Premonição 4: Noites de Terror
9 Prelúdio para Matar
Notas iniciais
O hotel Rialto era um dos mais mal localizados da cidade. Ficava longe do centro, mas perto da mansão de Juliet. Wade não podia pagar por nem dois quartos, então os três dividiram um só.
— Eu acho que estamos perdendo tempo. Nós devíamos falar com a Juliet hoje mesmo e...
— Não dá. A mulher é super reclusa, o Petit me contou. Tentar abordá-la há essa hora só a faria ficar assustada e se recusar a nos receber. Só algumas horas Pam...
A caipira bufou. Ela está assustada, Adrian entendeu. Tommy havia ficado daquela mesma maneira quando soubera que ele era o próximo. E agora é a Pam. E depois... Eu. A espera só havia deixado-o ainda mais ansioso e em pânico. As mortes iam lentamente tornando-se mais brutais. A de Tommy não saia de sua cabeça, e provavelmente jamais sairia. Será que em breve eu também serei uma lembrança ruim nas memórias de alguém?
Desistiu de tentar imaginar.
Pam uniu as duas camas de solteiro do quarto para formarem uma grande cama de casal. Ela então esticou os lençóis. Adrian havia descido para falar com os pais pelo telefone, e Wade perguntou, divertindo-se:
— Vamos dormir todos juntos?
— Sim, tem algum problema? Nós só temos dois colchões, e nenhum sofá. — Pam explicou.
— Não, nenhum problema. Eu só achei divertido. — E riu. — Prometo que não conto nada para os seus avós.
A garota mostrou o dedo do meio para ele, e o rapaz riu mais ainda.
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A mansão de Juliet era bonita, mas não tão imponente quanto Adrian imaginou em sua cabeça. Quer dizer, ela merecia o “título” de mansão, mas não passava disso. Os três caminharam por uma estrada de flores, guiados por uma espécie de anfitrião, mas que não parecia ser um empregado ou mordomo.
— A senhora Juliet irá recebê-los por uma hora, nada mais.
— É o suficiente. — Pam garantiu. — Uma hora é tudo de que precisamos.
O homem pareceu não dar importância à fala da caipira. Perguntou:
— Vocês são os segundos que vêm aqui perguntar a respeito daquele livro.
Petit foi o primeiro, Adrian pensou.
Os quatro seguiram até a porta de entrada da mansão. O hall era belíssimo, grande, amplo, escuro. Tudo ao redor deles cheirava à poeira, mas aquela visão era estonteante aos olhos de Pam. Tudo muito aristocrático, luxuoso. A caipira via-se deslumbrada. Seu eu tiver um futuro depois dessa lista, eu vou querer uma casa assim, decidiu-se.
— A milady irá recebê-los no escritório. Tenham a bondade de me acompanhar.
Quem dissera aquilo não fora o homem que os trouxera até a casa, mas uma mulher. Essa parecia ser empregada da família, já que usava uniforme. Violet, dizia seu crachá. O mesmo nome da senhora que me dá as flores, Pam pensou, e tocou a violeta em seus cabelos. Pobre senhora...
Os três seguiram por cômodos estreitos e com teto alto, e perderam-se numa infinidade de corredores. Quase nem perceberam quando chegaram até o dito escritório. A empregada, Violet, prostrou-se na frente da enorme porta de madeira e cochichou para eles:
— Pode entrar, ela já sabe que vocês estão aqui.
— Tem a ver com alguma visão? – Wade perguntou, parecendo curioso.
A empregada soltou um risinho abafado e disse:
— Na verdade não. O Jack avisou-a que vocês estavam chegando. — A empregada disse isso e saiu. Adrian presumiu que Jack deveria ser o rapaz que os trouxera do jardim até a casa. Ele deveria ser neto da senhora Juliet, ou no mínimo algum sobrinho.
Pam abriu a porta com cuidado, e ouvi-a ranger. Juliet estava sentada em uma cadeira de balanço próxima de uma enorme janela por onde entrava feixes de luz. O sol das dez da manhã era realmente belo ali.
— Senhora Collins? — Pam falou educadamente.
— Eu mesma. Você deve ser a Pam, certo? — E virando-se para os rapazes: — E quem de vocês é o Adrian e quem é o Wade?
— Eu sou o Adrian. — O loiro prontificou-se, e Wade limitou-se a menear a cabeça.
Juliet sorriu de canto de rosto. A mulher era bastante velha, mas nem de longe como Pam ou Adrian pintaram em suas cabeças. Para eles Juliet estaria sentada numa cadeira de rodas em estado catatônico esperando a morte. O que receberam, ao invés disso, foi uma sorridente velhinha de coluna arcada e que esporadicamente tossia. O rosto de Juliet estava coberto de rugas, tantas que era impossível contar, mas apesar disso ela parecia bastante saudável para alguém que atingira um século de vida. Pelo menos essa era a idade Pam supunha que a velha tinha, fazendo as contas. Se não for isso, é mais.
— Quem teve a visão? Um de vocês três, suponho. O visionário dificilmente morre antes. — Ela disse.
— Fui eu. — Adrian respondeu. Ela presumiu o motivo pelo qual nós viemos vê-la... Que velha esperta.
— E quantas pessoas você retirou vivas?
— Dez. — A resposta saiu rápida. — Somos quatro agora. Nós três e a minha irmã, que acabou de perder o namorado.
Juliet fitou Adrian com seu olhar vago.
— Sinto muito pela perda da sua irmã, mas suponho que ela não sofrerá muito.
— Como?!
— A vez dela também chegará. Ela chega para todos.
— A vez dela chegou e se foi. — Pam explicou. — O Adrian a salvou.
— Parabéns. — Não havia ironia na voz de Juliet, mas tampouco felicidade. — Então ela será a última. — E sorriu verdadeiramente pela primeira vez, mostrando seus dentes brancos e perfeitamente alinhados. Dentaduras, claro. — Vocês vieram aqui para quê exatamente? Acredito não ter muito mais informações além daquelas que coloquei em meu livro.
Pam estava preparada para aquela frase.
— Mas você precisa! Nós... Vamos morrer.
Juliet manteve a expressão em seu rosto plácida como uma máscara de ferro.
— Vocês já estão mortos. Vocês morrem assim que alguém os coloca na lista. Vocês só estão esperando que a morte venha lhes buscar.
Todos estão. Até quem não está na lista. A morte leva cada um de nós, ela não poupa ninguém, Adrian pensou.
— Você venceu a morte! — Pam bradou. — Você venceu! Você estava morta e voltou!
— Oh, minha querida, exatamente. Eu morri. Eu paguei a minha dívida.
— Você renasceu. — Adrian sabia da história da velha. — Nós sabemos disso. E eu sei que você sugeriu ao meu amigo Petit que ele cometesse assassinato. — Pam surpreendeu-se com aquela frase do rapaz. Duvidava que Petit tivesse confessado qualquer coisa a Adrian. Ele está blefando para ver se a velha cai.
— Eu fiz isso?
— Fez. — Adrian concordou. — Ele me contou. — Essa parte era mentira, mas era necessário. O que viria a seguir seria ainda mais feio. — E caso não queira que nós contemos à polícia que a senhora foi cúmplice de um assassinato, nós precisamos saber: como nós escapamos?
Tudo errado, Adrian. Você está fazendo tudo errado, Pam pensou. Ameaçar a velha não é a solução.
Juliet manteve-se calma como as águas de uma lagoa. Seus olhos vaguearam pelo cômodo, e então se encontraram com os de Pam.
— Vocês conhecem os métodos, os preços e os riscos. Sabem que é pegar ou largar. A morte lhes dá uma variada gama de ferramentas com as quais trabalharem. Você pode matar, pode reviver, pode matar de novo. Só precisa dizer o quanto a sua vida vale para você e para os outros que ama.
Adrian sentiu a ira crescendo dentro de si. Essa velha maldita não se importa nenhum pouco conosco. Àquela altura duvidava que Juliet soubesse qualquer coisa nova, e odiava-a por isso. Odiava-se por isso. Ele não queria ficar sentado esperando a morte, mas parecia ser a única saída viável.
Mas então uma ideia tomou conta da sua mente. O assassinato de inocentes estava fora de questão.
A de inocentes.
— Quantas mortes são necessárias para quebrar a lista? Digo: quantas vidas são necessárias pra lista ser jogada fora?
— Se for a vida certa, uma só.
Se for a vida certa. A frase ecoou por sua cabeça, e então o rapaz teve um insight. Uma verdadeira epifania. Desde o dia de seu encontro com Petit no fliperama, as coincidências das coisas o afligiam. O fato de o rapaz ter previsto um acidente como ele, o fato de ter salvado Skank e de a garota morrer no Baja Junkie... Ali, buscando uma solução para salvar sua vida, pensou em como as coisas teriam sido diferentes se Petit jamais tivesse previsto nada.
Skank morreria no táxi com ele, isso era certo. Sem ela, a vocalista da The Reaper, haveria show? Adrian tendia a pensar que não. Sem o show, não haveria a presença deles no local naquele dia. Consequentemente não haveria o acidente ou a visão. Eles jamais estariam na lista da morte se Petit, se o fato de ele estar vivo, jamais tivesse se concretizado. A vida do rapaz se prolongara para além do que deveria, e Adrian estava crente de que era o fato dele ainda respirar que estava matando a todos os outros. Era quase como uma maldição.
Se Petit estiver morto, acabou. Ele é a vida certa, a que irá corrigir tudo. A vida que nos colocou na lista, e que irá nos tirar dela. A Juliet jamais me contará isso com mais clareza, ela espera que eu perceba por mim mesmo. Ela induziu um ao homicídio, não se arriscará a induzir outro.
— Nós agradecemos pelo seu tempo, senhora. Mil perdões pelos... Inconvenientes. — Adrian disse, e Pam e Wade olharam-no sem entender nada. O loiro não deu tempo de os amigos lhe fazerem qualquer pergunta, e então saiu com rapidez.
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— Me diz que você tem um plano. — Wade perguntou, enquanto eles caminhavam para longe da mansão.
— Eu tenho. Eu... Acho. E não é bonito.
— Fala Adrian! Fala qualquer coisa!
E Adrian então contou sua teoria. Naquele momento já não tinha medo dos dois o tacharem de louco, já que eles estavam envolvidos até o pescoço em coisas e fatos sobrenaturais e inexplicáveis. Sua teoria seria o de menos.
— Faz sentido. Quer dizer, faz e não faz. Digo, eu acho que a nossa morte sempre esteve planejada. Se não fôssemos morrer no Baja Junkie, seria em outro lugar. Não é como se a Skank tivesse causado o desmoronamento do clube. — Pam falou.
— De certa forma ela causou. — Adrian ponderou. — E se o acidente aconteceu apenas para retirar a vida dela?
— Isso não faria sentido. — Wade opinou. — A morte é bem específica. Pra que matar meia centena de pessoas porque precisa levar a vida de apenas uma delas?
Adrian não tinha resposta para aquela pergunta, mas ainda estava convencido de sua teoria:
— O Petit precisa morrer. Ele não é um inocente, ele matou uma pessoa. — O tom de voz de Adrian assustou Pam, mas a garota não deixou que ele percebesse.
— E nós agora somos Deus para julgá-lo por seus atos? — Wade disse de súbito.
— Não. Mas eu quero viver, você não quer? — O elfo não respondeu àquilo. — Se Petit, um assassino, precisa morrer para que minha irmã, meus amigos e eu mesmo estejamos a salvo... Bom, esse é um preço que eu estou disposto a pagar.
Pam não concordava com aquilo. Era tudo tão errado, tudo tão sórdido...
— Nós temos de voltar para casa. O Petit não é dessa cidade mesmo. Nós não vamos encontrá-lo por aqui. — A caipira disse, e todos concordaram. O Adrian vai estragar a própria vida se fizer o que está planejando...
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A volta para casa foi deveras silenciosa. Ninguém disse absolutamente nada, e só ouviam-se as batidas dos três corações. Especialmente a batida do meu, pensou Pam. Ela era a próxima, e estava mais desesperada do que nunca.
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Adrian conseguiu fazer Petit aparecer usando um ardil bastante sórdido. Ele sabia onde o rapaz costumara morar, e então foi até lá. Deixou um bilhete e assinou com o nome de um acadêmico de uma universidade qualquer. No bilhete ele dizia ao “caro senhor Martin Lane” que gostaria de encontrar-se com ele no zoológico da cidade para tratar de assuntos a respeito da sua ida para o college. Adrian não tinha a mínima ideia se Petit já tinha uma universidade escolhida, mas imaginou que o rapaz estivesse aberto a todas as opções educacionais possíveis.
Ele vai. Eu tenho certeza que ele vai.
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— Nós vamos ser presos.
— Nós vamos pro inferno.
— Calem a boca vocês dois! — Adrian reprimiu Pam e Wade. — Vocês deveriam ser mais compreensivos. O Petit é um assassino. Ele matou alguém, quem quer que tenha sido. E se foi uma criança? Um bebê? Pelo que eu entendi, quanto mais jovem a pessoa que você mata, maior é a sua vida. Você fica com o restante da vida daquela pessoa. E eu particularmente acho que Petit gostaria de ter uma longa, longa vida...
Pam não tinha certeza se ainda gostava daquele Adrian. Ela amara um Adrian calado, sóbrio, mas, de uma maneira ou de outra, bondoso, justo, lúcido. Aquele à sua frente era alguém quase irreconhecível. Ou será que eu não tenho certeza que o amo mais porque finalmente o conheço?Era uma possibilidade latente, e a caipira pegou-se pensando que o que a deixava entusiasmada a respeito de Adrian eram seus mistérios. Era o que ele representara antes, na figura de alpha male que estava acima dos outros, que estava no topo. Ali, tão humano, vulnerável e fraco como ela mesma, ele perdia boa parte de seu encanto. Talvez eu não o quisesse. Talvez eu nunca tenha querido. Talvez tudo o que eu queria era ser Sissy, e ter Adrian estava incluído no pacote.
Os três aguardavam no banco de uma praça do zoológico. Usavam bonés, óculos e qualquer outra coisa que os disfarçasse. Petit de certo não se aproximaria da pracinha do zoológico se soubesse que eles estavam ali.
— Eu vou comer alguma coisa na lanchonete. — Pam disse, de repente.
— Você precisa ficar aqui, o Petit pode chegar a qualquer momento. E você é a próxima, você sabe.
— Dane-se. Eu to com fome. Além disso, eu vou estar na praça de alimentação. Qualquer sinal que você tiver, é só correr até lá e me avisar. — Ela respondeu de maneira brusca. Era a primeira vez que ela era rude com Adrian, e o rapaz surpreendeu-se.
— Eu vou com você. — Wade falou, mas Adrian tocou o braço dele de leve e disse:
— Fica. Eu não vou conseguir lidar com o Petit sozinho. Por favor.
Wade voltou a sentar-se, concordando. Pam despediu-se e seguiu para a lanchonete. Ela não podia denunciar Adrian pelo que ele estava prestes a fazer, mas também não iria participar. Eu sou uma covarde tão grande...
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A lanchonete do zoológico estava um caos. Havia três vezes mais pessoas do que mesas, e Pam estava prestes a desistir de fazer um pedido. Mas então ela viu um rosto conhecido no balcão, servindo os clientes. Era um antigo amigo de sua avó, um velho senhor chamado Wally. Ela acenou ao vê-lo, e o velho retribuiu, chamando-a.
— É bom te ver Pam! — E deu um beijo no rosto dela por sobre o balcão. — E a Adele e o Eustace, estão bem?
— Ótimos. — Pam respondeu, tentando parecer animada.
Se o homem percebeu a tristeza na voz dela, fingiu não notar. Perguntou:
— O que você faz aqui?
— Ah, eu vim fazer um lanche, estou no parque do zoológico com uns amigos... Mas acho que vou ter que comer em outro lugar, aqui está muito cheio.
Wally fitou-a por alguns segundos. Semicerrou os olhos e disse:
— Se você não se importar em comer na cozinha, eu posso te arranjar um hambúrguer com batatas por conta da casa.
— Claro que não me importo! — Pam disse, levemente mais animada.
Wally então deixou o balcão e chamou-a para seguir com ele até a cozinha, e a garota assim o fez.
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— Ali! É ele! — Wade apontou discretamente.
Realmente era Petit. O rapaz usava uma regata listrada com uma jaqueta de couro por cima. Ele olhava impacientemente para todos os lados, procurando quem viera encontrar.
— E agora, Adrian? Qual é plano?
— Nós precisamos levá-lo pra um lugar mais vazio. Aqui está cheio de gente.
Wade então teve uma ideia.
— Você seria facilmente reconhecido. A Pam também. Mas e eu? Quero dizer, nós não nos conhecemos. E de óculos e boné ainda... Petit jamais desconfiaria de alguma coisa.
— Boa Wade!
Os dois então bolaram um plano. Wade seguiu até perto de Petit, e, como imaginado, o rapaz não desconfiou da armadilha. Os dois seguiram até uma área do parque em que havia um bosque bastante distante e vazio. Adrian seguiu-os de longe. Tocou na arma que estava no bolso de seu casaco e suspirou. Será que, quando chegasse a hora, ele teria coragem de fazer aquilo?
Eu preciso. É isso ou todos nós vamos morrer.
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Pam sentou-se numa cadeira em frente a uma mesa de aço, onde estavam sendo preparados diversos tipos de alimento. Quando seus pulsos tocaram o metal gélido, ela sentiu um arrepio. E então se lembrou. Olhou ao seu redor, e tudo lhe pareceu mortal. Facas iam e vinham em cima de alimentos, fogões, gás, fogo. A cozinha ao seu redor era mortal em diversos aspectos. Um liquidificador foi ligado e a garota sentiu o barulho ferir seus tímpanos sem dó. Deu um pulo de susto.
— Você está bem, Pam? — Wally perguntou, enquanto preparava o hambúrguer dela.
— Estou... É só que... Você me dá um minutinho?
— Claro, o banheiro é a segunda porta à esquerda. — O velho disse, sorrindo.
Pam agradeceu, embora seu intuito não fosse o de descobrir onde ficava o banheiro.
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Caminhando vários metros atrás de Wade e Petit, Adrian sentiu um arrepio. Então olhou ao seu redor, e viu uma barraquinha de cachorro quente. O vendedor dela retirava uma salsicha frita do óleo, e o rapaz compreendeu que aquele era um sinal. Pam. Ela vai ser fritada.
Começou a correr no sentido contrário de Wade e Petit, em direção à praça de alimentação, mas então se arrependeu. Por favor, Pam, fique bem. Mas eu não posso ir atrás de você. Não agora. Falta tão pouco... Fica bem, Pam.
E voltou a caminhar em direção aos rapazes, dessa vez de maneira ainda mais rápida.
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A caipira parou próxima da saída da cozinha. Então sentiu uma tontura.
— Wally, eu não...
Quando ela tentou se apoiar na bancada de ferro, sentiu a mão deslizar para fora da mesa. Desequilibrou-se, e sentiu o calor aproximar-se com fúria do seu rosto. Tudo girou, e então Pam percebeu que seu rosto seguia em direção a uma panela gigantesca de óleo fervente. Toda a cena passou em câmera lenta na sua cabeça, mas ela não teve tempo de tomar qualquer reação. Aquele era o momento da garota salvar-se, de jogar-se na direção oposta a da morte, mas tudo aconteceu muito rápido, e não houve tempo para pensar.
Pam caiu com o rosto na direção da panela fervente, mas Wally puxou-a no último segundo, jogando-a delicadamente para trás.
— Pam! — O homem falou, com o rosto roxo de preocupação.
Todos na cozinha olharam para ela, e a garota sentiu um alívio gigantesco. Em seguida sentiu vergonha. Olhou para seu salvador e só conseguiu dizer:
— Obrigada por... Tudo. Eu preciso ir.
E saiu correndo para fora da cozinha.
É a vez do Adrian. É a vez dele! Oh, meu Deus!
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— Cara, nós já fomos muito longe. Onde diabos o seu supervisor está? – Petit disse, quando cansou de caminhar pelo bosque.
— Aqui. — Adrian disse, surgindo atrás do rapaz.
Petit virou-se e ficou completamente vermelho. Sua primeira reação foi a de tentar correr, mas Wade passou-lhe uma rasteira, e o rapaz caiu. Petit levantou-se com rapidez, mas viu-se encurralado entre Adrian e Wade. Os dois rapazes eram atletas, muito mais altos e fortes do que ele.
— O que vocês querem de mim?
— A verdade. — Adrian disse. — Você nos levou até a Juliet e depois sumiu. Por quê?
— Você sabe o porquê.
— Mas eu quero ouvir de você. — O loiro disse. A arma continuava escondida dentro de sua jaqueta. — Por que você sumiu depois que nos mandou ir atrás da velha?
— Por que eu matei alguém, porra! — Petit esbravejou furioso. — Eu não lembro o nome, foi um cara qualquer. Eu briguei com ele no bar e quando vi eu já tinha feito. Eu acertei ele com um canivete e... — O rapaz parecia a ponto de chorar. Não chora, Adrian pensou. Se você chorar eu não vou conseguir. Seu inútil, para de chorar! Você devia ser mau, e nos ameaçar por contar o seu segredo! Anda, Petit, seja o cara mau!
Wade olhou para Adrian e o outro retribuiu o olhar. Era claro que os dois não sabiam o que fazer. Na cabeça deles o plano era simples e bom. Mas na hora de colocar em prática... Nada estava ocorrendo como planejado. Nós não somos assassinos. Nós não temos o sangue frio necessário.
Mesmo assim, Adrian retirou a arma da jaqueta. Os olhos de Petit arregalaram-se no mesmo segundo, e ele ergueu as mãos:
— Opa, espera aí. O que é isso Adrian? O que você tá fazendo, cara? Fica frio aí, qual é.
As mãos de Adrian tremiam muito.
— Você precisa morrer pra tudo isso acabar. Pra nós determos a nossa lista.
— Quê?! Que porra você tá falando?
— A Juliet contou. Na verdade... Ela me fez perceber. Você iniciou essa merda toda. Você salvou a Skank, e então fez a morte ir atrás dela no Baja Junkie. Você colocou todos nós na lista... E ela só vai acabar se você morrer.
— Quanta merda, Adrian! Nada disso faz sentido! Abaixa essa porra! — Petit gritou, com as mãos ainda erguidas. Ele tinha medo, e Adrian e Wade perceberam.
Mas então Petit investiu contra Adrian, de repente. O loiro acabou disparando a arma acidentalmente, mas ninguém foi acertado. Os dois rolaram no chão, com gravetos se quebrando debaixo de si.
— Que porra, Wade, me ajuda! — Adrian gritou.
Petit deu dois socos em Adrian. Wade pulou em cima dele e arrancou o rapaz de cima do loiro. Não foi suficiente. Petit virou-se e deu um soco no queixo de Wade, que o fez cair. Ele era mais baixinho e fraco, mas muito mais rápido que os outros dois. Adrian mantinha-se inconsciente no chão, e o elfo tentou pegar a arma. Mas em vão. Petit pegou-a primeiro.
— Vocês são lunáticos! Me deixem em paz!
— Você matou um cara, você nos colocou na lista. Nós não podemos te deixar viver. — Wade respondeu.
— Cara, eu to armado, vocês não. Se eu fosse você, eu não me ameaçava. — Petit falou aquilo tremendo e suando frio.
Wade não se importou:
— Dane-se! Eu vou te matar assim que você abaixar essa arma, seu maconheiro de merda.
— Vai se foder! — Petit gritou, e mirou na direção de Wade. Apertou o gatilho.
Nada aconteceu. Petit percebeu na mesma hora o motivo.
— Claro... A ordem.
E então mirou a arma na direção de Adrian. Wade tentou investir contra ele, mas Petit então atirou em seu joelho, e o projétil o atingiu com força e brutalidade. O elfo gritava de dor, rolando no chão. Muito sangue escorria através de sua calça jeans. Petit disse:
— Calma, é por pouco tempo. Eu só preciso acabar com ele antes.
Então novamente voltou a apontar a arma na direção de Adrian, que estava desmaiado. Estava prestes a apertar o gatilho quando uma pedra o atingiu na cabeça.
— Mas que... Porra? — Petit virou-se para todos os lados, mas não conseguiu ver de onde o objeto tinha vindo. Wade continuava agonizando no chão, com o joelho estourado e ensanguentado. Petit mirou em Adrian pela terceira vez.
E então Pam pulou em cima dele.
A garota jogou-se com força em cima do rapaz, e pôs-se a dar socos na nuca dele. A arma foi parar vários metros longe, enquanto Pam continuava a esmurrar Petit. O rapaz levantou-se com rapidez, jogando a caipira no chão. Os gemidos de Wade eram a única coisa audível ali.
Petit correu para pegar a arma, mas Pam foi mais rápida.
Em segundos ela tinha o objeto em mãos e o apontava para o rapaz. Tremia, suava. Seu rosto era uma confusão de sentimentos e emoções. Ele voltou a erguer as mãos, e então a garota perguntou:
— Quem você matou?
— Foi um cara, no bar e...
— Quem você matou?
— Eu não sei o nome dele e...
— QUEM VOCÊ MATOU?
— O nome do cara era Dwight... Ele era neto daquela velha das flores e...
Pam não hesitou. Apertou o gatilho com facilidade, como se ele fosse feito de manteiga.
E então a cabeça de Petit também foi perfurada com facilidade, também como se fosse feita de manteiga.
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Janeiro de 1983, alguns meses antes.
Pam gostava de visitar o jardim da dona Violet. Sentia-se bem ali. A velha era agradável, e o cheiro das flores sempre a animava, por pior que estivesse o seu dia. Gostava de colher algumas rosas, margaridas e violetas, e Violet sempre deixava que a caipira ficasse com o que havia pegado. As preferidas de Pam eram as margaridas.
— Você gosta mesmo das margaridas hein. — O rapaz disse. — Seu nome devia ser Daisy.
A garota ergueu a cabeça pra ver quem havia dito aquilo. Era um bonito rapazinho de cerca de quinze anos. Pam respondeu:
— Gosto sim. As margaridas da sua avó são as mais belas que eu já vi em toda a minha vida.
Dwight riu.
— Sei... A vovó Violet vai gostar de saber.
— Ela sabe. — E sorriu para o garoto. — Agora eu preciso ir, tenho prova na escola.
— Vai com Deus. — Dwight despediu-se, acenando. — E boa sorte na prova. — Pam sorriu, acenando de volta, e então seguiu seu caminho.
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A garota não soube por quanto tempo ficou ali empunhando a arma para o cadáver de Petit. Mas pareceu uma eternidade, enquanto os gemidos de Wade continuavam ecoando pelo bosque solitário. Pam só se deu conta da situação em que estava quando Adrian acordou e tirou-a de seus devaneios.
Ele então sussurrou no ouvido dela:
— Acabou, Pam. Acabou...
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