Prelude To Death

5 Um, Dois, Três, Quatro! Jogando pega com a Morte!


Notas iniciais
Espero que vocês gostem dessa capitulo -q Desculpe a demora, tivemos uns problemas com a energia na cidade .-. Bem! Daniel mudando de ares! -q

*Inicio da Gravação*

Guapirama – PR

Domingo, 12 de Outubro de 2014 05:32 P.M

Quente? Fervendo? Inferno. Essa era a palavra correta. Eu estava no inferno, só podia. O calor era imenso. Minha visão começou a se recuperar e vi uma parede em cima de mim. Por sorte, ela não me esmagara. Cara, meu anjo da guarda só podia ser muito bom. Tentei mexer minha perna direita, mas uma dor lancinante me fez soltar um urro de dor e socar o chão, mordendo a própria língua para não gritar tanto. Sentei-me com cuidado e olhei minha perna. Eu devo descrever isso aqui?

*Voz Feminina ao fundo*

Ah, certo. Bem, lá vamos nós. Eu olhara minha perna. O sangue não saia, mas ela estava roxa e inchada. Por quê? Uma metade de uma telha com uma ponta pontiaguda perfurara e atravessara minha perna, de fora a fora. Eu peguei na telha e tentei puxar um pouco para cima. Uma dor, um choque, me percorreu o corpo e me impediu de tentar retira-la. Não agora. Procurei em volta e achei minha pistola, um pouco perto da beira da calçada. Estiquei o braço e a peguei. Verifiquei o tambor. Cinco balas. Recarreguei só por precaução. Usando a parede de apoio consegui andar e sai pulando com a perna esquerda. Ao sair debaixo da minha proteção, vi o que causara. A igreja ardia em chamas. Toda sua estrutura havia ido abaixo. Aliás, toda a estrutura daquele quarteirão havia se esmigalhado e eu conseguia ver perfeitamente a praça. Algumas casas em volta da praça estavam igualmente destruídas, mas só a praça ardia em chamas. Tanto quanto melhor para mim. Ainda me apoiando na parede, sai pulando até a esquina, com muita dificuldade. Esgueirei-me pela esquina para ver se ainda havia algum zumbi ainda vivo e acabei forçando a telha contra a parede, fazendo-a penetrar mais ainda minha perna. Cai no chão, rolando e gritando de dor. Lagrimas escapavam dos meus olhos e meu rosto estava vermelho. Trincando os dentes para não gritar e bufando de dor, peguei minha arma e com dificuldade me levantei. Comecei a pular. Meu alvo? O Hospital. Ficava a apenas alguns metros da praça. Meio quarteirão aproximadamente. Estava na esquina da praça quando vi a minha esquerda, dez zumbis correndo feitos loucos. Estavam perto demais, mirei meio desesperado e acertei um na cabeça. Os outros pularam sobre mim. Pulei para o lado e um deles me pegou em cheio no meu tronco. Senti umas costelas trincarem. Fui arremessado e sai rolando. Um deles correu como um cachorro urrando para cima de mim e pulou. Acertei-o em pleno ar e ele caiu ao meu lado inerte. Saquei a outra .38 que estava na minha cintura e comecei a atirar. Matava zumbis com facilidade. Sempre tivera uma boa pontaria. O ultimo errei e as balas acabaram. Eu peguei algumas balas no bolso. Minha mão tremia. Deixei cair quase todas no chão, conseguindo enfiar apenas uma no tambor. Fechei e nesse momento, ele pulou sobre mim. Eu segurava seu rosto com toda a força que eu tinha, para que eu ele não me mordesse. Parecia mais forte que o normal, ou eu que estava mais fraco mesmo. Ele acabou pisando na telha e ela entrou toda na minha coxa. O lado de cima ficou um buraco aberto e muito sangue começou a escorrer. Era agora ou nunca. Encostei a arma na cabeça dele e urrando de raiva disparei. Os miolos dele voaram para todos os lados. Empurrei-o, deixando-o de lado e peguei minha outra .38, recarregando as duas por precaução. Fui pulando até o hospital. Demorei um tempinho, e depois de muita dor, finalmente alcançara sua porta. Estava aberta, então apenas a empurrei. Passei por outra porta e cheguei ao corredor. Eu estava ficando meio tonto por causa da dor. Doía, sangrava e ardia muito. Eu havia deixado uma trilha de sangue no caminho. Acabei achando a enfermaria. O hospital estava em perfeito estado. Parecia que ninguém havia invadido aquele lugar. Comecei a procurar nas prateleiras por alguma coisa anestésica. Não encontrei. Apenas peguei a agulha, linha e álcool. Sentei-me numa maca e deixei as coisas do meu lado. Ergui um pouco a perna, mas com muita dificuldade. Por conta da telha, o músculo havia meio que “travado” e agora não conseguia mover a perna direito. Já que, a telha havia atravessado minha coxa, tive que pegar pela ponta de baixo e empurrar para cima, para que eu conseguisse pegar a parte de cima e puxar, sem rasgar ainda mais minha coxa. Doeu muito. Mas tomei coragem, mordi um travesseiro e comecei a empurrar. Eu chorava de dor. Meu rosto queimava e eu bufava muito. Consegui empurrar uma parte para cima. Agora vinha a pior parte. Mordi ainda mais o travesseiro e respirei fundo. Agarrei a telha e puxei com toda minha força. Senti um choque de dor. A telha saia lentamente da minha coxa, como se quisesse me cortar ainda mais. Sangue escorria do ferimento aberto. Com um ultimo urro e uma coragem sobre-humana, puxei a telha com toda minha força. Ela soltou-se da minha coxa e joguei o fragmento na parede. Minha coxa pulsava. Não havia atravessado um osso meu, mas eu conseguia vê-lo perfeitamente. Ardia muito, ainda mais agora, pois a telha não estava mais ali. Não sabia mexer muito com essas coisas de remédios, desinfetação de ferimentos e tal. Mas sabia que e um álcool matava a maioria das bactérias e germes. Abri o vidro de álcool, tomei mais coragem ainda e virei seu conteúdo no buraco da minha coxa. Em comparação com aquela sensação, retirar a telha era como tirar uma farpa de madeira que entrou na pele. Parecia queimar tudo por dentro. Fora loucura eu sei, mas achei necessário. Soquei a parede com toda a minha força, mas ardia muito. Peguei a agulha com as mãos tremendo e passei a linha por ela, com muita dificuldade, claro. Comecei a costurar minha coxa. Eu estava com os dentes trincados e bufava a cada vez que passava a agulha. Eu sabia costurar, pois sempre arrumava minhas roupas. Para não passar mal, pensei na minha coxa como uma camiseta rasgada e continuei costurando. Fechei muito bem o lado de cima, agora faltava o mais difícil. O lado de baixo. A sensação era até gostosa. A linha fazia cócegas por dentro da pele. Varias vezes errei o furo da agulha, mas acabei fechando o ferimento. Já não ardia tanto e minha perna não estava mais travada. Conseguia mexe-la com facilidade, apesar do leve incomodo e da dor. Sai meio mancando pelo hospital, levando um saquinho com agulha e linha, caso eu precisasse. Olhei pela janela. Tinha uma caminhonete velha ali. Talvez o dono esteja dentro do hospital. Virei o corredor e fui adentrando ainda mais o hospital. Suas luzes se encontravam todas acesas. Eu me perguntara como as luzes ainda funcionavam? Como ainda havia internet? Esperava descobrir logo. Odiava ficar na curiosidade. Cheguei até o fundo. Nada. Tudo limpo. Olhei para o balcão. Logo atrás dele, havia algumas chaves penduradas. Quatro ao todo. Peguei todas. Não custava tentar, não é? Andei até a porta da saída, era de vidro e automática. Passei por ela ainda meio manco, mas muito mais aliviado. Testei todas as chaves na caminhonete. Uma com o chaveiro do Pikachu que abriu a porta. Joguei as outras no chão e entrei, jogando o saquinho com a agulha para o lado. Coloquei a chave no contato e girei levemente uma vez. Tanque cheio. Sorte. Liguei a caminhonete e engatei a ré. Sai para a rua e virei à direita, indo para a “avenida”. Era mais seguro que passar perto da praça em chamas. Eu cheguei até a parte de trás da minha casa em apenas dois minutos. Desci da caminhonete e a desliguei. Tranquei e coloquei a chave no meu bolso e fui até o muro. Tentei pular o muro, mas não estava conseguindo por conta da perna e eu não queria que os pontos rasgassem. Peguei vários tijolos e empilhei, até conseguir pular. Entrei na casa, muito cansado. Olhei para o relógio da cozinha. Eram 06h04min P.M. Já ia anoitecer. Nem lembrei que hoje era feriado do Dias das Crianças. Apenas ri por causa disso. Eba, sem escola. Agora faltava a família e os presentes. Fui para a sala e peguei um porta-retratos. A família toda reunida. Limpei o pó com a ponta dos dedos. Deixei uma lagrima cair. Espero que todos estejam bem. Enxuguei o rosto com as costas do braço e deixei o porta-retratos ali. Fui para dentro, tomei uma ducha e me deitei nu mesmo na cama. Estava cansado demais, e o outro dia seria corrido.

*Término da Gravação*

○ ○ ○

*Inicio da Gravação*

Guapirama – PR

Segunda, 13 de Outubro de 2014 07:00 A.M

Acordara bem cedo. Os lençóis estavam grudados em mim. Eu deveria ter dormido com o ventilador ligado, e me arrependo de não tê-lo feito. Minha coxa estava um pouco menos inchada, mas parecia meio avermelhada. Ignorei e fui me banhar. Tomei um banho demorado, deixando a água quente escorrer pelo meu corpo. Sequei-me e fui nu até meu quarto, assoviando uma melodia. Era a musica Sweet Child o’Mine, do Gun’s. Eu amava Gun’s. Coloquei uma camiseta tipicamente nerd. Era preta com o cogumelo da vida do Mario. O cogumelo verde, para os menos informados. Coloquei um jeans preto e um tênis. Juntei toda a roupa possível e coloquei numa mala. Eu sou organizado, então estavam todas dobradas, cabendo muita roupa. Peguei outra mochila e fui até a sala. Dessa vez não tirei o tênis, eles eram novos, nem havia usado mesmo. Organizei as armas. Numa das mochilas coloquei as armas e na outra coloquei toda a munição, separadas por bolsos para não misturar. Pendurei as mochilas nos braços, peguei a katana, meu iPod que estava perto da TV, minha mala e sai andando até a cozinha. Tomei um ultimo copo de água, lavei a louça que estava suja, guardei e sequei. Fui até a porta e depois me virei. Eu iria sentir falta daquele lugar. Quem sabe eu não consiga voltar? É exatamente isso. Eu vou voltar, e não a nada que possa me impedir!

- Eu juro... – sussurrei.

Abri a porta e sai, fechando-a com cuidado. Peguei uma escada de metal e usei para subir no muro. Derrubei-a no quintal, pois não queria ninguém entrando em minha casa. Dei uma ultima olhada para a casa e pulei o muro. Andei lentamente até a caminhonete, sem pressa. Abri a porta da caminhonete, joguei as mochilas e a mala perto da sacola com a agulha e logo por cima joguei a katana. Entrei, coloquei a chave no contato e liguei. Antes, coloquei o fone de ouvido e liguei, colocando na pasta do Coldplay. Começou a tocar Clock, uma das minhas musicas preferidas do Coldplay. Engatei a primeira marcha e fiz o balão. Segui em frente, virando a esquerda e logo após a direita. Cheguei ate o posto e virei a direita, pegando a estrada para a próxima cidade. Joaquim Távora. Já era tempo de eu estar mudando de ares. Quem sabe eu não encontrava algum sortudo e com mais sorte ainda, algum amigo meu ainda vivo. Quem sabe. Continuei acelerando com a caminhonete. Estava a 100kh/h e a musica Paradise começou a tocar. Começou a chover. Uma chuva muito forte. A visibilidade era muito baixa, eu mal via a estrada. Eu estava cantando o refrão e por acaso olhei para o lado. Tomei um baita susto, vi uma coisa vindo de encontro com a caminhonete e a acertando em cheio! A caminhonete saiu girando para o lado. Ela dobrou praticamente no meio. Saiu soltando faísca enquanto se arrastava na estrada. Eu estava meio tonto e de ponta cabeça. A caminhonete tombara! Escutei um tipo de relinchar e um bufo. Alguma coisa começou a andar em cima da caminhonete e ela se amassava ao seu peso. Não pensei duas vezes. Estiquei o braço e tirei a katana da sua bainha. A coisa que capotara a caminhonete, parou logo acima de mim, como se soubesse que eu estava lá. O fundo da caminhonete começou a rasgar como se fosse papel e eu vi o que era aquilo afinal. Era um cavalo, que com seus dentes, rasgava a caminhonete. Ele relinchou, mas um relincho muito agudo. Saiu sangue do meu ouvido e eu ficara desnorteado. O cavalo avançou para cima de mim e eu consegui colocar a katana na sua frente. Ela entrou na sua boca e atravessou sua cabeça, mas ele continuou descendo devagar, tentando morder meus dedos e por um triz, ele não me morde. Joguei a katana para o lado e o corpo dele caiu também. O corpo dele desceu ladeira abaixo e se soltou da lamina da katana. Limpei o sangue no banco da caminhonete e guardei a katana na sua bainha. Peguei o saco com a agulha e a linha e joguei dentro da mochila das munições e coloquei no meu braço, pegando também a outra mochila e a minha mala. Pulei para fora da caminhonete e chutei de leve. Olhei para os lados. Ainda chovia forte e no meu iPod começou a tocar Viva La Vida. Vi de longe uma casa e uma garagem. Quem sabe com sorte eu acharia outro carro. Comecei a andar e abri a cerca, deixando-a presa para que não se fechasse. Subi o barranco que estava molhado e escorregadio por conta da forte chuva. Escorreguei duas vezes, rolando na lama e indo para na estrada de novo. Ficara todo sujo. Fui pelo canto, me apoiando às vezes na cerca, conseguindo subir. Minha camiseta nerd estava toda molhada e suja. Corri até a garagem e na hora de eu entrar, escorreguei na lama e cai de novo. Fiquei deitado, xingando a chuva, pois ela só estava me atrapalhando. Levantei-me e entrei na garagem. Havia uma caminhonete nova lá. Uma Ranger parecia ser um modelo novo. Havia algumas sacolas espalhadas e duas caixas grandes térmicas na caçamba da Ranger. Peguei uma das sacolas e tirei minha roupa, guardando-as lá dentro. Peguei na mala uma camisa verde sem estampa, outra calça jeans e fiquei com os tênis molhados mesmo. Deixei as mochilas e a mala em cima do balcão. Entrei dentro da casa pela porta que havia na garagem segurando minha katana e escutando Gun’s. Vários corpos estavam espalhados pela cozinha. Uma menina de uns 10 anos, um senhor, uma mulher e um homem. O homem segurava a chave da caminhonete. Aproximei-me cautelosamente do corpo e peguei a chave. Nada. O corpo continuou imóvel. Virei-me para sair da cozinha quando escutei um estalo. Olhei para trás e a menininha estava de pé e estralava o pescoço, olhando com uma cara maligna para mim. Com incrível velocidade ela correu para cima de mim e tive que usar a katana para mantê-la afastada. Eu não conseguia chuta-la, e ela se mexia num ritmo frenético e raivoso. Usando a porta como apoio, empurrei meu corpo e o dela para frente. Ela caiu de um jeito desengonçado no chão e eu saquei a katana. Ela ficou com raiva e ergueu os dois braços para cima, mas eu cortei suas mãos. As mãos rolaram e continuaram abrindo e fechando por uns segundos até pararem. Ela veio com mais raiva ainda para cima de mim e eu atravessei sua face com a katana. Ela se debateu por um tempo até morrer completamente. Tirei a katana de sua cabeça, sem ter uma gota de sangue. Ela já devia ser um zumbi há tempos para seu sangue ter coagulado tanto. Embainhei a katana e sai da cozinha. Apertei o botão do controle e a porta da garagem se abriu. Meio curioso, abri as caixas térmicas. Havia muitos enlatados dentro deles. Ótimo! Comida boa e dentro do prazo de validade! Fechei novamente, desativei o alarme e abri a porta traseira da Ranger. Era uma quatro portas. Joguei minha mochilas e a mala na parte de trás, fechei a porta e entrei na Ranger, deixando a katana no banco do passageiro. Coloquei a chave no contato e liguei. O motor era silencioso demais para aquele tipo de veiculo. Engatei a ré, sai da garagem e fechei o portão. Comecei a descer com cuidado para não escorregar e graças ao ferro de proteção da Ranger, só arrastei a minha ex-caminhonete. Acelerei, ganhando a estrada. A chuva já estava parando e eu avistava de longe a cidade de Joaquim Távora. Em 5 minutos, eu já estava no trevo. Preferi não ir pela entrada principal, e sim pela outra entrada, que passava perto do Centro de Eventos. Antigamente, era contramão, mas hoje, acho que ninguém vai ligar. Um pouco mais adiante, virei à esquerda. Queria passar na casa do meu amigo Luis Paulo. Parei na frente da casa dele. Estava tudo aberto. Era impossível ele estar ali. Passei nas casas de outros amigos, mas em vão. Parei na frente da casa do meu amigo Vinicius. Eu não ia descer, mas algo me fez mudar de ideia. O portão estava sem cadeado. Desci da caminhonete levando minha katana e entrei. A porta também estava aberta. Só a empurrei e encontrei o Vinicius deitado no chão, com os braços e pernas abertos. Ele estava muito magro, mas respirando. Ele estava desnutrido! Peguei-o no colo e o carreguei até a Ranger. Abri a porta do passageiro e o coloquei ali. Fui até a caixa térmica e peguei duas latas de sardinha em conserva. Entrei na ranger, abri as latas e fui colocando na sua boca, aos poucos. Ele engoliu tudo. Escolhi a sardinha justamente por ser fácil de ingerir. Depois de terminar as duas latinhas, ele sorriu e sussurrou um “Valeu”, caindo logo no sono. Coloquei as latinhas no painel da Ranger, para não sujar a rua, e segui em frente, virando à direita e saindo na rodoviária. Logo do lado da rodoviária, havia um monte de carros e caminhões estacionados, todos em volta do ginásio de esportes. Aproximei a Ranger da barricada, parando ela ali perto. Joguei a katana para o banco de trás e peguei a mochila. Peguei algumas balas e enfiei no bolso da calça. Carreguei duas .38, uma delas para mim e a outra deixei no colo do Vinicius, caso ele precisasse se proteger. Desci da Ranger e com cuidado para não rasgar a costura na minha perna, atravessei a barricada, indo em direção ao ginásio. A porta se encontrava entreaberta. Empurrei devagar e entrei. As luzes se achavam acesas, e no meio do ginásio, havia vários colchões e muito lixo. No meio disso tudo, uma garota estava deitada. Corri até ela. Quando me aproximei, vi que era uma amiga minha Natalia Santana! Eu a toquei e ela acabou acordando. Sorriu levemente para mim e se sentou. Esfregava os olhos.

- Dan? Você está vivo? – perguntava ela num fio de voz.

Eu sorri e coloquei dois dedos sobre seus lábios, para que ela não falasse.

- Calma, eu já volto, tenho que buscar o Vinicius no carro...

Ela assentiu, joguei a arma num dos colchões e corri, saindo do ginásio. Nem me preocupei com minha coxa. Subi rapidamente em cima da caçamba de um caminhão e a abri, isso facilitaria. Desci e corri até a porta do Vinicius. Peguei a arma do seu colo e joguei no banco de trás. Botei-o nas minhas costas, bati a porta com o pé e corri. Subi em cima do capô de um carro e pulei na caçamba. Saltei de lá, caindo no chão e sentido um choque na perna. Senti algo quente escorrendo, mas ignorei, continuei correndo. Chegando lá, simplesmente o soltei em cima de um dos colchões. Ele se mexeu para um lado e voltou a dormir. Corri de novo para fora. Eu tinha que pegar as caixas com comida. Pulei a caçamba do caminhão de novo e abri a da Ranger. Tirei uma das caixas e com muito esforço, consegui colocar ela em cima da caçamba do caminhão. Fiz o mesmo com a outra caixa e depois as joguei no chão, do outro lado. Desci e as arrastei até o ginásio. Chegando lá, peguei varias latas de sardinha e dividi entre os dois. Acabei achando varias colheres na caixa e entreguei uma para a Natalia. Eu iria alimentar o Vinicius depois. Voltei para buscar minhas coisas, só que dessa vez com mais calma. Pulei a caçamba do caminhão e fechei a da Ranger. Contornei e abri a porta. Coloquei as duas mochilas nos braços, a arma na cintura, peguei a mala e a katana com a outra mão e bati a porta. Pulei a caçamba do caminhão pela ultima vez – e quase caindo – e andei até o ginásio. Joguei minhas coisas num colchão e fui alimentar o Vinicius. Fiz isso em silêncio e a Natalia não disse nada também. Quando terminei de dar comida para o Vinicius, ela estava raspando a ultima latinha.

- Então você está vivo? Como? – disse ela, visivelmente melhor. Ela jogou a latinha para o lado e eu fiz cara feia. – Quê? Precisamos mesmo de higiene num momento desses?

Eu não respondi.

- Vamos, diga-me, como está vivo? Eu vi seu corpo naquele caixão! Fui uma das que mais chorou!

Suspirei.

- Eu não sei... Acordei há alguns dias, vivo, dentro daquele caixão e consegui escapar por um milagre... É tudo o que sei...

Ela riu e apontou para minha perna.

- Agora você menstrua também?

Olhei para minha perna. Disse um “droga” baixinho e me levantei.

- Os chuveiros daqui estão funcionando?

Ela respondeu com a cabeça. Fui até minha mala e peguei uma calça de moletom. Meu pijama de cada dia.

- Vou precisar que você costure minha coxa?

- Por quê? – disse arqueando uma sobrancelha.

- É que eu tive um acidente e foi muito feio... Se você costurasse seria mais simples...

- Tudo bem...

Peguei a sacola dentro da mochila e joguei para ela.

- Eu te chamo quando eu terminar, ok?

Ela sorriu e eu fui até os banheiros. Era usado pelos jogadores, mas duvido que vão precisar muito deles agora. Despi-me e entrei no chuveiro. Uma ducha quentinha. Não demorei muito e sai, me secando. Fui até a porta e chamei a Natalia. Ela se levantou e veio cantarolando alguma musica da Paramore, sua banda preferida. Encostei-me a uma parede, enrolado na toalha. Subi a toalha até a altura do corte. A linha tinha se soltado e eu havia retirado durante o banho.

- Uou... Foi feia a coisa ai... O que aconteceu?

- Conto depois... Pode costurar?

Ela assentiu e se ajoelhou. Abriu a sacola pegando uma das agulhas e passando a linha nela. Quando ela tentou costurar, puxou a toalha, despindo-me completamente.

- Ei! – disse me agachando e pegando a toalha.

- Mantenha essa toalha longe daqui se quiser ter uma boa costura! – disse ela rispidamente.

Mantive a toalha do lado do meu corpo. Ela começou a costurar e olhou para mim.

- Belo instrumento esse ai...

Tampei com a toalha, meio envergonhado. Ela riu e continuou a costurar. Fiquei o tempo todo encarando o teto, deixando-a trabalhar em paz. Quando ela terminou, deu um tapinha na minha coxa e disse:

- Serviço pronto, senhor! Mais alguma coisa?

- Sim, tem que costurar a parte de trás também... – disse-me virando.

- É... A coisa foi e feia e uau...

- Que foi?

- Que belo traseiro.

Eu bufei. Não iria discutir com ela. Ela começou a costurar. Fiquei encarando a parede. Era pintada de um cinza meio melancólico. Não gostei. Ela terminou o corte na parte de trás da minha coxa com muito menos tempo que o outro. Ela se levantou assobiando uma melodia e deu um tapa em meu traseiro e saiu arqueando as sobrancelhas. Apenas fiz um movimento negativo com a cabeça e fui me vestir. Coloquei a calça e sai descalço do banheiro. Ela estava me chamando para dormir com ela, que insistente. Não queria me envolver com ela. Eu ainda amava outra mulher, e nem sabia se estava viva ou não. Acabei ignorando o pedido e me deitei em um colchão longe dela. Ela fez um biquinho, mas ignorei e me virei para o outro lado. Eu estava realmente cansado, pois quando fechei os olhos, entrei num sono profundo.

*Término da Gravação*

Notas finais
Está ai pessoal! Comentem e me digam o que acharam! Agora que ele está com novas pessoas, me sinto com uma certa dificuldade para narrar tudo u.u Se não ficar bom, vou matar todo mundo e ele vai continuar sozinho -q
Até depois! ~q