Notas iniciais
Esse é o capítulo do acidente, espero que gostem.

Poucos minutos depois, o ônibus já estava estacionando no estádio e abrindo a porta para que os passageiros pudessem sair.

– Ally! Greg! Vamos logo para pegar um bom lugar! — Kate gritou para os dois jovens no fundo, que correram apressados para juntar-se a ela.

Àquela altura já havia mais de duzentas pessoas ao lado de fora do estádio, e Derek, que conhecia bem os espaços de um campo de futebol, direcionou os amigos à uma das inúmeras entradas ao redor do estádio para dar os ingressos e conferir o jogo.

Os quatro passaram pela entrada e subiram por uma alta passarela de concreto até um grande portal que dava para a arquibancada cheia de torcedores gritando e berrando com a entrada do time de futebol Red Bull.

– Podemos nos sentar aqui — Greg apontou para cinco assentos numerados ao seu lado.

E enquanto todos se encaminhavam para seus lugares, Ally escutou uma voz conhecida.

– E aí gatinha! — Tom estava duas fileiras acima ao lado de uma garota de cabelos escuros e olhos verdes.

– Eu não acredito nisso — a adolescente reclamou sentando-se no assento para apreciar o jogo.

– Sorria Ally, você está em um jogo do Red Bull — Kate consolou sorrindo para a amiga.

Enquanto isso, as nuvens tomavam um nível maior de densidade, anunciando um clima chuvoso, e não muito longe dali, um helicóptero da polícia percorria o caminho de volta para a sua base, que ficava logo atrás do estádio de futebol.

– Parece que vai chover — Greg olhou para o céu.

– Sempre preocupado não é? — Ally perguntou ao garoto.

Estava ventando muito, e Kate, que momentos antes estava animada, agora estava arrepiada, tinha a sensação de que alguma coisa ruim iria acontecer.

– Estou descendo gatinha! — Tom anunciou descendo de sua fileira e oculpando o assento vago ao lado de Ally.

– Que droga, o que você quer? — Ally perguntou séria.

– Por que você me trata dessa maneira? — Tom estava pela primeira vez sério encarando a garota.

– É porque eu não sou idiota como você pensa Tom.

– Pelo menos sabe o meu nome.

Mas antes que um dos dois pudesse dizer mais alguma coisa, uma senhora de vestido preto levantou um guarda-chuva fileiras abaixo e berrou com um garoto de cabelos bagunçados castanhos de mais ou menos treze anos.

– Eu quero ver o jogo, então para de se mexer moleque idiota, senão te taco esse guarda-chuva! — a senhora berrou.

– Meu filho não é idiota coisa nenhuma! -uma mulher gritou ao lado do garoto — Vá ameaçar meu filho na puta que pariu!

– Mas o que é isso? — a senhora berrou novamente — Cadê o respeito com os mais velhos?

– Respeito? Olha quem me vem falar de respeito — a mulher respondeu.

Mas antes que as duas se atracassem, uma multidão se formou ao redor delas para impedir a briga.

– Só podia acontecer uma coisa dessas aqui — Tom reclamou ao lado de Ally.

– É um estádio de futebol, acontece todo o tipo de coisa — Ally riu.

De repente, uma garota de longos cabelos ruivos e olhos escuros surgiu espremendo-se na fileira dos garotos para passar.

– Com licença — ela pediu .

– Jennifer? — Ally perguntou surpresa erguendo-se de seu assento.

A garota virou-se para Ally e soltou uma exclamação ao reconhecer a amiga, que imediatamente lhe deu um abraço apertado.

– Meu deus, você mudou muito Ally! — Jennifer exclamou.

Havia dois anos que as duas não se viam, desde que Jennifer veio morar em Nova Iorque com a mãe deixando todos os seus amigos em seu antigo colégio no Brooklyn.

– Que saudades! Ei, por que não se senta aqui do meu lado? — Ally apontou para o assento ocupado por Tom.

– Mas ele já não está sentado? — Jennifer olhou para o garoto.

– Ah, Tom, sai daí e volta pro seu lugar que a Jennifer vai sentar agora — Ally encarou Tom.

– Nossa, quanta gentileza — Tom zombou — Não precisa repetir, eu vou voltar pra lá.

– Obrigada — Ally fingiu um sorriso.

Tom subiu as duas fileiras de volta para seu assento e Jennifer se acomodou sem graça ao lado de Ally para assistir ao jogo, que havia a poucos minutos.

Enquanto isso, o helicóptero da polícia já estava bem acima do estádio, e parecia estar se desequilibrando devido a forte ventania vinda da chuva que se aproximava cada vez mais.

– Aquilo é um helicóptero? — Kate forçou os olhos para enxergar a figura descontrolada no céu.

O helicóptero debatia-se contra o vento para seguir caminho, mas não teve sucesso e foi empurrado para baixo, consequentemente rumo à arquibancada onde Kate estava.

– Greg, eu acho que ele está caindo! — Kate gritou desesperada levantando-se de seu assento.

E foi naquele momento que o pânico tomou conta da arquibancada, as pessoas olhavam para cima e viam o helicóptero se aproximando cada vez mais, prestes a atingí-los.

– Temos que sair daqui! — Kate gritou novamente.

Todos levantavam e corriam desesperados para o portal buscando sair da arquibancada, mas nem todos tiveram essa sorte. A senhora de vestido preto, que momentos atrás encrencava com o garoto de treze anos, agora havia prendido o guarda-chuva no assento, e estava quase o deixando lá e correndo para o portal, se não fosse pelo helicóptero descontrolado que a alcançara e fatiara completamente seu corpo idoso com a hélice afiada, caindo em cima de seus restos e explodindo em seguida.

A explosão apesar de ter machucado apenas poucas pessoas, ocasionara o rompimento das paredes de concreto, que cairam e bloquearam o portal que dividia a passarela da arquibancada exatamente no momento em que Kate, Ally, Derek, Greg, Jennifer, Tom, a garota de cabelos escuros e olhos verdes, o garoto de treze anos, sua mãe e mais um grupo de pessoas iriam passar.

– Como vamos sair agora? — Kate perguntou assustada.

– Tem um portal do outro lado do estádio também — Derek respondeu.

– Vamos dar a volta então! — Jennifer exclamou.

De repente, o chão se encheu de rachaduras e eles perceberam que tinham pouco tempo para chegar ao outro lado antes que o estádio inteiro desmoronasse.

– Por que não cortamos caminho pelo meio do campo? — o garoto de treze anos sugeriu.

– Matt, não há como descer para o campo, é muito alto, temos de dar a volta pela arquiban... — sua mãe estava preocupada.

Mas antes que ela pudesse terminar a frase, o chão começou a tremer, abrindo diversos buracos pelo lugar, um deles engolindo consequentemente a jovem de cabelos escuros e olhos verdes, caindo de uma grande altura. Seus gritos ensurdecedores e desesperados só puderam ser abafados com o som de seus ossos se partindo ao colidir com o chão.

– Não! Ai meu deus! — Tom gritou desesperado.

– Fiquem calmos e me sigam, rápido! — Derek correu pelas arquibancadas para o lado oposto ao do helicóptero.

O chão ainda tremia, e eles seguiam Derek pulando os inúmeros buracos que se formavam ao longo do caminho.

Enfim chegaram à uma grade de ferro, que dividia uma arquibancada da outra, e era do outro lado da grade que estava o portal de saída.

– Não tem como pular, é muito alta — Ally se atracou na grade.

– É, então vamos ter que descer para o campo — Tom estava tremendo.

– E como vamos subir de volta? — Greg perguntou .

– Estamos mortos — Jennifer já estava sem esperanças.

Naquele momento, a parede daquela parte do estádio, que ainda estava inteira, começou a rachar.

– Nós não vamos morrer! — Derek gritou — Só temos que arrumar um jeito de sair daqui.

Jennifer se apoiou no corrimão da beira do andar de arquibancada e observou o campo, os jogadores corriam apavorados para o vestiário, deveria haver alguma saída lá dentro.

– O que tem ali? — Jennifer apontou para onde os jogadores corriam.

– O vestiário dos jogadores — Derek respondeu — Ei, eles devem sair e entrar por ali de algum modo não é?

A descoberta de uma nova saída alegrara a todos, mas como desceriam até o campo sem se machucar?

De repente a parede rachada despencou junto com uma parte do teto, e como Kate, Ally, Tom, Greg, Derek, Matt e sua mãe se agarraram na grade, não se machucaram, mas Jennifer, que estava apoiada no corrimão, havia sido soterrada.

– Isso é um verdadeiro massacre! — a mãe de Matt exclamou aterrorizada.

De alguma maneira, o despencar da parede havia empurrado uma parte da grade no canto, abrindo uma pequena passagem para o outro lado da arquibancada.

– Olhem — Derek apontou para a passagem — Agora podemos passar.

– Jennifer! — Ally gritou chorando.

Mas não havia jeito, Jennifer estava morta, e tudo o que podiam fazer naquele momento era tentar sobreviver.

– Venham! — Derek chamou segurando-se na grade e passando cuidadosamente.

A passagem no canto da grade de ferro era minúscula, e não havia parede nenhuma para se apoiar, somente um pedaço do chão e a grade ao lado.

– Vá na frente meu filho — a mãe de Matt o encorajou.

O garoto agarrou-se na grade e foi dando passos leves e amedrontados até chegar ao outro lado.

– Agora venha senhora...? — Derek disse esperando complemento.

– ...Hansel — a mãe de Matt completou — senhora Hansel.

A senhora Hansel agarrou-se na grade e começou a andar pelo pequeno espaço que tinham para passar.

Foi então que o chão tremeu novamente e a senhora Hansel, desesperada, deu passos mais pesados para tentar passar mais rápido, o que acabou resultando na queda daquele pequeno espaço do chão, deixando a moça agarrada apenas na grade sem nada debaixo de seus pés.

– Socorro! Eu não vou aguentar muito tempo aqui! Isso dói! — a senhora Hansel gritou.

A borda da grade de ferro tinha pontas grossas e afiadas, tanto em cima quanto nos lados, e aquelas pontas estavam começando a penetrar no peito da senhora Hansel.

– Mamãe! — Matt gritou com lágrimas nos olhos já adivinhando o que iria acontecer a seguir.

A senhora Hansel virou seu rosto para o garoto e olhou pela última vez para aqueles olhos brilhantes cheios de lágrimas antes de soltar a grade e permitir que as grossas e afiadas pontas de ferro rasgassem seu peito e uma parte de seu rosto.

– Não! Mamãe! Mamãe! — Matt gritou desesperado enquanto o corpo da mãe se desgrudava da grade e caía para fora do estádio.

O garoto queria fechar os olhos e enxergar a mãe viva ao seu lado, mas não havia jeito, sua mãe continuava morta, e não havia como voltar atrás.

– Eu quero viver! — Ally ainda estava do outro lado da grade.

Apenas Derek e Matt haviam passado pela pequena passagem e estavam agora próximos a saída.

– Eu vou arrumar outro jeito de vocês passarem, eu juro — disse Derek enquanto Matt soluçava ao seu lado.

– Eu vou descer para o estádio — Ally disse com medo indo em direção à beira do andar em que estavam.

– Não! É muito alto, você vai se machucar — Derek avisou do outro lado da grade.

– É a nossa última esperança! — Ally gritou.

De repente, um tremor ainda maior tomou conta do local, rachando as últimas partes inteiras do estádio, como o teto acima da cabeça dos jovens.

– É uma questão de tempo até que esse teto despenque — Greg estava apavorado.

– Rápido, venham! — Ally chamou passando pelo corrimão que impedia a queda de pessoas no campo e se preparando para pular.

– Não! — Derek gritou agarrado do outro lado da grade.

Foi então que pedaços de concreto que formavam o teto rachado começaram a cair, um atingindo Derek em cheio, esfolando seu corpo pelo chão.

– Derek! — Kate chamou assustada chorando, sem resposta.

Enquanto isso, Matt corria em direção ao portal que dava para a saída desviando dos diversos pedaços de concreto que caíam, mas acabou tendo o mesmo destino de Derek, o corpo esfolado no chão pela queda de um deles.

– Eu vou estar livre! — Ally anunciou pulando da beira do andar e caindo de pé no campo, quebrando consequentemente suas duas pernas. Seus gritos de dor ecoando pelo estádio em destruição.

Kate, Greg e Tom ainda tentavam desviar dos pedaços de concreto que caíam, mas um desses pedaços atingiu a grade de ferro bem no meio, fazendo uma abertura para que eles pudessem passar.

– Eu não vou deixar a Ally! — Kate gritou parada em cima de um pedaço de concreto do teto, pois dessa forma, não havia nada mais além do céu escuro acima dela.

– Kate, ela praticamente já está morta — Greg estava com lágrimas nos olhos — Eu prometi pro papai que cuidaria de você.

– Mas ela é minha melhor amiga, e os amigos não abandonam uns aos outros Greg — Kate respondeu séria com o rosto inchado de tanto chorar.

Aquela cena comovera Greg, da mesma forma que o assustara, pois como ele iria tirar Kate dali sem Ally?

De repente, o chão começou a se deslocar, e antes que um grande buraco se formasse no local, Greg agarrou Kate e a carregou contra a sua vontade até o portal de saída com Tom.

– Por favor, me ajudem! — Ally gritava e chorava deitada no gramado do campo com as duas pernas quebradas.

O estádio estava se destruindo por completo, e no mesmo instante em que os três garotos passaram pelo portal de saída, a arquibancada inteira despencou para o lado, caindo em cima de Ally no meio do campo, a esmagando completamente.

Greg, com Kate debatendo-se em seu colo gritando o nome da amiga, e Tom, desciam correndo a passarela de concreto, que se encheu de rachaduras à medida que o estádio desmoronava lá dentro.

– Cuidado! — Greg gritou ao ver que Tom estava prestes a pisar em uma rachadura.

Mas foi tarde demais, o garoto pisou na rachadura, que se abriu em um largo buraco e o engoliu, levando Tom ao encontro do asfalto frio, que quebrou todos os seus ossos e o contorceu.

– Greg! Me larga! Me larga! — Kate estava apavorada.

– Não até chegarmos lá em baixo — Greg respondeu tentando manter a calma.

Greg descia correndo com a irmã no colo enquanto a passarela de concreto se desfazia à medida em que eles passavam, mas antes que pudessem chegar ao chão, o peso de Kate acabou por derrubar os dois, que tiveram de se levantar rápido para não despencar junto aos destroços da passarela.

Kate levantou-se e foi ajudar o irmão, mas ele havia torcido a perna e não conseguia se mover.

– Corre Kate! Sai daqui! — Greg espantava a irmã com o braço.

Greg percebeu que não havia mais salvação para ele e que se ficasse ali deitado somente atrasaria Kate, que poderia morrer com o despencar da passarela, por isso inclinou-se para o lado ficando longe do alcance da irmã, fechou os olhos, e se jogou dali, dando fim a tudo que acreditava e amava.

Ao ver Greg se jogar, Kate gritou como nunca gritara em toda sua vida, correndo para a beira de onde o irmão cometera o suicídio. Mas no fundo ela sabia que ele havia feito aquilo para salvá-la, e deveria fazer jus à morte dele, então parou de olhar o corpo do irmão contorcido no chão e voltou a correr para escapar do deslize da passarela de concreto.

Ela tentava correr o mais rápido que podia enquanto a passarela se rompia atrás dela, mas lágrimas começaram a escorrer em seu rosto e boas lembranças tomaram conta de sua cabeça, foi então que a garota desistiu de correr e ajoelhou-se abrindo-se em prantos.

– Eu quero meus amigos de volta! Eu quero meu irmão de volta! Eu quero a minha vida de volta! Por favor! — ela olhava para o céu soluçando.

Tudo aquilo era demais para ela, Kate preferia morrer do que escapar sem as pessoas que mais amava. Foi então que um pedaço de concreto desprendeu-se do estádio acima caindo em direção à passarela onde Kate estava ajoelhada olhando para o céu chorando.

– É desse jeito que tudo vai acabar?! — Kate percebeu que o pedaço de concreto a atingiria — Eu não posso morrer assim!

Kate bem que tentou levantar, mas só deu tempo de olhar uma última vez para cima antes que o pedaço de concreto chegasse a poucos centímetros de seu rosto e...

– Parece que vai chover — Greg olhou para o céu.

– Sempre preocupado não é? — Ally perguntou ao garoto.

Kate estava de volta ao seu assento e o jogo continuara, nada daquilo que vira a poucos minutos acontecera... ainda.

– Estou descendo gatinha! — Tom anunciou descendo de sua fileira e oculpando o assento vago ao lado de Ally.

– Que droga, o que você quer? — Ally perguntou séria.

– Por que você me...

Mas antes que Tom pudesse terminar a pergunta, foi interrompido por Kate que levantara de seu assento apavorada.

– Com licença, qual o seu nome? — Kate perguntou.

– Tom — ele respondeu sorrindo — Por que?

Kate estremeceu, será que tudo aquilo que vira a pouco tempo aconteceria?

– A se-se-senhora de preto, vai levantar o guarda-chuva e gritar com aquele menino — Kate apontou com lágrimas nos olhos para uma mulher fileiras abaixo.

Na mesma hora, a senhora de vestido preto levantou o guarda-chuva e berrou com o garoto de cabelos bagunçados castanhos de mais ou menos treze anos.

– Eu quero ver o jogo, então para de se mexer moleque idiota, senão te taco esse guarda-chuva! — a senhora berrou.

– Meu filho não é idiota coisa nenhuma! -uma mulher gritou ao lado do garoto — Vá ameaçar meu filho na puta que pariu!

– Mas o que é isso? — a senhora berrou novamente — Cadê o respeito com os mais velhos?

– Respeito? Olha quem me vem falar de respeito — a mulher respondeu.

Mas antes que as duas se atracassem, uma multidão se formou ao redor delas para impedir a briga.

– Ai meu deus, temos que sair daqui! — Kate gritou desesperada — Vai acontecer um acidente! Um helicóptero vai cair aqui! Temos que sair, por favor, me escutem!

A arquibancada inteira virou-se para Kate, que entrara em pânico.

– Não se preocupem, ela só precisa de um pouco de ar, pessoal! — Ally gritou para que não achassem que Kate estava louca.

De repente, uma garota de longos cabelos ruivos e olhos escuros se aproximou de Ally.

– Ally? Quanto tempo! — Jennifer exclamou — Você mudou muito!

– Jennifer? Meu deus, muito tempo mesmo! Eu pretendia te visitar um dia desses — Ally sorriu ao reconhecer a amiga — Com licença que agora eu vou levar a Kate pra tomar um ar.

– Eu vou com você — Jennifer sugeriu, fazia dois anos que não via a amiga, tudo que ela queria era ficar ao seu lado.

– Eu também, não vou deixar você na mão gatinha — Tom não desistia de tentar conquistá-la, e para ele aquela era a situação perfeita.

– Ela é minha irmã, eu que deveria levar ela sozinho pra tomar um ar — Greg protestou ao lado de Derek, que seguia ao seu lado.

De repente, um grupo de pessoas se formou para ajudar Kate a sair do estádio, eles ficaram tão chocados com o escândalo que a garota fizera que acharam que ela precisava de ajuda.

O portal de entrada enchia-se cada vez mais, e chegou o momento em que o tumulto foi tanto que a senhora Hansel e a senhora de vestido preto foram obrigadas a desviar a atenção e interromper a briga.

– Mãe, a senhora não é jornalista? — Matt mal esperava a hora de sair daquele estádio, ele fora obrigado pela mãe para ir ao jogo e lhe fazer companhia, mas se sentia muito mal ali dentro, e o fato de uma garota ter enlouquecido bem perto dele deixava o garoto ainda mais agoniado por estar ali.

– Mas estou de folga, meu bem — a senhora Hansel respondeu calmamente nem lembrando da confusão em que se envolvera minutos atrás.

– Você vai mesmo perder uma oportunidade dessas? A garota que enlouqueceu no estádio? Não seria muito bom ter uma entrevista com ela? — Matt conhecia bem a mãe que tinha, ela não iria resistir.

– Mas como iríamos filmar? O Roger não está aqui pra gravar tudo.

– Usamos o meu iPhone, a câmera dele é de oito megas — Matt queria tanto sair dali que ofereceu até os serviços de seu tão amado iPhone 4S, que não emprestava para ninguém — Agora vamos.

A senhora Hansel levantou-se de seu assento ao lado de Matt, mas antes de completar o caminho até o portal de entrada para acompanhar a multidão, algo a fez virar.

– Arregou? — a senhora de vestido preto lançou um olhar desafiador para ela ao perceber que a senhora Hansel estava se distanciando — Eu já deveria saber, filhos fracos, mães fracas, fiquei até surpresa em saber que deu pra comprar um iPhone com seu salário de puta.

A mãe de Matt se enfureceu e caminhou de volta até o assento da senhora de vestido preto para dar-lhe um tapa bem dado.

– Aqui puta só se for você — a senhora Hansel não poderia perder mais tempo com aquela mulher, ela teria de fazer uma entrevista com a garota que enlouquecera no estádio antes que outra pessoa o fizesse.

Enquanto a arquibancada assistia a tudo aquilo surpresa, a garota de cabelos negros e olhos verdes, assustada, fazia um esforço para sair do estádio e alcançar Kate a tempo para fazer-lhe algumas perguntas, ela sentia que alguma coisa iria acontecer, ela sentia.

– Isso não vai ficar assim sua vagabunda! — a senhora de vestido preto também caminhou até o portal de concreto disposta a tirar providências com a mulher que lhe dera o tapa que a fez lagrimar de tanta dor, e lá estava ela, a senhora Hansel, descendo pela passarela de concreto ao lado da multidão e do filho Matt — Você não tem vergonha não sua vadia?

Mas a senhora Hansel a ignorou.

Eu vou tomar uma atitude mais inteligente, pensou a senhora de vestido preto, Meus primos podem dar um trato no carro dela, e passou a agir como se nada tivesse acontecido, limpando apenas as lágrimas em seu rosto para que a senhora Hansel não as visse.

Quando todos chegaram ao estacionamento do lado de fora, o helicóptero da polícia já estava bem acima do estádio, e parecia estar se desequilibrando devido a forte ventania vinda da chuva que se aproximava cada vez mais.

– Pronto — Greg acomodou a irmã no chão, cercado por uma multidão curiosa.

Matt entregou seu iPhone a mãe com cautela para que a mesma gravasse a entrevista.

– Está tudo bem? — a senhora Hansel fitou Kate preocupada — Se importa se fizermos uma entrevista com você?

Mas antes que Kate pudesse responder, o som de uma explosão saiu de dentro do estádio, o acidente estava acontecendo. E enquanto todos do lado de fora pareciam surpresos, a garota de cabelos escuros e olhos verdes permanecia séria.

– Você teve uma premonição não é? — a garota perguntou — Meu nome é Janet, Janet Cunningham.

Notas finais
No próximo capítulo, Janet fará menções em relação a seu passado.