Premonição: Alta Tensão
10 Não Olhe Para Trás
Notas iniciais
Ou seja, aproveitem! :D
O carro de Jenna estacionou na garagem. Jill a esperava na porta, preocupada. Ela já estava pronta para ir, até Jenna perguntar sobre a filha.
– Ela está bem? – Jenna colocou a bolsa de lado.
– Sim, Jenna. Ela está muito melhor do que antes. Ela já até conseguiu dormir. – Sorriu sem graça.
– Graças ao bom Deus. – Jenna suspirou. – Obrigada, Jill. Não sei o que eu seria sem você. – Sorriu a abraçando.
Jill não hesitou em respondê-la.
– Seria uma mãe ocupada, com uma filha pequena que precisa de mais atenção. – Jill tinha razão, aquela era Jenna Miller.
– Você tem razão, Jill. Eu mal tenho tempo para a Loren, mas nunca deixei de protegê-la e ajudá-la.
– Amá-la?
– Sempre.
– Espero que esteja certa. – Jill sorriu.
Depois que Jenna pagou alguns dólares à ela e por ela ter hesitado o dinheiro, fora embora de volta para casa. A partir daí Jenna ficou mais pensativa do que nunca.
x-x-x
Mason acabara de acordar, ainda na poltrona acolchoada da varanda de sua casa. Olhou para a rua e a mesma em fluxo de veículos. A brisa fraca e ameaçadora delineou as curvas de sua nuca, o fazendo arrepiar.
– Preciso ligar para a Jenna. Espero que desta vez ela atenda. – Pegou o celular.
Da primeira e da segunda vez, Jenna não atendeu. Só foi na terceira tentativa de ligar para ela, que a ligação finalmente fora atendida.
– Alô? – A voz estática feminina seduzia o homem.
– Jenna?
– Oh sim, Mason!
– Eu não estive com uma sensação muito boa. Aconteceu alguma coisa?
– Sim, era a vez de Tristan e conseguimos salvá-lo. – Sorriu de lado. Jenna parecia não estar feliz com aquilo, mas estava.
– Isso é ótimo! – Sorriu.
Ouviu-se um barulho aterrorizante, a porta da casa de Jenna havia sido arrombada, agora estava no chão, totalmente destruída.
– O que foi isso, Jenna? – Mason estava mais do que preocupado, agora.
– Oh, não! Espera aí... Brady?
Desligou.
– Jenna! – Mason rapidamente pegou um agasalho e se apressou.
x-x-x
A morena estava de frente à Brady. Ele carregava consigo uma expressão de extrema fúria. Seus olhos estavam avermelhados e tinha uma arma em mãos, apontada para ela.
– Oh, Brady! O que você está fazendo com esta arma?
– A Heather não merecia! – Continuou com Jenna na mira do revólver.
– Olha Brady, ninguém mereceu estar nesta lista. Ninguém merece mais que ninguém. Estamos sendo injustiçados pela morte. – Jenna não conseguia juntar o que dizia.
– Claro que estamos sendo injustiçados. – Apertou o gatilho.
O barulho passou pelos tímpanos de Loren, que caiu da cama, assustada. A garota olhou ao redor e quando não encontrou a mãe começou a choramingar.
– Mamãe! – Gritou.
– Querida! Esconda-se! – Jenna estava caída com um ferimento em seu braço esquerdo, que deixava muito sangue escorrer.
Brady havia errado a bala, para o alívio de Jenna.
– Droga! Sou bom em pontaria, como pude errar este alvo tão fácil e inerte? – Olhou a arma.
– Esqueceu que você é o próximo e não eu! – Gritou, enquanto tentava se erguer do chão.
– Calada, vagabunda! – Atirou novamente.
O tiro acertou um vaso que estava em cima de um lindo pedestal, em um canto da sala. Jenna aproveitou e se esgueirando, conseguiu subir as escadas às pressas.
– Loren, filha, esconda-se! – Gritou para que a filha se escondesse.
Loren ligeiramente trancou a porta do quarto e guardou a chave dentro de um pequeno bolso em seu pijama. A garota correu e escondeu-se embaixo da cama, fechando os olhos e tapando a boca.
Jenna corria pelo corredor do primeiro andar de sua casa. Onde? onde? Abria todas as portas do corredor e a única em que entrou fora a do banheiro. Trancou a porta e apoderou-se de uma barra de metal, pertencente à um suporte de toalhas que ficava fincado na parede cheia de cerâmicas brancas e azuis.
– Jen. Não era assim que ela te chamava? – Ele andava vagarosamente pelo corredor estreito, fazendo o piso encerado ranger.
Jenna se encolhia cada vez mais na parede do banheiro, enquanto Brady tentava escutar algum ruído que pudesse ajudá-lo a achá-la.
– Eu sei que está ai, gatinha. – Murmurou se aproximando do banheiro.
Jenna tapou a boca rapidamente e deu um gritinho abafado. Correu até o outro lado do cômodo, ficando atrás da porta.
Brady pôs o ouvido na porta, a fim de escutá-la, mas Jenna era boa em se esconder. Até que fim as brincadeiras de pique — esconde estão servindo para algo. Como ela conseguia pensar naquilo, naquele instante? Então foi cerrando os cílios, até escutar um barulho estranho, era algo pesado sendo arrastado no chão. Se aproximou da porta e ergueu a barra que segurava, na altura da cabeça.
– Você vai morrer gracinha. Onde está a pequena Loren? – Se afastou da porta, indo em direção à outra porta, do lado oposto. Brady pensou que Loren poderia estar lá.
Merda, Loren! Como sou irresponsável, esqueci da minha menina! Abriu a porta com ligeireza, avistando Brady tentando abrir a maçaneta do quarto da filha. Brady foi rápido e seus reflexos fizeram-no empurrá-la contra a parede, deixando que um quadro caísse. Jenna, com uma forte dor de cabeça viu quando todas as pequenas lâmpadas do corredor começaram a piscar freneticamente.
– Começou desgraçado! Eu tenho pena de você, sabia? Você é o próximo e não há nada que possa fazer para se salvar da lista! – Havia sangue em sua testa.
– Como você é ingênua e idiota, Jenna. A única pessoa que vai morrer aqui não sou eu, é você! – Gritou, enquanto empunhava a arma e mirava-a na testa da morena.
– Você é tão tolinho. – Jenna sorriu ironicamente, ela tentava distraí-lo para conseguir alcançar a barra de ferro que caíra bem ao seu lado.
– Tola é você, sua inútil! – Gritou, enquanto criava forças para apertar o gatilho.
A porta do quarto de Loren se abriu num rompante e Jenna viu um vulto passar por ele e pular em seu pescoço. O barulho de algo penetrando a pele e a carne dele foi audível e Jenna arrepiou-se ao ouvir aquilo. Havia um lápis atravessando seu pescoço, com fúria. O jato de sangue espirrou na face angelical da garota de cabelo castanho que pousou ao lado de Brady. Loren acabara de enfiar um simples lápis de cor no pescoço do ogro.
– Era sua vez, você não ouviu mamãe dizer? – Várias lágrimas brotavam simultaneamente dos olhinhos inchados da menina.
Loren choramingava, enxugando as lágrimas com seu pijama. Correu e abraçou a mãe, esperando que ela a confortasse. O corpo de Brady caiu de joelho e tombou para o lado, com um baque seu corpo encontrou o chão e foi ali que ele permaneceu, até criar uma enorme poça, que passava por todo o corredor.
Os passos acelerados de Mason chegaram até o primeiro andar e as lâmpadas pararam de piscar. O homem mostrou um rosto assustado, porém em seguida, um largo sorriso apareceu e o fez se aproximar, feliz. Ele ergueu Jenna do chão, com a ajuda da filha. Deu-lhe um abraço apertado e sussurrou em seu ouvido.
– Que bom que está bem, Jenna. Fiquei muito preocupado depois do telefonema.
E viu o corpo de Brady tombado próximo das duas. Ele verificou todos os centímetros do corpo e acenou negativamente com a cabeça.
– O que aconteceu aqui? – Indagou confuso.
– A morte veio buscá-lo. – Jenna virou o rosto e respondeu seca.
Mason viu o lápis cravado no pescoço do homem e olhou para a pequena Loren, que enxugava as demais lágrimas que teimavam em descer sobre seu rostinho angelical.
– Foi você quem fez isso? – Mason abaixou para perguntar a ela.
– Não.
– Então, quem foi? – Olhava no fundo de seus olhos meigos.
– Mason... – Jenna não queria que sua filha explicasse o que ocorreu. – É melhor não...
– Foi a morte. – A garota se afastou dos dois e seguiu no corredor pouco iluminado.
Jenna e Mason se entreolharam e os dois se abraçaram novamente. Jenna deixou que uma lágrima caísse e Mason fez questão de limpá-la.
x-x-x
Loren estava na porta da escola. Jenna fizera questão de levá-la até lá. Não estava assustada, era pura cautela e prevenção. Ela sabia que era a vez da filha e se sentia levemente tranqüila. Charlotte e Tristan estão vivos, eles venceram a morte. Loren também pode vencê-la, certo? A morena tentava se convencer de que a filha ficaria bem, naquelas circunstâncias. Ela está na escola, o lugar mais seguro para uma garota de sua idade. Estava completamente errada, qualquer lugar era perigoso e sua filha era seu bem mais precioso, não poderia perdê-la. Olhou o céu, que estava lindo àquela manhã. Olhou o pouco fluxo de veículos e lembrou-se de Mason. Após sua filha era ele, ele era o próximo. Depois de pensar muito na visã concluíra que o fogo da explosão atingira primeiro o homem, em seguida ela.
O mundo ameaçou parar, ela percebeu que tudo à sua volta parecia estar na sua espreita, lhe espiando. Observando e medindo cada passo seu. Mason passara a noite com ela e a filha, a polícia apareceu por lá umas duas vezes, até encontrar o cadáver de Brady. Jenna e Mason foram até a delegacia para prestarem depoimento e a polícia nem desconfiou da pobre garotinha de rosto angelical.
Jenna beijou a testa da filha e a deixou entrar. Viu quando ela desapareceu por detrás do portão e viu quando o porteiro tratou de fechar o mesmo. Loren acenou um pouco despercebida por entre as outras crianças, mas foi fácil para Jenna identificá-la. Tão linda. Fique bem, querida. Virou-se e passou a encarar o vidro de seu carro. Quando entrou no carro, sentiu seu celular tocando. Atendeu, era Mason.
– Alô? Mason?
– Onde você está? – A voz estática de Mason mais uma vez lhe arrepiou.
– Estou de frente ao colégio da Loren, por quê? Você tem alguma pista de sua morte? – O tom de voz da morena acabou de mudar.
– Não, nada de estranho até agora. – Arrepiou-se ao olhar o corredor que ficava de frente à porta de seu quarto.
– E porque ligou? Achei que tinha descoberto algo que pudesse me ajudar sobre a pista da morte de Loren. – Sua voz tornou-se desanimada.
– Quando à hora dela chegar, de alguma maneira, vamos ser avisados. Não é assim que funciona? Chega sua hora e a morte lhe dá uma pista desta hora? Como as luzes piscando no corredor ontem. – Sentiu-se um pouco receoso ao tocar novamente naquele assunto.
– Não foi pra isso que me ligou Mason. – Seu desânimo era evidente.
– Eu queria saber se você queria almoçar comigo, às 12h00min no La Maison. – Corou.
– Eu não sei.
– Você não vai ter nada para fazer, isso eu garanto.
– Então está bem, às 12h00min no La Maison. Um beijo e até lá.
Desligou.
x-x-x
Charlotte e Tristan estavam de frente ao enorme hospital San Valentin. Fora lá de ele e ela nasceram. E lembrando-se do dia em que Tristan viera visitar Sandra recuperando do coma, ele deixou que uma lágrima escapasse. Charlotte observou a lágrima dançar em seu rosto e sorriu. Ele hesitou em olhá-la, enquanto a lágrima estava ali, então a enxugou rapidamente. Criou forças e começou a caminhar em direção à porta giratória do hospital. A grande cruz vermelha no alto de uma torre entre o prédio principal e o prédio secundário, agora estava ali. Aquela cruz foi colocada à pouco tempo, até alguns dias atrás, a enorme cruz vermelha não estava ali. Charlotte vira quando estava sendo colocada, fora depois da morte de Owen. Ela acompanhou Tristan, sem dar uma palavra. Ele está pensando em Sandra, não posso esquecer que ele a ama e eu sou somente uma pedra em seu caminho.
Entraram no hospital e se aproximaram do elevador, após passar na recepção. Sandra havia mudado de quarto e Tristan estava ansioso para vê-la. Havia acabado de saber que ela havia acordado do coma, aquela era de grande valor para sua vida. Eu não a perdi, ela está bem. Seguiu até encontrar o elevador e de frente a ele, respirou fundo.
– Está nervoso? – Charlotte perguntou, queria ouvir sua resposta.
– Ela acordou, Charlotte! – Abriu um largo sorriso. – Ela está finalmente acordada! Já não aguentava vê-la com os olhos fechados, presa dentro da própria alma. – Pensou.
– Fico feliz por você. – Sorriu de lado.
– Charlotte, me fala a verdade... – Enquanto o elevador não chegava, ainda estava em um andar mais acima, Tristan resolveu perguntar a ela.
– Sim? – Charlotte temia saber qual pergunta iria fazer.
– Você não está zangada nem decepcionada comigo não... Não é? – Tremeu.
– Claro que não, “Trent”. – Charlotte parecia sua tia chamando-o de Trent, seu apelido carinhoso só a sua tia sabia, mas ele contara á ela sobre o aproveitador que matara e ela entendera seu lado, deixando que ela o chamasse de Trent. – Você feliz, eu feliz. – Deu um enorme sorriso, que não cabia no rosto e os dois se abraçaram. O abraço foi o mais apertado.
A porta do elevador se abriu e os dois entraram, a caminho do quarto de Sandra. Ela está acordada!
x-x-x
Loren rabiscava várias folhas na aula de artes da Srta. Denver. Ela era doce e carinhosa com ela e sempre a ajudava em seus rabiscos, mas a professora que estava na sala naquele momento não era a Srta. Denver, e sim, a Srta. Gringer. Loren não gostava daquela professora, ela tinha olhar cruel, um ar amargo e um jeito de como quem está furiosa com você. Loren não gostava quando a Srta. Denver faltava à escola e colocavam esta substituta.
Estava sentada em uma mesinha no canto da sala, nem sequer se atrevia a olhar a professora perto das outras crianças. De repente o sino tocou, a sala estremeceu e a correria infantil começou. Loren foi a última a sair, deixando que suas folhas rabiscadas se espalhassem pelo corredor. A professora Gringer se aproximou, Loren temeu e se afastou.
– Está tão assustada, Loren. O que você tem? – A mulher se abaixou, ajudando-a com as folhas, juntando-as.
– Não é nada, Srta. Gringer.
– Me chame de Samantha, querida. – Deu-lhe as folhas.
– O.k. Srt.a Samantha. – E saiu.
Loren não olhou para trás e carregando as pequenas folhas rabiscadas, passou pela portaria e esperou a mãe do lado de fora. Ela prometeu vir me buscar, espero que não mande a Jill.
Logo o carro de sua mãe parou bem na sua frente.
– Vamos querida?
– Mamãe! – Acenou.
A pequena garota correu em direção ao carro, abriu a porta e entrou, colocando a mochila no banco do passageiro. Jenna beijou sua testa e sorriu.
– Eu prometi vir lhe buscar. Estou aqui, minha neném. – Abraçou-a. – Que bom que ficou bem. O que foi que você fez hoje? – Ligou o carro e acelerou.
Parou no sinal vermelho.
– Hoje teve aula de português e artes. Não era a Srta. Denver, hoje foi uma chata, a Srta. Gringer a odeio. – Fez muxoxo.
– Querida, “odeio” é uma palavra muito forte. – Olhou-a espatanda.
– Então eu a acho muito, mas muito chata! – Fechou os olhinhos, certa de que ninguém mudaria sua opinião. – Ah! A gente fez algumas pinturas e eu desenhei a gente! – Sorriu.
Jenna gelou, lembrando do desenho de Tristan.
– Você nos desenhou? – Engoliu em seco.
– Sim. Eu, você e... E... Esqueci nome dele, daquele seu amigo. – Desanimou.
– Mason. Você o desenhou? – Uma onda de frio percorreu cada centímetro de seu corpo.
– Sim. Mas, foi como na noite passada, eu não lembro em ter desenhado, mas quando vi, já tinha desenhado ele.
Loren deu de ombros e tateou até encontrar a mochila.
– Me mostra esse desenho, querida? – Jenna percebeu que o sinal havia aberto, então acelerou, enquanto também tateava o desenho da mão da filha.
Jenna pegou um atalho e acelerou, a fim de chegar mais rápido ao encontro com Mason. Acabou por decidir levar Loren consigo, precisava. O atalho que acabou pegando, levava-a até um pequeno riacho. Olhando o desenho de sua filha Jenna percebeu algo bem estranho. Loren desenhou-os na mesma ordem em que suas mortes ocorreriam: primeiro a pequena, logo após ela e por último Mason. Ele morre por último.
Um coiote que passava na estrada não percebeu o veículo e nem Jenna percebeu o animal passando, foi quando aconteceu. Ao tentar desviar, Jenna acaba por invadir a mata e enquanto o carro passava por cima de vários arbustos e galhos secos no chão, a morena não percebia que um lago estava localizado bem ali, na sua frente.
– Mamãe! – Loren gritava.
– Oh, não! – Jenna movia o volante. Em vão.
O carro chegou até um cercado de madeira, aquilo não impossibilitou a passagem do veloz carro da morena, que estraçalhou a madeira, antes de invadir o local. O carro desencontrou o chão e neste momento estava em queda livre. Jenna percebeu que Loren comprimia os olhinhos e ela queria fazer o mesmo, mas não dava, precisava estar consciente para tirar sua filha dali, então viu o lago se aproximar e se aproximar, até que o carro encontrou a água com fúria.
O carro foi seguindo em direção ao fundo, lentamente. Jenna abriu os olhos e viu tudo esverdeado, estava no fundo do lago. As tentativas de sair dali iriam iniciar. Socava o vidro, em tentativas frustrantes e conseguiu retirar Loren após arrebentar uma parte da porta. Preciso levá-la até a superfície. Foi ai que criou forças para retirar a filha dali, daquela armadilha aquática. Segurando na mão da filha, conseguiu puxá-la até a superfície e conseguintemente levou-a até a margem do lago, subindo em um píer de madeira, pequenino, que havia ali.
– Querida, acorde! – Jenna gritava, tentando acordar a filha.
Balançava o corpinho inerte da garota, até vê-la despejar um pouco d’água de sua boca pálida. Sorriu e chorou ao mesmo tempo, abraçando o corpo frágil da filha.
– Querida! Estamos bem, agora! – Deixou que suas lágrimas caíssem no rostinho franzino de Loren.
Olhou ao redor e percebeu que havia fumaça ali. Deve ser de alguma casa.
– Você não é tão párea assim, morte! Você quis pegar duas de uma vez só e se deu muito mal! Você se ferrou no final de tudo! – Gritou. – Estamos bem e agora? O que vai fazer? Nada! Por que te vencemos! – Abraçou novamente Loren, que estava sem entender nada.
– O que aconteceu, mamãe?
– Conseguimos querida. Graças ao bom Deus que temos! – Beijou seu rosto.
Jenna observou duas pessoas se aproximarem, era um casal de meia-idade.
– Vocês estão bem? Escutamos um enorme barulho. – Disse o homem ao se aproximar.
– O que aconteceu aqui? – A mulher também estava espantada.
– Nosso carro está no fundo do lago. – Jenna falou, com uma voz trêmula.
O casal viu a cerca deteriorada e se admirou.
– Oh, céus! Vocês... – Ela iniciaria uma pergunta e Jenna interrompeu:
– Sim. Caímos no lago. – Era perceptível a aflição em seus olhos.
– Elas devem estar morrendo de frio, Mary. Traga cobertores para as duas. – Disse o homem com uma vasta barba grisalha.
A mulher deu meia volta e seguiu, entrando em um caminho que serpenteava pela mata adentro.
– Vocês vão ficar bem, nós prometemos. – O homem disse-lhes para se acalmarem.
x-x-x
Mason já estava impaciente, Jenna não havia chegado. Já havia ligado para ela e ela respondeu que pegaria Loren antes de chegar ao encontro.
– Onde ela se meteu? Desse jeito vou ter que pedir algo. – Olhou o garçom que se aproximava.
– O que vai querer senhor? – O garçom carregava uma caderneta consigo.
– Uma água sem gás, por enquanto, por favor. – Sorriu de lado.
O homem suava frio e esperava encontrar Jenna linda e cheirosa. Ele começara a gostar dela, a relação entre os dois apagou-se por alguns dias, mas logo voltou a ascender-se depois de tudo o que houve. Estou mais próximo dela, eu sinto isso.
x-x-x
Tristan ficou de frente à vidraça que dava vista para o quarto. E lá estava Sandra, com seus pequenos olhos abertos. Charlotte encheu os olhos de lágrimas e os dois sorriram um para o outro, em sintonia. Abraçaram-se e foi ai que Tristan entrou no quarto. Charlotte aguardava vê-lo com Sandra, juntou as mãos e elvou-as até a boca, sorrindo novamente em seguida.
Tristan se aproximou da cama, acompanhando os lindos olhos da mulher acamada. Sandra sentou-se na cama e ainda com algumas aparelhagens sorriu de lado, estava ainda um pouco fraca. A enfermeira pegou algumas pranchetas com fichas e olhou-os.
– Vou deixá-los à sós um pouco. – Saiu, observando o estado emocional da ruiva que estava do lado de fora do quarto.
Sandra ficou um bom tempo olhando o homem que estava prostrado à sua frente, talvez não estivesse reconhecendo muito. Entretanto, foi de imediato que sua imagem passou pela sua cabeça, lembrando-se. Ela começou a falar, com a voz um pouco apagada.
– Tristan? – Ergueu as mãos até onde podia.
Ela queria que ele tocasse e sem hesitar sua mão áspera tocou a mão suave e macia dela.
– Você voltou muito mais... – Foi interrompido.
– Viva! – Ela brincou.
– Isso mesmo. – Tristan assentiu.
Com as mãos entrelaçadas, ele se aproximou ainda mais dela. Charlotte temia que pudesse acontecer agora. Ele não pode fazer isso... Por mim, por nós. Mas, como terminar algo que nem começou? Ela se afastou da vidraça, caminhando no corredor. Ele sempre a amou e eu disse que se ele estivesse feliz, eu estaria feliz. O problema é que eu não estou feliz. Foi até um bebedouro ali próximo e foi bebendo água, que refletia no queria levara até aquele lugar com ele, por Sandra? Pensava se era pela sua compaixão ou pena, até mesmo, se fosse Tristan que tivera a pedido para fazer aquilo. Não sabia mais de nada, estava muito confusa.
Levou o copo d’água de volta ao quarto. Seus olhos encontraram um beijo molhado e demorado, cheio de saudade e fervor. O copo despencou e a água foi salpicada, se espalhando em forma de poça pelo piso encerado do corredor.
– Desculpa Tristan. – E saiu, indo até o pequeno jardim do hospital.
x-x-x
Mason esperava ainda impacientemente por respostas de Jenna. Já era seu terceiro pedido e o relógio não parava de fazer barulhinhos estressantes ao pé de seu ouvido. Já não sabia quantas vezes havia olhado para a porta do restaurante quando a sineta tocou, já não sabia dizer quantas vezes havia olhado para o tanque de peixes que havia ali em um cantinho bem escondido. Aquele tanque de peixes era enorme, ele demorou para perceber o tamanho real. Também havia um palco para apresentações aleatórias de cantores anônimos. As caixas de som da banda Rolling Hunter já estavam em cima do palco e algumas pessoas zanzavam por entre as mesas, arrumando algo. O tanque de enguias estava bem ao lado.
– Que irônico pôr isso ao lado de equipamentos sonoros. Alguém pode levar um choque. – Brincou, dando um risinho.
E Mason pensou na lista.
– Que droga! Será que é minha vez? E se Jenna não está aqui... Algo deve ter acontecido a ela e Loren! Preciso ajudá-la.
A cozinha do restaurante estava um caus e por descuido uma das cozinheiras acaba por deixar que o lacre de um dos bujões acoplados a um fogão grande e desativado, aberto.
No momento em que Mason ergueu-se da mesa para sair.
– Essa é a hora de ir atrás das duas. Não posso perder Jenna. Não fico bobo de amor assim quase nunca. Ele deve ser a pessoa ideal. – E foi caminhando.
– Por gentileza, senhor. – A mulher grávida pediu-lhe uma ajuda cm o equipamento de som e luz.
– Sim? – Mason virou-se.
– Poderia me ajudar aqui, estas lâmpadas e essas caixas de som? Você sabe não é? – A mulher olhou para a barriga.
Mason hesitou, mas não poderia falar mais nada, era preciso, ela precisava de ajuda, estava grávida. Então, ele se aproximou olhando o aquário das enguias e uma onda de arrepios percorreu todo seu corpo. Observou novamente o equipamento e tremeu de novo.
– Não acho que era para estar aqui, ainda. – Olhou para todos os centímetros do restaurante e percebeu que tudo ao seu redor estava milimetricamente feito para causar sua morte.
É minha vez, droga! Então, ao recuar e ir em direção à porta. Olhou de volta para trás e viu quando uma labareda de fogo invadiu o salão do restaurante, seguida de um estrondo. Ele tentou correr e se proteger com uma mesa, mas não foi o bastante para que a morte não o pegasse. Em questão de segundos, vários jatos flamejantes foram jogados contra ele, assemelhando fogos de artifícios. Ele fechou os olhos, para não sentir dor maior e acabou queimando. Seu corpo queimou e sua alma queimou.
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A caminhonete do velho que ajudara Jenna, agora estava de frente do restaurante. A morena estava com a filha ao lado. Dera tempo de se esquentar um pouco e por roupas da filha do casal, antes de chegarem ao restaurante. Teria uma longa conversa com Mason antes de dizer que era o próximo, mas estava muito mais preocupada com outra coisa. Estava boquiaberta com o que via. Os destroços do restaurante estavam grudados com o cheiro da fumaça negra que acabara de se misturar ao ar. A mão no vidro revelava total descrença.
– Mamãe... O homem estava lá dentro... – Loren acompanhou a mãe no olhar.
Jenna abriu ligeiramente a porta do veículo e ficou diante do amontoado de cimento, tijolos e estruturas do restaurante.
– Eu não cheguei a tempo. – Sentia-se a pessoa mais culpada do mundo.
E foi dando passadas leves que se aproximou da placa do restaurante La Maison, que agora, estava com a maior parte no meio da rua. O barulho das sirenes foi ouvido e sua filha se aproximou muito assustada. Jenna a abraçou e as duas encararam a cena, atônitas. Com a falta de algumas letras, a placa dizia somente: MASON.
Jenna beijou a testa de Loren e uma brisa assustadora passou pelas duas, bagunçando seus cabelos. A morte bisbilhotava as duas, esperando e contando os segundos para levá-las embora.
Notas finais
E ah! Recomendem-na por favor! :D Obrigado por tudo!
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