Preparativos E Provocações

5 Capítulo V - Drama Queen


Notas iniciais
Atualização rápida amiguinhos, lembrem de não apenas de xingar quando eu atraso, mas me agradecer atualizações rápidas com reviews em ambos os capítulos! Assim vocês incentivam a titia aqui a continuar postando

Capítulo V — Drama Queen

A música tocava alto enquanto ele se escondia do mundo embaixo dos pesados edredons, enquanto ao lado estava uma garrafa de whiskye caro acompanhado de um copo deixado pela metade. Estava tudo largado, sujo, como se o local houvesse sido esquecido ao acaso.

Seu cabelo estava desgrenhado, já não tomava banho há dois dias, o travesseiro embebido em lágrimas. Não tinha fome, não tinha vontade de sair e a luz o incomodava de uma maneira terrível.

Seus únicos passatempos eram fumar um ou outro cigarro, hábito que custou a largar sob o crivo de Camus e as músicas depressivas que pareciam que foram escritas para aquele momento.

O telefone tocava o tempo todo, seus amigos queriam saber como ele estava, mas não perdia seu tempo atendendo. Naquele dia em especial se irritou e arrancou o telefone da tomada para acabar de vez com aquele toque irritante.

O drama do escorpiano era acompanhado pela voz de Celine Dion, ficando o lugar cada vez mais sujo e bagunçado. Mas Milo não se importava, apenas sentia a dor da perda de Camus, queria chorar tudo que tinha dentro de si até um dia, quem sabe, esquece-lo.

Camus, por sua vez, tentava passar a maior parte do tempo no trabalho. Tentava não pensar em Milo, mas era muito difícil, pegou o telefone por várias vezes para telefonar e não o fez – ele não iria sustentar ou apoiar aquela atitude explosiva, impulsiva e absolutamente imotivada do escorpiano.

Olhava vez ou outra para o canto de sua mesa, estavam lá a chave do carro de Camus e alguns documentos, um CD e uma câmera digital que o grego esqueceu e sequer buscou. Camus rodava a caneta entre os dedos pensando se devia ou não ir até lá devolver tudo e tentar conversar de uma maneira civilizada.

Nesse pensamento, Camus levantou uma sombrancelha falando consigo mesmo.

- Civilizada? Conversa civilizada? Com Milo?

Camus então colocou a mão na testa e continuou o trabalho, pensando no programa que faria com Hyoga naquela noite.

Diante dessa situação Hyoga se sentia vitorioso como nunca, saboreando cada segundo de seu tempo com Camus sozinho. Claro que tomava muito cuidado para não transparecer felicidade, sendo que vez ou outra comentava falsamente uma saudade de Milo.

POV Camus

O dia puxado de trabalho não foi o suficiente para desviar minhas atenções de Milo que até hoje ainda não percebeu a besteira que fez e nem sequer ligou pedindo desculpas. As vezes me sinto pai de dois adolescentes, antes foi um ataque de ciúmes de Hyoga, agora era a vez de Milo.

As vezes eu realmente sinto vontade de pegar Milo pelo colarinho e lhe dar em safanões, é difícil demais viver com um escorpiano. Difícil demais!

Bom, mas o ideal agora é eu deixa tudo isso de lado e ir até a casa daquele cabeça-dura colocar um pouco de juízo naquele raciocínio. Peguei as coisas que ele esqueceu na minha mesa e fui de carro até a casa dele.

Fiquei alguns minutos parado na frente da porta antes de bater e depois mais uns quinze minutos esperando alguém atender a porta. Me irritei com a demora e usei a cópia da chave que tinha para entrar.

Senti um baque, aquilo estava um caos, sujeira, lixo, roupas jogadas por todos os lados e uma escuridão horrível. Aquele cenário até excedia um pouco as melancólicas fossas de Milo, conhecidas por todos.

Foi quando olhei para o lado e vi que ele estava lá, jogado na cama desleixado, meu coração doeu bem fundo. Como ele podia fazer aquilo com ele mesmo? Eu corri para ele, engolindo seco.

- Milo, veja o seu estado... Vem aqui... – Eu disse tentando me aproximar para tirá-lo da cama.

- Saia daqui, eu não te deixei entrar.

- Milo, pare com isso... Não há motivo para...

Milo respirou fundo e, com muito custo, se sentou na cama e olhou dentro dos olhos de Camus com aquela cara de quem não comia e apenas chorava há dias.

- Camus, isso não é apenas uma briguinha. Isso é o final do nosso relacionamento, não havendo possibilidade de retorno. Você não confia em mim e isso não pode ser remediado.

- Milo, você como sempre infantil... Não há razão para...

- Chega! Eu te contei coisas sérias, que eu jamais inventaria, e você decidiu que eu inventei tudo, que entendi mal, que ando confundindo as coisas. Você que é infantil aqui, me propondo construir uma família com vocês. Pois eu te explico, a proposta de família era ser seu companheiro, e você não confia em mim com relação à educação do Hyoga, e provavelmente será o mesmo com outros filhos que tenhamos no futuro. Tudo que eu disse era a mais completa e pura verdade e acho que a minha palavra basta para você acreditar.

Camus olhava para Milo enquanto o grego fazia aquele discurso sem muita dicção, ele entendeu que aquilo não era uma briguinha como as outras e seu coração acelerou. Seria possível que todas aquelas coisas fossem verdade?

- Milo, por favor, eu quero conversar com você. Tudo que eu tenho agora são várias histórias sem pé nem cabeça vomitadas no meu escritório por você no meio do meu trabalho. Você não trouxe nada que comprove...

- E desde quando eu preciso provar o que eu falo para você? A minha palavra não basta?

Camus ficou em silencio, um silencio questionador. O que Milo dizia era verdade, Camus se deu conta que não acreditou no noivo e que aquilo era sério, mas ainda assim era uma história absurdamente fora da realidade.

- Milo, se você houvesse me trazido algo mais palpável...

- Eu levei Camus, inclusive, é isso que está na sua mão, mas se não confia em mim, nossa relação não faz sentido.

Camus olhou para as coisas que tinha na mão, uma chave, CD, câmera... Decidiu deixar tudo de lado e levantar Milo.

- Vamos falar disso mais tarde, agora você precisa de m banho, esse lugar precisa de ar e você vai comer.

Camus sentenciou, não ia continuar com aquela briga enquanto Milo mal tinha condições de falar. O empurrou até o banheiro e o enfiou no chuveiro, no quarto foi organizando tudo, jogando as roupas no cesto, pegando os restos de comida e cigarro e jogando no lixo e, por fim, despejando os restos de bebida na pia.

Rapidamente, colocou uma massa integral no fogão e fez um molho de tomate com tomates enlatados o mais rápido que pode.

Quando Milo saia do banho enrolado numa toalha, Camus abria todas as janelas para que a luz entrasse naquele lugar melancólico. Camus revirou os olhos pensando no quanto Milo era exagerado com suas emoções.

- Sente-se e coma.

- Camus, eu não quero conversar e...

- Eu também não, a-pe-nas-co-ma! – Camus ordenou com aquele tom autoritário que apenas ele tinha e que fazia Milo se arrepiar e obedecer.

Camus ficava olhando para o copo com agua enquanto Milo comia algo do prato que lhe foi preparado e após um longo silêncio disse:

- Eu não disse que você mentiu, Milo.

- Não acreditou em mim!

- Eu apenas disse que você poderia estar exagerando, que algum mal entendido poderia ter ocorrido. Você saiu correndo, impulsivo, terminando o noivado sem qualquer explicação maior.

- Ah Camus... Como pode olhar apenas o seu lado?

- Milo, vamos parar de nos acusar e conversar como adultos. Você vinha só reclamando de Hyoga e sempre que eu o via com você, ele estava o abraçando ou tentando agradá-lo. De repente você me chega com uma bomba atômica formada pelas histórias mais absurdas que já ouvi sobre ele...

- Você não enxerga o quanto esse menino é manipulador e dissimulado.

Camus respirou fundo e fez uma longa pausa, estava pensando sobre a possibilidade de tudo aquilo ser verdade. Por um lado duvidava, mas por outro achava estranho a rebeldia tão séria de Hyoga ter sumido após uma surra.

- Milo, eu acredito em você – Disse Camus pausado.

Nesse momento, os olhos e Milo se encheram de agua e ele se segurou para não chorar.

- Mesmo?

- Sim. Eu apenas acho que você pode está exagerando um pouco, mas em nenhum momento, nem por um segundo, acho que você está mentindo.

Aquilo bastava para Milo, que estava preocupado com Hyoga e queria parar aquele festival de horrores antes que o loiro realmente prejudicasse alguém. Decidiu, então, a contragosto, levantar-se e deixar Camus decidir por si próprio.