Premonição: Alta Tensão

3 Mergulhados em Problemas


Notas iniciais
Desculpem, em primeiro lugar, pela enorme demora. Espero que gostem do capítulo!

Jenna chegou rapidamente ao local do ocorrido. Loren estava com ela, curiosa, olhando para todos os lados, havia algo ali que estivesse prestes a chamar sua atenção. A garota perguntara várias vezes o que estavam fazendo ali. A morena simplesmente, sabendo de todos os fatos contados por telefone, não queria compartilhar o que sabia com a mais nova. Assim que se recuperara do choque de adrenalina, Charlotte havia ligado para Jenna, contando tudo que havia acontecido. Lembrara que algumas semanas antes, tinha recebido o número da morena, ouvia os boatos de seu estado de saúde, faría-lhe uma visita. A ruiva não falava tanto com Jenna, não tanto quanto Heather falava, elas trabalhavam juntas e só.

Depois de passar por várias pessoas que ainda se aglomeravam bem em frente ao espaço de rampas, um parque aberto, porém com a ala somente para os treinos dos esportes radicais, estava neste momento lotado por pessoas preocupadas e ao mesmo tempo curiosas. Entretanto, no meio destas que acabavam com suas curiosidades, estava em especial uma mulher, de meia-idade, cabelos em tom loiros grisalhos e uma pele já quase enrrugada. Angela estava debruçada sobre o colo da amiga, Charlotte, que tentava a acalentar, era a única coisa que conseguia fazer. Jenna viu o exato momento em que o carro da perícia partiu, ligando as sirenes, semelhantes às da ambulância. O homem negro e de aparência “velha”, já vivida olhou pelo retrovisor, um gesto simples, mas que deixou os cabelos da morena em pé.



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Em pé, de frente à enorme janela que dava visão para o quarto da filha, estava Elias. Seu coração pulsava forte, enquanto ele observava as feições da filha única, Sandra. Ela estava deitada com várias cobertas brancas sobre ela. Seus olhos fechados davam a impressão de um anjo estar ali. Faziam dias e dias que estava naquele estado, um coma induzido. Seu pai ficou muito preocupado, ficou muito tempo sem comer, nem sequer trabalhava direito. O acidente da noite anterior só serviu para o deixar mais confiante de sua recuperação e a jovem não merecia aquilo, ele não sabia o que fazer, suas espreanças estavam se esvaindo, mas a confiança e fé eram maiores que ele.

Saiu dali, na intenção de tirar o pensamento negativo da cabeça, graças à Jenna ele estava tendo uma segunda chance, esta, para recomeçar e pensa em tudo que ele fez de errado até este certo momento e em tudo que ele poderia fazer para recomeçar.

Foi até a lanchonete e pediu algo para comer, ele precisava daquilo, ou não se acalmava.


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Angela estava inconformada, agora, sua face estava encharcada por lágrimas de dor e culpa, a filha fora levada de maneira violenta e inacreditável. Com sua respiração falha e sua voz entrecortada, murmurava coisas impercebíveis; seu coração ainda permanecia acelerado, pulsante e veloz. Estava em um estado de choque extremo. Estava com medo. Nada que dissesse ou fizesse traria sua querida filha de volta.

Apesar do jeito largado da filha, Angela sempre tentou fazer de tudo para lhe dar do bom e do melhor. Sempre pudera fazer tudo que a filha pedia. Teria sido um erro?

Jenna tentava falar palavras que a confortassem, afim de lhe tranquilizar, mas era tudo em vão. Angela ainda estava em prantos, tremendo, incrédula. Charlotte ficara perplexa com o que havia acontecido e estava muito, mais muito preocupada.


– Eu poderia ter impedido...

Angela estava se convencendo de que era sua culpa o fato da filha ter morrido.

– Não fale assim. Ninguém sabia que ocorreria isso. – Charlotte tentava a acalentar.

– Ela poderia ter ido para casa comigo. Ela escolheu me desobedecer.

– Isso! Você chegou ao ponto. Ela optou por não lhe obedecer. – Jenna não sabia ao certo se o que estava falando era realmente necessário.

As duas colegas de Angela estavam ali para lhe confortar, tranquilizá-la de maneira que não lembrasse do corpo da filha sendo carregado pelo homem moreno que dava um frio na espinha de Jenna.

– Sempre foi uma garota tão... alegre.

Angela se recordava das brincadeiras da filha.

– Sempre foi tão comportada e obediente. Espero que isto não tenha sido um castigo dado por Deus pelo meu tipo de criação.

– Não é isso. Não se culpe Angela. Fará muito mal a você. – Charlotte não sabia o que dizer.

Jenna permaneceu calada a partir daí. O acidente no edifício voltou à sua mente, coberto pela enorme nuvem de poeira que pairava acima de suas cabeças. Preciso das respostas, pensou.



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Jenna teve de sair, levaria Loren de volta para casa. Aquele sol estava de matar. Além disso, nunca deveria ter levado a filha, quando viu o sangue deve ter dado alguma coisa, lembrado de algo indesejado, nada disso deveria ter acontecido. Isso, buscaria respostas assim que chegasse em casa, era a única maneira.



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A moto deslizava na estrada. Estava a caminho do hospital. Pelo seu estado, estava muito preocupado e aflito com algo.

Chegou ao hospital alguns minutos depois e estacionou, deixando a moto no estacionamento. Pegou o elevador, ainda lembrando do acidente da noite anterior, havia sido algo impactante e de efeito grandioso em sua mente, que desde à noite passada, havia se fixado em sua mente, como um tipo de cola bem grudenta. As portas do elevador abriram e revelaram um corredor branco, com arranjos florais que davam uma sensação de tranquilidade e paz.

O hospital estava com pouca movimentação e ele procurava incessantemente alguém, mas ainda não havia encontrado quem queria achar.

– O que faz aqui? – A voz grave o fez saltar por dentro, alguém havia o assustado.

– Han?

O homem virou-se, revelando outra imagem masculina, parada bem a sua frente, era Elias Yemeans, seu chefe.

– Oh, Sr. Yemeans.

– Você não me respondeu, o que faz aqui?

As feições de ódio, eram explicitamente expostas na face do homem de meia-idade.

– Eu... vim ver Sandra.

Tristan não demonstrou nenhuma expressão de respeito ao chefe, só queria encontrar alguém.

– Você não deveria estar aqui, meu rapaz. Vá. Ela não está em estado de receber visitas.

– Quero vê-la!

– Se retire daqui! – A voz de Elias foi elevando o tom, à ponto de explodir.

– Sai da frente logo!

Tristan empurrou o chefe e logo sua busca acabou, parou de frente à uma enorme vidraça e pôs-se à aproximar seu rosto da enorme janela de vidro, olhava emocionado para a jovem deitada embaixo da coberta branca.

– Sandra... – Sussurrou.

– Agora vá. Já viu o bastante!

– Você não tem coração mesmo, não é Sr. Yemeans?

Os dois ficaram frente à frente.

– Meu rapaz, o que tinha de dar entre você e Sandra já se foi. Agora, deixe a mim e a ela! Você sabe que isso tudo é por culpa sua. Tudo que está acontecendo é por causa de você!

– Não adianta querer jogar a culpa para mim, Sr. Yemeans. Não vê que isso só aconteceu por não dar a tão sonhada atenção que toda filha e mulher precisam. Você não soube amar sua filha, ao ponto de fazê-la feliz.

– Eu dei tudo que ela sempre sonhou!

– Não foi o bastante!

Elias cerrou os punhos e em um movimento voluntário, deferiu um soco contra o rosto de Tristan, que recuou alguns centímetros, até passar a mão na boca e revelar uma gota de sangue. O mesmo fervilhava e hesitou em devolver na mesma moeda o soco do pai de sua ex-namorada, mas não poderia fazer isso, em respeito dela. Deu alguns passos, até virar-se de costas, seguindo no corredor iluminado.

Uma enfermeira surgiu no fim do corredor, amparando Elias, que deixava algumas lágrimas correrem sobre seu rosto.



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– Chega Brady!

– O que você vai ganhar com estes chiliques?

Os dois estavam em plena discussão de relação financeira.

– Eu torno a repetir que não quero nenhum barco.

– Heather, poxa! Você sabe o quão é importante pra mim, comprar aquela belezinha.

– Você sabe o quão é mais importante economizar o dinheiro para comprar um carro melhor. Que droga, Brady! Você é um babaca mesmo!

– Meça suas palavras, sua estressada!

– Só sou pensante, só isso!

– Você é pessismista até demais, tá?

– Ah, não quero mais tratar disto, você não vai comprar nenhum barco e ponto final!

– O dinheiro é meu e com ele eu faço o que quiser!

– Ah é? Então, coloque este dinheiro...

– Opa!

Brady calou a boca da recém esposa com um beijo demorado, depois de puxar-lhe com ferocidade contra seu corpo.

Heather se debatia contra o corpo do noivo, jogando seu punhos contra o peitoral do mesmo, fazendo demorar e deixar o beijo mais molhado ainda.

A afro-americana conseguiu se soltar dos braços másculos e correr em direção à cozinha.

– Você é um babaca! Isso que você é!

Ela gritou, na intenção de desviar a atenção do beijo que acabaram de dar.

– Quero ver quem é o babaca mais tarde!

– Ah, cala essa boca!



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Jenna e Mason conversavam na sala de estar da casa dela. Loren estava no quarto, provavelmente colorindo algum desenho seu, sua mãe queria que ela se distraísse mais, tirando aquela imagem da cabeça.

– O que você está dizendo é sério? – Mason perguntou, levando a xícara de café à boca.

– É. Coitada da Angela. Ela estava muito abalada. Até se culpou pela morte da filha.

– Foi uma perda muito grande para ela. – Mason disse. – Espero que ela se recupere e fique melhor.

– O que é mais estranho que isso, Mason, é sobre o aviso que eu tive.

– Chegamos ao ponto chave do assunto. O seu presságio.

– Eu estou com medo.

– De quê?

– Do que possa acontecer daqui em diante.

As mãos de Jenna estremeciam sobre a mesa de centro, chacoalhando as xícaras sobre a mesma.

– Não se preocupe, fora somente uma coincidência. Não tem porque ficar receosa com algo que possa vir a acontecer.

– E enquanto a morte de Peyton? Ela saiu do edifício antes dele explodir. Isso não te diz nada?

Era naquele ponto que Jenna quria chegar.

– Olha, por mim, estamos tendo uma nova chance. Chance essa de recomeçar, sem precisar se preocupar com quaisquer outras coisas. O que aconteceu com a filha da Angela, não foi nada mais do que algo trágico e irreversível, se tinha de acontecer... aconteceu.

Jenna sentia uma pequena ponta de frieza por parte do colega de trabalho. Ele não estava se sentindo nenhum pouco abalado com aquela situação. Nem ao menos, encheu a cabeça da morena com indagações sem sentido, como por exemplo: Como você sabia que ia acontecer? E derivados.

Os dois ficaram ali coversando e nem viram o tempo passar.



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– O quê? Não estou acreditando. Aquela jovem que estava com a Angela lá no escritória era sua filha?

Heather estava conversando com Charlotte, pelo telefone celular, já era noite. Ainda aquela hora ela não sabia o que havia acontecido pela manhã perto do Central Park, nem mesmo Jenna havia lhe comunicado algo. A morena estava atolada de preocupações e estava com a mente afogada de perguntas sem respostas, que precisavam imediatamente serem respondidas, de alguma maneira.

– Que pena em? Angela deve estar muito deprimida. Não queria estar na sua pele.

A afro-americana parecia uma adolescente quando se tratava destas coisas trágicas como mortes, mas ela também estava preocupada com tudo que estava acontencendo. Ela não era tão proxima de Angela, quanto Charlotte era, mas ela sabia que estava enfrentando problemas com a filha, apesar de não saber que Peyton era sua filha. Heather sempre escutou Angela comentar com Charlotte como Peyton estava se comportando, desde a chegada de um novo amor, desde que a garota começara a namorar com um skater, que estava causando-lhe muitos problemas, como a rebeldia da própria filha. O jeito mimado da garota e seu estilo de criação também foram fatores que influenciaram nestas formas de se relacionar com a mãe, desde que o pai havia as deixado.



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A noite permanecia fria e nada acalentadora. Angela estava tremendo, o suor descia sobre sua testa, enquanto tentava dormir. A imagem da filha saindo do parque em um saco preto a fez ficar ainda mais em estado de choque, os gritos das pessoas que estavam ao seu redor a apavoravam. A janela estava aberta e as rajadas fortes de vento invadia seu quarto, sua cama de casal parecia pequena diante de seus movimentos frenéticos para livrar-se daquele tormento. Mexia-se para um lado e para outro, movia a cabeça na intenção de afastar aquela sensação de medo e seu interior gritava, clamava pela volta da filha. Foi quando não resistiu ao pesadelo e se jogou para frente, acordando.

– Não! – Seu grito ecoou por todo o quarto.

Seu corpo, agora por completo estava suando. Precisava de um banho para esfriar a cabeça, tirar todo aquele peso de cima de si. Então ela ergueu-se da cama e foi em direção ao banheiro. Toda a casa estava escura, com as luzes apagadas e com o vento frio e ameaçador a invadí-la pelos corredor e pelas janelas. As luminárias balançavam, em efeito pêndulo, enquanto Angela se aproximava do banheiro.



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Jenna acabara de beijar a testa da filha Loren e dado boa noite. Neste momento se preparava para dormir. Voltava para a cozinha. Beberia um copo de leite antes de ir deitar-se, isso, segundo ela, a fazia ter bons sonhos, ao contrário da noite anterior, na qual houvera o acidente. Tudo ficou estranho a partir daí e ela sentiu que tudo à sua volta havia mudado completamente de rumo. Estava feliz que Loren estava melhor, estava menos traumatizada e no dia seguinte, já estava pronta para ir até a escola e entregar sua redação para a professora, que ficaria muito feliz e lhe daria uma ótima nota.

A morena abriu a geladeira e pegou a jarra de leite, agora colocava dentro do copo, já estava pronta para beber. Um frio tremendo entrou rapidamente pela janela, fazendo as curtinas chacolharem freneticamente. Uma das frutas do fruteiro que ficava em cima da mesa se desprendeu e rolou na mesa, pronta para cair. Jenna foi rápida e segurou-a antes de quebrar ao se chocar contra o chão. Mas, não foi o bastante.

O faqueiro que estava bem ao lado do fogão, em uma bancada de metal, escorregou e deixou que a maioria das facas caíssem no chão, assustando Jenna, que recuou célere até jogar as costas contra a geladeira. Enquanto tomava fôlego novamente, a morena se viu diante de Loren, que a assustou.

Jenna soltou um grito abafado pela própria mão, quando viu que acordaria a vizinhança.

– O que faz acordada meu bem?

– Um barulho me assustou. Você está bem?

A morena se recuperou e ligou o interruptor, sentando-se à mesa. Tomou o copo de leite e mãos e se pôs a bebê-lo. Loren a acompanhava com o olhar.

– Você não devia ter saído da cama.

– O que aconteceu? Por que está tudo no chão?

A menina apontou para as facas sobre o piso.

– Isso? Não foi nada querida. Agora, volte para a cama, amanhã você tem escola, não se esqueça.

– Está bem mamãe. Boa noite!

A garota deu um beijo no rosto da mãe e voltou para o quarto, devria ter bons sonhos, só assim a mãe ficaria mais tranquila.


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Angela havia preparado um delicioso banho em sua banheira. A mulher queria se tranquilizar, queria se convencer que nada de mal aconteceria com ela, queria se convencer de que a filha estava viva, mas era tudo em vão, ainda sentiao aroma do sangue da filha sendo carregada dentro do saco preto.

– Espero que isso passe.

Deitou, totalmente nua, dentro da banheira. A água morna passou por todo seu corpo e ela deixou somente a cabeça para o lado de fora, para tomar fôlego, para tirar aquele cheiro de sangue de suas narinas. Ela foi mergulhando o rosto na água aos poucos e não percebeu mais nada ao seu redor.

Uma estante mediana que ficava bem ao lado da banheira, que por incrível que pareça ela ainda tivera receio de deixar ali começou a chacolhar, mas não havia vento dentro do banheiro e com a porta trancada era impossível daquilo acontecer. Deveria ser alguma infiltração por trás das frágeis paredes do mesmo. A estante se desprendeu da parede, vindo a cair sobre a banheira.

Angela ainda não havia percebido nada de errado ainda, estava com todo o corpo enfiado embaixo d’água, inclusive sua cabeça. Foi com um baque que a estante atingiu a banheira e deixou que o corpo submerso de Angela fosse impossibilitado de voltar, ela não poderia respirar mais.

A agonia tomou conta da mulher que se debatia freneticamente dentro da água e com as forças que lhe restavam tentava empurrar sem êxito a estante, que teimava em continuar ali. Já estava sem fôlego, nenhum ar mais percorreu seu corpo, ela ainda socava a estante. Nenhuma força sequer ainda havia nela e ela se deixou ir. Angela estava “mergulhadas em problemas”. A estante continuou ali, fazendo com que a mulher se desfazesse de sua vida.