Premonição 3- Últimos Negócios...

17 Capítulo 17-O Diário De Uma Morta...


Notas iniciais
Gente, perdão pela demora, queria mesmo ter postado antes, mas estive ocupado. Bem, aqui está o capítulo 17!!!!! (nessa hora vocês falam "EBAAAAA" XD)

 Kat e Andy estavam sentados num banco ao lado do prédio aonde Anna costumava morar. A perícia examinava o local e recolhia o corpo.

Andy está abraçando Kat, que está trêmula com o choque. Além de ela ter perdido sua única chance de entender mais sobre a Morte, se sentia culpada.

-Anna poderia ter sobrevivido se eu não a envolvesse nesse meu círculo da Morte... –Kat diz, olhando para baixo.

-Não diga isso Kat... –Andy tenta consolá-la.

-Digo sim... –Kat protesta-É a verdade...

-Não, não é... –Andy a abraça com mais força e com mais carinho.

Os dois se levantam e começam a andar algumas quadras, até uma lanchonete. Ao chegarem lá, eles se sentam numa mesa. Kat está desanimada, encosta sua cabeça no vidro e começa a “brincar” com um guardanapo entre seus dedos.

Uma garçonete aparece para atendê-los.

-Boa tarde... O que desejam?-ela diz simpática.

-Um X-Burger, um guaraná... –Andy pede e então olha para Kat-O que vai querer?

-Nada, não estou com fome... –Kat recusa desanimada.

A garçonete anota os pedidos e vai entregá-los ao cozinheiro, enquanto Andy conversa com Kat.

-Escuta, você tem que comer... –Andy diz. Ele estica o braço e pega em suas mãos. Isso arrepiou Kat.

-Tive uma ideia aqui... –Kat diz olhando para baixo.

-Que ideia?-Andy pergunta.

Kat levanta um pouco a cabeça e olha nos olhos de Andy.

-Eu vou ao apartamento de Anna... –Kat explica.

-O que? Lá tá cheio de policiais e obviamente interditado!-Andy repreende.

Kat ia argumentar e continuar a explicar seu plano, quando Kim chega à lanchonete cheia de sacolas.

-Kat! Andy!-ela exclama logo ao entrar.

Kim senta-se ao lado de Kat, toda animada, colocando as sacolas em cima da mesa.

-O que foi? Quem morreu?-Kim pergunta ao ver o desânimo da amiga.

Andy olha para os olhos de Kat, que diziam que era melhor não falar nada.

-Nada... –Kat disfarça-Só estou cansada com tanta coisa que está acontecendo nesses últimos dias.

Kim olha para Kat e depois para Andy. Ela fecha os olhos, abaixa a cabeça e apoia a mesma nas mãos.

-Vocês tem razão... –Kim diz-Todas essas pessoas morrendo e eu aqui, feliz.

-Não Kim, não é assim. –Kat tenta acalmá-la.

-Não! É assim sim!-Kim diz-Eu acho que é meu medo. Eu evito falar de mortes por causa da minha irmã.

-Sua... Irmã?-Andy perguntou.

-É. Ela morreu há três anos, em um acidente doméstico. Primeiro ela, depois minha mãe. Foi tão... Horrível. –Kim pisca freneticamente para evitar o choro-Eu acho que isso me deu algum bloqueio psicológico... Eu me tornei fria.

-Você não é fria, Kim. –Kat mentiu. Ela sabia... Ou melhor, tinha certeza que Kim era um tanto quanto fria.

-Bom... Está na minha hora. Tchau. –Kim sai, dando uma piscada para os dois.

A garçonete chega com uma bandeja, onde estava o pedido de Andy. Ele agradece à moça e bebe um gole do guaraná.

-Não sabia que Kim tinha perdido a mãe e uma irmã... –ele comenta enquanto dá uma mordida no X-Burger.

-Nem eu... Quando ela disse aquelas coisas, me veio uma sensação de enjoo... De alguma forma, os fatos estão conectados. Só precisamos descobrir como... –Kat fala. Andy podia sentir que ela estava pensando em milhões de coisas e possibilidades-Eu preciso ir ao apartamento de Anna!

Kat salta do lugar e começa a caminhar para a saída.

-Kat, espera!–Andy grita, mas já era tarde demais. Ele nem havia comido metade do seu X-Burger.

Ele retira do bolso uma nota, não se importou com o valor dela e deixou em cima da mesa. Pensou em ir correndo atrás de Kat, mas acabou pegando seu guaraná e X-Burger, depois foi. Quando ele chegou ao lado de fora, Kat estava do outro lado da rua.

-Kat, espera!-Andy pediu, comendo um pedaço de X-Burger e correndo atrás dela. Após alguns segundos de corrida, Andy alcança Kat.

-Preciso achar pistas... –Kat murmurava enquanto caminhava.

-Kat, espera!-Andy diz, tentando equilibrar seu copo de guaraná e metade de um X-Burger em uma mão, enquanto a outra segurava um ombro de Kat-Vai estar cheio de policiais! Como você vai entrar?

Por um momento Andy pensou que Kat fosse deitar e chorar, mas então ela olhou para o X-Burger e depois para Andy, então soltou um sorriso.

-Não acredito que você voltou pedir uma embalagem para viagem, um boné que estavam dando de brinde!-Andy reclama enquanto acompanha Kat perto do prédio de Anna-E ainda por cima, vou perder meu lanche!

-Relaxa, você come depois. –Kat retruca, enquanto fica parada para colocar o boné da lanchonete-Como estou?

-Tá linda... –Andy diz, soltando um suspiro-Digo, ridícula...

-Para de reclamar e põe o seu!-Kat diz colocando outro boné na cabeça de Andy-Pronto, estamos lindos, vamos!

Ela vai em direção ao prédio, mas Andy agarra delicadamente seu braço.

-Calma, Kat.

-O que foi?

-Preciso falar com você... –Andy diz engasgando nas palavras.

-Fala.

-É que... É que eu... Bem... –Andy queria formar um frase completa, mas não conseguia –Você gosta de mim?

Kat acaba franzindo a testa, confusa.

-Sim, já disse isso...

-Gosta quanto?-ele pergunta.

-Gosto... Muito. –Kat muito confusa.

-Mas...

-Andy –ela interrompe-Você quer me perguntar se eu amo você?...

Andy queria desaparecer, evaporar e ser levado pelo vento. Ele apenas abaixou a cabeça e disse:

-É...

Kat fica um pouco apreensiva, então levanta a cabeça do rapaz.

-Claro. –ela cochicha em seu ouvido e então lhe dá um super beijo em sua boca, para bloquear alguma resposta dele.

Logo após o beijo, Andy retira do bolso de trás uma caixa minúscula e negra. Ele a abre, revelando que dentro dela está um anel com um diamante em cima.

-Quer oficiar um namoro? –Andy pergunta.

-Andy... –Kat diz. Pela primeira vez ela estava embaraçada demais para achar palavras certas-Claro!

Gentilmente, Andy coloca o anel na mão direita de Kat e os dois se beijam mais ainda. Aquele momento fez Andy pensar que Kat desistiria de ir ao apartamento de Anne, e funcionou!

Só que não...

-Vamos!-Kat diz terminando o beijo e puxando Andy.

Alguns policiais examinavam o local.

-Nossa... O que houve?-Kat disse usando toda sua cara de pau.

-Uma moça caiu da janela. Estamos vendo o caso. –o policial respondeu.

Beleza,” Kat pensou “Eles ainda não descobriram a razão, ou seja, a Morte”.

-Escuta, a gente veio entregar um pedido para a Mary do 5º andar, podemos passar? –Kat perguntou, mostrando o saquinho da lanchonete.

-Ah, claro, podem passar... –o policial disse enquanto anota algo em uma prancheta.

Kat e Andy se apressam e entram no elevador. Kat aperta o botão para o 8º andar, -onde Anne morava- que logo se ilumina com uma luz amarela.

-Escuta, você conhece alguma “Mary do 5º andar”?-Andy perguntou enquanto tirava o boné da lanchonete e arrumava seu cabelo. Ele não acreditava que o policial não viu que o boné era um brinde.

-Não, -Kat confessa — foi Conhecimento Humanitário Utilizado Tão Especialmente.

-Quê?

-C. H. U. T. E.

As portas do elevador se abrem e Kat e Andy saem. Eles saem em um corredor. Na parede oposta da qual eles estavam estava uma enorme janela de vidro aberta.

-Qual deve ser o apartamento de Anne?-Andy pergunta.

-O último da direita nesse corredor, todo bagunçado e com uma fita amarela tampando a entrada, escrito em vermelho: interditado. –Kat responde. Andy logo vê o apartamento –Estamos com sorte, não tem nenhum policial, vamos aproveitar.

Kat puxa Andy e os dois entram no apartamento de Anne. Ele estava todo bagunçado, com lâmpadas explodidas e derrubadas no chão. Uma tesoura toda suja de sangue estava cravada na parede, a cama estava toda chamuscada.

-Nós não devíamos mexer em nada... São provas. –Andy tenta fazer Kat mudar de ideia.

-Eu preciso ver isso. Cuida para ver se alguém está vindo. –Kat pede. Mesmo contra vontade, Andy fica de guarda na parta, enquanto Kat anda cuidadosamente até uma escrivaninha marrom, com vários pingos de sangue.

Ela abre a terceira gaveta sem nenhum motivo. Dentro dela estava um caderninho negro. Kat o pega e fecha a gaveta. Ela começa a folheá-lo.

-É um tipo de diário... –Kat diz para Andy.

-Um o que?!-Andy pareceu surpreso, então olhou para o elevador, que estava se abrindo-Tem gente vindo!

Kat teve tempo de sair do apartamento e Andy teve tempo de colocar de volta seu boné da lanchonete. Eles ficam de costas para a grande janela no corredor. Do elevador saem dois policiais. Um era baixinho e barrigudo, com o seu bigode e suas sobrancelhas grossas. O outro era alto, ruivo e com algumas sardas nas bochechas. Kat escondia o lanche e o diário atrás dela.

-Boa tarde... –o policial ruivo cumprimenta.

-Boa tarde. –Andy e Kat respondem em uníssono.

Os policiais vão entrar no apartamento de Anna, quando o barrigudo vira e encara os dois.

-Vocês...?

-Nós viemos entregar um lanche para a Mary... –Kat responde apontando para o apartamento ao lado. Ela levanta as mãos por algum motivo. Não havia nada nas mãos dela.

-Ah, sim... –o ruivo diz. Kat agradeceu a Deus pelos policiais não conhecerem as pessoas do prédio.

-Bom ,tchau... –Andy diz. Ele puxa Kat.

Os policiais respondem e o casal entra no elevador.

-Cadê o diário? E o meu lanche? –Andy pergunta indignado.

-Joguei pela janela. –Kat respondeu como se dissesse “bom dia”.

-O quê?!

-Calma, vamos pegar o diário... E o seu lanche. –Kat tenta acalmá-lo –Há não ser que ele foi atropelado por um caminhão. O lanche, não o diário.

As portas do elevador se abrem. Kat e Andy se apressam. Ao sair do prédio, eles veem uma senhora caída, com um pacote de lanchonete em um lado e no outro um homem.

-O que houve?-Kat pergunta para o homem.

-Alguém jogou um pacote e mais alguma coisa na cabeça dela... –o homem diz enquanto a mulher grita exageradamente. Kat e Andy se olham -Mas ela vai ficar bem.

-Ai que bom!-Kat diz gentilmente e então avista o diário, perto de um vaso de plantas-Vamos, Andy...

Ela corre e pega o diário. Andy não acha outra opção se não segui-la.

-E meu lanche?!-Andy diz indignado com uma cara de cachorro em um pet shop pedindo para ser adotado.

-Deixa seu lanche para lá... –Kat resmunga.

-Own...

-Escuta, vou para casa. Preciso analisar esse diário, ver se tem algo que nos ajude. Vai para casa, descansa um pouco... –Kat diz.

Andy concorda. Eles se dão um beijo de despedida e cada um segue seu caminho, sem saber se algo podia atingi-los e deixa-los no meio da rua, mortos...

Kat está na cozinha, terminando de por um pouco de chá de camomila em uma xícara amarela, com decorações verdes. Ela caminha até a sala e se senta no sofá. Ela bebe um gole do chá e queima a língua.

-Quente... –ela reclama e coloca a xícara em uma mesinha.

Ela pega o diário de Anna e começa a ler. Logo Kat percebeu que Anna não colocava datas no que escrevia, mas mesmo assim começou a ler.

Antes de tudo, quero deixar claro: EU ODEIO A MORTE!!!!!!!. Ontem fui ao velório de Ellen. Tenho certeza que foi a Morte. Ela morreu empalada por um letreiro luminoso logo após de me salvar de ser atropelada. Não estou sentindo culpa. Estou sentindo ódio! Daniel está muito abalado... Pensou até em suicidar! Infelizmente pressinto que esse problema já vai ser resolvido, ele é o próximo da lista. Primeiro foi Lindsay, com os lápis. Josh morreu pior ainda: um caminhão capotou em cima dele. Ellen conseguiu me salvar e logo depois morreu. Às vezes eu me pergunto se nos salvarmos é mesmo a melhor escolha. Não morrendo, viveremos perturbados pelo resto de nossas vidas.”

Kat parou de ler. Ela precisava mastigar as informações. Só havia dois sobreviventes do acidente no laboratório: Anna e Daniel. Kat sabia que Anna morreu... O outro, o Daniel, ainda estaria vivo? Talvez ela descobrisse se lesse mais.

Vou anotar o que achei em alguns sites, porque provavelmente em alguns dias eles estarão fora do ar. Aqui diz sobre outros casos conhecidos em que a Morte brincou com vidas de pessoas. Uma das teorias diz que a Morte só faz uma nova lista para matar o que escaparam de uma anterior e...”

Kat parou de ler e congelou. Seus pensamentos logo se voltaram para Jane. Ela e o irmão Chris haviam escapado de um acidente na ponte Golden Gate em São Francisco. Não era possível... Será que a Morte só naufragou o navio para matar Jane e Chris?

Chris já foi morto e Jane ainda estava salva. Mas se essa teoria estivesse certa, todos da lista teriam que morrer. Ela voltou a ler.

...assim por diante. Eu pesquisei e vi que os sobreviventes do mercado Dead Money encontraram com um dos sobreviventes do Devil’s Flight. Ele morreu. Mas então por que a morte nos atacou, se todos os sobreviventes do Dead Money morreram? Alguém está sobrando? E mesmo que estivesse, eu teria que matar essa pessoa para sobreviver?”

Kat refletiu sobre esse pensamento. Ela teria que matar Jane para sobreviver? A Morte deixaria ela viva por esse “favor”? Havia várias anotações em folhas avulsas sobre várias teorias. Ela folheou várias páginas, até que algo chamou sua atenção.

Hoje eu vi que um navio de uma empresa naufragou. Isso pode até ser considerado normal, mas uma garota teve uma premonição. Estive tendo uma vida fácil durante um ano, logo após o desaparecimento de Daniel. Temi pelo pior todos esses anos. Acho que quero negar o óbvio: ele está morto. Espero que com essa nova premonição, a Morte não volte para me perturbar.”

Kat pensou sobre isso. Anna sabia do acidente, sabia que podia correr o perigo de morrer, mas mesmo assim foi encontra-los. Kat começou a admirá-la por ser corajosa. Ou será que ela estava apenas acelerando tudo, querendo logo se entregar para a Morte? Todos seus amigos foram mortos... Não, ela disse que esperava que a Morte não a perturbasse.

Ela se estivou, pegou a sua xícara e bebeu um gole do chá. Havia esfriado demais. Ela colocou a xícara de volta na mesinha e voltou algumas páginas, até uma teoria, que começou a ler.

Li sobre outra teoria: matar a pessoa que está “atrasada” com a Morte e que é de outra lista. O sobrevivente do Devil’s Flight morreu, mas não foi morto por um dos sobreviventes do Dead Money, por isso nenhum deles sobreviveu. Eu li que seria uma espécie de sacrifício, no qual no ofereceria a vida da pessoa para a Morte.”

Kat se cansou, fechou o diário e resolveu dormir, pensando no que faria se tivesse que matar algum sobrevivente, ou pior, se ela tivesse que matar Jane, ela teria coragem?

Notas finais
Realmente me sinto muito cruel não deixando o Andy lanchar. Obrigado por ler.