Prefácio. I Cant Stop Loving You.
1 Capitulo I.
2 anos atrás.
Noite de inverno: Típico em Curitiba. Esse fora um dos verdadeiros motivos de ir pra lá, morar lá. Gostava de frio, sem mais. Camila estava entediada se estar ali em seu apartamento e esse era um de seus defeitos: Ela tinha a necessidade de sair. Ver pessoas novas, conhecer pessoas novas. Pena, que as pessoas novas que ela conhecia eram novas apenas por um dia. E nenhuma, até agora, teria feito ela se interessar ou ter aquela pequena curiosidade de querer conhecer mais. Mesmo em um lugar como aqueles, e de ter muitos colegas e pessoas que adoravam a companhia de si, às pessoas eram inegavelmente iguais a sua cidade natal. Meninas apaixonadas, garotos que ignoravam. Era tão.. Clichê. Mas parecia-lhe a lei da vida. Apenas.. Parecia. Voltou a abrir seus olhos, conseqüentemente eles se encontraram a bisbilhotar o próprio teto. Não era um teto comum, como ela mesma. Era vermelho: Quase como a sua própria personalidade. E embora fosse capaz de se enjoar rápido das coisas, aquilo era algo que não importasse quantas horas ficasse parada olhando ou por quantos anos aquilo prevalecia ali, não conseguia enjoar. E era uma das poucas coisas. O tédio novamente estava voltando, de novo. Bufou irritada e olhou através da janela: E ali estava um dia nubladissímo, mas ainda era claro. De qualquer maneira, ainda era cedo para sair para qualquer lugar bom. E esta trocava dias por noites, o que lhe parecia muito mais divertido. Fechou os olhos na tentativa de tentar adormecer. Tentou. Tentou. Tentou. Mas nada adiantava. Sabia que se a mesma levantasse agora para ir se arrumar — Embora levasse algum tempo — iria terminar cedo demais. E embora tentasse enfiar isso na própria cabeça, não conseguia se conter. Tranquilamente levantou-se. Foi até o banheiro, que era bem ao lado, adentrou nele: Começou a retirar as pequenas e leves roupas que cobriam o seu corpo. Não demorou muito para que ficasse nua, e pegou-se a observar o próprio corpo na frente do espelho. Realmente, tinha sorte em demasia. Balançou levemente a cabeça, e com delicadeza entrou no box. Mas antes de abrir ao chuveiro, aproveitou do elástico que estava em seu punho, e prendeu seu cabelo. Não queria molhá-lo. Não pelo menos naquele dia. E finalmente, abriu. Deixou que a água caísse e molhasse cada parte de seu corpo. A temperatura estava tão quente, que quase podia se queimar. Mas gostava assim e assim era o único jeito que tomava seu longo banho. Enquanto pegava o sabão para poder passar em seu corpo, começou a cantar.
──── Survivor!
Survivor!
One more god damn day
When I know what I want
And my want will be considered tonight AH! AH!
Consider tonight AH! AH!
Just another day
When all that I want
Will mark me as a sinner tonight AH! AH!
I’m a sinner tonight, yeah!
People can no longer cover their eyes
If this disturbs you then walk away
You will remember the night you were struck by the sight of
TEN-THOUSAND FISTS IN THE AIR!
A voz da menina além de ser afinada, era extremamente doce e um pouco rouca. E sendo assim, acompanhando a canção com sua própria voz, o banho ocorreu normalmente. Sabonete > Água > Mais água. Só estava um pouco diferente, pelo simples fato de não ter molhado os cabelos. Isso iria levar muito tempo, e ela não estava com paciência e “saco” para poder arrumá-lo ainda mais também. Com cuidado, desligou o chuveiro. Pegou a toalha que estava pendurada na porta do Box. Ia passando-a pelo corpo, logo depois enroloou-a em seu corpo, levou as pequenas e delicadas mãos para a pontinha da toalha e então enrolou — O suficiente — e preendeu, firmemente. Caminhou até o quarto, diretamente, foi em direção ao armário. Levou as mãos até a maçaneta e o abriu. Ali dentro havia milhares de roupas. Algumas empilhadas e algumas penduradas em cabides. Estas, para ocasiões mais especiais. Camila ficou ali, pôs-se a observar para poder escolher uma boa roupa. Mas a garota não demorou muito à realizar seu trabalho: Pegou um vestido preto justo, tomara-que-caia. Este além de ser extremamente grudado ao corpo da mesma, iam até a metade de suas coxas. Deixando que as mesmas ficassem a mostra. Pegou também um cinto, que colocaria em baixo do busto, no vestido. Um cinto preto também, mas com tachinhas. Largo o suficiente para combinar com o mesmo. Deixou a peça de roupa e o cinto, em cima de sua própria cama. Deixou-o ali, com todo cuidado para não amassar. Era incrível como ela era impecável com suas roupas e coisas. Realmente, incrível. Voltou a virar-se para o armário, só que desta vez era uma das gavetas. Abriu com cuidado e pode ver as centenas calcinhas que ali se guardavam. Pegou uma vermelha de renda, era uma de suas prediletas. Foi então que tornou a voltar-se para a cama novamente. Deixando que esta ficasse sobre o vestido. Sentou-se ao lado de onde havia colocado o vestido, a calcinha e o cinto. Mecanicamente levou uma das mãos pequeninas até onde havia enrolado a toalha, logo em cima desenrolou, deixando que a mesma — que estava molhada — caísse sobre a cama. Apesar de ter secado alguns partes do corpo, ele ainda estava molhado. Voltou a pegar a toalha novamente e aproveitou para secar as partes restantes. Feito isso, Camila levantou-se e caminhou novamente até o banheiro, colocando a toalha ainda havia pegado. Não demorou muito para estar de volta ao quarto. Levou as mãos até a calcinha e então a colocou. Virou-se e caminhou até gaveta que havia aberto instantes atrás, só que ao invés de abrir esta, abriu à de cima. Ali continham seus sutiãs: Pegou um vermelho também, que era o par da calcinha que havia pegado. Este era tomara-que-caia também. Sem mais perder tempo, colocou o sutiã. Camila parou, observando desta vez o quarto. — Onde eu coloquei mesmo aquele creme? — Franziu a sobrancelha. Persistiu em observar de novo o quarto: Olhou para cima da cabeceira e ali estava ele: Creme com fragrância de framboesa. Caminhou até a cabeceira e então, pegou o tão desejado creme. Abriu a tampinha e espalhou por todo o corpo: Desde os dedinhos dos pés, até à face. Depois de Camila ter terminado o seu corpo já havia prendido a fragrância de framboesa: Era tão gostoso e seu corpo estava tão impregnado daquele cheiro que parecia ser natural dela própria. Voltou para a cama, e assim pegou primeiramente o vestido. Colocou o mesmo sem nenhuma dificuldade, só na parte de fechá-lo é que foi um pouco mais difícil. Mas ela, ainda sim, conseguiu. Caminhou até um dos armários e foi ali que abriu a porta do armário do meio: Ali havia um espelho, bem comprido e estreito. Deu uma volta na frente daquele espelho, para ver se ela mesma se auto-aprovava.
──── É, eu estou gostosa.
E esse era o tom de auto-aprovação, embora ela ficasse linda de qualquer maneira. O vestido preto tomara-que-caia ficava um pouco a cima das coxas da garota, e o vestido ficara totalmente justo no corpo da mesma, assim como havia imaginado. Abriu um pequeno sorriso no canto dos pequenos, finos e avermelhados lábios. Deu alguns passos em direção da cama, novamente. Foi então que, Camila pegou o cinto com taxinhas e o colocou um pouco à baixo do busto. Virou-se de frente para os três armários e foi até o primeiro. Levou as pequenas mãos até as maçanetas redondas e então abriu ambas as portas. Ali dentro, havia 15 prateleiras, com 6 pares de sapatos em cada uma delas. Fora os sapatos que se encontravam em baixo da última prateleira. Esta pegou uma das sandálias de couro com tiras em cetim, possuindo elásticos nas laterais que estava na quinta prateleira. A sandália era de cano alto e finíssimo. Como ela possuía quase 1,58cm, não havia problema em colocar um salto de 14 cm. A maioria dos garotos dali, ainda sim eram mais altos que ela. Sem mais delongas, voltou para cama e assim calçou-se. Essa era uma das coisas que ela gostava de fazer: Andar para onde quer que fosse de salto. E quanto mais alto ele era, melhor. Porque assim ela não se sentia tão baixinha. Mais uma vez, voltou-se para o espelho. Fitando a si mesma. Levou as mãos até o elástico que prendia seus longos cabelos negros. Estes se encontravam lisos e no final iam se virando em diversos cachinhos. E sua franja que caía sob o olho esquerdo. A mesma continuava sorrindo. Tranquilamente caminhou até o banheiro, onde ali, pegou a maquiagem. Pegou primeiramente a base, espalhando suavemente pela face inteira. Depois, pegou o lápis e o delineador preto. O lápis preto passou-o na parte de baixo de ambos os olhos, e o delineador passou na parte de cima, cobrindo uma parte dos olhos. Já em terceiro lugar, pegou uma sombra vermelha com alguns brilhos, passando acima do delineador. Os olhos de Camila sempre eram destaques em lugares, exatamente por sua íris serem verde-água. Quando esta, ainda colocava lápis preto ou delineador junto com alguma sombra, em especial a vermelha, ficava ainda mais chamativa. Ela não passara blush, porque as maças de sua face já possuíam um tom avermelhado natural. Voltou a olhar para a bolsinha onde continha suas maquiagens, e então pegou o batom vinho intenso que tinha. Lentamente e cuidadosamente passou o mesmo sob os lábios, mecanicamente juntou os lábios uns nos outros e fez um pequenino biquinho. Virou e caminhou até o quarto, andando diretamente a cabeceira. Em cima da mesma, continha três frascos de perfume: Kaiak, Tommy Girl e Dolce Gabbana Light Blue. Desta vez optou pelo Kaiak, espalhou o perfume pelo corpo inteiro, principalmente no cangote e atrás da orelha. Olhou através do vidro, por incrível que pareça, já estava de noite. — Eu demorei tanto tempo assim pra me arrumar? — Arregalou de leve os olhos. Foi então que saiu do quarto, e foi caminhando até a porta. Levou uma das mãos até a maçaneta, retirou a chave, e finalmente abriu a porta. E fez o mesmo processo ao sair do apartamento.
Já se encontrava na rua, continuava andando pela rua, ignorando comentários e olhares de garotos que passavam por ela. Não sabia para onde iria naquela noite, seja um bar, uma balada ou onde quer que fosse: Mas Camila queria sair, conhecer pessoas novas e principalmente rir.
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