Premonição: Poderes Vitais
1 Capítulo 1: Incerto Destino
Notas iniciais
Katherine ainda dormia encolhida em sua cama, com seus graciosos cabelos castanhos e sua pele clara refletidos pela luz do sol que invadia pela janela do quarto.
Tudo estava em completa harmonia, até que de repente, o irritante zumbido do despertador vindo do quarto de seu irmão mais velho, Gregory, tocou freneticamente e a acordou.
A adolescente de dezesseis anos levantou a cabeça lentamente e abriu seus belos olhos azuis incomodada.
– Greg, desliga isso, por favor! É sábado e pelo menos hoje eu mereço um pouco de paz — Katherine gritou para que Greg pudesse ouvir de seu quarto.
Quando o zumbido parou, Katherine teve certeza que Greg a ouvira e desligara o despertador, mas justamente quando se preparava para dormir novamente, uma figura desajeitada de cabelos escuros e um pijama branco apareceu na porta de seu quarto.
– Você não vai levantar? — Greg estava observando a irmã deitada.
Katherine abriu os olhos e encarou o irmão, até que finalmente lembrou-se da viagem que fariam aquela manhã e levantou com um salto.
Greg, satisfeito com a reação da garota, saiu do quarto dirigindo-se ao banheiro do fim do corredor, que ficava entre o quarto dos irmãos, para tomar banho. As malas já estavam prontas e as passagens haviam sido compradas cinco dias atrás, mas eles não iriam de avião, iriam de ônibus, em uma excursão para conhecer as outras cidades do estado de Nova Iorque e deixar o Broklyn por um tempo.
– Greg, onde estão as passagens? — Katherine perguntou dirigindo-se a porta do banheiro em que Greg tomava banho.
– Em cima da mesa de madeira! — Greg gritou de dentro do banheiro ao som de água caindo.
Mesa de madeira era como chamavam a mesa da cozinha, que ficava praticamente ao lado da porta de entrada, por isso Greg tinha colocado as passagens lá, para não esquecê-las ao sair.
– Peguei — Katherine agarrou as passagens e as enfiou dentro de sua mala.
Poucos minutos depois, Greg saiu do banheiro e se dirigiu ao quarto enrolado em sua toalha azul, a rosa era de Katherine, pois teriam de impôr limites se quisessem dividir o banheiro.
Com o irmão fora do banheiro, Katherine poderia agora tomar banho, separou a calça jeans e a blusa de cetim branca que estavam em seu guarda-roupa, uma das únicas peças que sobrara lá, e entrou no banheiro levando uma calcinha e um sutiã.
– Kate! Anda logo! — o irmão apressou, já vestido com uma camisa vermelha, um casaco bege e uma calça jeans.
Katherine tomou um banho rápido e saiu correndo do banheiro já vestida para a cozinha, onde seu irmão e seu pai a aguardavam.
O senhor Jones, pai de Gregory e Katherine, estava feliz de ver os filhos crescidos, tinha medo de não chegar até aí, mas lá estavam eles, prestes a viajar sozinhos, Gregory com seus dezenove anos e Katherine com seus dezesseis.
– Tchau pai, sentirei sua falta — Katherine abraçou o pai ao chegar à cozinha.
– Vão com Deus meus filhos — o senhor Jones despediu-se abraçando Katherine e depois Gregory.
– Iremos pai — Katherine sorriu.
– Greg, cuide da sua irmã — o senhor Jones pediu enquanto abraçava o filho.
Greg largou o pai, deu um largo sorriso e confirmou com a cabeça, e Katherine, ou melhor, Kate, como todos a chamavam, tirara uma pulseira de plástico de seu braço e entregara ao pai.
– Essa é a minha pulseira da sorte, ela irá te proteger enquanto não estivermos aqui — Kate sorriu para o pai.
Não era muita coisa, mas o pai se conformara, afinal, era um modo de lembrar da filha.
– Kate, pegue a sua mala — Greg levantou sua mala e caminhou até a porta de casa.
Kate puxou a mala, sorriu para o pai mais uma vez, e saiu pela porta com o irmão, que puxara as passagens da mala da irmã após descobrir que ela as tinha colocado lá.
O ônibus se encontrava a duas quadras dali, Kate e Greg estavam ansiosos para chegar, esperaram aquela viagem durante meses. Aquela era uma grande oportunidade de conhecer novos áres, novas culturas e novos lugares.
– Por que você acha que o papai não quis vir conosco? — Kate perguntou à Greg enquanto caminhavam.
– Acho que ele já está velho e prentende criar raízes em um lugar só — Greg respondeu respirando mais forte a cada passo que dava.
Eles já estavam cansados, haviam andado uma quadra e meia carregando malas pesadas, mas faltava muito pouco para chegarem ao ônibus, e era isso que os confortava.
Kate procurava assunto para conversar com o irmão e encurtar a caminhada, mas antes que conseguisse dizer alguma coisa, os dois havistaram o ônibus, e quanto mais se aproximavam, mas a sensação de alívio nos dois aumentava. O ônibus não parecia ser ruim, era um ônibus azul com o nome "Logan Tour" escrito em letras doradas graúdas na lateral, e dentro, um ambiente climatizado cheio de poltronas reclináveis e confortáveis.
– Deixe-me ajudá-los com a bagagem — um homem de cabelos negros grisalhos, camisa azul escura e uma calça jeans gasta disse dirigindo-se a eles ao lado do ônibus.
Os irmãos imediatamente entregaram as malas ao homem, que as jogou dentro do porta-malas do veículo.
– Sejam bem vindos a Logan Tour, eu sou Bob, o outro motorista — o homem se apresentou.
– O outro? — Kate indagou.
– Sim, você não achava que um só motorista dava conta de dirigir dia e noite sem parar não é? — Bob franziu a testa.
Kate permaneceu calada demonstrando que compreendera, e após ela e o irmão apresentarem as passagens, puderam entrar no ônibus e procurar os seus assentos.
– Aqui estão nossos lugares — Greg apontou para duas poltronas à esquerda divididas apenas por uma divisória de plástico.
Kate e Greg se acomodaram, e enquanto Greg encostava sua cabeça na janela fria, Kate procurava rostos conhecidos, mas não encontrara nenhum. O ônibus já estava praticamente cheio, mas Kate tinha certeza que seus amigos viriam, pois na semana anterior combinaram de fazer a viagem juntos.
– Bom dia, senhores passageiros — o dono do ônibus disse pelo alto falante — Meu nome é Logan White e eu os levarei para conhecer as outras grandes cidades de Nova Iorque, então preparem-se para uma viagem inesquecível.
Antes que Logan pudesse terminar de falar, a porta do ônibus abrira-se novamente e uma jovem loira de olhos verdes entrou.
– Ally! — Kate gritou ao avistar a garota.
Ally ficou contente ao enxergar a amiga e correu para abraçá-la.
– Kate, fiquei com medo que não viesse. — Ally abraçou Kate com um grande sorriso — O Derek está descarregando a bagagem, mas já vai entrar.
A pronúncia daquele nome fez o coração de Kate disparar, afinal, ela era louca por Derek, e o fato de ele vir junto na viagem a empolgava.
– Derek? — Kate corou.
– É — Ally sorriu.
Derek era o melhor amigo de Ally, tinha a pele morena, cabelos escuros desarrumados e os olhos claros como os de Kate.
De repente o ônibus balançou.
– Acomodem-se todos, estamos saindo, próxima parada: cidade de Nova Iorque — Logan disse novamente pelo alto falante enquanto Derek caminhava pelo corredor procurando seu assento.
Com o aviso de saída do ônibus, todos os passageiros que se encontravam em pé foram obrigados a se sentarem, entre eles Ally e Derek, que se sentaram um ao lado do outro.
– E aí, Derek! Fiquei feliz que pôde vir — Ally abraçou o amigo.
– Eu não perderia uma viagem dessas por nada — Derek sorriu.
– Sim, sem dúvida será uma grande viagem, mas por que você trouxe tantas malas? Eu o vi enquanto descarregava a bagagem e parece que você trouxe sua casa inteira dividida em partes — Ally riu um pouco.
– Ah, aquilo é tudo o que eu preciso para sair da cidade — Derek riu também.
– Como foi que você veio carregando tudo aquilo?
– Minha mãe veio me deixar de carro.
– Que sorte a sua, eu, a Kate e o Greg viemos andando
– Eles vieram? — Derek pareceu surpreso.
– Sim, estavam a poucos quilômetros de distância de mim quando andavam para cá, eu até os chamei mas parece que eles não me ouviram.
Naquele exato momento, Derek virou-se para procurar os irmãos que supostamente haviam estavam ali.
– Derek! — uma voz chamou ao fundo.
– Kate! — Derek levantou-se e caminhou pelo corredor até a poltrona de Kate.
– Eu pensei que não viria — Derek sorriu para a amiga.
– Por que eu não viria? — Kate sorriu de volta.
– Você podia dar furo, como sempre — Derek brincou.
– Ah, mas eu comprei minha passagem à cindo dias, não teria sentido eu dar furo.
Derek estava feliz de encontrar a amiga, tão feliz que nem percebeu um garoto de cabelos loiros, um pouco mais escuros que os de Ally, pele clara e óculos escuros vindo em sua direção pelo outro lado do corredor.
– Com licença aí mano — o garoto pediu.
Derek estava de pé ao lado da poltrona de Kate, no meio do corredor, e ao lhe pedirem licença, entrou na apertada fileira da amiga para deixar o garoto passar.
– Valeu — ele agradeceu.
Derek estava desconfortável, mas evitava reclamar, não queria que o vissem daquela forma, então simplesmente levantou o pé com cuidado para não machucar Kate e voltou ao corredor para continuar a conversa que estava tendo.
Enquanto isso, o garoto que acabara de passar por Derek, sentou-se em seu lugar vago ao lado de Ally.
– Essa cadeira já tem dono — Ally virou-se séria para o garoto.
– Eu sei, seu namorado? Por que ele está mais interessado naquela ali — o garoto virou-se e apontou para Kate.
– Não é meu namorado, e a minha vida pessoal não é da sua conta — Ally permanecia séria.
– Ah foi mal, então vamos começar do zero, meu nome é Tom — o garoto apresentou-se estendendo a mão para Ally.
– Eu não lembro de ter perguntado seu nome.
– Qual é gatinha, vamos parar com esse joguinho — Tom disse com ar de conquistador.
– Cai fora daqui — Ally elevou o tom de voz.
– Por que? Se acha boa demais pra mim?
– Eu te mandei cair fora! — Ally gritou.
Essa atitude ao mesmo tempo em que o envergonhara, também deixara Tom com mais vontade de dar em cima da garota, mas não naquele momento, por medo de que ela fizesse um escândalo ainda maior dentro do ônibus.
– Tudo bem, tudo bem. Eu vou — Tom tentou acalmá-la — Mas em Nova Iorque a gente se fala.
Tom levantou-se e dirigiu-se para seu assento, passando novamente por Derek.
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