Premonição 3- Últimos Negócios...
20 Capítulo 20-Sonhos
Notas iniciais
Para Kat, uma colega de trabalho chamá-la para um prédio em construção e correr em direção dela com uma faca na mão e um sorriso psicótico no rosto pronta para matá-la não seria normal. Isso há um mês, quando sua vida ainda não era estranha. Depois de ter uma premonição que o barco em que estava trabalhando explodiria e passar semanas tentando salvar seus amigos, isso até que era normal.
A faca na mão de Kim estava toda manchada com sangue, sinal que já fora usada, e Kat duvidava que tivesse sido em um carne de churrasco.
–Kim, você está maluca? O que está acontecendo?-Andy perguntou com medo.
Kim parou.
–Ah qual é?! Vocês viram as teorias... –Kim disse irônica-Viram que pode oferecer a vida de outra pessoa invés da sua... Todas as teorias são verdadeiras, mas poucas estão completas. Há três anos, eu trabalhava como caixa em um mercado. O Dead Money.
–O mercado onde aquele garoto teve uma premonição... –Kat lembrou tirando os olhos de Kim e vendo o estado de Tommy.
–Sim. Eu escapei. Foi quando entrei para a lista da Morte. Eu já tinha visto muitos casos assim e procurei me proteger. A primeira e única solução que achei foi dar a vida de alguém no lugar da minha. Foi aí que eu ofereci a vida da minha irmã gêmea ao invés da minha. –Kim disse como se dissesse algo normal do tipo: “como arroz”.
–Oferecer?-Jane perguntou.
–É... Você oferece a vida de outra pessoa no lugar da sua, desde que esteja na lista a Morte... –Kim diz.
–Mas você deveria morrer... Não sua irmã! Você é que estava na lista!-Kat diz.
A face de Kim se tornou sombria.
–Ela estava com uma doença rara... Os médicos disseram que ela não teria muito tempo de vida, então estava sim na lista da Morte. –Kim disse-Para minha sorte, a Morte aceitou e levou ela, decapitando-a com a lâmina de um cortador de grama...
–Você é louca!- Kat grita.
–Mas a Morte continuou me perseguindo... Ela levou minha mãe meses depois, como lembrete que eu ainda devia minha vida a ela... –Kim disse-Eu fugi para outra cidade. Lá, um garoto teve mais uma premonição de que um acidente aconteceria no laboratório em que ele estava. Dias depois eu acabei estando no local aonde outro garoto morreu prensado entre dois carros. E foi lá que eu quase morri decapitada, mas o garoto que tinha tido a visão me salvou.
As palavras que Jane disse que a vidente havia dito vieram na cabeça de Kat: “Deviam deixá-la ter morrido quando puderam. Agora as consequências poderão ser graves! Cabeças deviam ter rolado!”. A cabeça de Kim devia ter rolado quando ela quase foi decapitada na noite em que Alice morreu. E Kat havia salvado Kim.
De repente, tudo começou a fazer sentido. As letras do letreiros que caíram... O “K” do outdoor da marca de comidas para gatos, o “I” dos “INK’S” e o “M” do “MISTER KIMERA”. Juntas, essas letras formavam um nome: Kim. E a teoria de que a Morte vinha atrás dos que escapavam de listas...
–Era você que a Morte queria! O tempo todo!-Kat grita-Ela não estava atrás de Chris nem de Jane! Era atrás de você!
Kim solta uma gargalhada.
–Vocês foram muito idiotas de pensarem isso!-Kim zomba de todos com mais uma gargalhada-A verdade é que eu não queria que vocês descobrissem sobre a Morte. Eu até fui à casa de Kat para cortar a internet no dia que aquele... Como é o nome mesmo... Ahn... Dean. É isso. Na noite que Dean morreu. Mas Andy entrou no meu caminho e mostrou tudo a ela.
–Você é um demônio!-Andy xinga.
–E ainda teve aquela tosca da Anna... –Kim diz-Pensei que tinha deixado claro para ela sumir após matar aquele amigo dela...
–Você matou Daniel?!-Kat pergunta, mas já sabia a resposta-Foi você que tentou matar Anna aquele dia aqui no prédio em construção!
–E fui eu que tentei ensinar ela a voar, mas ela acabou caindo... –Kim zombou, rindo.
–Você só não contava com o diário dela... –Kat diz.
–É... Mas isso foi só um detalhe, o importante é que vocês não descobriram nada e agora estão aqui, prestes a morrer!-Kim diz olhando a faca.
–Você matou sua irmã, Daniel, Anna e tentou matar Tommy, mas não era a vez dele, por isso ele sobreviveu... –Kat deduziu.
–É. Golpe de sorte. –Kim diz decepcionada, então ela se vira e entra numa parte não iluminada-Eu tenho muitos defuntos no armário...
Ela volta para a luz, arrastando um corpo. Era Brad, o cara que ajudou a salvar Anna e que apareceu na noite que Andy quase morreu.
–Oh meu Deus!-Jane exclama.
O roupas do corpo de Brad estavam totalmente rasgadas e ele tinha vários cortes: no braço, nas pernas, no rosto.
–Aposto que também não viram que o cara no carro lá embaixo também está cheio de cortes... –Kim ironiza-Bem intrometido é o motorista de Tommy... Ou melhor, era.
Tommy solta um gemido e começa a se mexer, acordando.
–Tommy... –Kat chama.
–Kat... –ele murmura com um sorriso sonhador.
–Odeio interromper o clima romântico do casal, mas está na hora de vocês morrerem!-Kim disse.
–Você acha que vai conseguir matar quatro pessoas?-Jane provoca-Você é só uma!
–Mas a Morte está do meu lado. E eu só quero matar Kat-Kim aponta com a faca para a Kat-O resto de vocês vai morrer num pequeno acidente que eu chamo de explosão.
Foi nesse momento que Andy ouviu um “TIC”, seguido por um “TAC”.
–Você implantou bombas no prédio!-Andy disse.
–Garoto experto... –Kim diz com um sorriso.
–Mas você vai morrer junto!-Jane exclama.
–Nada disso... Não sei se perceberam, mas a corda que puxa o elevador não é a que é recomendada para uso... –Kim diz apontando para o elevador-Eu troquei as caixas da construção... Dessa forma ele vai me levar lá para baixo rapidamente e eu escaparei!
–Então tem algum erro... Ele não nos trouxe aqui rapidamente. -Jane disse.
–Isso porque vocês eram três... Agora só comigo, vai. –Kim diz-Mas acabou de papo, eu tenho três minutos e vinte e dois segundos para matar vocês...
Kim arruma a faca mais uma vez em sua mão e corre em direção deles. Tommy acorda.
–Kat?-ele pergunta docemente com um sorriso no rosto.
–Oi Tommy... –ela diz feliz por ele ainda estar consciente.
–Cuidado!-Kat ouve Jane gritando.
Ao virar-se, ela vê que Kim tentou esfaquear Jane, mas ela desviara e apenas a manga do casaco dela foi arrancada. Andy estava atrás de Kim, tentando tirar a faca.
–Kim, para com isso!-Kat grita.
–Você não sabe o que é ser perseguida há anos pela Morte!-Kim responde gritando-Sem usar energia elétrica em casa para não morrer eletrocutada! Ou usar talheres de plástico para comer!
Por um breve momento Kat imaginou-se no lugar de Kim, não podendo viver direito porque estava numa merda de lista. A Morte havia enlouquecido Kim, que se transformou num psicopata, viciada em viver, não importasse como.
Kat até ficou com pena dela por um momento, mas sua raiva voltou quando Kim fez um longo corte em um braço de Jane, que gritou de dor.
Sangue começou a pingar do braço de Jane, que caiu de joelhos no chão improvisado de madeira.
–Não, vou deixar que você machuque meus amigos... –Kat murmura e então olha para Tommy-Tente sair daqui.
Ela o ajuda a se apoiar na muleta.
Kat entrou na cena de luta bem no momento que Kim iria esfaquear Jane.
–Não adianta tentar mata-la!-Kat avisou-Ela não vai morrer enquanto eu não morrer.
Kim se vira para Kat, com o mesmo sorriso psicótico e um olhar assassino que estava antes.
–Esse é um problema fácil de resolver... –Kim diz avançando em Kat.
Num rápido movimento, uma muleta voadora atinge Kim na cabeça, que cai no chão, derrubando a faca, que desliza para a escuridão.
–Isso é pela paulada que você me deu na cabeça há sete minutos!-Tommy exclamou enquanto se apoiava em uma parede, sem sua muleta.
–Seu verme!-Kim levanta com a mão aonde recebeu a pancada.
Kat percebe que ao lado dela havia um buraco, no qual os operários não devem ter colocado um piso provisório e se colocaram, Kim tirou. Pelo buraco se via que ao chão tinha várias vigas soltas, empilhadas umas nas outras. Andy para ao lado dela.
Kim procura a faca, mas percebe que ela se perdeu.
Nesse momento, há uma explosão muito abaixo deles.
–Pensei que fossem três minutos e vinte e dois segundos para as bombas explodirem?!-Jane reclama.
–Parece que a Morte está fazendo o tempo acelerar... –diz Kim, sorrindo.
Bem na hora que Kat ia falar algo, Andy se joga contra ela e os dois caem perto de Kim. Uma das vigas que estavam espalhadas se crava onde Kat estava. Ela percebeu que a bomba estava bem nas vigas, e que quando explodiu, arremessou as vigas em direção dela, para mata-la.
–Quase que foi na mosca... –Kim comenta desapontada.
Pronta para agredi-los, Kim anda na direção de Kat e Andy, mas um tremor no teto provisório a faz parar. As vigas que conseguiram mais impulso para voar agora estavam caindo sobre eles. Uma delas consegue passar pelo teto provisório e cai no chão provisório, levando parte dele para baixo.
Uma nova explosão ocorre, bem perto deles. Kat percebe que foi numa das vigas do andar a baixo deles. Essa viga não consegue sustentar uma parte do andar onde eles estavam... que começa a cair.
–Oh droga!-Jane grita.
Jane mergulha na escuridão, pulando para um lugar que não estava caindo. Andy começa a correr, puxando Kat, quando ela se lembra de Tommy.
–Tommy!-ela grita.
Tommy, por sua vez, estava parado, não conseguiria andar por causa da perna.
–Vão... Eu vou ficar bem!-Tommy diz. Kat percebeu que ele não tinha certeza do que dizia.
O chão onde ele estava começou a ceder e ele pulou para o único lugar seguro no momento: uma viga horizontal presa apenas de um lado em outra viga, só que na vertical, que estava bem firme. Tommy começa a se equilibrar nela. O chão onde Kat está também começa a ceder, então ela decidiu correr com Andy.
Num rápido movimento antes de entrar na escuridão, Kat viu que Kim sumia, mas o elevador ainda estava lá, então deduziu que ela devia ter se escondido e ido procurar sua faca, pois ela ainda queria –ou precisava- matar alguém.
Enquanto corria para um lugar que não tremia, Kat tentou colocar a ideias no lugar. A Morte tentara matar ela, só que Andy a salvou, sinal de que a lista estava recomeçando. Parecia que Kim também estava pensando no recomeço da lista, pois gritou “Jane, vem cá!”. Kat desejou que fosse um blefe e que a faca ainda estivesse perdida, mas seu lado negativo lhe dizia que isso era mentira.
Andy e Kat pararam de correr. Ela ousou olhar para trás e viu que Tommy ainda se equilibrava na viga.
–Precisamos sair daqui... –Kat sussurra para Andy, que concorda com a cabeça.
Um pedaço do teto improvisado não aguenta o peso de uma das vigas que estava deitada nele e cai, com a viga junto. Uma fraca faixa de luz entra pelo buraco que foi aberto. Andy e Kat veem Kim. Com a luz fraca, ela parecia um fantasma. Ao vê-los, -de algum modo ainda não descoberto- ela corre.
–Kim, para com isso!-Kat pede-Nós podemos nos livrar da Morte juntos!
Como resposta, Kim apenas dá uma gargalhada.
Será que já havia se passado três minutos e vinte e dois segundos? Kat não sabia. A Morte poderia ter feito as bombas falharem e só as ativaria quando fosse um momento oportuno.
Mais dois pedaços de teto improvisado não aguentam as vigas que estavam sobre eles e assim se formam mais dois buracos. Um a uns cinco metros a direita de Kat e Andy –perto do primeiro buraco feito- e o outro a uns oito metros a esquerda dos dois.
Pelo fraco feixe de luz que entram pelos buracos, Kat vê uma mulher passar correndo, e depois outra. Kim estava perseguindo Jane.
A Morte estaria esperando o sacrifício que Kim estava querendo fazer? Se tivesse, Kat apostaria que não esperaria muito tempo. Logo as bombas iriam explodir e todos iam abaixo, junto com várias vigas e chãos improvisados. Kat sentia que tinha que fazer alguma coisa... Mas o que? Ela olhou para trás mais uma vez e se certificou que Tommy ainda se equilibrava na viga. Por sorte, ele ainda estava lá...
Nesse instante, ela ouviu um passo atrás dos dois e se virou, mas era tarde demais. Pela fraca iluminação vinda dos buracos ao longe, ela viu Kim avançar com uma faca, na direção de Andy, que também não foi rápido e recebeu um golpe ao lado do corpo. Kim retirou a faca ensanguentada e Andy caiu ao chão, gemendo de dor e com a mão aonde foi ferido.
Kim correu, sumindo na escuridão. Provavelmente viu Jane correr para algum lugar e foi atrás dela. Kat desabou de joelhos ao lado de Andy, que se arrasta até uma viga vertical, aonde apoia as costas para sentar-se.
–Andy... –Kat diz com lágrimas nos olhos-Tira a blusa.
Ele obedece e retira sua blusa, entregando para Kat que enrola rapidamente, meio que fazendo uma bola. Ela levanta a camiseta de Andy até o ferimento que Kim fez e pressiona a blusa-bola no ferimento.
–Segura aqui... –Kat diz para Andy. Mesmo com as mãos fracas, Andy segura a blusa, pressionando o ferimento.
Não era a vez de Andy morrer, mas isso não tirava a opção se-machuque-e-sofra-perdendo-muito-sangue. Kat ouviu mais passos correndo, em algum lugar do andar.
Mais uma explosão bem a baixo deles é ouvida. Por sorte, nenhum tremor ou ataque das vigas voadoras acontece. Mas uma viga faz um pedaço do teto improvisado ceder, caindo no mesmo andar que eles. Dessa vez, o buraco feito é maior e mais luz entra no local.
Kat ouviu um barulho, como o de uma máquina trabalhando. Ela demorou em perceber que o barulho era o elevador descendo. Kim teria matado Jane e fugido? Não, não podia ser. Andy deveria estar pensando na mesma coisa, pois a olhou com uma cara de sofredor e disse:
–Ache Jane...
–O que? Eu não posso te deixar aqui sozinho... –Kat argumenta.
Andy colocou a mão em seu rosto e a beijou. Depois disse:
–Não se preocupe... Eu... Eu não vou morrer... –ele tentou parecer confiante, mas Kat notou certo medo em sua voz.
–Se acontecer qualquer coisa, grite. Eu venho correndo... –Kat disse. Eles se beijaram novamente –talvez fosse o último de suas vidas- e Kat começou a andar na direção que Kim havia corrido. Antes de desaparecer totalmente na escuridão, olhou para trás e avistou Andy. Talvez ela não o visse novamente.
Se você já entrou em um quarto totalmente escuro e totalmente bagunçado pode ter um pouco da sensação que Kat teve. Após andar poucos metros, já havia batido quatro vezes em vigas verticais. Ela ouve mais barulhos, talvez de vigas caindo do teto improvisado e formando mais buracos.
Mais passos de uma pessoa correndo ecoa pelo andar. Kat anda lentamente para não fazer barulho. O que impedia ela de ter o luxo de levar uma facada nas costas? Nada.
O barulho de máquinas é feito novamente. Alguém teria subido? Kat não sabia. E nem queria. Ao olhar para sua esquerda, viu um enorme buraco dando iluminação em uma parte do andar. Encostada em uma viga em vertical, estava uma mulher segurando um dos braços. Era Jane. Que raios ela tá fazendo no meio da luz?! Kat pensou. Kim a veria facilmente.
Kat correu em direção dela.
–Jane!-ela exclamou ao se agachar perto da amiga-Cadê a Kim?
–Eu... Eu não sei... –Jane gagueja-Ela estava me perseguindo, e de repente parou.
Seria melhor se Jane tivesse dado um soco na testa de Kat. Kim havia parado de perseguir Jane, e Andy estava sozinho. Um desespero tomou conta total do corpo de Kat. Ela queria correr e abraçar Andy. Mas também tinha Jane. E quase que ela se esqueceu de Tommy, que lutava para se equilibrar numa viga suspensa, enquanto tinha uma perna enfaixada. Tudo estava por conta de Kat. Ela era a única que não estava ferida.
Em algum lugar próximo dela, Kat ouviu passos. Rapidamente ela olhou para todos os lados, em alerta. Foi aí que Kat avistou a alguns metros das duas um buraco no chão. Talvez algum pedaço do chão improvisado foi tirado ou faltou. Mas com certeza havia um buraco.
Kat ainda arriscou andar lentamente até ele e viu que o buraco não parecia ter fim. Parecia um poço. Um longo, escuro e profundo poço. Se alguém caísse ali, não teria uma final feliz. A um metro de profundidade, havia uma barra de metal, como se fosse uma ponte entre os lados que tinham um chão improvisado. Kat voltou ao lado de Jane.
–Vamos cair fora daqui... –Kat disse. Ainda se arrependeu de usar a palavra “cair”, mas já tinha ido.
Jane concordou com a cabeça e se levantou, com a ajuda de Kat. Mais passos são ouvidos, agora mais perto delas. Kat estava quase virando quando Jane viu algo por cima do ombro dela e soltou um grito abafado. Kat se virou e viu um homem. Ele tinha o cabelo castanho, era alto e forte. Usava uma calça jeans, uma blusa e um casaco marrom claro por cima. Em suas mãos, estava uma pistola e ele tinha cara que atiraria a qualquer momento.
–Policial Wellington... –Kat disse aliviada.
–O que está acontecendo aqui?-ele perguntou-Há um homem morto dentro de um carro lá em baixo...
–É... –Jane começou a falar, mas então parou ao ver um rosto por cima do ombro do policial com um sorriso psicótico. -Cuidado!
O policial estava quase se virando quando Kim cravou sua faca no ombro direito do policial, que se retorceu de dor. A arma caiu de suas mãos, fazendo um “crec” ao cair no chão.
–Não me lembro de ter te chamado... Nem aqui nem nas semanas que ficou me vigiando –Kim diz forçando ainda mais a faca no ombro do policial-Mas acho que a Morte agradece...
Wellington ia se defender com o braço que não foi atingido pela faca, mas Kim foi mais rápida, o segurou e o torceu. O policial solta mais um urro de dor.
Kim começa a força-lo a ir em direção do buraco, forçando cada vez mais a faca e torcendo cada vez mais o braço.
–Kim, não!-Kat grita.
–Não se meta Kat! Daqui a pouco cuidarei de você!-Kim grita em resposta. Ela retira a faca do ombro de Wellington, que abafa um urro.
Kat tinha que fazer alguma coisa... Ninguém mais tinha que se machucar... Foi aí que ela correu em direção de Kim, pronta para golpeá-la com qualquer coisa, nem que fosse com sua panturrilha. Mas infelizmente Kim foi mais rápida e se virou o corpo do policial, na direção de Kat e saiu do caminho.
Ainda tentando parar, Kat atingiu o policial, que perdeu o equilíbrio e começou a cair na direção do buraco.
–Não!-Kat gritou e então segurou seu braço direito.
–Ahhh!-gritou o policial de dor. Kat estava puxando o braço do ombro machucado, que sangrava. Vários pingos caíram no buraco e após segundos fizeram um barulho.
–Me dá sua outra mão!-Kat pede. Apenas as pontas dos pés de Wellington estavam na ponta do chão improvisado. Com esforço, ele lhe dá a mão. Kat começa a puxá-lo.
–Vamos ver quando tempo você aguenta... –Kim provoca. Ela dá um chute nas pernas do policial, que agora fica pendurado no buraco.
Kat fazia um esforço enorme para trazer o policial para cima. Wellington tentava alcançar alguma coisa com os pés para escalar, mas não havia nada.
Kim passava a faca de uma mão para outra, se divertindo com a cena. Parece que ela não decidia se esperava ou se esfaqueava logo Kat e jogava os dois no buraco.
Jane tremia. Ela tinha que ajudar... Não podia deixar um corte em seu braço transformá-la numa pessoa impotente. O que ela era? Uma ginasta fracassada? Foi aí que ela avistou a arma caída. Lentamente ela se abaixa e a pega. Conseguiria atirar em Kim? Suas mãos tremiam. Ela nunca foi boa de mira, mas tinha que fazer alguma coisa.
Kim acabou lembrando-se de Jane e se virou para vê-la, então se deparou com a cena dela segurando uma arma, tentando mirar.
–Olha só... O que foi, vai querer me matar e dar uma de heroína agora?-Kim zombou. Talvez por medo ou provocação, ela se aproximou de Kat, que tentava trazer Wellington de volta-Atira agora, que eu quero ver. Você pode me acertar... Ou acertar sua amiguinha...
Jane fechou os olhos, então respirou fundo, abriu os olhos e preparou para atirar. O olhar de Kim a desafiava. Ela era a próxima da lista, o que a Morte estava esperando para matá-la?
Kim continuava com um olhar de desafio. Jane atirou. A bala passou perto de sua cabeça. Seu cabelo, que estava bagunçado, balançou. Kim pareceu surpresa, abriu a boca, talvez para soltar um grito, mas então disse:
–Cansei, vamos acabar logo com isso...
Ela pegou um pedaço de metal ao seu lado e jogou com toda sua força em Jane, que foi lenta demais. O metal acertou sua cabeça, então ela desmaiou. Kim se virou e focou em Kat e Wellington. O policial estava até quase subindo novamente para a superfície, quando Kim deu um chute em um dos braços de Kat. E digamos que um chute de sapato com salto e com bico fino não é umas das coisas mais gentis de se fazer.
Kat gritou. Logo depois Kim deu um chute nas mãos dadas dos dois. Wellington não aguentou e soltou a mão. Ele quase caiu, mas Kat aguentou firme. Ela segura com as duas mãos e puxa Wellington pelo braço esquerdo.
–Eu não vou te soltar... –Kat diz, corajosa.
–Você pode não soltar, mas e ele?-Kim provoca. Ela anda até chegar mais perto das mãos dos dois. Então, com um sorriso no rosto, enfia a faca na mão de Wellington. A ponta consegue chegar ao outro lado da mão. Ela retira a faca, enquanto o policial grita de dor e solta as mãos de Kat.
–Nãããããão!-Kat grita.
Wellington começa a cair em queda livre. Kat cai no chão, abismada. Ela ouve o corpo do policial bater na barra de ferro com força.
–Escuta só... –Kim provoca dando risada.
Ela fica em silêncio por alguns segundos, até que um estrondo acontece, com vários “crec’s” : o corpo de Wellington caindo no chão e quebrando praticamente todos os ossos. Kim começa a rir.
Kat olha para Kim com um olhar de raiva e ódio.
–Não se preocupe, querida... Logo você se juntará a ele. –Kim diz.
Pela primeira vez, Kat pega Kim de surpresa. Ela se levanta rapidamente e dá um soco na cara de Kim, que até deixa a faca cair.
–Como você ousa fazer isso?!-Kim diz indignada.
–Você não tem ideia do que eu estou com vontade de fazer com você!-Kat responde com raiva.
Kim se vira para pegar a faca, mas Kat a puxa pelos cabelos e a joga no chão.
–Parece que você não é tão durona quando não está com algo nas mãos, não é?-Kat diz.
Kat dá alguns passos em direção de Kim, talvez para dar mais alguns golpes e até lavar a alma, quando Kim lhe dá um chute. Kat cambaleia para trás.
Kim se levanta agilmente e corre em direção de Kat, que lhe dá mais um soco e uma joelhada na barriga. Kim, com dor, se contorce para frente.
Um rápido pensamento passou pela cabeça de Kat: se ela precisasse matar Kim, teria sangue frio e coragem? Mesmo sendo uma pessoa má, ainda era uma pessoa. Haviam passado alguns momentos bons juntos, mesmo que fosse pura falsidade.
Num rápido movimento, Kim avança em direção de Kat, tentando lhe dar um chute, mas ela desvia para o lado e Kim passa por ela. Esse foi seu erro, pois Kim correu e recuperou sua faca.
Apesar da fraca iluminação, Kat viu sangue escorrendo da boca de Kim, que tentou dar-lhe um golpe com a faca. Com muita sorte, Kat desviou. Um gemido atrás delas é ouvido, e Kat comete o erro de virar-se para olhar: era Jane acordando. Mas nessa fração de segundo, Kim correu em direção da ginasta. Kat não entendeu no começo, mas logo percebeu a arma nas mãos de Jane. Ela não podia permitir que Kim a pegasse. Kat não queria que Kim esfaqueasse com um mão e metesse a bala com outra, então correu, tentando alcança-la.
Por sua vez, Jane percebeu o que estava acontecendo e se levantou rapidamente. Ela e Kim começaram a puxar a arma. Kat pegou o pedaço de metal que estava ao lado de Jane e deu um golpe na cabeça da ex-amiga. O objetivo não aconteceu, que era fazer Kim desmaiar. O que aconteceu foi que a vilã deu um chute na perna de Kat, que foi ao chão.
As duas, em disputa pela arma, começam a girar. Kim vê sua oportunidade e empurra Jane na direção do buraco. A arma cai no chão, enquanto a ginasta tenta se equilibrar, mas acaba caindo no buraco.
–Nãããão!-Kat grita e corre para o buraco.
Por sorte ou milagre divino –ou talvez até os dois- Jane conseguiu se segurar na barra de metal. Ao perceber a cara de alívio de Kat, a ginasta solta um sorriso tímido e diz:
–Fiz isso a vida inteira...
Kat ainda não entedia como ela conseguia se segurar com um dos braços machucado, mas agradeceu a Deus pelo acontecimento.
Mas sorte para quem está na lista da Morte não dura muito. Jane olha para a viga da frente e vê uma bomba, com o timer parado nos 18 segundos.
–Tem uma bomba parada aqui!-Jane grita.
Jane olha para cima e depois para a bomba novamente. 16 segundos... A bomba havia disparado?!
–Oh... Droga!-Jane exclama e então tenta girar na barra, como fazia nos exercícios da ginástica.
–Jane, você precisa vir!-Kat diz. Ela se vira e vê que Kim havia sumido. Andy.
Jane consegue impulso suficiente e começa a girar. Ela teria que ir no tempo certo, para não ter erro. A Morte havia cansado de esperar e iria tentar matá-la com as próprias mãos... Ou seja lá o que a Morte use para matar as pessoas.
Num rápido momento, Jane viu: 8 segundos... 7 segundos... 6 segundos... Ela precisava ser rápida e esperta. 5 segundos... 4 segundos... “É agora!” ela pensou.
Jane se solta da barra e consegue ir para cima. Não compreendeu muito e nem quis, mas conseguiu pousar perto de Kat, no exato momento que a bomba explodiu. A amiga puxou Jane, e bem onde elas estavam, o chão explodiu. Outras bombas deveriam ter explodido, pois a estrutura começou a tremer.
O lado oposto do qual as duas haviam vindo começou a cair.
–Temos que sair daqui... Agora!-Kat disse.
As duas começaram a correr e Jane ainda conseguiu pegar a arma do chão.
–Precisamos achar Andy, pegar Tommy e achar um jeito de sair daqui!-Kat disse. Não conseguia ver Jane, que corria atrás dela, mas a amiga seria louca de não concordar.
Enquanto corria, Kat tentava botar as coisas em ordem em sua mente. Kat tinha uma arma e uma faca a disposição para matar qualquer um, mas então por que fugiu? A vida do policial Wellington teria valido?
A Morte também tentara matar Jane, que conseguiu sobreviver... A próxima era Kim, se não tivesse tido a vida salva após matar o policial...
Elas conseguiram achar Andy, que tomou um susto quando duas figuras apareceram na escuridão, com apenas fracos feixes de luz iluminando alguns lugares. Ele estava encostado na mesma viga, ainda pressionando o ferimento com a blusa-bola.
–Graças a Deus... –Andy disse aliviado-Vocês estão vivas!
–Isso é ótimo!-Jane disse-Agora vamos embora daqui...
Kat e Jane ajudaram o homem a se levantar e continuaram a caminhar. Mais algumas explosões aconteceram e alguns pedaços atrás deles começaram a cair. Eles chegaram a única parte que era iluminada por uma lâmpada: a mesma que haviam entrado primeiramente. Algumas partes do chão haviam caído por causa da explosão que aconteceu anteriormente.
Tommy ainda tentava se equilibrar. Kim estava no elevador, se preparando para descer, em meio a explosões. Kat pensou que a ex-amiga devia ter colocado as bombas estrategicamente para que o elevador não fosse atingido e ela descesse em segurança. O chão improvisado que permitia entrar no elevador foi tirado, obviamente por Kim.
–Tchau, otários... –Kim disse-Espero que aproveitem a Morte!
Ela apertou alguns botões e o elevador começou a descer. Kat percebeu que a corda que descia/subia o elevador era mesmo fina. O elevador estava levando Kim rapidamente para baixo.
–Kat, pega. –Jane disse, e então jogou a arma para Kat, que a segurou com força.
–Entendo. Peguem Tommy, vamos sair daqui... –Kat tentava parecer corajosa, mas ainda não descobrira como sair de um prédio em demolição.
Jane e Andy concordaram. Kat não sabia como os dois iam salvar o amigo, já que estavam machucados gravemente. Mas acabou focando em Kim. Respirou fundo. Ouviu barulho de água... Peraí, água? Ela se lembrou que um rio corria ao lado, entre o prédio e a fábrica... Se eles conseguissem fazer o que ela estava pensando...
Kim deveria estar na metade do prédio. Kat mirou na corda do elevador, respirou fundo, concentrou-se totalmente.
–Isso é por todas as pessoas que você entregou e queria entregar para a Morte... –Kat disse.
E assim, Kat atirou na corda. Foi um tiro certeiro. A corda arrebentou e a corda começou a despencar. Talvez a Morte deu sorte, pois queria Kim. Kat se aproximou do buraco perto de onde ficava o elevador e o viu despencar, com Kim junto.
Numa tentativa desesperada de se salvar, Kim se jogou do elevador, tentando alcançar uma viga em horizontal, mas acabou batendo a cabeça em outra viga e foi em alta velocidade em direção de uma barra de ferro. Seu corpo bateu com força extrema. A barra devia estar afiada, pois decapitou a cabeça de Kim. O corpo dela começou a cair em queda livre, enquanto a cabeça quicou em alguma vigas até ir ao chão.
A lâmpada pendurada piscou várias vezes. Kat se virou e viu que os amigos conseguiram pegar Tommy.
–Agora como saímos daqui?-Tommy perguntou apoiado em Jane para andar.
–Vamos ter que... –Kat começou a falar, mas sua voz parou quando várias outras explosões aconteceram e o prédio todo começou a cair.
Um chão provisório saiu de seu lugar e parou perto de Andy, que olhou para Kat. A luz piscou mais freneticamente, então a visão de Kat ficou turva e escura. A última coisa que ela se lembra era de estar despencando...
Quando acordou, a primeira coisa que Kat percebeu era que estava inteiramente molhada. Sua visão estava embaçada. Viu um homem moreno, cabelo raspado e com roupa branca. Pensou que fosse um anjo, quando leu em sua camiseta: “Enfermeiro Frank”.
–Você está bem?-o enfermeiro perguntou.
–Sim... Eu acho que sim... –ela respondeu sentando.
Kat olhou para todos os lados. Havia três ambulâncias, duas viaturas da polícia, vários operários da fábrica. Atrás dela estava a fábrica e a sua frente o rio. Ela olhou mais a frente e viu os restos do ex-futuro prédio. Dentro de uma ambulância estava Andy. Dois médicos cuidavam do machucado dele. Sentado do lado de fora de outra ambulância, estava Jane, com outro médico cuidando de seu braço.
Kat avistou Tommy, que vinha em sua direção o mais rápido que podia, com uma nova muleta.
–Escuta... –disse o enfermeiro Frank, chamando atenção dela-Você precisará fazer alguns exames para ver se está tudo bem...
–Aham, claro... –Kat concordou.
Tommy chegou ao seu lado. Seu cabelo estava molhado e grudado em sua testa.
–O que... Aconteceu?-Kat perguntou confusa.
–Bem... Estávamos a beira da morte, quando apareceu o Super-Homem e a Mulher Maravilha e nos salvaram... –Tommy disse abrindo um sorriso.
–Tommy, é sério... –Kat disse meio brava, apesar de estar abrindo um sorriso.
–Você acabou desmaiando... –Tommy disse sério-E o prédio começou a desabar... Nós então pegamos aquele pedaço do chão improvisado, embarcamos todos e quando estávamos caindo, nos jogamos no rio. Por sorte alguns operários da fábrica estavam atentos e nos tiraram do rio...
Ainda que foi difícil para acreditar, Kat sorriu. Ela havia lido em algum lugar que cair na água em altura muito grande era como cair de cara em concreto. Talvez a jangada improvisada feita com o chão improvisado anulasse esse efeito.
–Por favor, venha comigo... –o enfermeiro Frank pediu.
–Ah tá... Claro. –Kat disse. Ela se levantou com a ajuda do enfermeiro e de Tommy, então se dirigiram até a terceira ambulância.
Chegando lá, o enfermeiro começou a fazer alguns “testes” para ver se estava tudo o.k. com Kat. Um policial chegou perto deles. Kat leu seu nome no uniforme: Paul. Ele era alto, moreno e forte. Lembrava alguém, e que quando Kat lembrou-se quem, se arrepiou. O policial lembrava muito Wellington.
Tommy sai de perto. Ele vai à beira do rio.
–Olá senhorita Katherine... –Paul cumprimentou. Sua voz estava fraca-Sou Paul. Eu... Sou irmão do policial Wellington...
Kat arregalou os olhos.
–Ele... Morreu, certo?-Paul perguntou lutando para conter as lágrimas.
–Sim... –Kat disse. Ela queria gritar “Não!” e fazer alguma coisa, mas sua língua a traiu.
–Foi culpa daquela moça, certo?-Paul disse com certa raiva nos olhos.
–Que moça?-Kat dizia concentrada. Seu corpo estava no automático enquanto o enfermeiro fazia o check up. Frank dizia “Levante o braço”, ela levantava. Ele dizia “Estique a perna”, ela esticava.
–Uma magra, com cabelo curto um pouco acima dos ombros... –Paul descreveu. Kat logo pensou “Kim...”-Essa mulher vinha saindo comigo e perguntava do meu irmão... Ele tinha descoberto um câncer raro e descobriu que morreria logo. E eu contei isso a ela... Ontem eu acabei entrando na casa dela e vi várias coisas planejando assassinato ao meu irmão, e eu nem sei o porquê... Ele tinha um tratamento que havia começado há três dias...
Paul começou a chorar.
–Meus pêsames... –Kat disse.
Kat começou a encaixar as peças do quebra-cabeças. Kim havia dito que Wellington estava vigiando ela há semanas. Então começou a investigar a vida do policial, saindo com o irmão dele, planejando matá-lo, assim soube da doença. Kim planejava matar Wellington depois, mas ele acabou aparecendo no prédio, e ela viu a chance de oferecer uma vida que estava para morrer a própria Morte. Só que o que ela não sabia era que o policial havia começado o tratamento para o câncer, portanto não estava mais na lista da Morte. Foi por isso que Kim morreu: ela matou alguém que não ia morrer. Também havia matado Brad e o motorista de Tommy, só que eles não estavam na lista da Morte. Por isso ela só fugiu depois de matar Wellington, que era quem ela achava que a Morte iria matar.
–Ela tá morta?-Paul perguntou, referindo-se a Kim.
–Sim... –Kat disse-Ela matou seu irmão, um operário dessa fábrica, o motorista do meu amigo e depois ainda tentou matar a mim e a meus amigos... Ela colocou bombas pelo prédio! Eu... Acabei matando-a.
–Entendo. Depois de estar na casa dela eu comecei a investigar sua vida. –Paul explicou-Ela já matou muitas pessoas. Nós teremos que julgar você, mas não se preocupe, foi em legítima defesa. E mesmo que não considerem isso, ela mataria mais pessoas se alguém não a parasse.
Kat concorda com a cabeça e Paul sai.
–Bem, está tudo certinho... –o enfermeiro Frank finalmente diz.
–Obrigada. –Kat agrade.
Ela então sai de perto da ambulância e caminha até Tommy, que olhava os destroços do prédio.
–Como vai a nova muleta?-Kim pergunta.
–Vai ótima. –Tommy diz-Vai demorar um tempo para me acostumar, mas vou ficar bem.
–Isso é ótimo!-Kat exclama.
Fica um silêncio entre os dois.
–Será que acabou?-Tommy pergunta, meio nervoso.
–Eu não sei... –Kat confessa-São muitas teorias. Precisamos estudá-las... Eu matei Kim, que estava para morrer. Se isso realmente funciona, salvaria apenas a mim e seria por pouco tempo.
–Tá certo. –Tommy diz-Se a Morte ainda está atrás da gente, o próximo é o Andy, não?
Kat morde o lábio inferior antes de responder. Ela já havia pensado nisso.
–É... É sim. –ela diz, depois abre um sorriso-Falando nisso, vamos ver como ele e Jane estão?
–Por quê não?
Os dois começam a caminhar em direção das ambulâncias que os dois estavam.
–Sabe, eu acho que nós quatro devemos sair uma noite... Para algum barzinho, balada ou sei lá... –Tommy sugere.
–Boa ideia. –Kat diz sorrindo.
–Sério?
–Sério.
–É, vai ser legal... –Tommy fala-Nós quatro. Você e Andy...
–Você e Jane... –Kat retruca com um sorriso no rosto.
–O quê?!-Tommy fala indignado-Nada haver...
–Ah, Tommy, qual é?!-Kat diz dando risada.
–Tá, ela é bonita... Mas e aí?-Tommy pergunta. Era impressão de Kat ou ele estava ficando vermelho. Ela não se aguenta e solta uma gargalhada.
Os dois continuam caminhando até as ambulâncias. Kat rindo e Tommy tentando argumentar enquanto se perdia nas próprias palavras.
Cinco ano depois...
Kat está na sala de sua nova casa, olhando sua aliança na mão esquerda, enquanto olha toma uma ar na janela. No canto da sala está a porta de entra e sai. Na parede ao lado da porta está a televisão que ela adora assistir sábado a noite. No meio da sala estão os dois sofás marrons. Ela está vestida com sua velha calça jeans e sua camiseta branca. O seu cabelo estava preso em um rabo-de-cavalo. O dia de trabalho foi cansativo. Se olhasse pela janela, podia-se ver o sol se pondo.
Ouve-se um barulho de carro estacionando. Kat sorri.
A porta se abre e entram duas crianças –um menino e uma menina- correndo. Eles usam uniformes de escola. Os dois são gêmeos. Então entra Andy carregando duas mochilas, vestindo sua calça jeans e sua camiseta de sempre. Ele coloca as mochilas em um dos sofás e vai atrás das crianças, que correram abraçar Kat.
As duas crianças tinham o cabelo loiro-castanho de Andy e os olhos calorosos de Kat. O garotinho estava com o cabelo todo arrepiado para cima, como se tivesse levado um choque. Andy havia insistido meses para que o garoto usasse franja, como o dele, mas acabou desistindo. A garotinha estava com o cabelo preso, em um rabo-de-cavalo. Os gêmeos dão um beijo e um abraço em Kat, que se agachou para falar com eles.
–Como foi o dia crianças?-Kat pergunta.
–Foi ótimo, mãe!-o garoto exclama animado.
–É? Aprenderam muita coisa?-Kat pergunta aos filhos.
–O Drew bateu num garoto lá na escola... –a garota dedurou o irmão.
–O quê?-Kat disse abismada olhando para o filho-Porque você fez isso?
–Eles disse que meu desenho era feio!-Drew disse com uma carinha de cachorro abandonado. Kat sabia que deveria dar um dura no filho, mas só limitou-se a dar um risinho.
–Isso não pode Drew... –Kat disse.
Andy estava de pé ao lado deles, sorrindo.
–Mas a Emily também é malvada!-Drew protestou.
–Mas eu não bato em ninguém!-a garota argumentou.
–Tudo bem, parem de brigar... –Kat disse gentilmente-Que tal os dois irem trocar de roupa para gente ver um filme na TV?
–Eba!-os dois comemoram em uníssono.
Drew e Emily saíram de perto da mãe e começaram a correr em direção do quarto. Kat se levanta, quando Drew se vira e pergunta:
–Mãe, você ama a gente?-ele perguntava isso todos os dias, pois adorava receber todo dia a mesma resposta.
–Claro, vocês são a razão do meu viver... –Kat respondeu com um sorriso no rosto.
As crianças sorriram e correram para o quarto. Talvez nunca entendessem o real significado dessa resposta. Kat e Andy trocaram olhares alegres. Mesmo sem saber, Drew e Emily quebraram a lista da Morte. Uma nova vida anularia a lista da Morte. Andy havia dito isso enquanto iam para a festa de Tommy. Naquele tempo eles não sabiam, mas as novas vidas haviam sido feitas algum tempo antes da festa.
Kat voltou a olhar pela janela. Andy chegou e a abraçou por trás. Os dois encostaram as suas cabeças, sorrindo.
–Sonhei novamente com aquela noite... –Kat disse enquanto um carro verde passava na rua.
–Você podia tentar esquecer isso, né?-Andy tentando parecer calmo. Mas Kat o conhecia e a noite que Kim havia morrido ainda lhes causava arrepios.
–Eu sei... É que eu não consigo controlar meus sonhos. Ou pesadelos... –Kat disse.
–Pesadelos?-Andy perguntou intrigado. Eles descolaram suas cabeças e se olharam.
–Eu sonhei... Com um acidente horrível há duas semanas... E nessa noite eu sonhei com algumas cenas dele. –Kat explicou.
–Vamos esquecer isso está bem?-Andy perguntou, mas soou mais como uma ordem.
–Tudo bem... –Kat disse passando a mão na cabeça dele e lhe dando um beijo.
Kat fechou profundamente os olhos durante o beijo. Eles haviam se salvado... Cinco anos haviam se passado... Mas porque essa sensação havia voltado e tomado conta de Kat? Era a mesma sensação que ela sentiu enquanto entrava no navio naquele dia.
Eles terminam o beijo e ficam se olhando. Cada um estava tentando adivinhar o que o outro estava pensando.
–Alguma novidade?-Andy perguntou finalmente.
–Não, acho que não... –Kat disse. Então se lembrou de algo-Ah, o Tommy ligou de manhã para avisar que o lugar da festa mudou. Dá para acreditar que já fazem três anos que ele e Jane se casaram?!
–A vida é uma caixinha de surpresas... –Andy disse sorrindo e abraçando Kat mais forte.
Kat largou do abraço e deu alguns passos em direção do quarto.
–Drew, Emily?!-ela chamou.
–Sim mãe?-Drew gritou do quarto seu quarto.
–Melhor irem tomar banho... –Kat gritou-Vocês tem que se arrumar...
–Mas a gente não ia ver TV?-Emily protesta do seu quarto.
–Íamos... Mas eu lembrei que temos uma festa para ir... É a festa de comemoração de três anos de casamento do padrinho Tommy e da madrinha Jane, lembram?-Kat disse, tentando convencê-los.
As crianças acabaram dizendo alguma coisa, mas concordaram.
A campainha toca.
–Eu atendo!-Kat gritou.
Kat se dirigiu para a porta. Dessa vez, não olhou para trás, para olhar Andy, pois tinha certeza que ele estaria ali quando ela voltasse.
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