Premonição 4: Noites de Terror
6 A Morte Convida para Dançar
Notas iniciais
Um mês depois...
Já fazia mais de três semanas que as aulas haviam retornado na Voorhees-Myers Highschool. Já o hiato desde a morte de Ricky, marcava quase um mês. Adrian sabia disso porque contava cada dia.
O namoro com Sissy havia definitivamente terminado. O rapaz conseguiu conversar com ela uma única vez, no dia seguinte ao que Charlene foi encontrá-la. A conversa foi dura, e Adrian ouviu tudo o que não desejaria ouvir. Sissy chamou-o de nomes terríveis, e “maluco” foi o mais fraco deles. Disse com todas as letras que não iria permitir que ele estragasse o ano de formatura dela. Ela estava decidida a não acreditar na lista, e Adrian estava cansado demais para persuadi-la. Ele decidiu que se manteria afastado, e a procuraria quando obtivesse algum sinal, qualquer que fosse.
A morte não havia trapaceado antes, e sempre o avisara. Com Jesse, com Trish e Tiffany, e por último com Ricky. Ela provavelmente iria avisá-lo antes da morte de Sissy. Era bastante certo. Pelo menos o rapaz gostaria que fosse.
Também não vira mais Pam ou Petit. A primeira voltara para seu lugar de sempre, como a caipira excluída. Já o rapaz estava ocupado demais lidando com a sua transferência para uma universidade fora do estado. Ele e Adrian chegaram a desenvolver uma breve amizade, mas seu relacionamento continuava restrito à lista. Não havia coisas em comum o suficiente. Adrian não se sentia infeliz por isso, e na verdade até estava aliviado. Seria difícil conciliar a amizade de Petit com a amizade que mantinha com os caras do time.
Os Tigers estavam a todo vapor. Os treinos reiniciaram-se, e Adrian estava melhor do que nunca. A lista havia afetado seu psicológico, mas seu físico continuava impecável.
Até a escola toda parecia ter esquecido os dezesseis alunos mortos no Baja Junkie. Adrian surpreendeu-se com os números, porque naquela noite julgara que mais da metade dos cerca de cinquenta espectadores fossem da sua escola. Mas ele estava errado: segundo relatórios policiais, apenas dezesseis dos quarenta e nove mortos eram da Voorhees-Myers Highscool. Onze garotas e cinco rapazes. Adrian conhecia quase todos pelos rostos, mas não era próximo de nenhum.
Nos corredores Adrian evitava Sissy, e vice-versa. Mas um dia, no dia exato em que completava um mês do fim do namoro deles, a garota puxou-o pelo braço quando ele andava distraidamente pelos corredores da escola.
— Adrian... — Ela sussurrou, e o rapaz tremeu. Nunca teve certeza se amava Sissy, mas definitivamente sentia a falta dela. Não ficara com nenhuma garota desde o fim do namoro, mas sabia que se ficasse, elas não seriam como a ex-namorada. Quem sabe eu a amo e precisei perdê-la para perceber isso? Era uma possibilidade, mas Adrian não gostava de pensar nela.
— Oi Sissy. — Tentou ser ríspido, mas a voz saiu gentil demais.
— Vou falar francamente contigo. O baile de formatura é daqui a dois dias, você sabe. E, bom... Digamos que surgiram rumores pela escola de que nós voltaríamos, e concorreríamos como rei e rainha.
— Como?! — Adrian estava incrédulo. — Que porra de rumores são esses e quem os espalhou? Eu não vou ser a porcaria de um rei...
Sissy tapou a boca dele com três dedos.
— Você ainda quer ser respeitado nesse escola, certo?
— Sim, mas...
— Então não tem ”mas”. Você vai fingir que nós voltamos e vai concorrer comigo para rei e rainha do baile. Nós ganhamos o respeito da escola e ficamos marcados na história da Voorhees-Myers Highschool. Você sabe quando foi a última vez que a capitã das líderes de torcida e o capitão do time de futebol foram coroados? Nunca! A rainha é sempre uma líder de torcida medíocre, e o rei é sempre um jogador qualquer. Mas nós somos o rei e a rainha dessa escola, você querendo ou não. E eu quero a coroa! Entendeu? — Sissy começou sua fala calma, mas terminou-a quase gritando estridentemente. Adrian fez uma expressão de dor, como se seus ouvidos tivessem sido danificados.
É, eu acho que eu não sinto tanta falta assim dela. Pelo menos não dessa versão neurótica.
— Tudo bem. Vamos fazer essa encenação. — Ele disse, por fim. Não estava satisfeito, mas sentia que devia aquilo à Sissy. Por colocá-la na lista, por fazê-la presenciar a morte de Trish e Tiffany... Adrian sentia que estava em débito de alguma forma, e se precisava usar uma maldita coroa para se redimir, que assim fosse. Era um preço baixo a se pagar.
Pam observava-os de longe, com certo rancor. Nem uma palavra. Nem um muito obrigado. Adrian não ria mais quando os outros a maltratavam pelos corredores, mas nem por isso as coisas tinham mudado. O rapaz continuava a não vê-la. Pam era, mais do que nunca, uma invisível.
E estava, mais do que nunca, irreversivelmente apaixonada por Adrian.
x-x-x-x-x
Adrian colocou a chaleira na pia com cuidado, mas isso não o impediu de queimar sua mão.
— Maldita água! — Bradou.
O líquido fumegava, e o rapaz esfregou o local onde havia sido queimado. Estava vermelho, mas não parecia um ferimento grave.
x-x-x-x-x
A noite do baile chegou mais rápido do que Adrian gostaria.
Roman e Jocelyn tiravam fotos de Adrian abraçado com Sissy, e de Charlene abraçada com Tommy. Os dois estavam em polvorosa por verem seus gêmeos tão bonitos e felizes. Apesar de Adrian estar apreensivo, ele estava deveras feliz com a ocasião. Sissy estava mais amigável do que de costume, e não havia feito nenhum comentário indelicado.
— Essa vai ser a última foto, mãe. Eu to cansando. — Charlene disse. Tommy riu.
Adrian julgou a irmã estonteante. Ela estava usando um esplendoroso vestido rosa bebê sem alças. O vestido começava como um corset que valorizava seus fartos seios, e depois se abria em um tecido brilhante e quase transparente. A roupa chegava até os pés de Charlene. Os cabelos dela estavam presos em um ornamentado rabo de cavalo liso e que caía por seu ombro esquerdo.
Tommy vestia o mesmo exato terno que Adrian, já que as roupas dos garotos eram padronizadas. O que os diferenciava eram as gravatas, que deveriam ser da cor do vestido da sua acompanhante. Enquanto Tommy usava uma gravata rosa bebê para combinar com Charlene, Adrian usava uma gravata azul celeste, cor do vestido de Sissy.
Sissy também estava glamorosa, e isso era inegável. Estava uma verdadeira rainha. Usava um vestido azul celeste também sem alças e que chegava até seus joelhos, deixando o restante de suas pernas à mostra. Seus cabelos eram uma bagunça formidável: estavam armados e mais loiros do que nunca, num matagal dourado belamente ornamentado por uma tiara de flor negra.
— Aqui, bebês. Digam “xis”! — Jocelyn disse, e os quatros responderam.
x-x-x-x-x
O baile de formatura estava um sucesso. Do lado de fora do evento, casais agarravam-se em cima de carros ou atrás de árvores. Do lado de dentro havia uma confusão de vestidos, e ternos, mesas e pessoas, ponches e música alta.
Pam chegou acanhada, embora animada. Ela usava um vestido amarelo com bolinhas e detalhes em preto. Sua avó havia costurado-o, e a garota o julgava bastante bonito. Pelo menos se não fosse comparado com o vestido das outras garotas ali presentes. O vestido de Pam chegava até seus joelhos, e as mangas dele caiam por seus ombros. O cabelo estava solto e cacheado, e havia uma belíssima margarida real em seus cabelos. Do jardim da dona Violet.
Ela viu Adrian sentado ao lado de Sissy, e viu quando os dois deram um delicado beijo. Ele se esqueceu da lista, se esqueceu de mim. Se esqueceu que todos nós vamos morrer, e que fui eu quem o alertou.
Bufou. Observou as pessoas na pista de dança e juntou-se a elas. Em segundos um geek chamava-a para dançar e ela aceitava. Mesmo assim não conseguia evitar olhar Adrian e desejá-lo. Mas ele nunca seria seu, pelo menos enquanto Sissy estivesse no caminho. Enquanto ela estivesse... Viva.
x-x-x-x-x
— Eu preciso fazer xixi. — Adrian reclamou para Sissy, cochichando.
— E eu preciso ser coroada rainha do baile de formatura de 1983. Então segura esse seu pinto.
Adrian bufou e voltou a sorrir para as pessoas que encontrava. Sissy estava mesmo fazendo uma bela campanha para que os dois ganhassem.
— Aquela Nora é uma vadia, e aquele Dennis é uma piada. É impossível que eles tenham quase tantos votos quanto nós.
Nora Carpenter e Dennis Lapman eram o principal casal rival de Sissy e Adrian. A garota era uma líder de torcida, e o rapaz, um cara do time de futebol. Mas eles não são páreo pra capitã das líderes e pro capitão do time, Adrian pensou. O que importaria se ele fosse dar uma mijada? Eles não perderiam por isso. E ele estava realmente precisando fazer xixi.
Mais alguns minutos. Por Sissy. É a última coisa que você deve a ela, e então vocês estarão quites.
x-x-x-x-x
— Isso vai ser demais! — Um dos rapazes disse.
— Isso é pro Adrian aprender a não bancar o bonzão com a gente. — O outro concordou.
Os dois rapazes colocaram um balde de tinta vermelha exatamente em cima do palco onde o rei e a rainha seriam coroados. Seu plano era derrubar o balde no exato momento em que Adrian e Sissy fossem receber sua coroa, humilhando-os.
— Estilo Carrie. — Um deles disse.
— Estilo Carrie. — O outro repetiu.
E os dois riram.
x-x-x-x-x
A tinta dentro do balde fervia. Os holofotes ao redor, bem como o aquecedor da quadra de esportes (onde o baile estava sendo realizado) tinham a esquentado de maneira que ela estava em uma temperatura extremamente alta, borbulhando. Qualquer um que ousasse tocá-la seria gravemente queimado na certa.
x-x-x-x-x
A festa continuava, e a música estava alta. Não fora permitido que houvesse bebidas alcoólicas, mas mesmo assim havia vários adolescentes bêbados e brigões, procurando arranjar confusão.
— Como ele tem coragem de andar por aí com essa aberração? — Alguém sussurrou, assim que Tommy passou de mãos dadas com Charlene.
— É realmente nojento... — Outra pessoa comentou.
Tommy sentiu a fúria crescendo dentro de si. Charlene apertou a mão do namorado com força, pedindo pra ele ter calma. Mas, no fundo, ela também estava com raiva e nervosa. Como eles sabem? Quem contou a eles? Só Adrian e Tommy sabiam. Tommy não contara a ninguém, e Adrian só poderia ter contado à...
— Sissy. Aquela vadia. — Charlene disse, um pouco alto demais. Mesmo assim, só o namorado ouviu.
— Vamos, amor. É hora dos resultados. — E rapidamente puxou-a para longe. Desejou ter visto os dois que insultaram Charlene, já que Adrian poderia cuidar deles. Mas não viu, e também não se importou com aquilo. São só uns babacas.
x-x-x-x-x
— E o rei do baile de formatura da turma de 1983 do colégio Voorhees-Myers é... Adrian Blanc! — O diretor anunciou, com certa empolgação.
Adrian foi carregado pelos amigos, entre piadinhas e risos, até o palco. Alguns dos amigos do time assoviaram e apalparam seu bumbum, e o rapaz riu. Prostrou-se no palco, sentindo-se meio imbecil, e deixou que a rainha do ano anterior colocasse a coroa em sua cabeça.
Pam observou aquilo com um misto de raiva e consternação. Ele não precisa da coroa pra ser um príncipe. Ele é tão bonito e fofo... Olha o sorriso dele...
— Agora vamos à decisão da rainha.
Sissy estava na plateia com o coração prestes a sair pela boca. Não era comum que um rei e uma rainha fossem de pares diferentes, mas podia acontecer. E com a sorte que ela estava tendo nos últimos meses, podia acontecer no baile dela. Quão horrível seria ver Nora Carpenter ser coroada rainha do baile de formatura junto de Adrian, o namorado que nem mesmo queria concorrer?
— E a rainha do baile de formatura da turma de 1983 do colégio Voorhees-Myers é... — E o diretor abriu o envelope. — Sissy Bluhm!
A loira fingiu surpresa, embora estivesse aliviada. Os mesmos caras do time que levaram Adrian apareceram para levá-la, com os assovios, embora sem as apalpadas no bumbum. Eles não correriam o risco de Adrian perceber aquilo e querer o couro deles.
Sissy estava no palco. O rei do ano anterior coroou-a, e lhe entregou um ramalhete de flores. Margaridas. Do jardim da dona Violet. Todos os alunos gritavam e assoviavam, e o diretor anunciou que a rainha gostaria de falar algumas palavras.
— Bom, antes de tudo eu gostaria de agradecer a vocês. Agradecer a cada um de vocês que votou em mim, ou mesmo os que não votaram. Com certeza as outras garotas sentiram-se mais belas e mais confiantes com o seu apoio. E em segundo lugar eu gostaria de agradecer ao meu namorado Adrian. Que tem me apoiado e incentivado, mesmo com os problemas que vêm tendo. E que não são poucos ou fáceis.
Os rapazes na plateia acenaram um para o outro, e depois acenaram para o rapaz no palco, para que puxasse a corda. Nesse momento Sissy voltou para seu lugar, exatamente debaixo do balde, enquanto Adrian deu passos à frente para fazer seu discurso.
Ele não teve tempo.
O balde caiu, e a tinta vermelha fervendo escorreu pelo corpo, rosto, cabelo e vestido de Sissy.
A garota soltou um guincho de dor tão insuportável que Adrian sentiu todos os pelos do corpo arrepiados. A água fervendo com a qual eu me queimei. Era um sinal da morte de Sissy.
Sissy gritou mais alto, e Adrian tentou ampará-la. Mas, no desespero, a garota o empurrou, e o movimento fez com que ela se desequilibrasse. A loira então caiu em cima de uma das mesas da plateia, batendo com o rosto em uma imensa tigela de ponche. O vidro estilhaçou-se e cortou o rosto e o pescoço de Sissy. O sangue vermelho fundiu-se com o vermelho da tinta fervente e o vermelho do ponche. Sissy estava morta.
Na plateia, Charlene assistia a tudo horrorizada. E então que ela pensou em Wade. Adrian havia dito que ele era o próximo.
A garota saiu em disparada para fora do ginásio, atrás do rapaz. Tommy tentou segui-la, mas um grupo entrou na sua frente e ele se perdeu da namorada. Charlene corria o mais rápido que podia, segurando a barra do vestido, tentando encontrar Wade.
Dentro do ginásio, Adrian viu faíscas saindo dos holofotes. É um sinal. O sinal da próxima morte. Essa maldita lista esperou um mês para matar dois coelhos com uma só cajadada.
x-x-x-x-x
Charlene corria com os cabelos bagunçados e esvoaçando. A noite estava deveras quente, mas havia uma brisa úmida e delicada que soprava, dando ao ar uma sensação extremamente agradável. Apesar do clima, estava claro que logo choveria. Uma chuva quente. Também logo haveria muitas pessoas no ginásio, e lá estaria um inferno.
Mas Wade estava do lado de fora, e disso Charlene tinha certeza.
A garota retirou seu salto, para que a corrida fosse mais rápida.
E foi. Charlene encontrou Wade nos fundos colégio, próximo de um galpão abandonado que eles utilizavam para guardar os utensílios do zelador e do jardineiro. E ele não estava sozinho. Na verdade estava muito bem acompanhado.
Eu sabia, foi a primeira coisa que ela pensou. Mas como haveria de não saber? Estava claro como água, e Charlene, mais do que todo mundo, sabia como reconhecer algo assim.
Wade estava agarrado com outro cara do time, que Charlene não identificou de imediato. Os dois estavam aos beijos, abraçados ao lado de um cano metálico que era conectado à calha do galpão. Metal. Isso é perigoso.
— Wade! — Ela chamou. E então viu o rapaz entrar em pânico. Seu rosto ficou pálido, e depois vermelho. O outro rapaz saiu correndo, sem nem sequer dignar-se a olhar para ela.
— Mas que porra Charlene! O que você tá fazendo aqui?
— Eu preciso falar com você. É sobre a lista.
— Que lista?
— Você sabe qual lista. O Tommy falou com você sobre ela.
— Ah, essa lista. Bom, o olho roxo dele mostra o quanto eu me importo com essa porcaria de lista.
Charlene estava farta.
— Você deveria se importar mais, afinal é o próximo. Mas dane-se também. Não acho que a sua morte seria uma grande perda para a humanidade... — E virou-se, decidida a deixar que Wade morresse. Mas quando ouviu um som de trovão, arrependeu-se.
— Cuidado! – Charlene gritou, e puxou Wade.
Um raio atingiu a calha do galpão e sua onda de eletricidade correu por todo o cano em que outrora Wade estava encostado. Se Charlene não tivesse puxado-o no último segundo, ele teria literalmente fritado.
— Agora acredita? — A garota disse, ainda caída no chão. Wade levantou-se e estendeu a mão para ajudá-la a se levantar. O longo vestido rosa de Charlene estava completamente sujo.
— Ei! Amor! — Tommy gritou.
Charlene olhou para trás e viu que o namorado corria na direção dela.
— Eles já estão levando o corpo da Sissy.
— O corpo da... Como assim? A Sissy tambémtá morta?
— Ela vinha antes de você na lista. — Charlene disse de maneira pragmática. — Me diz pelo amor de Deus que agora você acredita. Jesse, Trish, Tiffany, Ricky, Sissy... Uma morte seria aceitável. Duas também, coincidências acontecem. Mas foram cinco. O Adrian realmente colocou vocês... Nós... Na lista. — E engoliu em seco.
Wade bufou, ainda extremamente assustado.
— Você me salvou. E agora? Eu estou fora da lista?
— Pelo que eu entendi com aquele amigo da Pam, não. Mas a morte só voltará a te incomodar quando tiver pegado todos nós. Você foi para o fim da lista.
— Entendi. De qualquer forma... Obrigado. — Wade ajeitou sua gravata borboleta azul marinho e mexeu nos cabelos. — Quem morria depois de mim? Digo... Quem é o próximo?
— O Tommy.
Quem havia dito aquilo não fora Charlene, e nem o próprio Tommy. Os três olharam para trás e viram Pam aproximando-se. A garota tinha o olhar bastante assustado.
— A morte da Sissy... Foi horrível. Ela foi fervida viva. A água estava quente e... E... — E sentiu um nó se formando em sua garganta. Não queria chorar na frente daquelas pessoas, mas parecia tão difícil...
Charlene apiedou-se dela e foi abraçá-la. Pam agora chorava nos braços da imagem e semelhança do rapaz que amava. Aquele provavelmente seria o mais próximo que Pam chegaria de Adrian, por mais que desejasse o contrário.
— Eu preciso ver como o Adrian está. — Charlene disse, de súbito, sem soltar-se de Pam.
— Ele foi com a Sissy.
— Foi com a Sissy? Como assim? — A gêmea disse, subitamente entrando em pânico.
— Eles levaram o corpo dela e o Adrian foi junto.
— Eu preciso ligar pro papai... — A garota começou. Tommy então se prontificou a ir fazer isso, deixando Charlene, Pam e Wade a sós.
É perigoso. Ele é o próximo. Ele... Foi só então que caiu a ficha para Charlene que Tommy poderia morrer a qualquer momento. Ela salvara Wade, e com isso apressara ainda mais a vez de Tommy. Se eu salvei um, posso muito bem salvar outro.
E continuou a acalentar os cabelos cacheados de Pam, sentindo as lágrimas quentes da caipira molhando O seu vestido.
x-x-x-x-x
Inútil, burro, idiota, maluco, retardado... Você a deixou morrer, deixou todos morrerem. É tudo culpa sua. Você condenou todos eles a isso. Você e a sua maldita loucura, a sua maldita paranoia. Você não conseguiu salvar nenhum deles, e não vai conseguir. Tudo O que você sabe fazer é estragar as coisas. Tudo o que você toca, Adrian, morre. Você é veneno...
As lágrimas caíam por seu rosto como uma intermitente cachoeira. Ele esfregava os olhos, vermelhos, e retirava os fios de cabelo loiro que caíam por sua face. Podia se culpar, podia se odiar, mas nada daquilo traria Sissy de volta. Nada.
Você é o anjo da morte... Anjo...
Fale com o autor