Notas iniciais
Antes de mais nada, gostaria de dizer que a demora COLOSSAL para postar o capítulo, foi porque eu fiquei frustrado ao descobrir que a formatação dos capítulos "perdeu" os espaços entre uma cena e outra, deixando tudo muito confuso. Com o tempo vou corrigir capítulo por capítulo das três fanfictions. Bom, esse segundo capítulo está escrito há umas duas semanas, então já pode ser postado. O próximo pode demorar, já que eu preciso reler o que já escrevi para não cometer gafes. Desculpem a demora e espero que gostem!

E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.” (Apocalipse 21:4)


— O que foi isso? – Nikki perguntou, externando a dúvida de todos.

Todos os olhares se viraram para Kelsey, que permanecia abalada e em choque.

— Dane-se, eu vou sair. – Skip declarou, abrindo a porta num rompante.

Angel, Chase, Sherry, Trip e Morgan o seguiram. O restante das garotas mantinha os olhares fixados em Kelsey.

— Kel, fala comigo! – Melissa chacoalhou a amiga, procurando tirá-la do transe.

Foi quando elas ouviram o grito de Sherry vindo do lado de fora. Todas correram para lá simultaneamente, inclusive Kelsey, que ficou um pouco para trás ajudando Kelly a descer sua cadeira de rodas.

— Deus do céu! – Kelly exclamou ao ver a cena.

Cassie nem teve tempo de repreender a garota por profanar o nome de Deus. Estava mais preocupada ajoelhada rezando diante da cena que acabara de presenciar. O terror no rosto de todos era evidente.

Dylan, o atirador, estava estirado no meio da rua, com metade de sua cabeça destruída. No asfalto havia um bilhete escrito com sangue. Skip leu em voz alta:

— “Eu, porém, vos digo: amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus”.

O olhar de fúria e incredulidade nos olhos de Cassie foi instantâneo: ela levantou a cabeça em segundos, interrompendo seu ritual de oração. Murmurou alguma coisa ininteligível e depois se silenciou. Angel pôs-se a pensar durante algum tempo, ao fim do qual exclamou:

— Monica! – E começou a correr o mais rápido que podia em direção a casa dos Psi Alpha Zeta. Skip o seguiu.

Foi quando Kelsey resolveu falar:

— Ele iria matar a todos nós.

Todos os olhares se voltaram para a garota.

— Ele bateu na porta, lembram-se? Se o Trip tivesse aberto, ele teria disparado contra todos nós.

— E como você sabe? Não me diz que... – Melissa começou a frase com o horror estampado em seu rosto. Não conseguiu terminá-la. Será que estava acontecendo de novo? Se sim, como ela não percebera antes? Talvez tivesse percebido e fingido que não. Ela sabia o quanto Kelsey sofreria se a maldição de Bobby, Alice e Mia se abatesse sobre ela. Era um peso muito grande para se carregar.

— Eu tive uma visão. Eu vi Dylan atirando contra todos nós. Eu vi todos vocês morrerem, eu...

E caiu em lágrimas. Melissa não conseguiu consolar a amiga, porque também estava em estado de choque. Estava realmente acontecendo. Bobby...

— Não querendo bancar o insensível neste momento delicado, mas... Você tem certeza do que está dizendo, Kelsey? Quer dizer, todos estamos traumatizados. E, falando sério: visões? Estamos na porcaria de um slasher teen é? – Morgan disse.

— Cala a boca, Morgan! – Sherry pediu, em tom rude.

O rapaz obedeceu prontamente, embora ainda exaltado. O grupo então viu Chase voltando de dentro da casa das Omega Chi Delta.

— Pronto, já liguei pra segurança do campus. Eles vão demorar um pouco, mas estão a caminho.

— Graças a Deus ele não teve tempo de ferir ninguém. – Cassie disse.

Foi então que Chase se manifestou:

— Na verdade... A segurança do campus não está aqui porque ainda estavam procurando o Dylan...

— Então eles sabiam que ele estava armado? – Kelsey perguntou.

— O Dylan deixou um banho de sangue na Psi Alpha Zeta. — O rapaz declarou, à queima roupa. — Parece que disparou tiros contra todos que estavam lá. O policial não quis me confirmar, mas... Parece que houve um massacre aqui no campus.

Cassie não aguentou o baque da notícia e desmaiou, sendo amparada por Trip. Melissa e Sherry deram gritinhos de pavor e Morgan segurou-se na cadeira de Kelly para não cair.

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A casa dos Psi Alpha Zeta estava um caos quando Angel e Skip chegaram. Havia policiais por todos os lados e... Havia alguns corpos de alunos ensanguentados na varanda.

— Vocês não podem ficar aqui, voltem para o dormitório. – Um segurança começou a empurrar Angel e Skip.

— Minha namorada está aí dentro, seu desgraçado!

Skip então aproveitou para retirar as algemas do cinto do policial, arremessando-as para longe. Enquanto o pracinha distraía-se brigando com o rapaz, Angel aproveitou e ultrapassou a barreira imposta. Entrou num pulo para dentro da casa, gritando por Monica.

Teve de segurar o vômito. O local estava um caos: havia sangue e pedaços humanos por todos os lados do cômodo. Olhou para o chão e viu que estava pisando na mão de um estudante assassinado.

— Monica! Monica!

Angel começou a subir as escadas e quando chegou ao topo delas encontrou o que desejava, da maneira que jamais esperara ver: Monica estava inerte e ensanguentada caída ao lado de um vaso de plantas.

— Não! – Foi só o que o rapaz conseguiu gritar.

Abraçou o corpo de Monica sujando completamente sua roupa de sangue. Gritava, chorava e abraçava mais forte. Foi quando vários guardas finalmente notaram sua presença e puseram-se a expulsá-lo, entre protestos de Skip.

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Já era quase seis da manhã e ninguém sabia o que dizer ou fazer. A casa dos Psi Alpha Zeta nesse momento estava intransitável: policiais recolhiam os corpos rodeados por alunos curiosos que eles não conseguiam conter. O reitor havia comunicado a todos que estava proibido saírem de suas casas até segunda ordem, mas Kelsey sabia que era uma decisão tola e em vão: o assassino já estava morto. Além disso, não havia represália suficiente para os que desobedecessem. A ordem do reitor acabava soando apenas como um conselho. Um conselho solenemente ignorado por praticamente todos os alunos.

Sherry entrou na sala das Omega Chi Delta com um olhar mórbido.

— Eu fui até a Psi Alpha Zeta.

— E...? – Nikki perguntou.

— Eu os ouvi dizendo que ainda não tem o número exato de vítimas, mas pela quantidade de corpos eles acreditam que o Dylan tenha matado mais de vinte e cinco pessoas, entre alunos e visitantes. Até agora eles não encontraram ninguém ferido e com vida...

Algumas garotas ali presentes gritaram. Kelsey não. O pesadelo já estava completo e ela já não sabia o que fazer. Logo todo o circo estaria armado: imprensa nacional e internacional, policiais de todos os lugares, curiosos... Estudar se tornaria inviável em pouco tempo. Dylan causara o maior massacre universitário da história dos Estados Unidos desde o incidente de Virginia Tech: era impossível o caso não virar assunto na mídia internacional.

— Nesse momento alguns jornalistas abelhudos da TV local já devem estar entrevistando o primeiro babaca que encontrarem por aí. – Kelsey previu, sem nem ao menos ter uma visão sobre o assunto.

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— Qual seu nome?

— Teophilus Rohrbough, mas meus amigos me chamam de Trip, porque eu vim da Inglaterra.

A repórter, Heather, ignorou o comentário sobre o apelido e continuou:

— Pode nos dizer onde estava no momento do massacre à casa dos Psi Alpha Zeta?

A entrevista durou mais alguns minutos de perguntas óbvias e respostas pouco interessantes ou esclarecedoras. Ao fim Heather agradeceu Trip e saiu bufando.

— É cada idiota que eu encontro por aqui!

A repórter tivera de acordar às quatro da manhã de um fim de semana para cobrir o assunto. Quando seu namorado ligou para ela avisando do que vira na TV, Heather não teve dúvidas de que precisava estar ali. Qualquer informação exclusiva que descobrisse seria sua mina de ouro. Jamais outro incidente tão grandioso ocorreria naquela cidade entediante. Era o que ela precisava fazer.

Decidiu-se.

— Kenny, me espera na van, eu volto em meia hora. – Heather disse a seu cameraman.

O homem não entendeu direito, mas obedeceu. Heather pegou uma minúscula câmera e colocou-a delicadamente na sua roupa, como se fosse um bottom. Amarrou os cabelos negros num rabo de cavalo e ergueu o queixo.

— Você consegue, Heather Diamond. Você consegue.

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Chase abriu seu notebook com cuidado, certificando-se de que todos os garotos da Kappa Tau Gamma tinham saído da casa. Era fácil: se o reitor dissera a eles que permanecessem em suas casas, era óbvio que os rapazes fariam o completo oposto. Então ter a fraternidade completamente vazia era uma coisa natural.

O rapaz abriu sua caixa de e-mails e viu um que chamou sua atenção. Era da Hot Jock, o site de garotos online para o qual “trabalhava”.

— Droga! – Disse para si mesmo, em voz alta.

O e-mail exigia que ele fizesse uma live webcam naquela semana ou estaria completamente desligado do site. O trato era simples: ele fazia vídeos caseiros (e frequentes) sem precisar nem ao menos sair de casa. Além disso, a quantia que recebia em dinheiro era completamente satisfatória: era o dinheiro com que ele estava pagando sua universidade.

“Com todo esse circo aqui, é impossível...”, Chase repetiu para si mesmo. Ele realmente precisava de dinheiro naquele momento. Sherry estava enchendo-o para saírem a meses, sem contar o fato de que ele queria enviar alguma coisa a seus irmãos ainda este de ano, de natal.

A família de Chase toda morava no México, com exceção dele próprio e de uma irmã que estava trabalhando como comissária de bordo. Ele era a aposta dos familiares, aquele que estava fazendo uma universidade e que iria vencer na vida. Chase não podia decepcionar sua família, qualquer que fossem as armas que tivesse de usar.

Quando se formasse e se tornasse um respeitado cirurgião plástico, tudo o que fizera para chegar até ali não importaria. “As coisas anteriores já passaram”, concluiu.

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O detetive David Somerset mantinha os braços cruzados e a expressão de tédio por trás dos óculos escuros. Quase todos os corpos já haviam sido recolhidos, e ninguém foi encontrado com vida. O relatório indicava que alguns adolescentes encontraram o corpo do provável atirador, Dylan Harris, em frente à casa das Omega Chi Delta, e estava claro como água que aquele caso estava mais do que resolvido. O que restava, então, era a parte chata, burocrática e entediante.

— Desculpe, eu não costumo fazer isso, mas... Pode me dar um autógrafo? – Quem dissera isso foi Heather.

— Eu não acho que essa seja uma hora apropriada. – Somerset respondeu.

Além de detetive investigador da homicídios, David era também romancista. Havia escrito cerca de doze livros, a maioria suspenses policiais. Era o que ele gostava de fazer, afinal de contas. Então por que continuar naquela vida miserável de encontrar corpos todos os dias? Era difícil responder.

— Por favor... Eu sou muito fã dos seus livros, David. Posso chamá-lo de David, né? Tenho todos seus romances em casa. Eles são realmente muito bons. Meu preferido é Silhueta Negra. – Heather insistiu falsamente.

— Ok.

A garota passou a caneta para o detetive, bem como um exemplar de seu último livro “Tempestade de Sangue”.

— Dia agitado, não? Maior massacre desde o caso de Virginia Tech... Deve estar difícil lidar com isso.

— Na verdade nem tanto. O caso aqui é mais burocrático. Já temos todas as evidências que levam ao nosso óbvio assassino. A parte que resta são apenas assinaturas de papéis e tolas entrevistas na TV.

Heather pensou durante alguns segundos.

— Entendo... O assassino era aluno daqui?

— Era sim. – Foi quando Somerset percebeu o joguinho de Heather para lhe arrancar informações, e continuou: — Qual seu nome, senhorita?

— Scarlet. – Heather mentiu. Seu rosto podia não ser conhecido, mas seu nome era destaque nas páginas do jornal local. Ela era praticamente o Judas Iscariotes do meio jornalístico. Escrevia sobre tudo e todos, sem pudores. Chegara a ser ameaçada de morte algumas vezes, devido à voracidade com que gostava de expor os fatos. Ela não tinha medo, nem rabo preso. Podia escrever livremente, e era isso que a tornava tão amada e odiada ao mesmo tempo.

— Bom, aqui está, Scarlet. – E Somerset entregou o livro à Heather. — Agora se me dá licença...

O homem pôs-se a andar, mas Heather o seguiu.

— Desculpe se lhe incomodo, mas é que eu realmente sou interessada nessas coisas. O modo como o senhor instiga o suspense é fascinante.

— Obrigado. Mas eu realmente preciso ir.

E não houve maneira de Heather conseguir persuadi-lo. Bufou.

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O reitor da universidade, Vossa Magnificência Benjamin Eddowes, fazia seu pronunciamento perante um grande aglomerado da mídia local. Havia diversos jornais locais espalhados por ali, bem como a maioria dos estudantes do campus. Todos estavam ansiosos esperando a declaração oficial do reitor.

Kelsey ouvia o pronunciamento de dentro de sua casa, através da rádio local. As palavras eram calculadas, frias e artificiais demais, como se Eddowes não tivesse noção do banho de sangue que havia ocorrido ali.

As aulas na universidade não serão interrompidas em vista desse monstruoso acontecimento. Isso prejudicaria ainda mais os que ainda estão aqui, em busca de um objetivo maior, objetivo pelo qual todos os alunos que tiveram esse fatídico destino estavam buscando. Iremos isolar a área da Psi Alpha Zeta e remanejar os estudantes de lá para os outros dormitórios do campus. Também posso garantir que as famílias de todas as vítimas serão informadas quando tivermos o número exato e o nome de todos que foram assassinados nesse...

E Kelsey desligou o rádio. Afundou-se nas cobertas, sendo interrompida por batidas na porta.

— Quem é? – Resmungou.

— Melissa. Posso entrar?

— Pode.

A loira entrou ainda receosa, pedindo licença pelo incômodo. Sentou-se na beirada da cama de Kelsey, passando a mão por seus cabelos.

— Como está, amiga?

— Como eu poderia? Arrasada... Eu... – E começou a chorar involuntariamente.

Melissa abraçou a morena, ficando assim por alguns minutos. Quando Kelsey se recuperou, ela arriscou:

— Naquela hora que estávamos lá fora, você disse que previu o que iria acontecer. Como assim?!

Kelsey baixou a cabeça.

— Eu não sei. Eu simplesmente vi o que iria acontecer...

— Antes de acontecer. Droga! – E Melissa pôs-se a maquinar as informações.

— O que tem, Mel? Me conta!

— Não, você vai me chamar de maluca.

— Eu te chamar de maluca? Eu acabei de ter uma premonição. Se alguém é maluca aqui, essa alguém sou eu.

Melissa concordou, mexendo a cabeça positivamente.

— Bom, eu já vi isso acontecer. Mais de uma vez.

— Como assim?

— Sabe o meu irmão de quem sempre falo?

— Àquele gatinho da foto da sua cabeceira? Sei sim. Bobby, não? Uma pena o que aconteceu com ele, realmente... – Kelsey tentou consertar o começo torto de sua frase.

— Pois então. O Bobby também... Previu. Ele teve uma premonição, assim como a sua. Ele estava indo viajar com os amigos de trem e viu o veículo descarrilar e cair num abismo.

Kelsey tapou a boca, horrorizada.

— Nossa, que horror! E que irônico... Você me disse que ele morreu atropelado por um trem né? Que coisa o destino... Escapar de um acidente com um trem e morrer em outro.

Melissa concordou, não querendo entrar em detalhes sobre o suicídio de Bobby e a lista da morte. Não ainda.

— E ele não saiu sozinho. Assim como você, o Bobby salvou a vida de nove amigos dele.

A morena não disse nada, ficou esperando pelo restante da fala de Melissa.

— O problema... Foi o que aconteceu depois.

— Conta logo!

— Não sei se você vai querer saber...

— Claro que vou, conta!

Melissa abriu a boca para dizer à Kelsey quando Nikki abriu a porta num rompante.

— Vocês precisam ver isso!

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Quando Kelsey e Melissa chegaram ao local indicado por Nikki, levaram um susto. Trip estava em cima do teto da casa dos Kappa Pau Gamma usando apenas uma cueca verde. Recitava, com um sotaque britânico inconfundível e um livro em mãos:

— ‘Trás amanhã e trás amanhã de novo,

Vai, a pequenos passos, dia a dia,

Até a última silaba do tempo;

Inscrito. E todos esses novos ‘ontens’

Têm alumiado aos tontos que nós somos

Nosso caminho para o pó da morte.

Breve candeia, apaga-te! Que a vida

É uma sombra ambulante; um pobre ator

Que gesticula em cena uma hora ou duas,

Depois não se ouve mais; um conto cheio

De bulha e fúria, dito por um louco,

Significando nada.”

Kelsey bufou. Essas provas feitas para os pledge eram ridículas. Além do mais, era completamente inapropriado o momento em que isso estava ocorrendo: há menos de cinco horas atrás, um massacre havia ocorrido. Com certeza Trip seria punido severamente pelo que estava fazendo.

— Macbeth, ato cinco, cena cinco. — Morgan disse se aproximando de Kelsey e Melissa.

As duas olharam para o rapaz, que se mantinha atento ao que Trip estava fazendo. O inglês então amarrou uma corda como se fosse enforcar-se, com um espaço certo para sua cabeça. Todos que o observavam gritaram desesperados, realmente achando que o rapaz ia suicidar-se. Trip ria por dentro. Amarrou uma ponta da corda na chaminé da casa e a outra manteve em sua mão.

— Não faça isso! — Alguém gritou.

Trip então colocou a corda ao redor de seu pescoço, atraindo gritos. As garotas gritavam para que os rapazes subissem ao teto e impedissem o rapaz de se matar, mas eles só riam. A maioria eram membros da Kappa Tau Gamma, e todos sabiam que o que Trip estava fazendo era apenas uma brincadeira.

— Kelsey, me diz: na sua visão, quem era a primeira pessoa a morrer? — Melissa perguntou, à queima roupa.

A outra não disse nada, apenas apontou para o rapaz no teto. Melissa tapou a boca e começou a correr em direção à entrada da casa dos Kappa Tau. Entrou num rompante, e subiu as escadas o mais rápido que pôde. Debruçou-se sobre a janela do quarto do andar de cima, ficando próxima de Trip. Gritou:

— Desce daí, por favor! Você vai acabar se matando de verdade!

Trip riu.

— Gatinha, isso é só encenação. Eu não vou me matar. Eu não vou morrer.

Foi quando um vento forte fechou a janela, empurrando Melissa para longe. O baque fez Trip escorregar em cima das telhas, rolando até próximo da beirada do teto inclinado. Suspirou quando se viu seguro.

— Essa foi quase.

Não viu a telha solta que o fez escorregar para seu destino final. O corpo de Trip foi puxado com força pela gravidade, estendendo a corda ao máximo e fazendo o impacto quebrar seu pescoço. Ele havia acidentalmente se enforcado.

Várias garotas gritaram, enquanto um grupo de rapazes correu para dentro da casa, arrombando a janela fechada pelo impacto do vento. Era tarde demais, Trip já estava morto.

Melissa continuava sentada no chão ao lado da janela, atônita. Não sabia qual reação Kelsey estava tendo nesse momento, mas sabia que deveria ser uma parecida.

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Kelsey não pensou em mais nada naquele momento. Ignorou até mesmo o fato de que Melissa provavelmente estava arrasada. Correu até seu quarto e guardou o máximo de coisas que pôde em sua mala. Ela não conseguiria aguentar mais do que aquilo. Pior ainda: se fosse despedir-se dos colegas, não teria coragem e desistiria de abandonar tudo.

Mas era o necessário. Não sabia o que havia acontecido, mas o que quer que fosse, ela deveria ficar longe. Sentiu como se fosse um anjo da morte, e isso não poderia permitir. Era loucura, mas será que ela fora indiretamente a responsável pela morte de Trip? Não importava. Kelsey só queria ver-se livre e longe de tudo aquilo.

Antes de deixar o quarto, lembrou-se da pergunta de Melissa sobre o fato de Trip ser o primeiro a morrer em sua visão. O que será que ela queria dizer com aquilo?

— Merda!

E sentou na cama, chorando. Pegou um papel e começou a anotar a ordem como as mortes ocorriam em sua visão. Talvez fosse necessário, útil.

— Droga, droga...

Chorou copiosamente. Foi quando ouviu um burburinho no andar de baixo. Desceu correndo, aproveitando a distração das garotas. Ao se ver fora da casa, correu como louca. Teve certeza de que algumas pessoas a chamavam, mas não ligou. Ela estava indo embora e ninguém poderia impedi-la. Era por pouco tempo, esperava.

Era loucura. Mas, afinal, não era ela a louca?


Notas finais
Bom, a "fuga" de Kelsey meio que deixa claro quem será a protagonista da história, não é? Foi minha idéia desde o princípio e quis dar uma abordagem diferente, fazendo a própria garota que teve a premonição, não estar envolvida com os detalhes da lista. Espero que funcione. Abração!