De repente os olhos de Kate encheram-se de lágrimas. Apesar de ter salvo todas aquelas pessoas, ela não conseguia esquecer das terríveis mortes que se sucederam em sua premonição.

– O que você fez? — a senhora Hansel perguntou assustada, sua preocupação agora havia se transformado em medo, ela guardou o iPhone na bolsa e deu dois passos para trás, não sabia do que a garota a sua frente era capaz. E se ela se revoltasse? E se tentasse matar todos eles? Teria de ignorar o medo e descobrir o que estava acontecendo para informar os jornais pela manhã.

Kate se encolheu no chão encarando a multidão que a cercava assustada.

– Ela não fez nada! — Janet a defendeu.

– E como você sabe? — a senhora de vestido preto perguntou.

– Porque eu já passei por uma situação parecida.

– Enlouqueceu em um estádio de futebol? — Tom sugeriu.

– Calem a boca e deixem ela em paz! — Greg gritou acudindo a irmã no chão.

– Eu morava em McKinley, na Pensilvânia, e um amigo meu anunciou um acidente em um autódromo — Janet explicou — Nós saímos e o acidente realmente aconteceu.

– Terrorismo — Tom brincou.

– Você não sabe o perigo que está correndo! — Janet gritou entrando em desespero — Eu vim pra Nova Iorque buscando começar uma nova vida, e acreditava que realmente estava tendo... até agora.

– Estamos correndo perigo? — a senhora de vestido preto encontrava-se curiosa.

– Sim — Janet respirou fundo — Como a senhora se chama?

– Morgan, Morgan Brown — a senhora apresentou-se preocupada.

– E você? — Janet perguntou à senhora Hansel.

– Por que está perguntando nossos nomes? O que isso tem a ver? — a senhora Hansel estava furiosa.

– Essa é uma maneira de nos precaver do perigo, nos conhecendo melhor — Janet explicou.

– Eu acho que é dessa maneira que vamos correr perigo, nos identificando perto de uma terrorista que explodiu um estádio de futebol! — a senhora Hansel apontou para Kate ainda encolhida no chão abraçando Greg.

– Vocês acham que se ela fosse terrorista ela avisaria sobre o acidente? — Janet defendeu Kate novamente.

– Você deve ter outra explicação então — Tom sugeriu novamente.

– Todos morreríamos em uma ordem naquele acidente, mas ela previu isso e nos tirou de lá — Janet tentava se acalmar — O único problema é que agora vamos morrer exatamente na ordem em que deveríamos ter morrido.

– Isso é uma ameaça? — a senhora Hansel franziu a testa.

– Não, é a verdade, a morte vem atrás de todos nós — Janet respondeu.

– A morte? Jura? — Tom zombou.

– Não adianta falar, ninguém vai acreditar! Nem eu acreditei quando aconteceu comigo, até todos começarem a morrer de maneira brutal — Janet estava cansada.

– O que está acontecendo aqui?! — uma voz rouca soou por trás da multidão.

Era o segurança do estacionamento. Ele acabara de chamar a polícia e os bombeiros e agora caminhara até a multidão aglomerada ao redor de Kate.

– Já estamos saindo senhor — Greg levantou Kate do chão e caminhou em direção ao ônibus — Vamos andando Kate.

– Kate? Seu nome é Kate? — Janet seguiu os dois jovens.

– Vão embora agora! — o segurança gritou para a multidão, que imediatamente se afastou.

– Aquela sua amiga é maluca — a senhora Hansel disse para Ally, que já estava caminhando em direção ao ônibus.

– Para com isso mãe! — Matt gritou — Por que a senhora faz tanto escândalo?

Kate entrara no ônibus apoiada no irmão, que a colocou deitada em uma fileira inteira de poltronas.

– Kate, quem foi o primeiro a morrer? — Janet perguntou entrando no ônibus.

– O que faz aqui? Ela está mal, precisa descansar — Greg disse expulsando a garota.

– Então me diga, onde vocês estão hospedados?

– Como é? — Greg indagou.

– Eu vi que o ônibus de vocês é de turismo, vocês não são daqui de Nova Iorque, por isso eu quero saber, em que hotel vocês estão hospedados?

Greg negou a princípio, mas Janet permaneceu insistindo até que Greg finalmente cedeu e Janet saiu do ônibus deixando Greg a sós com Kate.

– Greg? Me dá um abraço? — Kate pediu voltando a lagrimar.

Greg ajoelhou-se e abraçou forte a irmã sorrindo.

– Eu te amo — ela sussurrou no ouvido do irmão, as lágrimas escorrendo pelo seu rosto.

Enquanto isso, Tom, Derek e Ally entravam no ônibus ao lado de uma série de passageiros que saíram do estádio de futebol antes do bloqueio do portal de concreto.

– Todos aqui? — Logan saiu de uma cabine na frente do ônibus.

– Pelo menos todos os que sobreviveram — um passageiro respondeu olhando para o estádio desmoronando.

Logan e os motoristas estavam vivos graças a atitude do dono do ônibus de querer manter a pontualidade do serviço, permanecendo dentro de uma pequena cabine do veículo a espera dos passageiros para seguir viagem de volta para o hotel.

– Então podemos ir! — Logan gritou para o motorista.

O ônibus seguiu caminho de volta para o hotel com um número menor de passageiros, passageiros abatidos e aliviados que precisaram de ajuda para sair quando o ônibus parou em frente ao hotel.

Greg levantou a irmã deitada nas duas poltronas da fileira e a colocou em seu colo.

– Greg, eu também posso ajudar a levar a Kate — Derek sugeriu.

– Não precisa, eu aguento sozinho — Greg estava sério.

Greg levou Kate, que já estava praticamente dormindo, até o quarto que dividia com Ally e a colocou com cuidado na cama.

– Você é um bom irmão — Ally observou ao lado da cama de Kate — Saiba que ela irá precisar muito de você esses dias.

– Tudo bem — Greg respondeu abatido saindo do quarto — Eu também irei precisar muito dela.

Ally fechou a porta e deitou-se em sua cama preocupada com a amiga ao lado, ela era tão frágil e sensível, e as duas prometeram ajudar uma a outra nas necessidades, como aquela.

Poucos minutos depois, Ally ainda estava acordada quando ouviu batidas na porta, ela levantou-se de sua cama e caminhou até a porta, abrindo-a lentamente.

– Oi, eu queria falar um pouco com a Kate, esses aqui são Nick e Lori, os últimos sobreviventes da lista da morte — Janet apontou para uma garota de longos cabelos ruivos cacheados e um garoto de cabelos escuros bagunçados, ambos de olhos verdes — Podemos entrar?

Notas finais
No próximo capítulo, a verdade virá a tona.