Premonição 2- Experiência Mortal

13 Capítulo 13-A Morte Vê, Os Olhos Sentem...


Notas iniciais
Obrigado por lerem...

Aquele barulho irritante percorreu a cozinha.

-Anna, o que houve?-tio Roger disse preocupado, se aproximando.

-Tyler... –Anna disse, rosnando e ignorando a pergunta de seu tio.

Anna saiu bufando e batendo o pé até o quarto de Tyler.

Tio Roger se aproximou e se abaixou no balcão.

Ele viu várias bolachas espalhadas no balcão.

Essa era uma das brincadeiras dele para irritar a irmã. Ele furava o fundo do grande pacote de bolachas. Quando a irmã puxava o pacote, todas as bolachas caíam.

E o pior é que Anna sempre se dava mal, de algum jeito.

- Tyler?!-Anna diz ao entrar no quarto do irmão.

Está uma bagunça, para variar. Roupas espalhadas, skate perto da janela...

Anna coloca sua bolça no beliche de cima, onde Tyler não dormia. O irmão não estava lá.

-Tyler?-Anna pergunta.

Ellen se levanta do peito de Daniel.

-Será que Anna já não se salvou da Morte?-ela pergunta.

-Por quê?-Daniel pergunta.

-Ela disse que a sala estava uma bagunça, então, por causa dessa bagunça, ela poderia ter morrido, mas como foi ao banheiro, pode ter se salvado!-ela explica.

-Será?-Daniel diz confuso.

-Se sim, eu sou a próxima... –Ellen diz, olhando para baixo.

-Ei, calma... –Daniel disse, levantando o rosto de Ellen pelo queixo com os dedos, olhando para seus olhos com compreensão-Eu vou te proteger...

Lágrimas enfrentam os olhos de Ellen, mas não conseguem sair.

-Vamos ver Anna... –Ellen proclamou.

O casal se levanta e saem abraçados, em direção à casa de Anna.

-Tyler, cadê você?-Anna gritou da porta. Nenhuma resposta-Saco...

Ela se virou e de baixo da cama saiu uma pata peluda que agarrou o tornozelo de Anna.

-Ah!-ela gritou, com um grito abafado.

Caiu sentada no chão, quando a pata peluda se revelou ser...

...Tyler! Com sua fantasia de rato.

-Tyler! Seu idiota!-Anna xingou irritada.

-Há! Assustei você!-o menino comemorava dando uma grande gargalhada.

-Há – há, estou morrendo de rir!-Anna debochou se apoiando no beliche de baixo para se levantar.

Tyler ainda ria com sua fantasia de rato. Anna se enraivou e pegou seu skate do chão e levantou no ar, ameaçando parti-lo ao meio na cabeça de Tyler.

-Ai, sem humor!-Tyler parou de rir-Desculpe pela brincadeira, senhora séria!-começou a rir novamente.

Anna bufou de raiva e jogou o skate no chão, que deslizou até perto da janela.

-Sai daqui, palhaço da família!-Anna ordenou.

-Você é mais chata que minha professora de geografia!-Tyler reclama.

Ele sai batendo o pé do quarto, quando escorrega no skate e cai, batendo o joelho na cama.

-Ai!-ele exclama, caindo no chão.

-Bem feito!-Anna provoca.

Tyler levanta a parte da calça que cobria seu joelho. Ele está começando a inchar.

-Agora vou ficar com um joelho maior do que sua cabeçona!-Tyler reclama, provocando ao mesmo tempo.

-E por culpa da minha cabeçona, não irei curar seu dóidóizinho... –Anna diz, com uma voz de bebê.

-Tenho o tio Roger... –Tyler protesta, levantando e indo atrás do tio.

Anna olha para baixo.

Perto dos seus pés está algo prata.

A caneta que Anna dera ao irmão. Ela a pega.

Examina. Olha seus botões prateados. Ela se vira e a coloca na cômoda do lado da cama beliche.

A cômoda era marrom claro. Com três gavetas nas quais Tyler guardava seus desenhos e histórias em quadrinhos.

Tyler fazia questão de deixar a cômoda no meio do quarto, do lado da cama, pois sabia que a irmã vivia trombando nela.

Anna começa a arrumar o quarto. Pega algumas camisetas jogadas no chão e põe no beliche de baixo.

-Será que ela corre perigo?-Ellen pergunta, enquanto anda rapidamente.

-Eu não sei... –Daniel responde.

Eles param numa rua movimentada. Vários carros passavam rapidamente. O prédio onde Anna morava estava apenas a alguns metros de onde eles estavam. A rua abaixo do prédio de Anna onde estava o carro do tio Roger era uma descida. O carro estava no final do pedaço da rua plana.

Dava para ver Anna arrumando o quarto.

Daniel sente um arrepio na espinha.

-Ellen, Anna corre perigo!-Daniel disse-Eu estou sentindo...

-Precisamos fazer algo!-Ellen disse.

Daniel olha para o lado. Está o sinaleiro. E um botão enferrujado e quase impossível de perceber parecia piscar para ele.

Daniel corre e aperta o botão freneticamente.

Ele olha para cima e espera o sinal ficar vermelho para os veículos que passavam como foguetes.

Anna pega uma camisa branca e a joga para trás. A camisa engata na bolsa, que cai na cômoda, em cima da caneta com a luzinha.

Uma fivela da bolsa está em cima do botão que aciona a luzinha vermelha.

Ela se abaixa e olha de baixo da cama.

Tem uma caixa de pizza com pelo menos uma fatia e meia, dentro dela.

-Tyler... –Anna resmunga.

Ela abre a caixa. Está um cheiro azedo e desagradável.

-Urg... –ela geme com cara de nojo. Ela joga a caixa no lixo que há atrás da porta.

A bolsa desliza mais um pouco, fazendo a fivela ficar bem acima do botão.

-Anda logo... –Daniel reclamava enquanto apertava o botão e olhava para cima, esperando o resultado-Bosta!

Ele chuta o sinaleiro como se esperasse que algo acontecesse.

Nada acontece.

Ellen está impaciente, batendo o pé no chão com força.

O casal continua olhando para cima. Aquele verde cintilante e brilhoso ainda continuava vivo, liberando os carros.

Anna está arrumando a cama de Tyler, quando sente um arrepio. Ela faz um som baixo e agudo, de incômodo.

Volta a arrumar a cama. Pega um penal de Tyler que está no beliche de baixo e coloca no de cima.

Uma tábua que está em vertical se solta. Anna não percebe.

-Anda... –Ellen disse baixinho.

Anna coloca a vassoura na parede, do lado da cômoda.

O penal começa a escorregar do beliche.

-Vamos... –Daniel reclama.

Eles veem Anna na janela, de costas para eles, examinando o resultado da limpeza do chão.

O sinal se fecha para os carros.

-Vamos!-Daniel disse.

O casal começa a correr.

A vassoura que estava na parede cai no chão, perto da cômoda.

-Merda... –Anna diz, se aproximando e abaixando para pegá-la.

Sua mão está a poucos centímetros do cabo da vassoura.

Daniel e Ellen estão se aproximando do prédio.

Os dedos de Anna estão pertos do cabo da vassoura.

O penal cai do beliche, caindo em cima da fivela da bolsa. O botão da caneta é pressionado, a luz vermelha aparece rapidamente.

Anna levanta sua cabeça rapidamente. A luz entra no seu olho esquerdo. Com os graus dos óculos feitos para ver de perto, a luz vermelha prejudica o olho de Anna.

-Oh... Merda!-Anna diz, tampando o olho com a mão, para ver se recupera sua visão, que está embaçada e vermelha.

Anna anda mais para trás. Ela acaba pisando no skate que pôs perto da janela. Ela escorrega para trás. Tenta se virar, mas o skate desliza para trás e cai da janela.

A janela se quebra totalmente, vários cacos de vidros. O skate atinge a cômoda, que cai. A bolsa cai no chão.

Anna cai numa velocidade enorme. Um grito consegue sair da sua boca.

-AHHHHHHHHHHHH!-ela grita com muito medo.

-Oh meu Deus... –Ellen diz, parando ao ver a cena.

Anna cai em cima do carro do tio. O para-brisa se quebra, cacos entram no carro. Anna fica com o tronco para dentro do carro. Um caco corta um fio que segurava um boneco do retrovisor.

O boneco cai de baixo do freio de mão, que se desengata.

Anna começa a se mexer. Ainda está viva. Talvez com uma perna ou um braço quebrado entre outros ossos...

Ela tenta se levantar, sem sucesso.

Daniel e Ellen começam a andar novamente ao verem que Anna está viva.

-Ah... –Anna geme, tentado se levantar, mas está presa.

A madeira da cama se solta bruscamente, arremessando a bolsa pela janela. A bolsa engata num sinaleiro enferrujado, perto do carro.

O sinaleiro começa a ceder.

-Oh... Merda!-Daniel disse, tentando socorrer Anna.

O casal estava perto do carro.

O sinaleiro cai completamente, danificando o motor do carro, que é empurrado pelo sinaleiro e começa a cair na descida.

-Não, não, não!-Daniel repetiu várias vezes ao ver o que estava acontecendo.

O carro desce a rua, e acaba batendo num outro grande sinaleiro na em baixo. Esse cai em cima do capô, que danifica ainda mais o motor, que começa a soltar fumaça.

-Aquilo vai explodir!-Daniel exclamou, correndo com Ellen.

Anna tenta sair, mas não consegue, ela começa a debater as pernas.

Um lápis que estava em cima do pedaço de tampar o sol começa a escorregar.

Anna se debate e levanta a cabeça freneticamente.

-Anna!-Daniel corre.

Ela debate as pernas. O lápis cai mais.

Ela bate no carro, enquanto agita sua cabeça para cima e para baixo, o lápis cai.

Mas num movimento mais rápido, Daniel puxa Anna para fora do carro. Ela fica deitada no capô.

O lápis cai no banco.

-Era para sua cabeça estar furada pelo lápis... –Daniel diz baixo.

-Obrigada... –ela agradece.

Fumaça sai do carro.

-Oh... Merda! Vai explodir!-Daniel diz.

Anna olha para ele. Sua perna está doendo, parece estar quebrada.

Daniel a ajuda descer, seu braço esquerdo está em volta de Daniel, e ele segura sua mão direita.

Ellen suspira aliviada.

Daniel se toca, Anna está salva, isto quer dizer que eles estavam salvos?

Daniel queria acreditar que sim, mas não sentia firmeza em seu pensamento.

Ajudou Anna a sentar num banco no meio fio. Ele era todo branco, parece que havia pintado ele há poucos dias.

Ellen ainda estava no fim da descida, suspirando aliviada.

O carro amassado continuava a soltar fumaça.

-Será que acabou?-Anna perguntou a Daniel, ao terminar de se acomodar no banco.

-Eu não sei... –Daniel disse com sinceridade. De alguma forma, ele estava preocupado.

A fumaça do carro começa a formar uma nuvem negra.

Daniel olha para ela. E olha da onde a fumaça vem. O capô do carro está aberto. Algo chama a atenção de Daniel.

O motor.

E Daniel percebe que, quando o sinaleiro caiu no capô, fez com que ele começasse a funcionar.

-Oh... Merda!-Daniel exclama.

Tudo fica claro na mente de Daniel. Eles não estavam a salvo por salvar Anna.

A foto de Ellen veio em sua mente. O ventilador poderia significar o motor do carro que estava prestes a explodir.

Anna soltou uma tosse seca. Ela coloca sua mão na garganta.

-Oh... Um dólar... –Ellen diz, se abaixando para pegar a nota.

-Ellen!-Daniel grita.

Num movimento rápido, Daniel começa a correr em direção de Ellen.

O carro do tio Roger explode. O motor é arremessado em direção de Ellen.

Anna olha abismada para o que está acontecendo.

Daniel está a poucos metros de Ellen. Tudo parece estar acontecendo em câmera lenta.

Ellen está se levantando.

Daniel está em um desespero.

Parece que o motor irá ganhar dele.

Será que tudo irá acabar para Ellen?

Daniel sente que tudo depende dele. Da sua força de vontade.

Ele tenta salvar Ellen. Mas começa a se sentir fraco.

“Não! A Morte não vai vencer” Daniel disse a si mesmo.

Então ele recupera e ganhar uma força e velocidade incrível.

O motor está prestes a destroçar Ellen.

Daniel se joga sobre Ellen. Os dois caem na grama que havia ao lado. O motor passou por cima deles, mas fez um corte no braço de Daniel.

Mas isso não importava para ele, e sim que Ellen estava a salvo.

Anna ainda olhava abismada do outro lado da rua.

-Daniel!-Ellen exclamou vendo o corte no braço do namorado.

-Não foi nada... –Daniel mentiu. O corte estava ardendo.

Ellen ajudou-o levantar.

Daniel soltou um pequeno gemido de dor.

-Ellen!-Anna gritou, Ellen se virou e viu que ela pontava para algo.

Ellen seguiu para onde a amiga apontava. O motor do carro havia acertado um poste de luz. Ele estava amassado, ameaçando cair.

-Temos que sair daqui... –Ellen sussurrou para Daniel.

Daniel começa a cair. Ele está fraco. Ellen ajuda-o a levantar. Anna também queria ajudar, mas não podia, por causa da sua perna.

Eles voltam para o meio fio.

Ellen estava completamente preocupada com Daniel.

-Ellen... Cuidado!-Anna gritou olhando para cima. Ellen olhou, um vento derrubou um vaso.

-Droga!-Ellen exclamou.

-Vamos Ellen!-Daniel diz, empurrando Ellen e caindo no chão.

O barulho do vaso quebrando aliviou a todos. Eles estavam salvos?

Não. O poste de luz se dobra mais, caindo na rua, um carro ia passar. Para desviar do poste ele faz uma manobra perigosa.

Ele acaba batendo na parede, ao lado de Daniel. Daniel levanta sua cabeça. O pneu ficou a poucos centímetros de seu rosto. Ao passar pelo meio fio, o carro começa a vazar. O líquido vai até o meio da rua.

O motorista sai do carro.

-Ei, ajuda meu amigo!-Anna grita. O motorista sai correndo-Imprestável...

Anna olha para a rua e vê o motivo do motorista fugir. Uma faísca saiu da lâmpada e o líquido do carro está indo em sua direção.

-Ellen! Daniel!-Anna grita.

Daniel também vê o líquido. Ele tenta se levantar, porém não consegue. Ele se lembra de sua foto. Sem foco, iluminada...

Ele morrerá carbonizado.

Ele está preparado para morrer...

O líquido alcança a faísca, rapidamente o rastro de fogo se forma. Daniel consegue se levantar. Agora ele está de joelhos.

O rastro de fogo chega ao carro. Num piscar de olhos, o carro explode. Daniel sente o calor do fogo da explosão em seu rosto. Ele solta um grito agudo quando ele está prestes...

...A ser puxado por Ellen. Os dois caem no chão.

Salvos...

***

Uma ambulância chega ao local para cuidar da perna de Anna e das queimaduras de Daniel.

Os três estavam a salvo...

Daniel se sentia aliviado...

Será que a Morte foi enganada por eles?

Será que tudo estava bem?

Será que a vida voltaria ao normal?

Essas perguntas faziam Daniel pensar, refletir...

Notas finais
Obrigado por lerem...