Eu tenho uma amiga que morre um pouco a cada dia. Já tentei ajudá-la, mas compreendi algo: não importa o quanto eu dissesse que a amava, ela continuaria a pensar que não era amada por ninguém.

Era muito engraçado ela não se ver especial, porque nunca conheci alguém tão talentoso antes. Acho que aquele ditado de cuspir no prato que come deve ser isso aí.

Gostaria muito que ela me notasse e visse que não estava sozinha e que é sim muito especial, mas a cada dia eu a vejo morrendo aos pouquinhos.

O corpo magro e flácido não toma banho, não tem energia para lavar a louça, não tem amor para dar aos bichinhos, não menstrua por não haver minerais e nem vitaminas, era carente em vitamina D por não tomar sol.

Por mais que eu tentei, na mente só havia a voz lhe dizendo que destoava de tudo nesse mundo.

Eu a abraçava e ela encaixava a cabeça na curva do meu pescoço, me agradecia e dizia que me amava. Mas no outro dia esquecia de tudo que eu fiz e novamente dizia que estava só.

Se eu partisse, tenho certeza que ela se culparia. Porque continuaria pensando em si mesma quando tivesse o sentimento de culpa no coração. Às vezes fico pensando se ela é na verdade especial, mas por pensar tanto em si mesma, embora fosse de forma negativa.

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