Predador Sombrio
1 Capítulo 1 - Insano
A rua era larga, sobre o meio fio cresciam pequenas gramíneas que balançavam lentamente com a brisa. Sobre o velho asfalto, a umidade da chuva que a pouco passara, ainda permanecia, permitindo exibir o brilho da lua que estava forte naquela noite. Sobre as calçadas rachadas viam-se papéis jogados e algumas latas de lixo viradas. A sombra criada pela lua salientava um clima de solidão e abandono. As casas que percorriam as laterais da rua se demonstravam velhas, numa delas um gato sobre a sacada parecia inquieto, andava de um lado para o outro, miando incansavelmente. No horizonte, a rua parecia terminar numa cidade, onde as luzes de alguns prédios permaneciam ligadas. Pequenos ruídos urbanos podiam ser ouvidos do arrabalde. Eram veículos circulando, cães latindo e outros que não podiam ser definidos, devido à distância.
Um carro cinza, bastante velho, apresentando uma pintura gasta devido à exposição ao sol, parou em frente à uma das casas. Dele saiu um homem alto vestindo uma jaqueta verde e um boné que escondia seu rosto. Em sua perna direita um enorme ferimento o impedia de caminhar normalmente. O ferimento era profundo, e o sangue escorria sem parar, pareciam ser mordidas de algum animal.
O homem vagarosamente andou até seu quintal e por fim caiu no chão. A dor aumentava cada vez mais, impedindo-o de caminhar. Com um grito estridente deitado ao chão o homem dá seu ultimo suspiro, morrendo ali, todo sujo e ensangüentado.
***
Eram três horas da madrugada, a lua já quase se escondia por detrás das árvores e da cidade. O silêncio era dominante no momento.
O homem morto, deitado sobre o quintal, ainda não tinha sido visto. O pequeno feixe de luz da lua atravessava as árvores e batia em seu rosto. Em seus olhos via sua pupila dilatada e esbranquiçada e pequenos movimentos nervosos dominavam sua boca.
A pele apresentava palidez, onde saltavam veias como se tentassem brotar em seu corpo. Algo incomum em pessoas mortas.
A sombra sobre a grama demonstrou um ser humano levantando-se e com passos delicados, cambaleando-se. Aquele ser se movimentava, era o homem que a pouco estava morto. Em seu rosto pálido não se notava sentimento, tudo que ele podia ver, para seus olhos não faziam sentido. Ele apenas aparentava sentir fome.
No outro lado da rua um pequeno cãozinho saiu de sua casinha construída de madeira, e começou a latir. Tudo que o pequeno animal sentia era medo ao mesmo tempo em que percebia que estava por ser dominado por uma criatura humana, porém diferente. O latido do cãozinho cessou no momento em que sofre uma forte mordida em seu pescoço. A criatura o mordia com voracidade e seus atos eram impensados, todas suas ações eram incondicionalmente gerados por instinto.
***
Os latidos fervorosos do pequeno cão podem ser ouvidos de muito longe, quebrando o silêncio da madrugada. Mas naquele momento se ouvia apenas a brisa atravessando por entre as árvores.
O dono do cão dormia enquanto seu animal era devorado porém o latido do cão foi ouvido por ele. Deitado ao lado de sua esposa, George acorda, demonstrando espanto e dúvida sobre o que parecia ter escutado. Sua esposa Laurinda percebendo a reação de George pergunta:
– O que foi George? – indagando com sono e espantada olhando seu marido sentado na cama.
– Não sei certo, acho que ouvi a Prince latir agora a pouco.
–Ah! Acho que também escutei. – Completou Laurinda, desmentindo o pensamento que tinha que deveria ser um sonho.
Ela deitou e dormiu novamente.
George era um homem gordo e baixinho, tinha um bigode que destacava sua aparência de origem italiana, aparentava ter uns 50 anos de idade. Ele com dificuldade devido ao seu peso ergueu-se da cama vagarosamente, apoiando suas mãos sobre ela. Vestiu suas pantufas e do jeito que estava, sem camisa e vestindo um cuecão, saiu de seu quarto e foi até uma escrivaninha onde pegou uma pistola.
A casa estava escura, pequenos feixes de luz que penetravam na casa eram suficientes para que George caminhasse pela casa sem problemas. George tentando evitar fazer barulho andava com passos lentos com sua pistola em punho. Atravessou todo o corredor e desceu as escadas, seus passos pesados sobre as madeiras do velho piso provocava um certo rangido o qual deixava George tenso enquanto sua vontade era ser silencioso. Ele caminhou até a sala de estar, de frente para o quintal e pra rua, encontrava-se uma enorme janela, revestida com vidraças e coberta por uma cortina impedindo ver de dentro pra fora. George se aproximou da janela e com cuidado moveu a cortina. Olhando para o quintal constatou que seu cãozinho deveria ter sumido.
Usando cautela e ainda com passos lentos caminhou até a porta e a destrancou. Abriu-a, olhando de um lado para o outro tentando perceber algum movimento em frente a sua casa. Nada se via.
George caminhou um pouco e em sua frente percebeu que sangue rodeava alguns pedaços de carne crua sobre a grama. Não teve dúvidas, Prince havia sido morta por alguma coisa. A preocupação e o medo tomaram conta de George, a brisa forte que batia em seu corpo provocava calafrios instantaneamente.
Ao ouvir grunhido estranho e sentir um arrepio nas costas, George se virou e viu um homem alto vindo em sua direção. George percebeu que aquele homem tratava-se de Alan seu vizinho e amigo, porém logo estranhou seus movimentos, notou sangue em suas mãos e sua dificuldade para andar. Com medo George pergunta:
– Alan? É você?
Antes que George jurava receber uma resposta, foi atacado cruelmente por aquela criatura estranha. George caindo no chão dá um disparo com sua pistola errando o alvo. Ele é mordido sem piedade pela criatura que o dominava e impedia que George se livrasse do ataque.
Laurinda que havia adormecido acordou rapidamente ao ouvir o disparo. Escutando seu marido gritar de dor, sentiu seu estomago subir ao mesmo tempo em que engolia em seco. Ela correu à janela do quarto e viu George todo ensangüentado sendo selvagemmente mordido por uma pessoa. A inocente mulher tinha 40 anos de idade, tinha uma aparência jovem e possuía alguns coques no cabelo. Vestia uma camisola comprida de cor preta.
Ao ver a cena de George, ela começou então a chorar, com as mãos sobre o rosto e de costas para a janela, escorregou seu corpo pela parede até sentar-se no chão e desandar em lágrimas, já que nada ela julgava poder fazer.
Os últimos gritos em que George pedia ajuda foram os que mais puderam ser ouvido pelos vizinhos, porém de nada adiantou, a criatura sem piedade já o havia matado.
Notas finais
É essencial para a continuação do trabalho.
Lembre-se, plágio é crime.
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