Predestinado
16 Capítulo Dezesseis
Notas iniciais
Para Calíope, estar no Labirinto não era novidade. Ela tinha ajudado sua meia-irmã mais velha, Annabeth Chase, a mapeá-lo pouco depois da guerra dos titãs. Ele havia simplesmente voltado à tona depois de ser soterrado, mas aquilo não era surpresa. O Labirinto estava vivo. Se mexia por vontade própria e se modificava tão naturalmente quanto uma cobra trocava de pele.
As coisas eram mais fáceis com Annabeth por perto.
Agora ela estava em Nova Roma, fazendo faculdade com o namorado, Percy Jackson, e se mantendo distante de deuses e profecias. Estava tentando viver uma vida como uma adolescente normal.
Calíope achava aquilo uma grande idiotice.
Não eram adolescentes normais, e nunca seriam. Quando você tem a falta de sorte de ter uma divindade com progenitor, seu destino está selado. Vidas normais não são uma opção. Não existira nenhuma vez um semideus que levasse uma vida tida como normal. Desastres acontecem, problemas são ampliados a níveis exagerados. Mesmo que você não soubesse de sua verdadeira natureza, em algum momento algo desencadearia a desgraça inevitável. Quanto mais um semideus tentava levar uma vida ordinária, menos ordinária ela ficava.
Exemplos não faltam: Albert Einstein, Frida Kahlo, Freddie Mercury, Kurt Cobain, Margaret Heafield, Nietzche, Mandela e muitos outros que provam a dificuldade extrema de ser tanto divino quanto mortal.
Ela, Sophia e Dreus seguiam por um túnel longo e estreito construído em concreto liso. Estavam caminhando por mais de meia hora sem parar. Os únicos sons presentes eram do eco de seus passos e o equipamento de Dreus Ascia se debatendo dentro de sua mochila.
—Estamos perdidos? — perguntou ele pela quinta vez. Calíope não se deu ao trabalho de responder.
—Não, Dreus. Não estamos. —Sophia suspirou. —O Labirinto é enorme, talvez do tamanho do Ocidente inteiro. A caminhada via ser longa.
—Podemos parar para comer, então?
—Não.
—Ah.
Calíope encostou na parede do lado esquerdo e parou. Os outros dois pararam de uma vez e olharam em volta.
—Fechem os olhos. E não abram, não importa o que aconteça. —ordenou a mais velha, roçando o fio da cimitarra no concreto, o som do metal contra a superfície lisa ecoou pelo túnel.
Os três fecharam os olhos e ali ficaram por exatos dois minutos antes de Dreus abrir a boca de novo.
—O que está acontecendo? — sussurrou.
—Cale-se, Ascia. Morra com dignidade.
Dreus choramingou e cobriu o rosto com ambas as mãos, logo começou a murmurar em italiano para si mesmo.
—Certo che ci siamo persi. Oh, Efesto, Guarda dove mi sono messo. Perché non sono rimasto a casa? Perché sono così stupida?
—Ascia, pare de chorar.
—Non voglio morire, non voglio morire, non voglio morire…
—Dreus, pelo amor de Atena, fique quieto. — Sophia lhe agarrou o ombro e o garoto estremeceu, abrindo apenas um olho.
—Hein?
Ele piscou, e o lugar onde estava agora havia mudado completamente. O túnel liso agora era uma grande sala feita de pedras brutas. O teto não estava tão perto de suas cabeças e o chão era terra seca e dura, como numa estrada do Texas.
—Santo Olimpo, o que é isso…?
Sophia também abriu os olhos e arquejou. Calíope suspirou.
—Mandei não abrir os olhos. Só tínhamos essa chance
—O que diabos está acontecendo?
Sophia coçou a bochecha e sentou no chão, pegando uma garrafa d’água da mochila.
—O Labirinto tem vida, Dreus. Ele escuta e vê e sente. Principalmente os sentimentos mais chamativos. Quando Calíope pediu para fecharmos os olhos, ele sentiu a sua incerteza. Quando ela disse que iríamos morrer, o seu medo da morte o fez mudar. Você achou que ia morrer, assim como o Labirinto. Estamos mais perto do Mundo Inferior agora.
—O quê? Espere. Você sabia disso?
Ela sorriu, oferecendo-lhe a garrafa.
—Era esse o plano quando chegamos aqui. Calíope me falou quando fomos para o chalé seis antes da missão começar.
Calíope assentiu e fincou a cimitarra no chão.
—O Labirinto é cruel e piedoso ao mesmo tempo. Nem mesmo os fantasmas conseguem chegar no Mundo Inferior se morreram perdidos aqui. Ele sentiu piedade por você e nos mandou para mais perto do Érebo. Foi uma jogada de sorte.
O queixo de Dreus estava caído.
—Vocês me usaram.
—De nada.
Ele parou por um momento e semicerrou os olhos.
—Então estamos mais perto do Eugene por minha causa?
Sophia deu tapinhas no ombro dele.
—Que bom que você é um otimista. Venha, vamos comer alguma coisa.
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