Predestinados
1 one-shot
Notas iniciais
Kouyou desceu de seu carro na manhã fria de quarta feira e tocou a campainha da casa de Takanori. O vocalista atendeu a porta com um cobertor sobre os ombros e uma expressão doente.
— Como está se sentindo hoje, amigo? – o guitarrista entrou e seguiu o outro até o sofá da sala.
— Um pouco melhor... – o menor respondeu, sem forçar a própria voz.
— Isso é bom! – o mais velho sorriu. – E então? O que andou fazendo por aqui de bom?
Takanori deu risada, passando as mãos pelos cabelos. Depois, franziu o cenho, pensativo.
— Sabe que eu venho refletindo bastante sobre Cassis, não sabe, Uru? Tentando entendê-la?
— Todos nós tentamos entender Cassis desde que a escreveu, Ruki! – o outro disse gargalhando. – Brincadeira... O que ia dizer?
— Eu acho que a entendi... Acho que finalmente encontrei o que me conecta a ela... Uma maneira de explicá-la... – o vocalista disse.
— Sou todo ouvidos... Isso deve ser bom! – Kouyou encostou-se no braço da poltrona onde estava sentado, olhando atentamente para o amigo.
— Cassis é uma música sobre ser predestinado para alguém... Sobre um amor que ainda vai acontecer...
— Sobre destino, então? – o outro tentou acompanhar o raciocínio de Ruki.
— Hai... Sobre... Ser ligado a uma pessoa... De uma maneira inexplicável... Acredita na história da akai Ito, Uru?
— Não... Sempre achei um pouco ingênuo achar que o seu destino está ligado diretamente ao de outra pessoa... – o mais velho disse reflexivamente. – Mas, você parece acreditar...
— Eu não acreditava também... E é exatamente por isso que eu tinha tanto problema em aceitar que Cassis é minha... – Takanori disse pausadamente.
— Mas mudou de ideia?
— Eu descobri pra quem eu fiz Cassis! Descobri que existe essa pessoa do meu destino...
— Eu fico muito feliz, amigo! Como ela é?
— Ela é linda, Uru! Maravilhosa... – seus olhos saíram um pouco de foco, sonhadores.
— É... É o que todos buscamos no mundo, não é? Uma garota linda e maravilhosa, que nos faça sentir novamente bem e esperançosos... E onde a conheceu, amigo?
— Ah... Vai achar que eu fiquei maluco, Uru... – o vocalista começou, sem jeito.
— Não tem problema, Ruki! Sempre achei que fosse maluco! – o mais velho deu risada. – Pode falar... Vou tentar ter a mente o mais aberta possível...
— Eu... Eu não a conheço... – o menor disse em voz baixa depois de alguns segundos de silêncio.
Kouyou ficou olhando demoradamente para o amigo em silêncio.
— Gomen... Eu... Acho que brisei um pouco... O que foi que disse até a parte de que “não a conhece”?
— Eu não disse nada... – os dois voltaram a se encarar em silêncio, demoradamente.
— Então, eu não entendi... Ela é realmente uma garota de um sonho? – o guitarrista perguntou confuso, coçando a parte de trás da cabeça.
— Não... Bom, eu não sei exatamente explicar de um jeito que não pareça... Ingênuo e bobo... – Takanori disse, tentando pensar rápido. – Existe uma garota... Que, de alguma forma, me sente sem precisar estar perto de mim... Ela me escuta, sente o que eu sinto... Nesse exato momento, ela está doente como eu estou!
— E como você sabe disso sem conhecê-la? – Uruha perguntou cético.
— Por que eu também senti, Uruha! Quando tivemos que adiar a turnê por causa do meu estado, eu senti a preocupação dela!
— Espera um pouco! Ela sabe que você está doente por que ela está doente também, por que ela sente você ou por que ela te conhece?
— Ela sabe quem eu sou, mas nós nunca nos vimos... – o mais novo explicou. – E, aparentemente, ela só soube da minha doença depois...
— Então, ela sabe quem você é?
— Sabe...
— E ela sente você?
— Sente...
— E ela sabe que vocês dois são... “Predestinados”?
— Sabe...
— Então, por que ela não vem até você?
— Porque ela está um pouquinho longe...
— Pouquinho longe? Quanto?
— Eu não sei dizer “quanto”... Não é um sistema muito preciso pra medir distâncias... Sei que não está aqui perto...
— Sei, sei... Maldito GPS mental – Uruha ironizou. – Mas, mesmo longe, já existem meios de transporte evoluídos pra aproximar vocês de onde ela vem, não existem?
— Bom... Tem mais outro probleminha...
— E que “probleminha” seria esse?
— Ela é mais nova...
— Por que a idade dela é um problema? – o guitarrista estranhou.
— Porque ela é muito mais nova... – Ruki explicou. – Pelo menos uns... Dez anos mais nova...
— Não mede distâncias, mas mede a idade... – o outro revirou os olhos.
— Você não está acreditando em nada que eu estou lhe dizendo... – Takanori disse emburrado, cruzando os braços no peito, enrolado no cobertor.
— Não, não é isso, Taka... Eu... Eu estou tentando entender tudo isso que está me contado... Estou tentando manter minha promessa de manter a mente aberta... Como isso funciona pra vocês dois então?
— É como se nós lêssemos a mente um do outro... – o vocalista tentou explicar, franzindo o cenho, pensativo. – Mas, não é sempre que acontece... Não é algo que não dê pra desligar... Nós precisamos estar sintonizados pra que dê certo... Às vezes, eu a escuto tendo aulas na escola... Eu a sinto irritada e triste, com frequência... Ela é um pouquinho estourada! – ele deu risada como se falasse de uma pessoa que conhecesse há muito tempo.
— Hum... – o guitarrista pareceu se concentrar. – E, como é que sabe que ela também o sente dessa forma? Como sabe que não é só a sua cabeça produzindo essa ilusão?
— Porque ela é a melodia da minha cabeça...
Kouyou voltou a encarar o amigo com o olhar parado, em silêncio, como refletisse.
— Gomen... Acho que brisei de novo... Música na sua cabeça?
— Ou na dela... Algumas vezes, é difícil separar... – Taka deu risada. – A melodia que eu não consigo colocar letra... Que toco no piano...
— Isso é realmente muito confuso, Taka... Gomenasai... Nem se eu me esforçar muito, isso vai fazer algum sentido pra mim... – o guitarrista disse, estralando os dedos e se levantando, indo em direção à porta. – Não acho que esteja doido, delirando ou mentindo... Na verdade, eu torço realmente para que encontre essa garota... A gente faz o seguinte... Se ela tiver uma irmã, você me apresenta, está bem? – o mais velho deu risada da cara do outro antes de sair da casa com sua expressão descrente e entrar em seu carro, para voltar para sua casa.
— Predestinados... – ele murmurou para si mesmo, dando a partida e correndo pela rua vazia.
Notas finais
a próxima fanfic é "Unmei na Hito".
Alguém lembra desses bonequinhos da capa que tinha no orkut?? *rindo*
Fale com o autor