Premonição: Alta Tensão
5 Caótico
Notas iniciais
Naquela noite, Elias voltou arrasado para o hospital e teve tempo de pensar um pouco mais em tudo que estava acontecendo naquela sua maldita vida. Por que ele teve uma nova chance, sabendo que sofreria tanto? Nem mesmo ele conseguiria chutar uma resposta. Culpa de Jenna, talvez. Aquele surto dado por ela, avisando sobre o incidente invadiu sua mente como um bombardeio e a imagem de Sandra vagou pelo espaço que ali estava, lembrando-lhe de seu grave estado.
Estava receoso em ter novamente a visita de Tristan no hospital, não queria olhar em sua cara novamente, já bastava o que havia acontecido com Owen, precisava desabafar, com Sandra, talvez surtisse mais efeito e o acalmaria mais rapidamente.
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Mason dirigia o carro de Jenna. A morena ainda estava em choque com o depoimento de aparentemente uma outra vítima de uma premonição. Ela tentava reformular tudo que ele havia dito naquele depoimento e sentia que não fora o bastante para ela, ainda precisava encontrar algo que se encaixasse naquela situação.
Mas, não fora isso a coisa mais estranha e sim, o fato do computador da biblioteca ter pifado estranhamente. Assim como, o vinho ter sido espalhado pelo piso de sua sala e aquela bagunça na noite anterior, na cozinha. Aquilo sim, fora o que mais a deixou inquieta.
– Jen, não gosto de te ver assim. Aquele depoimento deve tê-la deixado bem sentida em? – Heather estava no banco do passageiro. Estava preocupada com a amiga.
– As palavras dele... me fizeram acreditar que não acabou ainda. Que aquele acidente no edifício naquela noite, ainda trará muitas consequências para nós.
– Não deixe as coisas mais confusas do que já estão. – Disse Mason, sem tirar os olhos do volante.
– Eu preciso encontrar aquele jovem. Chase Bray. Preciso achá-lo! Mas... onde?
– Que ideia amiga. Para quê procurar o garoto?
– Eu preciso de mais repostas para o que aconteceu! Ainda não me sinto segura.
Mason e Heather sentiram a alteração nas feições de Jenna e preferiram não mais tocarem no assunto, era muito delicado. Ela ainda recostava a cabeça sobre o vidro do carro e admirava as casas que passavam ligeiramente do lado de fora. Lembrara que deixara Loren com uma vizinha, Jill.
Sua vizinha de porta era uma garota confiável e muito responsável, sempre que Jenna precisava sair, ela cuidava de Loren, até sua mãe chegar. Não era algo tão cotidiano, mas sempre que problemas tivessem de serem resolvidos, ela tomava conta do recado e Jenna agradecia muito por isso, era de fato uma jovem “preciosa”.
– O que será aquilo?
Sentiram o carro reduzir a velocidade, logo as luzes frenéticas da sirene da polícia foram perceptíveis. Jenna gelou, sentiu uma frieza percorrer seu corpo e engoliu a seco. Provavelmente ela já sabia o que ela encontraria. Algo indesejado.
Mason parou o carro no acostamento e esperou que o policial viesse até seu carro, lhe informar do bloqueio daquela rua. As faixas de não ultrapasse, agora eram visíveis. Então, o policial começou:
– Bem, não poderá continuar por esta rua, como pode ver. O que temos aqui é um acidente muito grave. Por gentileza, pegue a rota de direita. – Fez sinal com alguns dedos, indicando o caminho que o carro deveria seguir.
Sem hesitar, Jenna abriu a porta e iniciou a caminhada até mais afrente, onde estava localizado a causa do bloqueio da rua.
– Ei! Onde você vai? –Mason se inclinou, chamando pela colega de trabalho.
– Espera! – Heather surpreendeu Mason com uma exaltação instantânea. – Aquele não é o meu carro?
A afro-americana atravessou o olhar por entre alguns oficiais da polícia, até encontrar o carro que pertencia à ela e Brady.
– Seu carro?
– Sim. Meu carro! Brady está aqui!
Heather abriu a porta do carro em uma velocidade surpreendente, disparando na direção de Jenna. A morena passou na frente de alguns “curiosos” e tapou a boca ao ver a cena. Uma horrenda massa rubra com ossos e sangue estava totalmente espalhada por toda a rua, de ponta a ponta, dava-se para se ver partes de um rosto, porém, davam-se para se confundir facilmente com dedos ou partes inferiores.
– Brady está aqui, Jen. – Heather também tapou a boca ao ver a mesma cena. – Minha nossa!
Ao percorrer com os olhos, vários pedaços de órgãos e ossos, Jenna avistou um óculos, alguns centímetros afastados das vísceras, já perto da calçada de um bar que ficava bem ali. Ela tentou se esforçar para lembrar de quem eram aqueles óculos, já que vagamente se lembrara que já os tinha visto antes. O rosto de Owen pairou em sua mente e logo sua face fora focada no óculos de lentes grossas e armações escuras, iguais ao dele. Era os óculos de Owen, Jenna tinha certeza absoluta que pertenciam a ele.
Imaginara que Owen poderia estar ali próximo no instante em que o acidente havia ocorrido e deixara seus óculos caírem por descuido. Entretanto, não era aquele pensamento que invadia sua cabeça e sim, de que aquelas vísceras e pastas rubras que se encontraram espalhadas pela rua, faziam parte dele.
Mason parou ao seu lado.
– Que porra é essa?
Depois que percebeu o palavriado que acabara de soltar, enquanto estava próximo de Jenna, o homem resolveu calar-se e apenas olhar chocado para a imagem distorcida de uma pessoa jogada na rua úmida daquela noite.
Jenna virou-se e sem mais poder encarar aquela cena terrível, resolveu ir até o bar. Sentou-se em uma das mesas externas e viu quando Mason se aproximou.
– Jenna?
– Sim?
– Você está bem? Tem alguma coisa que você não me contou?
– Tem sim.
– O que você viu naquele computador que não me contou?
– Que eu li o depoimento de um sobrevimente de outro acidente. Desta vez, de um desabamento de uma caverna, no Colorado, que matou alguns estudantes formandos.
– Pode me contar mais. – Ele acenou para a garçonete que parecia ainda estar em choque.
A mulher que carregava a bandeja chacoalhava-a freneticamente e apresentava um nervosismo muito explícito. Mason assou a não encará-la depois de perceber aquilo e apenas pediu uma água, precisaria acalentar Jenna.
– No depoimento daquele tal de Chase, ele disse que ele também teve uma premonição. Mas, não foi isso que me deixou em pânico.
– E o que foi, então?
– Foi o fato de todos que ele salvou do acidente terem morrido nas semanas que lhe sucederam. Todos com mortes estranhas e brutais. – Ela arrepiou-se novamente.
A rajada de vento que passava por ela parecia brincar com seu cabelo e debochar bem ao pé de seu ouvido.
– Não, espera. Deixa eu ver se eu entendi. Você está tentando assemelhar o que ele disse com o que está acontecendo conosco? Isso, porque saímos daquele acidente?
– Eu sei que parece loucura. Mas, o que explica o fato da Angela e de sua filha morrerem? E Owen? Eu salvei eles do desastre lá na empresa. Lembra?
Seu nervosismo estava mais aparente. A garçonete chegou com sua água e no primeiro gole quase engasgou-se. Respirou fundo e continuou:
– Tá! Você está achando que eu estou louca não é?
A expressão de Mason era de surpresa. Para ele, Jenna só estava tentando achar uma base para a explicação de seu presságio. Só estava igualando o fato de Chase ter tido uma premonição e a coincidência de seus amigos morreres nas semanas seguintes ao acidente, estava tentando deixá-lo mais apreensivo.
– Eu vou encontrá-lo a qualquer custo! Preciso o ouvir... ele saberá me ajudar.
Jenna estava convicta de que Chase a ajudaria. É, ela estava acreditando em tudo naquele momento. Mason ainda não engoliu o que ela o disse, mas ainda sim, não poderia tirar aquilo de sua cabeça, era impossível.
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A manhã surgira nebulosa e com uma leve camada de angústia. Jenna permanecia debaixo das cobertas, uma gripe ameaçava-a e seu receio de ficar doente logo no dia do memorial aos funcionários que tragicamente morreram no acidente, a assustava.
– Não posso adoecer logo hoje. Tenho o memorial e precisarei encontrar o novo endereço do tal de Chase. Só ele me dirá o que preciso saber.
Sua filha observava-a, sonolenta, recostada na porta de seu quarto. Ao virar-se Jenna se surpreende, encolhendo-se nas cobertas.
– Querida. Acordada tão cedo?
– Não consegui dormir a noite toda.
Loren estava pesadamente sonolenta, enquanto dava passadas até a cama da mãe, sentia-se mais amolecida, como se um resfriado tivesse a pego.
– O que você tem, princesa? – Sua mãe logo sentou-se na cama, preocupada.
– Eu tive novamente outro pesadelo, mamãe.
– Puxa! Esqueci de conversar com você ontem sobre seu pesadelo da noite passada.
– Eu preciso lhe contar. Foi horrível! Eu vi novamente outra pessoa morrendo, foi muito feio!
A garota acelerou as passadas, até se jogar completamente nos braços da mãe, choramingando.
– Filha, não fique assim. Quer contar para a mamãe, com quem você sonhou? Comece pelo pesadelo da noite passada.
Então, as duas se endireitaram na cama e ficaram uma de frente para a outra. A garota, ainda entre soluços, começou:
– Na noite passada eu sonhei com uma mulher... e ela parecia se debater sobre uma água, mas a água tinha cor de lama, então ela não conseguiu mais se debater e cedeu... ela foi afundando aos poucos e... – Interrompeu.
Loren pôs-se a chorar, não aguentava mais aquilo, não estava mais conseguindo prender o choro, ser forte, não conseguia mais. Jenna logo se aproximou e colocou sua cabeça sobre seu ombro, acalentado-a.
– Se não puder falar agora, depois conversamos.
– Não! Preciso contar agora! Preciso!
Então, enxugou as pequenas lágrimas que teimavam em dançar em seu rosto e, contendo os soluços, continuou:
– O segundo pesadelo foi mais apavorante. Uma pessoa deitava no meio de uma estrada e começava a gritar, eu não entendi muito bem... depois tudo escureceu e...
– Filha. Olha, não quero que lembre de coisas deste tipo, não é bom para você.
Jenna tentava entender o estado da filha, de como ela se sentia naquele momento. Sentia que estava estranha de algum modo abalada, ela realmente havia visto uma pessoa morrer em seu pesadelo, mas o que aquilo traria para ela? De que maneira aquilo faria parte de sua vida? Seria aqueles pesadelos, algum sinal? Sinal de que Chase havia falado em seu depoimento? Era só aquilo que precisava saber naquele momento, depois da saúde psicológica da filha, claro.
– Mãe! A senhora precisa entender que eu tenho que lhe contar, é para o meu bem. Eu tenho que contar para alguém! Fazendo bem para mim ou não!
A garota deixou que as lágrimas escorressem novamente pelo seu rosto alvo, ela teria de contar, de uma maneira ou de outra..
– Como aquiser, querida.
E então, a sua mãe pôs-se a escutar atentamente cada palavra que a filha teria para dizer, sem deixar escapar nada, nenhuma letra sequer.
– Depois que ele começou a gritar na estrada e tudo escureceu, daí tudo passou a ficar vermelho, como sangue... eu fiquei com muito medo, mamãe!
Um abraço apertado seguiu as palavras da pequena Loren, que ainda estava muito assustada e temendo o pior, ela parecia sentir o que a mãe sentia, ela pareceu ser sua mãe, naquele minuto.
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O carro estacionou de frente ao cemitério no centro da cidade. Um casal desceu, aparentemente muito abalado, mas não deixavam de lado a discussão que se seguia a descida.
– Olha Brady! Estamos indo à um memorial, você está entendendo? Então, nada de chiliques quanto aquele assunto. Não quero discussões com você sobre isso, entamos entendidos?
O loiro permaneceu calado, falar algo seria assinar sua sentença de morte, mas ele adorava deixar a noiva irritada, então, atiçá-la seria uma boa ideia já que aquele era seu ponto forte, para ela.
– Você está parecendo minha mãe, falando deste jeito.
– Se eu fosse ela já teria, me encarregado de te dar um fim.
– Essa foi boa. – Gargalhou.
– Paspalho!
Com um “rum”, ela terminou sua rabiçaca, entrando no cemitério. Brady entrou logo atrás, guardando no bolso a mais nova oferta do mais novo barco da empresa que ele mais admira a Navegants Boat.
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Ela entrou muito sentida. Cada lembrança de cada momento naquela noite e nas noites que se seguiram eram essenciais para aquele minuto. Charlotte estava emocionada, enquanto entrava no cemitério e via os outros chegando, sentiu um aperto no coração. Viu quando Elias, em seu esforço tremendo, por causa da filha, entrou e parou bem ao seu lado, olhando as pessoas que estavam já postas perto do memorial e quando Tristan parou sua moto e triou o capacete, encarando-a, dando uma piscadela.
– Achei que não vinha. – A ruiva reuniu forças para dizer.
– Eu tinha de estar aqui. Eles trabalhavam conosco. Era o mínimo...
Tristan cessou no instante em que viu Elias se aproximar. Virou o olhar e o mudou de direção, indo em direção ao local onde ocorreria o memorial.
– Te espero lá! – Acenou para Charlotte.
A ruiva esperou alguma palavra do chefe que a queria muito bem. Porém, suas expectativas não foram correspondidas e foi ignorada, como se não estivesse ali e como se não existisse para ele, algo estava estranho e ela sabia disso, ele estava diferente, muito diferente. Depois de ser ignorada pelo chefe, seguiu caminho, atrás de Tristan. Elias saiu logo em seguida, se encaminhando até o mesmo local.
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Jenna havia chegado ao cemitério um pouco depois de Heather e Brady. Assim que chegou, em seu carro, viu o carro do casal. Abriu a porta e esperou a filha descer do carro, mas nada aconteceu, Loren ainda estava sentada no banco do carona.
– Loren?
Ela parecia estar em transe, olhando fixadamente para frente.
– Minha filha!
Foi ai que chamou-a atenção, fazendo-a olhar ligeiramente.
– Me chamou, mamãe?
– Vamos indo, filha? Já deve até ter começado. – Deu-lhe a mão.
– É. – Sorriu.
As duas entraram e chegaram ao local do memorial alguns minutos depois.
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Depois de algumas longas horas, o memorial já estava em seu término e as pessoas se dispersavam como formigas em dia de enchente, todas, uma a uma, para lados opostos. Jenna e Loren foram se afastando aos poucos, até se aproximarem de Heather e Brady, escutando uma breve discussão.
– Chega Brady! Nada de barco! Estou de saco cheio deste assunto! Não iremos gastar ma... – Cessou com as palavras.
Heather viu a amiga se aproximar. Todos estavam com a mesma cor de vestimenta, preta, óbvio. Era o luto pelos funcionários. Além de, Owen, Angela e Peyton. Elias nem sequer falou com alguém, somente os encarou, ali parados.
– Vocês sabem o que ele tem? – Heather observou as expressões de todos.
– Não. – A maioria respondeu em coro.
– Ele está com um problema familiar. – Jenna murmurou.
– Problema familiar?
– Sim, no dia do acidente, Owen me falou parcialmente sobre algo do tipo. Um problema com a filha dele. – Fez cara de indiferença, porém, demonstrando compaixão.
Viram Charlotte se aproximar, ainda explicitamente abalada.
– Tudo vai melhorar. Você vai ver, colega. – Jenna se aproximou, abraçando-a.
– Obrigada, Jenna. Não sei o que falar, você está sendo uma amiga e tanto! – Estava totalmente grata.
– Eu preciso ajudar alguém. – Brincou.
Brady observou Tristan passar por eles.
– Eu, Tristan! Preciso falar com você cara! – Brady se afastou do grupo, indo falar com Tristan, sobre algum assunto que não interessava a mais ninguém, nem mesmo à Heather.
Um silêncio mortal tomou conta daquele espaço. As folhagens secas rondavam o grupo, enquanto dava-se para sentir as respirações aflitas e os batimentos acelerados, pareciam formar uma sinfonia agonizante. Charlotte limpava algumas lágrimas que escorriam pelo seu rosto, com um pequeno lenço de papel. Heather ainda se sentia incomodada com algo, talvez fosse com o fato de Brady estar tramando algo pela suas costas, como a compra de um barco que só trará prejuízos à eles, como a falta de dinheiro depois da compra. Ela vê se matando para economizar um dinheiro e comprar o tal sonhado barco, será que valeria mesmo à pena? Não estava com cabeça para pensar em barco naquele momento.
Jenna assustou-se quando percebeu a presença de Mason ali, ele parecia chamá-la, sem despertar a atenção dos outros, que estavam distraídos olhando o céu nebuloso.
– Eu preciso falar com você. – Sussurrou.
– Precisa ser agora? – Se afastou alguns centímetros, deslizando sua mão da de Loren.
– Tenho certeza que é importante você saber disso.
Ele tentou destacar o assunto e Jenna ainda não havia percebido do que se tratava.
– Heather, poderia ficar com Loren por um instantinho?
– Claro, Jen. Vai lá! – Heather deu uma piscadela, como se induzisse sua melhor amiga a ficar com seu colega de trabalho.
– Querida, fique aqui com a titia Heather, o.k.? Venho daqui a pouco. – Então, beijou-lhe na testa.
– Vem Loren, vou te pagar um sorvete bem delicioso. Você vem, Charlotte? – Olhou a ruiva parada bem ao seu lado.
– Vou, melhor que ficar sozinha aqui neste cemitério. Este lugar me dá arrepios. – Seguiu as duas.
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Jenna caminhava em um espaço anexado ao cemitério, este era mais vivo. Com um canteiro com flores e mais tranquilo, apesar de todo o cemitério assumir um semblante de lugar pacificado e sem barulhos. Mason recostou-se em uma parede, enquanto viu Jenna sentar-se em um banco de cimento, arrumando o blazer preto e retirando os óculos escuros.
– E então... o que tinha de importante para me falar?
– É sobre o garoto Chase. – Ele mostrou-lhe um papel em mãos.
– O que você tem aí? Não me diga que...
– É, consegui o endereço dele.
– Mason! Oh, não acredito! Obrigada! – Saltou do banco, abraçando o homem que ficara envergonhado.
Mason corou no momento em que Jenna o abraçara, ele estava sentindo seu corpo com o dela, em sintonia, parecia sentir sua felicidade penetrar cada centímetro de seu corpo. Ele observava seu sorriso, ela estava aliviada, estava explícito aquele tipo de expressão. Não se sentira nenhum pouco desconfortável com o abraço, apesar de não estar tão acostumado com este tipo de carinho.
Enquanto pequeno, Mason fora muito maltratado pelos pais, sendo exposto à todos os tipos de humilhações pelas mentes malévolas e cruéis que seus geradores tinham. Era uma coisa insgine, que deixa para ele lembranças muito desagradáveis, ao ponto de o fazer, por várias vezes, tentar se suicidar. Fora algo de imediato e que só o fez pensar, no momento do ato. Até este momento, ele carrega consigo uma cicatriz, uma fenda fechada recentemente, fenda essa feita por uma faca de cozinha, que quase tirara sua vida.
Começou a redimir-se depois, quando começou a trabalhar na Presage Paper e quando conheceu a pessoa brilhante que era Jenna Miller, que para ele era a funcionária mais linda e estonteante de todo o departamente,aquele era seu maior segredo, que por nenhuma hipótese poderia ser revelado. Mas, se via em seus olhos que ele era caidinho por ela, se via o brilho nascer de suas órbitas, antes vazias.
Quando o abraço cessou, os olhos de Jenna se encheram de esperanças, naquele mesmo dia visitaria o apartamento de Chase Bray e descobriria o que tanto está a fazendo ficar preocupada, ele teria de lhe explicar o motivo daquilo tudo ter acontecido, ele precisava ter as respostas.
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Elias saíra do memorial e sem falar com mais ninguém em seu trajeto, voltou ao hospital, analisaria a cada dia a recuperação de Sandra. A cada dia ficava mais duro olhar para seu rosto e dizer que ficaria tudo bem, porque não ficaria. Faz uma semana que a garota não respondia a nenhum tipo de reanimação, a recuperação era lenta e isso preocupava o homem de meia idade, que se sentia ainda mais longe da filha.
Parara em um sinal, no cruzamento da avenida principal. O trânsito estava caótico e sua paciência estava esgotada, a quanto tempo não se sentia assim? Angustiado? Era constante aquela sensação de culpa profunda. Primeiro sua mulher, agora Sandra. Será que isso ficaria assim para sempre? Todos a sua volta ficam em coma. Elias esparava que Sandra não acabasse como a mãe, dentro de um caixão à sete palmos do chão.
As buzinas ensurdecedoras dos carros atiçavam os tímpanos do homem, que já perdera as contas de quantas vezes socou o volante, atiçando também sua buzina. O sinal verde apareceu, mas nenhum carro se movia ainda. Um poste de iluminação bem adjacente ao seu carro parecia faiscar, a lâmpada falhava mesmo naquele fim de tarde, eram comuns as lâmpadas já estarem se acendendo. Sua paciência começara a se esgotar e ele resmunga algo inaudível.
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