Prefácio Breaking Bad
1 Capítulo 1
Minha vida não é o que chamamos de ‘’perfeita’’, mas tenho a mulher mais linda dessa cidade e um filho que me orgulha todos os dias, superando a deficiência com a qual nasceu. Ele já está se tornando um homem, não me conta o que aconteceu na escola como quando criança, gosta de ficar sozinho, mas o entendo perfeitamente.
Quando era criança, costumava ver as coisas á minha volta e tinha uma grande vontade de saber como eram feitas, como era feita aquela linha que, depois de tecelada milhares de vezes, se tornava meu cobertor. Eram tantas coisas para descobrir, e crianças não tem outra arma, a não ser a imaginação. Mas foi isso que eu treinei até me formar. É, me tornei o melhor, talvez o único professor de Química de Albuquerque.
Com o passar dos anos, percebi que ser professor parecia mais fácil quando eu gostava de aprender. Gostar de ensinar é totalmente diferente. Eu preciso fazer com que esses adolescentes queiram entender como a água evapora e reparem em como acontecem as variaçoes de cor em todas as coisas, é um mundo infinito de possibilidades. Misturando coisas que você tem em casa, tudo é possível. E eles poderiam fazer, mas não vão. Não sou interessante o suficiente para isso, apenas posso mostrar que o mundo tem outro nome além de Terra.
Houve um dia que parecia monótono, até a polícia bater na porta da classe. Dois policiais se dirigiram à um aluno que estava tão desinteressado quanto qualquer um naquele lugar, ele, literalmente, se arrastava para a escola todos os dias. Era tão jovem, eu tinha esperanças de que ele acordasse feliz algum dia e fosse o mais esforçado de todos, que passaria por cima de qualquer problema desde então. Mas ele foi levado para a delegacia durante meu devaneio, e precisei levar a aula adiante, teríamos longos 37 minutos.
Depois de alguns dias, o aluno praticamente invisível já tinha seu nome conhecido por todos. Jesse. Ele não parecia gostar da sua fama na escola, como quem tem uma vida bem mais interessante fora dela.
Todos os domingos, almoçamos em família. Minha esposa, Skyler, sua irmã, Marie, seu marido Hank e meu filho, Junior. Dividimos novidades do cotidiano enquanto comemos os petiscos do Hank, parecemos uma família feliz, posso dizer.
Entre conversas sobre as aulas da semana, os amigos do Junior e as compras diárias de Marie, Hank contou algo novo que ocorreu na delegacia. Descreveu um garoto jovem e louro, que estava desanimado e não abriria a boca, a não ser por um cigarro. Ele foi entregado por um anônimo sobre estar vendendo drogas pela região, e não está confirmado, mas ele teria vendido pela escola também. Não demorou um minuto para eu me lembrar de Jesse,e agora sua fama estaria mais que explicada, ele tem uma vida mais interessante do que imaginei.
Jesse foi desaparecendo com cada vez mais frequencia, mesmo sabendo apenas seu nome, estava curioso e preocupado. Ser envolvido com drogas, viver fora da lei, deve ser difícil e tenho medo de imaginar o que ele passa nas mãos de pessoas maiores.
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