Predestinados
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Chego em casa depois do treino e Giovanni vem correndo até mim dizendo que conseguiu ingressos para a Fire, a boate que inaugura hoje á noite, com previsão de fila tão grande na porta que dobrará a esquina, e disse que é minha obrigação ir. Ele está tendo um caso com a filha do dono e conseguiu entradas Vips para todas nós, com todas nós, quero dizer eu, Brittany e Stacy. Realmente não queria ir, mas os três conseguem ser bastante convincentes quando querem, estava exausta depois de voltar da academia, mas acabei cedendo. Conhecemos Brittany e Stacy logo que chegamos da Itália e ingressamos na Columbia University, desde então nós quatro somos inseparáveis. Brittany é loira e alta assim como eu, com bunda demais e peito de menos, mas compensa a falta deles com as belas curvas que possuí, Stacy tem cabelos negros e lisos, exibe um corpo de parar o trânsito, sempre fazendo questão de usar saltos muito altos para compensar a pouca altura.
Não que eu não goste de sair e seja dessas mulheres que vivem reclusas em casa, para falar a verdade, amo sair, gosto de viver a vida, mas sei exatamente quais são minhas responsabilidades. Quando optei pela carreira médica sabia que iriam ter vezes que teria de abrir mão de muitas coisas, como por exemplo, a vida boêmia que levava durante a faculdade, festas, baladas, bebida e homens, muitos deles. Sempre tive plena consciência da minha beleza e do meu corpo, não me faço de rogada em relação a minha aparência, sei que sou muito bonita, com meus cabelos loiros e 1,70, pareço uma modelo, modéstia parte, meu corpo não é de se jogar fora também, na verdade, sou muito gostosa mesmo, malho 4 vezes por semana, além de fazer aulas de pole dance, que foi algo que aprendi a amar assim que cheguei a Nova York e Stacy me mostrou o lugar onde ela mesma fazia aulas, gostei tanto que até mesmo cheguei a instalar uma barra aqui, no centro do meu quarto, também é muito útil quando trago companhias para casa, se é que me entendem... por esses motivos sempre atraí a atenção masculina quando saía. Costumávamos sempre sair das noitadas acompanhadas, pode parecer horrível sair com um homem diferente a cada semana, mas enquanto não acho meu príncipe, vou me divertindo com os sapos, nunca fui santa e não me envergonho disso.
Por ter nascido e sido criada na alta sociedade Italiana nunca tive a oportunidade de fazer coisas como estas, até os meus 18 anos só tinha beijado três rapazes, e olha que fora muito para quem estudava em um colégio só para meninas. Quando vim para Nova York finalmente me senti livre, como se pudesse ser quem eu sempre quis ser, sem regras de como e quando me portar de tal maneira, ou todos dizendo o que devo ou não fazer, me senti livre para finalmente ser, eu mesma...
Sempre sonhei em um dia encontrar o verdadeiro amor, aquele que te dá borboletas no estômago e um choque só de tocar a pessoa, andei procurando por tanto tempo essa pessoa que supostamente me faria sentir assim, e fracassando miseravelmente todas as vezes que achei que havia o encontrado. Então perdi as esperanças e parei de me importar. Simplesmente aceitei que esse homem não existe e é fruto dos meus sonhos, que só existem príncipes assim em contos da Disney, não na vida real, não na minha vida.
As meninas chegaram por volta das 21:00 aqui em casa para se arrumarem, cada uma delas carregada de sacolas, que com certeza contém dezenas de roupas e sapatos. Com oito anos de amizade cria-se certa intimidade nas pessoas, a ponto de entrarem em meu apartamento como se fosse o seu próprio e correrem para meu quarto sem ao menos cumprimentar-me, mas tudo bem, eu amo essas garota. Bato a porta e me direciono para o local onde elas se encontram, encontro-as remexendo meu closet, é claro, mas é óbvio que elas tem que revirar tudo de cabeça para baixo para encontrarem uma roupa pra mim, como se eu tivesse 7 anos, não 27 e não fosse capaz de escolher eu mesma o que vestir.
– Olha esse, é tão lindo. — Stacy diz levantando um vestido tomara que caia preto cheio de brilhos.
– Hmm, acho que esse aqui é melhor, e ainda tem aquele sapato que tia Myrian enviou de Milão mês passado para combinar, vai ficar um arraso. — Brittany levanta um outro todo de renda vermelho e pega os sapatos Prada que mamãe mandou entregarem aqui mês passado
Meus pais não conseguem simplesmente me deixar viver minha vida e aceitar que fiz faculdade, tenho um emprego e consigo me sustentar sozinha. Estão todos os meses mandando presentes com preços absurdos e depositando em minha conta um valor astronômico. Não que eu não ame meus pais, eu os amo, muito, mas as vezes todo esse dinheiro e proteção me sufocam. Eu achava ótimo enquanto estava na faculdade e não tinha como me sustentar...quando eu tinha 18 anos. Agora já sou capaz de cuidar da minha própria vida, mas tudo bem, parei de me incomodar com isso faz tempo, eu os amo e se isso os faz feliz, eu estou feliz, afinal sei que não é fácil ter sua única filha se mudando para outra parte do mundo e seguindo um rumo totalmente diferente do que lhe foi planejado, fui criada para seguir o caminho de papai, cursar administração e assumir as empresas quando o mesmo já nãoestivesse em condições de comandar-las. Eles tem muito orgulho da mulher que me tornei e de minha profissão, mas sempre sentirei que os decepcionei porque não assumi o Império Mantovani, então tudo que puder fazer para vê-los felizes, farei.
– Meninas, eu amo vocês e sei que querem o melhor pra mim, mas por favor, só essa noite, me deixem ficar em casa, estou muito cansada, acabei de chegar da academia e amanhã cedo tenho plantão, por favorzinho. — Imploro por misericórdia tentando conseguir apenas ficar em casa e dormir sossegada.
– Não, nada disso, eu e Brittany também temos plantão amanhã e não estamos reclamando, a senhorita vai sim, não há discussão.
– Ninguém merece.
Frustrada, entro em meu closet pegando um vestido branco que modela minhas curvas e se abre na cintura com as costas nuas e saltos peep toe azuis Carmen Steffens, sigo para o banheiro e ligo o chuveiro, assim que a água esquenta entro no box e tomo meu banho, saio só de toalha e as meninas já estão se arrumando, fazendo a maquiagem e cabelo. Volto para o banheiro e começo a escovar e secar as madeixas deixando-as lisas para depois fazer cachos nas pontas, termino o cabelo, ponho o vestido e calço os sapatos. Vou para o quarto e Stacy insiste em fazer minha maquiagem, estou tão cansada que não tenho vontade de fazê-la eu mesma, por isso deixo por conta dela. Se eu ficar parecendo um palhaço vai ser até bom, usarei isso como desculpa para não ir, ela finaliza dando uma retocada no batom e estou liberada para ir ao banheiro me olhar no espelho, para o meu azar, ou não, fiquei maravilhosa, Stacy escolheu os tons certos para destacar minha pele, boca e olhos, estou fabulosa.
– Você está fantástica.
– Obrigada Britt, mas o crédito é todo da Stacy.
– Modéstia a parte, a maquiagem ficou mesmo maravilhosa, mas sua beleza natural também conta muito né amiga.
– Obrigada Stacy, agora vamos se não iremos nos atrasar. — Digo e em mente peço aos céus para que Giovanni não se atrase, quanto mais cedo chegarmos a bendita boate mais cedo sairemos, pelo menos assim espero.
Saímos as três do quarto e peço para que as meninas aguardem na sala enquanto grito Giovanni da escada.
– Gi, eu realmente espero que você esteja pronto ou iremos sem você.
– Calma florzinha, estou quase pronto, me espere só mais 2 minutinhos por favor.
Dois minutinhos no mundo de Giovanni significam meia hora no mundo de reles mortais como nós. Juro que não entendo qual é a dificuldade desse homem em olhar pelo menos um dos vários relógios que faz questão de comprar. Volto para sala e me jogo no sofá de cara fechada, odeio atrasos, odeio mais ainda esperar.
– Deixe-nos adivinhar, Giovanni lhe pediu 2 minutinhos?. — Indaga Brittany já sabendo o que isso significa.
– Você poderia ganhar a vida com isso.
– Com o quê?
– Adivinhação, pois acabou de responder exatamente o que Giovanni me pediu.
– Tão previsível. — Diz Stacy já se levantando e indo até o bar que temos ao lado da grande janela de vidro que vai do chão ao teto.
– Bom, já que temos meia hora ainda trancadas aqui, que tal...
– TEQUILA!!!!! — Responde Brittany já sabendo o que Stacy vai propor.
– Claro, porque não?. Já serei obrigada a ir mesmo, uma dose de tequila não irá me matar.
Caminho até o bar junto a Brittany enquanto Stacy pega os copos de shot, a garrafa de tequila e vai até a cozinha cortar o limão e pegar o sal. Volta entregando um limão para mim e um para Bri e nos passa um saquinho de sal, colocamos o sal na língua, viramos nossos copos e imediatamente chupamos o limão. Em seguida vamos todas retocar nossas respectivas maquiagens no banheiro e quando saímos damos de cara com um Giovanni com um olhar acusador olhando em nossa direção.
– Não acredito que começaram com a tequila sem mim.
– Pense na tequila da próxima vez que nos fizer esperar meia hora por você. — Digo já sem paciência e caminhando até a mesinha de centro pegando minha bolsa e as chaves do carro ao passar.
Espero pacientemente todos passarem pela porta para trancá-la, pegamos o elevador e descemos até a garagem, abro meu carro, um Range Rover Evoque 2015 na cor vermelho metálico e espero todos entrarem, saio do estacionamento para as ruas super movimentadas de Nova York. Demoramos cerca de 30 minutos para chegar a boate, a fila quilométrica indica o quanto a inauguração do lugar era esperada. Passamos direto até os seguranças que cuidavam da área VIP.
– Boa noite senhor, nome na lista?
– Giovanni Colucci e convidadas.
– Identidade por favor.
Giovanni apresenta sua identidade e logo todos estamos recebendo pulseiras para acesso aos camarotes e entramos. O lugar é absolutamente incrível, do chão ao teto tudo é moderno e a decoração é de excelente gosto, apesar de lotadíssima, o lugar transmite uma sensação de acolhimento e segurança, tudo é muito lindo e funcional, os bares são estrategicamente colocados ao lado da entrada para que as pessoas entrem e logo consumam alguma coisa, os banheiros um perto da escada e ao que parece o outro fica depois de um corredor escuro. Subimos as escadas e andamos até o local onde a nova namorada ou seja lá o que ela for de Giovanni está.
– Oi carinho, tiveram algum problema para entrar?. — Pergunta ela se jogando nos braços dele
– Não baby, tudo tranquilo, obrigada por convidar as meninas também.
– Não foi nada.
– Olá Mia. — Dissemos em uníssono
– Olá queridas, fiquem a vontade, a casa é de vocês. Querido vamos dançar um pouco?.
–Claro gatinha.
Mia é uma morena linda com um corpo fabuloso, Giovanni a conheceu quando estávamos na academia. Não que eu tenha algo contra ela, mas ela é superficial demais, patricinha demais, e por último e não menos importante, falsa demais, sei que ela não vai com a minha cara nem com a das meninas e apenas nos suporta porque esta caidinha por Giovanni. Não sei o que Gi ainda faz com ela, ele nunca fica mais de um mês com uma mulher, ou um homem, Giovanni é Bissexual, ele diz que se sente atraído pelos dois, não vejo problema, mas não sei porque ele é assim, digo, assim com medo de se apegar as pessoas. Somos melhores amigos e ele diz que apenas gosta de curtir a vida, não acredito que seja somente isso, por trás dessa fachada de pegador fico pensando se ele já não sofreu muito e por isso tem receio de se entregar demais a alguém. Não vejo como ele pode ter algum "trauma" que eu desconheça, quer dizer, nos conhecemos desde sempre, não posso ter deixado passar uma coisa como essas bem debaixo do meu nariz, bom, acho que estou sendo paranoica, as vezes ele realmente só gosta de curtir a vida...
Tem bastante gente no camarote, todos amigos de Mia, algumas mulheres de nariz em pé que estão nos encarando com cara de nojo e os homens fascinados e nos comendo com os olhos, cumprimentamos a todos e as meninas pedem seus respectivos drinks ao garçom, ainda não acredito que vim para esse lugar contra a minha vontade e ainda vou ser a motorista da rodada, tudo bem, não me importo, temos todos que trabalhar amanhã e ninguém vai poder encher a cara, fico mais feliz com o pensamento, mas logo depois da felicidade a tristeza me assola quando lembro que, eu, também tenho que trabalhar amanhã, acordar cedo e só dormirei umas três horas, não acredito no que esses surtados me fazem fazer.
– Um Cosmo, um Martini e uma Coca-Cola zero por favor. — Pede Stacy já sabendo o que Brittany e eu queremos beber.
– Bri, como vai a mudança? já empacotou tudo?. — Pergunto querendo saber sobre o andamento da mudança de Brittany. Ela resolveu que não aguentava mais viver com a irmã e agora está se mudando para perto de mim e Giovanni, exatamente duas quadras depois do nosso apartamento.
– Está tudo ótimo, já arrumei tudo e o caminhão de mudança vai levar tudo na segunda. — Comenta alegre. — Minha irmã ainda está chorando e pedindo perdão e todo esse drama que ela sempre faz para conseguir o que quer, fora isso, tudo ótimo.
Brittany estava saindo com um carinha há uns três meses, ela estava realmente começando a gostar dele, mas como Megan sempre foi uma invejosa desgraçada, não podendo ver a felicidade da irmã, a piranha seduziu o cara e dormiu com ele, o pior, na cama da Bri, Brittany chegou em casa depois de ter atendido uma chamada de emergência no hospital e flagrou os dois dormindo nus em sua cama. Ela expulsou Jared, o sujeito, da casa dela a pontapés, e teve uma briga horrível com a irmã, nós sempre a alertamos sobre o caráter da irmã, mas ela dizia que era só o jeito dela por que sempre fora muito mimada pelos pais, não. Foi ai que abriu os olhos e viu realmente a cobra que tinha dentro de casa, depois disso fora morar com Stac. Eu disse que ela poderia morar comigo e Gi, mas ela disse que não queria incomodar, e nós já somos dois, Stacy é uma só, como o apartamento fora um presente dos pais para as duas, resolveu que quem se mudaria era ela, e para um lugar muito melhor.
– Amiga, qualquer ajuda que precisar eu, Gi e Stacy estamos aqui, você sabe não é?
– Sim, claro, vocês me ajudaram tanto quando descobri tudo, não sei o que seria de mim sem vocês. Vocês três são os irmãos que não tive, amo tanto vocês. — Diz levantando-se para abraçar nós duas.
O garçom chega com nossas bebidas e sai, continuamos conversando por mais algum tempo e logo me dá uma vontade louca de dançar.
– Vamos dançar?
– Sim! — Gritam as duas em uníssono.
Descemos as escadas e no momento em que pisamos na pista começa a tocar "Talking Body — To Love". Fecho os olhos e deixo me levar pela música, remexo meu corpo, passo as mãos pelo cabelo, rebolo e mordo o lábio, quando abro os olhos percebo que todos os olhares masculinos estão sobre nós e nossos corpos, ignoramos a todos e começamos a cantar igual três colegiais. As meninas pediram mais drinks enquanto eu pedi uma água, voltamos para a pista e dançamos mais algumas músicas, dispensamos alguns caras e subimos.
– Meninas, vou ao banheiro, me esperem aqui tudo bem?
Estou na fila e aproveito para dar uma olhada no meu celular, arregalo os olhos vendo que já passam da 03:00 da manhã, eu deveria estar em casa as 02:00. Não faço ideia de como vou sobreviver ao meu plantão amanhã, esqueço o banheiro e corro de volta até a mesa.
– Stacy, Brittany, já passam das 3 da manhã.
– Oh meu deus, precisamos ir embora. — Diz Brittany já levantando-se e pegando sua bolsa, Stacy se levanta também e corremos para a saída.
– Só um minuto meninas, preciso avisar Giovanni que já estamos indo e perguntar se ele vem conosco. — Aviso-as já pegando o telefone e ligando, no quinto toque ele atende e o som ao fundo indica que ainda está dentro da boate.
– Gi, estamos indo embora, você vem com a gente ou vai ficar?
– Ah Rubi, por que tão cedo?
– Giovanni Colucci, o senhor por um acaso sabe que horas são? — Pergunto já sabendo a resposta, ele com certeza não olhou o relógio, ele nunca olha.
– 01:00 da manhã?
– Resposta errada, são 03:00 e você tem que estar acordado as 06:00, então eu sugiro que você traga sua bunda aqui para fora, entre no carro e vá para casa conosco.
– Só para constar, é uma bunda bem gostosa. Já estou indo florzinha.
Cinco minutos depois Giovanni aparece na porta e andamos todos até o carro, deixo as meninas na casa de Stacy e sigo para o nosso apartamento. Quando passo pela porta do quarto a única coisa que penso que o melhor investimento que já fiz na vida foi comprar essa cama King Size, só quero deitar na minha linda e maravilhosa cama, vou até o banheiro tiro a roupa e a maquiagem e durmo só de calcinha e sutiã.
Acordo de manhã com o som do despertador e o sol de Nova York entrando pela janela.
– Hmm, não pode estar na hora já, dormi tão pouco...
Olho o despertador para ver se o horário não está errado, e para minha infelicidade, não está, são 06:00 da manhã. Levanto da cama e corro para o banheiro, odeio me atrasar, ligo o chuveiro e deixo a água esquentando enquanto escovo os dentes. Olho minha imagem refletida no espelho e constato o que já sabia, estou acabada, dormi muito pouco, não devia ter deixado Giovanni me arrastar para aquela boate ontem. Tiro a pouca roupa com que havia dormido e entro debaixo da água quente, e isso me relaxa mais do que qualquer coisa.
– Não Rubi, você não pode relaxar, pelo menos não quando se tem um plantão de 12 horas pela frente. — Digo para mim mesma ligando o jato de água fria que me acorda no mesmo instante, ensaboo meu corpo e lavo os cabelos em tempo recorde. Ando até o closet enrolada em uma toalha e escolho uma calça jeans que modela bem minha bunda e pernas e uma blusa de manga comprida branca, volto para o banheiro visto a roupa, seco o cabelo coloco meus brincos e faço uma maquiagem bem leve. Pego minha bolsa Dior vermelha e meu jaleco, saio do quarto correndo para chamar Giovanni.
– Giovanni, são 06:35h e eu não vou me atrasar por sua causa, se quiser carona desça logo por que eu já estou pronta. Vou para cozinha encho uma xícara de café aproveito e pego também uma maçã, assim que dou a primeira mordida vejo um Giovanni todo descabelado vindo em minha direção, roubando minha xícara e pegando uma maçã para si.
– Obrigada florzinha, precisava disso. — Diz referindo-se ao café roubado. — Reviro os olhos e encho outra xícara para mim, bebo tudo correndo e saímos os dois comendo mesmo.
Dirijo igual louca pelas ruas de Manhattan, estaciono o carro no hospital exatamente ás 06:55, corremos e conseguimos bater nossos cartões a tempo.
– Graças a Deus.
– Deus nada, graças a mim e minha ótima direção mesmo.
Giovanni ri e seguimos para a cantina enquanto colocamos os jalecos no caminho. Sentamos e tomamos um café da manhã descente, quando estamos nos levantando chegam dois enfermeiros, um deles se dirije a mim:
– Dra. Mantovani, precisamos da senhora na sala de cirurgia agora.
– Vou trocar de roupa e estou indo o mais rápido possível.
Deixo Giovanni plantado no meio da cafeteria e vou correndo colocar as roupas para cirurgia. Encontro um dos enfermeiros no caminho para a sala.
– Qual é o estado do paciente?
– Grave, acidente de avião.
– Se foi acidente de avião, esse hospital não deveria estar um caos agora com tanta gente ferida?
– Não Dra. Mantovani, foi em um jatinho particular, ao que parece o piloto e o co-piloto faleceram na queda. O paciente está com múltiplas fraturas nas costelas, um braço e uma perna quebrados e traumatismo craniano grave.
Entro na sala de cirurgia e nem em um milhão de anos estaria preparada para sentir algo dessa magnitude, uma eletricidade tão grande que é como se tivesse acabado de levar um choque. Assim que ponho os olhos sobre o homem em cima da maca, entre a vida e a morte não consigo conter a dor que invade meu peito ao saber que posso perdê-lo. Sim, nunca vi esse homem, mas sinto que ele já é uma parte muito importante da minha vida e definitivamente não posso perdê-lo, não sei porque me sinto dessa maneira. A única coisa que sei é que vou salvar sua vida custe o que custar, não posso deixar que ele morra, não hoje, nem nunca, não enquanto eu viver...
Após 12 horas angustiantes, horas as quais vou me lembrar para o resto da vida, cada vez que seus batimentos cardíacos caíam, os meus aceleravam e eu internamente me desesperava, a cirurgia foi um sucesso e finalmente pude sentir-me aliviada, mas não por muito tempo, logo lembrei que ele ainda corre riscos. Realmente espero que tudo ocorra bem, mas só saberei após 48 horas. Serão os dois dias mais angustiantes de toda minha vida. O homem mais lindo que já vira, o único que fizera meu coração acelerar sem ao menos falar comigo ou olhar em meus olhos, é uma sensação tão estranha, parece que já o conheço, como se fosse algo de outra vida, não sei explicar, a única coisa que sei é que quero passar todos os momentos desde que ele saiu daquela sala de cirurgia a seu lado, velando seu sono, o que no mínimo, é muito estranho e arriscaria dizer meio psicopata. Na sala de espera não havia nenhum parente seu, somente um homem que dizia-se seu guarda costas. Expliquei toda a situação ao homem que dizia chamar-se Matthew e disse que o estado do Sr. Davenport é delicado e só saberemos se está instável após as primeiras 48 horas, e que por enquanto não pode receber visitas, o homem me agradece e sai.
Mais tarde naquele dia vim a descobrir que seu nome era Dominic Davenport, e que era um milionário com empresas espalhadas por todo o globo, fazendo de si um dos mais importantes empresários mundo. Joguei seu nome no google e apareceram diversas fotos, sempre acompanhado de diversas mulheres, mas nenhuma foto familiar, nenhum filho ou esposa, nada, e quanto mais eu olhava, mais sentia aquela conexão crescendo dentro do meu peito, e junto com ela, a dor de saber que ainda posso perdê-lo.
– Dominic, Dominic, o que você está fazendo comigo?. — Pergunto a mim mesma enquanto estou sentada em minha cama com o notebook no colo, fecho o computador e durmo, um sono onde sonho com Dominic, e de alguma forma eu o puxo para luz, não sei o que isso significa, mas depois disso, não me lembro de mais nada...
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