma hora vai perceber o eu você vem fazendo e...

Aquele não podia ser Milo falando, da onde veio aquela maturidade toda?

– Meu mestre é um idiota! Ele não enxerga que você não presta para ele, que não traz nada de bom que...

Agora eu era um idiota, bom, ele estava certo, eu de fato era para não enxergar tudo isso acontecendo debaixo do meu teto. Foi a vez de Milo interromper.

– Você só pode ser masoquista! Você não viu a surra que levou da última vez que decidiu atordoar seu mestre? Você perdeu completamente o juízo, pato? Depois não adianta vir choramingar para eu te ajudar a se safar, porque não vou!

– E quem disse que eu preciso da sua ajuda? E, outra coisa, dessa vez eu não estou provocando meu mestre, seu babaca. Acho bom desistir dele por bem, porque eu não vou parar nunca. Vocês se pegando eu até aceito, mas essa palhaçada de casamento eu não vou engolir!

Foi quando notei que estava apertando com força a almofada ao meu lado, meus punhos estavam fechados e minha mandíbula cerrada. Eu fui um cego, Milo não exagerava, na verdade não me contava nem metade do que acontecia.

– Mas Hyoga...

Hyoga saiu deixando Milo sozinho e olhando para a mesa. Ele ficou assim por alguns segundos, até ele pegar a câmera que deixou atrás do vaso que mostrava tudo que Hyoga fez e a conversa.

Foi quando Milo desligou a gravação e me olhava preocupado.

- Eu não poso acreditar – Disse com as mãos na cabeça entre as pernas, olhando para o chão.

- Calma Camyu...

- Não, me perdoa Milo... Eu me lembro que pouco antes você reclamou dele te amolar, de cuspir no seu copo, e eu não ouvi... Eu sou um idiota!

- Não amor, não é... Calma...

- Nada de calma, me mostre o resto.

Milo exitou, estava com medo da minha reação, era nítido. Decidi esconder um pouco mais a minha indignação e parecer calmo, senão Milo com certeza encobriria Hyoga.

- Milo, eu calmo. Agora preciso ver tudo que você tem para me mostrar, porque eu não posso deixar Hyoga continuar a te destratar dessa maneira. Ele não pode continuar a mentir, dissimular sua maneira, manipular situações... Isso tudo é muito sério.

Milo me olhou respirando profundamente.

- Você ainda não viu nada...

Milo continuou a me mostrar aquele show de horrores, dessa vez ligando um gravador com um conversa entre eles após o episódio que ocorreu na escola.

- Estraguei seu almoço, né?

Milo estava quieto e era possível ouvir Hyoga rindo nitidamente.

– Eu vou tornar sua vida um inferno, você sabe disso, porque não desiste dele?

– Porque eu o amo, e amo você também seu pestinha. E morro de medo do que Camus vai fazer com você quando descobrir que...

– Não seja idiota, ele vai acreditar em quem? Em mim que agora sou o filho perfeito ou em você que é a louca histérica com casamento?

Nessa hora eu senti um aperto no coração tão grande, como eu podia ter tratado Milo daquele jeito? Como eu não enxerguei?

– Hyoga, você não está pensando...

– Ah, cala a boca. Você é um idiota.

– Olha como fala comigo, você me deve respeito, em breve serei seu pai com papel passado e tudo! E mais, me explica o que aconteceu nessa escola hoje, não me parece que a culpa foi de Jabu.

– Meu pai? – Hyoga riu – Você é um bosta. E claro que a culpa não foi de Jabu, enganar vocês é tão fácil, eu bati em todos, vi Jabu se engraçando com Shun e...

– Hum... Ciúmes?

– Porque você não vai pra put...

– Obrigado, Milo. Obrigado por estar aqui comigo, eu não sei o que seria de mim sem vocês.

Foi o que Hyoga disse, me lembrei de ter ouvido isso quando vi Hyoga abraçando meu Milo. Senti-me tão idiota ao entender o que realmente estava acontecendo, o que piorou ao ouvir minha voz conversando com Milo a seguir.

– Vamos agora. Vamos deixar você em casa para fazer o que quiser e precisamos voltar ao trabalho.

– Camyu, ele se meteu numa briga, não seria melhor que ele não pudesse fazer o que quiser?

– Ele defendeu um amigo, meu amor. Não me parece algo que mereça um castigo, diferente de Jabu que agora já estaria debaixo do meu cinto se fosse meu filho, onde já se viu..

POV Milo

De repente, depois de ouvir a gravação, Camus ficou absolutamente mudo e com os olhos vidrados. Eu queria entender o que ele estava pensando, não queria que ele saísse de si também, porque adolescentes são assim mesmo.

- Milo.

Ele me chamou, sério. Eu o olhei.

- Você tem algo mais para me mostrar.

Eu fiquei estatelado, não sabia o que dizer. Ele estava bravo, muito bravo e eu ainda não tinha mostrado o pior que Hyoga fez – perseguir a vida de uma pobre moça ameaçando sua família e sua honra para que o casamento fosse prejudicado.

- Miloooo...

Ele me chamou, naquele tom que ele usa quando é contrariado. Eu gelei, ele iria matar o meu menino. Decidi não falar nada, ele mesmo andou até onde estava a câmera e a gravação e pegou o que queria ver.

Começou a ler os e-mails que foram enviados em meu nome para aquela pobre moça, com o cenho franzido, logo passou a ouvir os telefonemas através das gravações. Era nítida a voz de Hyoga falando absurdos para aterrorizar a moça que chorava cada vez mais desesperada a cada ligação.

Camus estava tentando se conter até então, eu o conheço muito bem. Nessa hora seu rosto estava vermelho e ele falava quase gritando, batendo com o punho nos móveis sempre que podia. Foi quando começou a se dirigir até a porta.

- Ele vai me pagar! ESSE MOLEQUE NÃO PERDE POR ESPERAR...

- Calma, calma... – Eu disse tentando segurá-lo.

- Como calma?

- Primeiro sente e se acalme – Eu disse trancando a porta – Do jeito que você está vai machucar o garoto, e sei que você não quer isso.

Camus respirou e começou a andar em círculos pela sala, ele estava quase chorando por um misto de raiva e decepção. Eu tentei me acalmar para segurá-lo e não fazer nada teatral, pois ele odiava minhas reações exageradas e naquele momento eu não devia piorar as coisas.

- Vamos conversar, Camyu...

- Eu não quero conversar, eu vou esfolar aque...

- Para querido, chega! Se acalme! Seja a pessoa racional de nós dois novamente, por favor! Você precisa tentar entender o que gerou tudo isso e...

Eu observei enquanto ele virava as costas e saia com a cópia da chave que ele mesmo tinha, dizendo:

- Sim, sim, eu vou descobrir tudo isso enquanto eu “conversar” com ele. E não venha tentar salvar ele de mim, porque já adianto que não dará certo.

Camus saiu, assim, furioso. E eu estava desesperado, temendo pelo meu patinho... Claro, ele me irritava, mas a única pessoa que tinha no mundo quando o meu picolé se enfurecia era eu...

... continua...