...A pé...

Logo estávamos em frente a um hotel, e Jodie fazia o check' in , quando entramos no nosso quarto ela pulou em cima de uma cama, e esticou as costas, tanto que até ouvi uns estalos de seus ossos.

– Ive, — Chamou-me — Tome um banho enquanto eu peço o nosso almoço- disse Jodie já pegando o telefone, assenti mesmo que ela não tivesse visto, abri minha mochila e peguei um par de roupas limpas, composta de uma camiseta da Guns' n Roses e um short com detalhes rasgados. Procurei na minha mochila uma escova de dente, e um elástico para prender os meus cabelos revoltos e percebi que logo teria que procurar uma lavanderia, pegou meu celular e o coloquei para carregar, mesmo que estivesse morrendo de vontade de levá-lo ao banheiro para que eu tomasse banho ao som de The fear musica de Lily Allen, Fui em direção ao banheiro, e mesmo sem meu celular cantarolei no chuveiro.

Depois que tomei um banho, logo foi à vez de Jodie. E antes de entrar no banheiro ainda soltou um comentário sobre meus dons musicais, fazendo com que eu soltasse uma risada legitima, uma risada que eu não dava há muito tempo. Enquanto ela tomava banho, me dispus a beliscar um sanduíche. Logo Jodie saiu e me acompanhou no lanche, quando terminamos, avisei a Jodie que iria procurar uma lavanderia, no que ela balbuciou um sim, enquanto já cochilava, ou pelo menos eu acho, peguei as minhas roupas sujas e as dela. E desci a recepção do hotel, cheguei à recepção e logo pedi uma lista telefônica local, a qual procurou uma lavanderia próxima Dali, e quando a achei o anuncio vi que teria que tomar um taxi, pois era um pouco longe.

Encontrei um taxi e apreciamos o curto passeio em silêncio, já que ele não dava muito atenção as minhas tentativas de conversa.

– É aqui menina.

O motorista bigodudo me chamou a atenção já descendo do taxi, olhei em volta e avistei a lavanderia "Lavanda Mágica" com certeza um nome muito original; desci do taxi e peguei uma pequena mochila verde com desenhos de pássaros, onde havia algumas peças de roupa suja, minha e de Jodie.

–Obrigada- disse já entregando uma quantia necessária de dinheiro pela corrida.

–Por nada- respondeu já dentro do taxi, logo arrancando o carro Dalí, acho que ele não era muito de conversar, ou eu era muito matraca?

Entrei na lavanderia, notando que a mesma não estava muito cheia, peguei um par de lavadoras e coloquei roupas brancas em uma e coloridas em outra, abri minha carteira olhando as poucas notas que eu tinha, pouco mais de 150 Reais que estava no meu cofrinho de coruja, dinheiro ao qual estava guardando para comprar ingressos para um show de uma banda local. Abri um compartimento na minha carteira e peguei alguns trocados para colocar nas maquinas de lavar; as liguei e sai para uma lanchonete na esquina, pois iria precisar trocar as notas para colocar nas secadoras.

Entrei na Lanchonete, um local muito agradável, temática ao estilo dos anos 80, ou só não era redecorada há muito tempo.

–O que vai querer docinho?- Veio uma garçonete com um bloco de notas na mão mascando chiclete e me avaliando de cima a baixo.

– Uma vitamina de cupuaçu, por favor!- respondi desviando o olhar, pois as pessoas me encarando me deixam desconfortável.

–Aguarde um momento fofa! SIDDDDD UMA VITAMINA DE CUPUAÇU PARA A MOÇA!- ela gritou. Já se deslocando para atender outra mesa.

Era um ambiente engraçado, e tinha pessoas hilárias, e me trouxe algo que eu não tive nos últimos dias: Diversão.

Logo um cara de cabelo louro trouxe minha vitamina, a que logo peguei e paguei no caixa, fui saindo da loja quando um cara esbarrou em mim, já me virei para o cara para soltar uma horda de palavras nada bonitas, quando percebi que aquele era o cara mais lindo que eu já tinha visto em toda minha vida, bem... Não o mais lindo, mas com certeza ele era muito bonito, ele se virou para mim e murmurou um desculpa logo se virando para continuar o seu caminho, mas não antes de piscar para mim. Sorri voltando o meu trajeto de volta a lavanderia, sugando a minha vitamina com um sorriso no rosto, pensando se deveria voltar e pegar o numero dele, balancei a cabeça, não tinha tempo para isso, entrei novamente na lavanderia, agora totalmente vazia, fui abrir a maquina para pegar as roupas e colocar na secadora e...

–OH MEU DEUS – Gritei levantando — Cadê as minhas roupas? Alguém pegou minhas roupas, ALGUEM PEGOU MINHAS ROUPAS- Procurei na outra maquina para perceber que também haviam roubado as roupas de Jodie – MEU DEUS, MEU DEUS, MEU DEUS. – Gritei nada bom, nada bom mesmo.

Deus já fazia meia hora que eu procurava minhas roupas, indo de maquina em maquina olhando e procurando, mas não encontrei nada, Olhei no relógio e percebi que já era tarde.

–Droga! Acho que ta na hora de eu ir embora — murmurei irritada, não havia encontrado nada, e não havia ninguém na loja, já havia chamado a policia há 30 minutos, mas ninguém apareceu, e quando fui para fora ninguém soube me dizer nada, ou me ignoravam andando em passos rápidos, Me cansei de esperar e sai para pegar um táxi de volta ao Hotel. – A Jodie ia me matar mesmo, então adiar pra que?

Fui para um ponto onde passavam táxis, me sentei no banco, olhei em volta, observei as casas pintadas em cores fortes, eram lindas todas arrumadas, as ruas calmas, com pouco movimento. Algo que eu não via na minha cidade com seus longos prédios e ruas congestionadas, olhei em volta e avistei uma pequena loja de roupa e tive uma ideia, talvez Jodie não ficasse tão brava se eu comprasse a ela roupas nova, abri minha bolsa e procurei minha carteira, com os 150 reais e um pouco de pechincha eu conseguiria comprar algumas peças e... Oh não, de novo não.

–Cadê a minha carteira?- me desesperei- Não, não, não sacudi a bolsa e derramei ao chão tudo que tinha ali: Batom, lápis, chicletes, bloco de notas, canetas, e nenhuma carteira — Não pode estar falando sério — eu disse já juntando as coisas de volta na bolsa, e deixando cair algumas lágrimas, não de tristeza, mas de frustração e raiva, chegou uma hora em que eu não sabia se estava rindo ou chorando, era até mesmo que cômico – Porque está achando ruim mesmo ? Foi você mesma que insistiu de vir pra cá, então desencana- respondi a mim mesma.

Logo levantei e fiz o caminho pra voltar ao Hotel... A pé.

...A pé...

Caminhar e refletir sempre trouxe o melhor de mim

Notas finais
Por favor comentem, nunca te pedi nada >.< A mo vcs
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.