Premonição: Catedral
3 Estilhaçados
Notas iniciais
Ele sentiu paz.
A paz o consumia por completo, era algo muito bom pra ser descrito. Stuart nunca tinha sentido algo como aquilo, mas esse sentimento começou a ser puxado de si.
Não, ele não queria que isso fosse embora, estava morto. Seu sofrimento havia finalmente acabado, mas a paz dele foi sumindo, se diluindo. Até que ele abriu os olhos.
– Presta atenção! — Ouviu uma voz.
Stuart olhou ao redor, e ainda estava na catedral. Naquela igreja centenária. Mas isso não era possível, tinha visto tudo cair, e todos os que estavam ali morrer...
Virou-se para o lado, e então sua irmã, Lindsey, disse:
– Não vai fazer gafe, Stuart. Já não basta o Will todo desconfortável com a aquela loira oxigenada?
– Oxigenada... — E então, ele viu Lindsey olhando para Will e Natasha. — Meu Deus...
– Ai, tinha de ser mesmo. — Lindsey olhou novamente para o irmão. — O que foi Stuart? Você está suando...
– A cruz...
Stuart direcionou o olhar para a grandiosa cruz, que permanecia imponente no seu lugar de origem. Não tinha caído, como Stuart pensara. Mas algo estava errado, e Stuart podia sentir um arrepio gelado cortar sua espinha. Ele vira tudo cair, e depois... Tudo estava normal... Até a fala de sua irmã estava semelhante à visão.
E um péssimo pressentimento tomou conta de Stuart, e então viu a cruz balançar, por conta de um vento gelado que congelou Stuart, dos pés a cabeça. Não poderia ser, estava tudo se repetindo...
– Stuart, você está bem? — Lindsey perguntou, demonstrando preocupação. Do seu outro lado, Katie parecia prestar atenção em Stuart.
E tudo iria se repetir.
– Lindsey... Isso vai cair... A catedral vai ruir, vamos todos morrer!
– Calma Stuart, tenha calma, você está muito...
– Não, Lindsey, isso vai acontecer mesmo. — Stuart se levantou. — Eu vi, eu vi... Isso aqui vai cair!! — Ele gritou no interior da catedral, interrompendo a cerimônia.
Todos se viraram na direção de Stuart, com diversas expressões em suas faces.
– Stuart, você não está bem. — Lindsey se levantou, rapidamente. — Eu te levo lá fora.
– Não, você não entendeu mana. — Stuart segurou os braços de Lindsey, e percebeu que já estava chorando. — Eu vi... Temos que sair daqui. Ou morremos.
Lindsey olhou para ela, atônita. Não conseguia criar uma frase, qualquer coisa, para expressar o que sentia. Medo, incredulidade, nervosismo? Não sabia o que dizer.
Will veio correndo na direção de Stuart.
– Stuart, tá bem? Você tá falando que isso vai cair... Relaxa cara.
– Alguém faz o favor de tirar ele daqui? — Natasha falou, com repugnância.
Martin e Madison ainda estavam no altar, olhando Stuart, sem fazer absolutamente nada, apenas chocados com o que acontecia.
– Ele está falando a verdade! — Sarah se levantou de seu banco, gritando.
– Sarah, o que é isso? — Courtney perguntou. — Você pirou?
– Se querem sobreviver, nós temos de sair! — Sarah olhou para Courtney e Leo, que ainda estavam sentados, olhando para Sarah como se não a conhecessem.
Stuart largou as mãos de Lindsey, e saiu correndo na direção de Julia, que tinha descido do altar, e andava na direção dele.
– Filho...
– Mãe, pelo menos você...
– Mas filho...
Stuart sentiu mais um vento gelado entrar pela catedral, novamente gelando todo o seu corpo. Rapidamente, no instinto, puxou sua mãe, e saiu correndo pelo corredor com ela, enquanto todos o olhavam, atônitos. Precisava salvar alguém, pelo menos ela...
– Will, vai atrás do Stuart. — Martin falou. — Ele deve precisar de algum calmante, alguma coisa.
– Eu também vou. — Lindsey se ofereceu, e os dois saíram correndo pelo corredor central.
– Não, ninguém vai! — Natasha falou, ficando na frente do altar. — É melhor que esse garoto fique lá mesmo, não atrapalhe o casamento de ninguém.
– Natasha, por favor, agora não é hora... — Madison falou.
– Eu estou te defendendo, Maddy. Pelo amor de Deus! Que raiva!
– Calma Natasha... — Katie se aproximou.
– Ah, dá licença! — Will falou, empurrando Natasha para o lado, enquanto ele e Lindsey passavam. Natasha acabou desorientada, e acabou batendo na câmera de Logan, que caiu no chão, quebrando-se.
– Isso está se tornando um desastre! — Ela gritou, e saiu correndo pelo corredor central atrás de Will e Lindsey.
– Natasha do céu, volta aqui. — Katie falou, correndo atrás da garota, mas foi parada por Logan que falou:
– E quem paga isso aqui?
– Dá licença, por favor. — Katie falou impaciente, soltando-se das mãos de Logan, e continuou sua corrida. Logan correu atrás da garota.
No banco, Sarah ainda tentava convencer os dois.
– Venham, por favor.
– Sarah o que deu em você? — Leo perguntou.
– Quer saber, vamos logo, esse casamento já é um desastre, por causa da idiota da Natasha! — Courtney falou, se levantando. — Vamos, Leo.
Leo não teve outra opção a não ser seguir as duas garotas para fora.
Ernest observava tudo do altar, e decidira por não sair. Ele sabia que o que Stuart estava dizendo realmente se realizaria em questão de minutos. Estava pronto para o que viria a seguir, aceitando a morte como uma amiga.
...
Sarah, Leo e Courtney desciam as escadas, enquanto viam a cena que se desenrolava ao seu redor.
– Eu juro que vi tudo cair! Eu juro! — Stuart gritava.
– Agora que você estragou o casamento da Madison, você jura né? — Natasha falou.
– Por que ele estragaria o casamento do irmão dele? — Lindsey perguntou. — Ele só não está bem, pode voltar para o casamento.
– Ah, agora quem paga a minha câmera? — Logan perguntou.
– A culpa não foi minha, você sabe que foi esse garoto que me empurrou. — Natasha falou.
– Não me bota na briga não, você que queria manter todo mundo preso lá dentro. Ele é meu irmão! — Will falou.
Stuart estava alheio a tudo, e respirava ofegantemente. Julia estava ao seu lado, preocupada.
– Filho, você está bem? O que aconteceu?
– Mãe... — Stuart olhou para a catedral, e viu Jeff descendo as escadas, com cara de poucos amigos.
Fechou os olhos, desejando que tudo aquilo não pudesse ser verdade. E então as vozes ao seu redor cessaram, alguns gritos foram ouvidos, e Stuart ouviu um estrondo que ecoou ao redor.
Abriu os olhos, e todos olhavam horrorizados para a catedral. A torre havia caído.
De repente, conseguiu ouvir alguém gritando "Sua maldita" atrás dele, e Stuart se virou, e viu quem era. Era aquele mesmo homem encapuzado do dia em que conversava com Ernest.
Ernest... Stuart olhou ao redor dos que estavam ali, e então sentiu a falta de duas pessoas, que deveriam estar ali.
Ernest e Martin.
...
Algumas horas depois.
– Pelo o que me falaram aqui... Você tirou todos da catedral, antes do acidente acontecer. Por que fez isso?
Stuart levantou a cabeça para o oficial de polícia que o interrogava. Após o acidente da catedral, os sobreviventes, aqueles que Stuart tinha tirado com vida, foram levados para prestar depoimentos para a polícia local, sobre o incidente.
– Eu simplesmente vi. Vi tudo antes de acontecer. – Ele respondeu.
– Como assim, viu? Está querendo-me dizer que viu o acidente?
– Eu estava na catedral, estava tudo normal... Daí, eu vi acontecer o acidente, eu estava dentro dela, e vi tudo... Mas eu estava lá.
– Quer dizer então que o senhor teve uma... Premonição? – O oficial olhou com descrença para Stuart.
– Chame como quiser, mas acho que foi isso mesmo. Eu só vi. No final de tudo isso, eu acabei morrendo também. Mas então, quando eu vi, eu estava dentro da catedral, no mesmo lugar que estava antes. Então aconteceu tudo, mas antes disso eu tive um ataque, e... O senhor já deve saber. – Stuart respondeu, olhando para o oficial.
O oficial levou a mão à boca, parecia estar refletindo sobre o que Stuart acabara de dizer.
– Mais alguma coisa que queira dizer? – O oficial falou.
– Eu não sou nenhum terrorista, se é isso que está pensando. Eu sou um rapaz normal, ou que pelo menos era até um tempo atrás. – Stuart suspirou. – Acho que é isso. Posso ir?
...
Três dias depois.
26 de novembro de 2013.
16:00.
As autoridades ainda não tinham um número exato de vítimas da queda da catedral, sabia-se que mais de 50 pessoas tinham morrido. Naquele dia, a catedral estava lotada, por conta de um casamento, e levou todos os convidados para a cova.
Stuart ainda não conseguia acreditar no que tinha feito. Passaram se três longos dias, e a sensação que tivera naquele dia ainda não passara. Talvez nunca passasse.
Para aumentar o péssimo clima, aconteceram os enterros. Stuart fez questão de ir ao enterro de Ernest, e deu suas últimas despedidas ao padre. Sobre o caixão do mesmo, depositou uma flor, e falou, como se somente o caixão do padre pudesse ouvir:
– Obrigado por tudo.
Stuart estava saindo do enterro de Martin. Permanecia longe de Lindsey, Will e Julia. Sabia que sua presença poderia atrapalhá-los mais ainda. Desde o dia da queda, Julia entrara em uma depressão, ao perder mais um filho. Mais um membro de família Garner que ia embora para sempre.
Lindsey e Will tentavam manter uma relação boa com Stuart, mas ele percebia que o clima entre eles estava diferente. Tinha certeza que ambos sentiam medo do irmão, ou receio de tentar falar com ele. Stuart também se fechara mais ainda desde o dia em que tudo caiu, e falava pouco. Muito pouco.
Andava pelo cemitério de Mt. Abraham, meio desorientado. As folhas giravam nos seus pés, era outono, e as folhas estavam todas com colorações alaranjadas, vermelhas, ou caídas no chão. Ele andava por entre os caminhos verdes, entre as lápides colocadas no chão, sem rumo.
Stuart parou próximo a uma garota que deixava uma flor sobre um túmulo. Ela se levantou, e olhou para ele.
...
Sarah não sabia o que dizer, apenas olhava para o garoto que salvara sua vida. Estava ali, fazendo sua visita cotidiana ao túmulo de sua irmã, Carly, quando viu o garoto andando, e parando na sua frente.
Sarah sorriu, e conseguiu falar:
– Obrigada por ter me tirado de lá.
Stuart estancou, não imaginava que a garota falaria isso. Gaguejando um pouco, respondeu:
– Por nada.
– Você não percebe o que você fez? — Sarah falou. — Você salvou a todos nós. Se não fosse você, eu estaria morta nesse momento. Todos estaríamos.
– É... Que ninguém veio me agradecer por isso.
– Certamente alguns não vão com a sua cara, ou estão muito atônitos para agradecer. Mas quando se derem conta, vão agradecer a você.
Stuart sorriu.
– Desculpa a indiscrição, mas quem é?
Sarah olhou para o túmulo e depois retornou seu olhar para ele.
– Minha irmã.
– Ah, desculpe por perguntar.
– Não, não teve problema nenhum. Você apenas perguntou, curiosidade. — Sarah falou. — Bom, preciso ir andando. Até a próxima...
– Stuart.
– Então, até a próxima Stuart. — Sarah falou, enquanto se afastava.
Stuart olhou novamente para o nome gravado no chão.
Carly Watkins, 04/07/89 — 23/11/10.
Suspirou e continuou a andar, porém agora com uma ponta de felicidade.
...
Katie e Natasha estavam sentadas em um banco na região costeira de Mt. Abraham. Tinham acabado de sair do cemitério, e resolveram descansar um pouco.
– Se recomponha Natasha. — Katie falou. – Não gosto de ver você desse jeito.
– Mas isso é triste demais... A nossa Maddy...
– Ela está mais feliz no lugar para onde foi. — Katie falou. — Poderíamos estar lá também se não fosse aquele rapaz.
Natasha ergueu os olhos para Katie, e sua expressão se transformou repentinamente.
– Não fale daquele rapaz.
– Mas é a verdade, não é? Se ele não tivesse aquela coisa, aquele PT... Estaríamos mortas. Ah, não quero nem pensar nisso.
Natasha parecia não saber o que responder. Ela sabia que tudo o que Katie falava era a mais pura verdade, mas negava até o fim. Quanto mais negava, mais tinha certeza do contrário. Mas Natasha era teimosa, e não desistiria.
– Eu não agradeço a ele, agradeço a força superior.
– Ah, agora acredita em Deus? — Katie perguntou.
– Acredito no que levou ele a dar uma de maluco, não em Deus e muito menos naquele pirado.
...
Logan acabara de sentar no sofá de sua casa, e suspirou. Da noite para o dia, Logan perdera tudo. Tudo.
Naquele casamento que prometia ser um dos mais lindos que Logan já trabalhara, encontrara a ruína. No meio de toda aquela confusão, sua máquina fotográfica acabara por quebrar, e todo o seu equipamento foi levado junto dos escombros.
Nada sobrara para Logan, que teria de recomeçar seu negócio do zero, e ele também enfrentava a fúria de alguns clientes que tinha para aqueles dias posteriores ao desabamento. Restava a Logan utilizar o dinheiro do caixa para tentar comprar um novo equipamento, mas isso sairia muito caro. O único jeito era pedir dinheiro para seu outro irmão, o dono da Build It! da região. Logan se transformara de um ótimo fotógrafo para pedinte do dia para a noite.
Pare com isso, Logan. Olha só o que você está pensando... Aquelas pessoas todas morreram, e você está preocupado com dinheiro? Deveria agradecer por estar vivo.
E finalmente ele percebeu que se sua máquina não quebrasse, se seu negócio não fosse destruído, se não seguisse aquela jovem, ele estaria morto. E enterrado a sete palmos do chão.
...
Courtney estava na sorveteria, estática. Sentada em um dos bancos, ela olhava para a mesa, enquanto deixava seus pensamentos fluírem por sua mente. Ela estava alheia a tudo, esperando Sarah sair do cemitério municipal, onde fora deixar flores para a sua irmã, Carly.
Passara três dias depois do incidente, e Courtney não conseguia tirar aquilo da cabeça. Desde aquele dia, deveria se sentir revigorada, renovada, como Sarah se sentia. Mas não. Courtney sentia como se não devesse mais estar naquele mundo, ainda muito chocada com os eventos daquele dia. Não conseguia tirar da cabeça o instante em que a torre desabou contra o chão, e quando gritou como nunca. Se fosse para presenciar ela continuaria na costa oeste para o resto da vida, mas não. Teve de presenciar aquilo. Pelo menos, estava viva, graças a Sarah. Naquele instante, pensara que uma maluquice tivesse tomado conta da garota, mas depois ela contara a ela e Leo o porquê de ter acreditado naquele outro rapaz. Ela dissera que sua irmã, Carly, tinha sobrevivido ao acidente de barco por conta da premonição de um rapaz. Sim, Courtney conhecia aquela história, mas outro pensamento corroía sua mente.
Dias depois desse mesmo acidente, Carly tinha morrido de uma forma bizarra, e era isso que preocupava Courtney. Será que quando Carly escapara do acidente, ela enganara a morte? O pensamento era muito bizarro, mas preocupava Courtney. E se... Ela, Sarah, Leo, todas aquelas pessoas tivessem feito o que Carly fez?
– O que você está pensando, Courtney? – Sarah perguntou, despertando a garota.
– Eh... Sarah... passou pela minha cabeça uma coisa... E se todos nós estivéssemos na mesma situação que a Carly?
Sarah se sentou, olhando para a garota.
– Como assim, Courtney? O que tem minha irmã?
– É difícil explicar... Mas sua irmã partiu dias depois de escapar do acidente. – Courtney viu Sarah abaixando a cabeça, ela sabia que a morte de sua irmã era um assunto extremamente difícil para ela, mesmo depois de anos. – Será que isso pode acontecer conosco?
Sarah ergueu os olhos, e olhou de forma estranha para Courtney.
– Courtney, não. Isso ocorreu com ela, não há nenhum motivo para pensarmos nisso. – Ela sorriu. – Estamos vivos, isso que importa. Ah, tem mais. Acho que você e o Leo estão não estão aproveitando a chance que ganharam. Você fica só pensativa... Nem parece a garota alegre que eu conheço. Já o Leo... Parece mais distante a cada dia. O que será que aconteceu com ele?
– O Leo ainda tem muitos mistérios, Sarah. Desde aquele dia que ele caiu no meio da rua, ele parece diferente. Mudando de assunto... E sua apresentação de dança?
– Qual? O Lago dos Cisnes? – Sarah perguntou. – Já foi.
– Nossa, eu pensei que ainda não tinha sido... E então, como você foi?
– Correu tudo bem para mim. – Sarah sorriu. – Nada de ruim aconteceu. Você sabe Courtney, como eu gosto de dançar.
Courtney sabia bem que Sarah adorava a dança. A garota fazia artes cênicas, e a dança estava entre elas. A garota também adorava atuar, mas a dança sempre fora seu forte. Uma grande companheira nos momentos difíceis de Sarah.
...
Lindsey abriu a porta da casa de sua mãe, e entrou seguida por Julia, Will e por último, Stuart, que entrou sem olhar para ninguém, e foi na direção de seu quarto, em silêncio.
Julia sentou-se no sofá da sua casa, em silêncio absoluto. A senhora mantinha-se praticamente calada desde o desabamento, e não conseguia aceitar que Martin se fora. Por que Deus permitira isso?
Ela não aguentava mais tanto sofrimento. No dia em que haveria somente alegria e felicidade, tudo foi levado numa avalanche de escombros. Apesar de ainda ter três filhos ao seu lado, Julia sentia-se como se parte de seu coração tivesse ficado junto de Martin.
– Mãe, não precisa ficar assim. – Lindsey sentou-se ao lado de Julia. – Garanto que o Martin não ia gostar que você ficasse chorando por ele dessa maneira. O Martin queria ver você alegre, feliz...
– Filha, não há como ficar assim. – Ela falou. – Você não teve nenhum filho, não sabe como é isso...
– Eu não tenho filhos mesmo, mãe. As crianças do hospital são minhas filhas, você sabe disso. Sabe mãe... Eu sei que é difícil manter-se firme nestes momentos, mas você tem que prosseguir. E tem mais... Não esquece que você ainda me tem, assim como o Stuart e o Will.
– Mas Lindsey... Você nunca irá entender... Cada um de vocês tem um pedaço no meu coração, e o Martin tinha o dele. E agora? E agora, filha? Esse pedaço ficou lá na catedral, junto com ele.
Lindsey abaixou a cabeça, e apenas abraçou sua mãe, que novamente desatou a chorar. Ela mesma não conseguia colocar na sua cabeça de que Martin se fora para sempre. A relação entre os dois irmãos sempre fora forte, apesar de Martin ser mais bem mais velho que ela, e Lindsey continuara a ter esperança de que achariam Martin vivo, e quando acharam o corpo do irmão, ela finalmente se convenceu de que tudo estava acabado para Martin.
...
Will estava deitado sobre sua cama, e passou a mão sobre seus olhos, quando Stuart chegou no quarto dos dois irmãos.
– Stuart? – Will chamou o irmão.
– Fala Will.
– Bem... Eu acho que perguntar não mata ninguém... O que você viu naquele dia?
Stuart parou estoico, e sentou-se sobre sua cama, enquanto olhava para Will, ainda deitado.
– Por que você está me perguntando isso?
– Não, só queria saber. Você estava bem naquele dia?
– Will, eu acho que sim. – Stuart falou nervoso. – Se não estivesse, você realmente acha que eu teria ido à catedral? Eu vi Will. Vi com meus próprios olhos, vi todos morrerem na minha frente. Eu me vi morrendo, eu senti como se estivesse morto.
– Então, você também me viu morrer? Será que teria doído muito?
– Acredito que sim, Will. Você não iria querer saber como morreu.
– Fala logo, cara. Eu quero saber.
– A torre caía em cima de você.
Will ficou paralisado, não sabia o que dizer diante do que Stuart dissera. Não sabia porque ficou assim, Will presumia que devesse morrer esmagado mesmo. Mas ouvir como ele mesmo iria morrer deu um arrepio no garoto.
– Espero que não pergunte mais sobre isso, Will. Tudo o que quero agora é esquecer isso. Nossa vida segue.
– Pelo menos eu vou chegar nos 18 anos graças a você. – Will respondeu, pensando no seu aniversário que chegaria em breve.
...
27 de novembro de 2013.
08:00.
Eu estou morrendo.
Esse foi o pensamento de Leo quando se levantou da cama naquele dia. Leo já vinha sofrendo nos últimos dias, passando muito mal, e ele já tinha certeza do que estava acontecendo.
Leo morava com os pais em uma casa no subúrbio de Mt. Abraham. O garoto nunca pensara em sair de casa, não até aquele momento. Ele também não fizera faculdade, assim como Sarah, apesar de que durante a high school, falava que queria cursar jornalismo. Mas acabou por não fazer absolutamente nada, fazendo apenas alguns bicos, não tinha uma profissão de fato.
Ás vezes, ele pensava que era um verdadeiro vagabundo.
Ele ligou o celular, e viu que tinha três chamadas perdidas de Sarah, e ligou para a garota.
– Alô?
– Leo? Meu Deus, você tá bem? Pensei que algo tinha acontecido.
– Não, tá tudo bem comigo.
– Leo, por favor. Eu sei que você não tá bem, tenha paciência. Estou preocupada com você.
– Não precisa se preocupar mesmo. Só estou um pouco mal por causa daquele acidente, só.
– Inclusive, já que falou do acidente Leo... A Courtney me contou uma coisa bem bizarra, que ela acha que vai acontecer com a gente.
– O que foi, Sarah?
– Ela disse que nós vamos morrer em breve, uma coisa bem mórbida mesmo. Porque assim como a Carly... — Sarah deu uma pausa. — Nós escapamos da morte, e ela morreu logo depois disso então...
– Sarah, isso é uma loucura completa.
– É isso que eu falei para ela, mas ela continua com isso na cabeça...
– Não se preocupa, Sarah, nada vai acontecer.
Para você. — Leo pensou, quando foi interrompido por outro pensamento.
Por favor, né Leo? Deixa de ser chorão, cheio de mimimi, melancólico, vai aproveitar a vida. Você ganhou um tempo de vida depois de sair da catedral, ao contrário de muitas outras pessoas, então use esse tempo de vida ao seu favor.
...
Natasha acabara de entrar no elevador, e se virou para o grande espelho do fundo do elevador. Ela se aproximou do espelho, e começou a observar a maquiagem do seu rosto, verificando a mesma. Ela fora dispensada do trabalho durante os três dias anteriores, e agora deveria voltar ao trabalho.
Os pensamentos sobre o acidente da catedral iam e vinham na mente dela, com um turbilhão de lembranças. Lembrava-se de Madison, radiante naquele vestido branco de noiva, que ajudara a escolher. Natasha ajudara na preparação do casamento de Madison desde o começo, e viu tudo ruir na sua frente. Literalmente.
Ela sabia que se não fosse o irmão de Martin, não estaria ali. Estaria neste momento, enterrada em algum lugar do cemitério municipal.
Que bobagem, Natasha. O garoto só surtou e tirou a mãe dele. Foi você que quis vir atrás dele, você é a responsável por sair da catedral.
As portas do elevador então se abriram, e Natasha saiu. Pouco antes das portas do elevador fecharem, lançou um sorriso ao espelho do outro lado. Estava totalmente radiante, até que a figura se transformou.
Natasha viu seu rosto se transformar numa caveira, e antes que pudesse fazer qualquer coisa, a porta do elevador fechou. Ainda meio chocada, ela balançou a cabeça.
É minha imaginação de novo. Eu deveria parar de pensar nesse desabamento, na morte... Que horror.
Ao se virar, bateu em uma pessoa que acabara de sair das escadas ao lado, e essa mesma pessoa se virou para ela, e Natasha a reconheceu vagamente.
Era um homem de cabelos espetados, e que vestia uma jaqueta de couro acima de um uniforme que Natasha identificara como sendo da Build It!, uma loja de construção da cidade. Era aquele homem que tinha saído da catedral, pouco antes dela cair.
Jeff apenas olhou profundamente para Natasha, sem passar qualquer sentimento pelo seu olhar, e passou na frente dela, seguindo para o estacionamento. Natasha continuou o acompanhando com o olhar horrorizado.
Quanto mais ela queria esquecer-se daquele dia, mais aquele dia voltava á sua mente.
...
Will andava pelas ruas do bairro onde morava com sua mãe e Stuart, em direção ao ponto de ônibus. A escola em que estudava era a maior da cidade, e provavelmente a mais famosa.
Mt. Abraham High School.
A escola existia há vários anos, e Will começara a estudar ali há dois anos. O garoto estava para se formar no meio do ano ano seguinte, estando no último ano da high school. Mas apesar da maioria dos colegas ter 17 anos, Will faria 18 anos no final de novembro.
E nesse dia, planejava esquecer-se de tudo.
Apesar de sua mãe ter mimado Will com tudo o que ele tinha direito e com o que não tinha também, ele queria ser livre das amarras dela. Chegara uma idade que Will não aguentava mais o mimo de Julia, pois ele estava crescendo, e somente sua mãe não percebia isso. Não percebia que o filhote dela, como Julia o chamava quando criança, tinha crescido. Ele não era mais o filhote de Julia.
Will já sabia o que fazer, quando terminasse o ensino médio. Iria sair de casa, fazer alguma faculdade em outro lugar do país. Apesar da insistência de Julia para que fizesse a faculdade na cidade mesmo, porque ela contava com uma universidade renomada, ele já se decidira.
Não que ele não amasse sua mãe, porque Will amava sim, mas ele queria ser livre, um pássaro libertando-se da sua gaiola. No caso ele era o pássaro e sua casa era gaiola, a prisão. E tudo o que Will queria fazer era voar.
...
Katie bateu á porta da loja onde trabalhava. Ainda era muito cedo, e a loja ainda não tinha aberto, mas provavelmente não deveria haver algum funcionário no interior da loja. Esperou um pouco, e ninguém apareceu. Olhou ao redor, e viu que a rua estava deserta, havia alguns carros parados, e uma van em uma ladeira, que ficava do outro lado da rua.
Katie bateu levemente na porta de vidro mais uma vez, e enquanto esperava, procurou seu celular no interior da sua bolsa.
Uma chamada perdida.
Um número desconhecido ligara para Katie anteriormente, e a garota resolveu discar o mesmo número, na outra linha alguém atendeu. Mas não falou nada.
– Alô?
A linha continuava muda, sem sinal nenhum de voz.
– Alô? — Katie repetiu, um pouco impaciente. — Alguém está aí?
Um ruído foi ouvido do outro lado da linha, e repentinamente, a ligação caiu. Katie tirou o celular do ouvido, e olhou mais uma vez para o número desconhecido. Pensou em ligar mais uma vez para ele, mas então ouviu um barulho atrás dela.
– Katie? Chegou cedo hoje. — Uma moça gorda e baixinha falou atrás dela.
– Ah, Lana. Mil desculpas, eu não vi você aí atrás.
– Acabei de abrir a porta mesmo. — Lana riu. — Entra aí.
...
10:00.
Stuart andava pelos corredores da Build It!, apressado. O jovem sabia que iria pirar em breve, se não saísse da empresa. Stuart conseguira trabalhar na função de aprendiz na loja, através de Martin, que o ajudou a conseguir o emprego e o dinheiro gerado por seu trabalho ajudava nas despesas da casa.
Mas depois da morte de Martin, Stuart não veria o lugar com os mesmos olhos. Martin trabalhava na parte administrativa, longe dos olhares de Stuart, mas mesmo assim Stuart sabia que o irmão estava ali. Naquele tempo, Martin estava longe e perto de Stuart ao mesmo tempo, mas agora Martin só estava longe, muito mais longe.
Stuart continuava a carregar o carrinho, com diversos objetos de bricolagem, que iam desde martelos até furadeiras. Ao chegar no lugar indicado, Stuart começou a colocar diversos objetos penduras nos parafusos que seguravam, quando algo chamou bateu no garoto. Ele se virou, e se deparou com o fotógrafo.
– Me desculpe... – E então ele parou subitamente. Naquele momento, parecia que o fotógrafo havia reconhecido Stuart do dia da catedral. Os dois ficaram se olhando fixamente, até que o fotógrafo falou.
– É... Stuart Garner, certo? – Logan falou, lendo o crachá de Stuart. – Desculpe pela batida. – Logo depois, ele começou a andar apressadamente para longe de Stuart. Em certo momento, ele vacilou olhando para trás, e Stuart conseguiu perceber que o fotógrafo queria falar com ele. Mas o mesmo continuou andando até virar no final do corredor.
Stuart se virou para os equipamentos da bricolagem, quando sentiu um arrepio estranho. Era o mesmo arrepio que sentia quando a presença de Colin estava próxima. Mas fora também o mesmo arrepio que sentira quando ele teve a terrível premonição.
Ele não sabia o que era, mas depois que a catedral caiu algo pior que Colin andava com ele. Algo aterrador, que não o deixava em paz. Por mais que quisesse ter certeza de que tudo tivesse acabado, e tinha mesmo, ele sentia no fundo da sua alma que tudo ainda não estava acabado.
A luz acima do corredor onde Stuart estava piscou.
...
Jeff estava com a cara no computador, fazendo qualquer coisa para a loja. Ele trabalhava na seção administrativa, junto com Martin. Mas agora, obviamente, a mesa ao seu lado estava vazia.
Jeff fora o último a sair da catedral, e até agora não entendia porque tinha feito isso. Naquele momento, após o ataque do garoto aliado a loucura daquela loira que provocaram uma confusão na catedral, Jeff tinha ficado estressado demais para ficar naquele local, tirando que o casamento de Martin já tinha ido para o buraco.
Apesar de parecer duro e frio, Jeff conservava no seu coração uma pontada de tristeza pelas vítimas daquele desabamento, que nunca deveria ter acontecido.
Imagina como a mãe do Martin deve estar.
Neste momento, uma pessoa passou correndo na frente de Jeff, e ele o reconheceu vagamente. Era o fotógrafo daquele dia, e por isso Jeff entendeu porque se lembrou dele naquele dia. Ele supostamente era irmão do seu chefe.
Contando com ele, já era o segundo sobrevivente que vira naquele dia, junto com a loira que tinha feito um barraco no casamento da amiga. Não sabia que a mesma morava no mesmo edifício que ele, então foi uma surpresa quando os dois se encontraram no saguão. Jeff ganhara um ódio gratuito pela garota depois do que acontecera no casamento. O visual dela, suas feições, e ainda as caras que ela fazia indicavam que ela era exatamente o tipo de pessoa que ele mais odiava na vida, fruto da high school. Quando Jeff olhava Natasha fazia ele se lembrar da pior espécie que existia no ensino médio. As patricinhas.
...
– Oi, Zeke. Como você está? – Lindsey falou, se agachando próximo do garotinho, sentado ao seu lado, com um livro.
A mulher passou a mão pela pequena cabecinha sem cabelos de Zeke, que riu. O garoto se recuperava de uma leucemia, e tivera de cortar os cabelos.
– Bem tia. Tia, anjo existe?
Lindsey se surpreendeu com a pergunta, sendo que esperava qualquer coisa menos aquilo. Lindsey crescera numa família católica, educada por sua mãe, Julia. A garota fizera a primeira eucaristia e a crisma, mas desde que crescera, não ia a igreja regularmente. Mesmo assim, a pergunta foi uma surpresa para ela.
– Claro que existem, Zeke. Eles tem grandes asas e acho que devem ser muito bonitos. – Lindsey apontou para o teto. – Eles moram lá em cima.
– Não tia, eles não moram no teto. Eles moram no céu. – Zeke falou, e Lindsey riu da resposta de Zeke.
– É que eu apontei pra cima, e o céu está acima da gente. – Lindsey falou. – O céu...
– É tia, minha vó tá lá no céu com os anjos. Deve ser legal lá no céu, não é?
– Deve ser mesmo, Zeke. O papai da titia tá lá também.
– Será que ele conhece minha vó, tia?
– Ah Zeke, não sei... Pode ser, né? Pode ser que sua avó conheça meu irmãozinho também... – Lindsey deixou uma lágrima escorrer pelo seu rosto.
– Tia, você tá chorando? Para de chorar.
– Não Zeke. Eu não estou chorando não, só estou um pouco emocionada. Só isso. Olha, a tia vai ao banheiro e já volta tá? Vou deixar a tia Lizzy cuidando de você.
– Tá bom, tia.
Alguns minutos depois.
Lindsey enxaguava o rosto com a água da torneira. Ficara muito emocionada com a conversa com Zeke, relembrando Martin, Colin e seu pai mais uma vez. Por um lado, ele gostava de pensar que todos estavam no céu, felizes.
Por outro lado, odiava ficar relembrando esses fatos, pois por mais que o lugar onde Martin, Colin e Arthur estivessem fosse muito melhor, o jeito que eles foram para esse lugar fora extremamente horrível. Já não bastava o desabamento, Lindsey ainda se lembrava com clareza daquela noite de véspera de natal, em que perdera seu irmãozinho e seu pai de forma tão brutal. Stuart parecia não se lembrar daquele evento com clareza, embora Lindsey soubesse que o irmão sentia a falta de Colin.
Não vira seu pai morrendo, mas ouvira o tiro que dera o fim para seu pai, mas o pior foi a bala na cabeça de Colin. O garoto ficou morto do lado de Lindsey por muito tempo, e a garota não sabia exatamente o que sentir. Medo, nojo, insegurança, tristeza, alívio, todos esses sentimentos se conflitavam entre si. E ela nunca se esquecera daquele dia, passaram-se anos e mais anos, mas a lembrança persistia forte.
Lindsey levantou o olhar para o espelho, e suspirou, fechando os olhos. Quando os abriu novamente, ela estava dentro de uma loja de modas qualquer. Ela estava totalmente vazia, exceto por um manequim de uma mulher, olhando fixamente para ela. O olhar do manequim seria normal como sempre, mas este era perturbador. Ele olhava para Lindsey fixamente, e de repente, algo caiu do olho do mesmo. Um caco de vidro.
Ela piscou, e viu que ainda estava no banheiro da instituição, e que aquilo não passara de um sonho macabro. Lindsey olhou para o espelho de vidro pela última vez, e se foi. No momento, em que bateu a porta do banheiro, um pequeno caco caiu sobre a pia.
...
Katie estava arrumando um manequim na vitrine da loja, colocando na posição correta. Ela olhou para o rosto do manequim, que permanecia impassível, como sempre.
A loja tinha apenas uma cliente no momento que era atendida por Lana, a companheira de Katie. Katie fora incumbida de arrumar a vitrine logo depois da loja abrir, e logo uma cliente chegara, reclamando do vestido dela. Supostamente o vestido dela havia rasgado no segundo uso dele, e a mulher tentava uma devolução.
Katie virou-se para a vitrine, e se admirou, sorrindo. A garota tinha muito romantismo dentro de si, e o seu sorriso era uma característica dela. Katie era uma pessoa feliz por dentro e por fora, e acreditava que tudo deveria ser mais feliz.
O mundo deveria ser mais feliz, isso era um fato para Katie, mas não apenas sorrisos falsos. Deveria ser feito de verdadeira felicidade. Por que será que as pessoas preferiam diversas vezes a tristeza e o ódio quando simplesmente poderiam ter a felicidade? Isso era ridículo para Katie.
Katie foi levada de seus pensamentos, e ficou de frente para o manequim, e viu que o trabalho dela em arrumar o manequim tinha sido muito bem sucedido. Subitamente, o celular de Katie tocou. Ao verificar o número, viu que era do mesmo número que ligara antes para ela. Katie atendeu novamente, e novamente falou com sua doce voz:
– Alô? Katie Powell falando.
A garota novamente ouviu o mesmo chiado incessante, mas agora vinha acompanhado de um lamento baixo. A garota sentiu um arrepio passar pelo seu corpo, e tirou o celular da orelha, e enquanto olhava para o celular, ele desligou repentinamente.
Subitamente, um barulho ensurdecedor vindo de trás, tomou conta de sua audição. Katie virou-se na direção do mesmo, apenas para ver a frente da van se chocando contra a vitrine.
A vitrine explodiu numa profusão de cacos de vidro, que voaram em várias direções, mas o principal alvo fora Katie. Os cacos foram como diversas agulhas que entraram no corpo de Katie, fazendo sangue espirrar em todas as direções. Katie sentia tudo se chocar contra ela, enquanto sua pele e carne eram rasgadas pelos cacos da vitrine.
Mas ainda havia a van.
Após a explosão de cacos, a van ainda não parara e chocou-se contra o corpo sangrento de Katie, que ainda estava de pé. A garota, com o choque fora arremessada em direção ao manequim que estava atrás dela, e ela caiu no chão. O manequim permanecia de pé.
Katie caiu com a parte frontal, que tinha sido atingida pelos cacos, para baixo e os cacos entraram mais na sua carne. Ela soltou um grito de dor, enquanto sentia a visão do seu olho esquerdo sumiu. Passou a mão sangrenta sobre seu olho, e sentiu um caco de vidro preso em seu olho. Levantou os olhos para Lana e a cliente, e disse:
– Me... Ajudem.
E finalmente o manequim caiu sobre Katie, prensando o corpo da garota contra o chão. Os cacos de vidro entraram com força total no corpo da garota e perfuraram totalmente a carne que existia, enquanto muito sangue saía dos ferimentos abertos de Katie, formando uma poça do líquido rubro ao redor da garota que jazia no chão morta.
A felicidade se fora para sempre.
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