Preconceito

9 Os problemas pioram


Notas iniciais
Olá!^^

Desculpas pela demora e espero que gostem.

"Naquele momento eu me lembrei de como gostava de ouvir a sua voz...”.



Dino não tinha ideia do quê iria fazer naquele momento. Ele estava cara a cara com a mulher que havia gerado e machucado o seu amado Kyoya. Ela era bonita, algo que não podia negar, mas havia uma dor tão grande em seus olhos que Dino tinha a certeza que nunca se esqueceria deles.



Quando ela se sentou na cadeira em sua frente parecia desconfortável. Dino presumiu que não era de seu costume sentar em cadeiras.



Um longo e profundo silêncio marcou o início daquela visita. Cada um pensava de uma forma, cada um tinha um motivo para lutar, mas ambos só queriam dizer o mesmo nome. Kyoya...



- Acho que o senhor deve estar se perguntando o porquê estou aqui — A mulher falava em um italiano mediano, mas que podia ser entendido. — Desculpa por vir sem avisar. Não era de minha intenção atrapalhar o seu trabalho.



Dino ficou calado. Queria saber o que ela queria e não iria atrapalhá-la com frases complexas. Por um breve momento o som dos pássaros que cantavam do lado de fora se fez presente. Dino tinha que concordar. Hibari herdou a beleza de sua mãe.



- Meu nome é Sora Hibari — Ela deu um fino e triste sorriso — Como já deve saber, meu filho foi expulso da nossa casa por um ato proibido...



- Proibido? — Dino irritou-se — O que VOCÊS fizeram é proibido! Kyoya não merecia isso! — Dino brigava com a mulher, e para a sua surpresa ela não demonstrava outra expressão sem ser aquela.



- Eu sei. Sinto muito por isso – Sua voz transmitia a dor e a tristeza.



- Sente coisa nenhuma! Ele passou esses anos todos sofrendo por isso! — Dino estava muito bravo. Aquela visita havia acabado com o seu dia — Ele confiava em vocês e vocês o abandonaram! Agora ele está morrendo e vocês não fazem nada! — Dino estava ponto de enlouquecer, não acreditando que uma família era capaz disso.



- Você acha que eu não sei?! — Ela elevou o tom de voz e começou a falar em japonês — Mas se ele não tivesse saído de casa, aquela vadia estaria se aproveitando dele até hoje! Ou Takahiro poderia torturá-lo até a morte, então não fale como se soubesse das coisas. Deixa-lo ir foi a coisa mais difícil que eu já tive que aceitar.



As palavras foram um choque para o loiro que nunca havia se perguntado como a mãe e o pai do rapaz se sentiam em relação a isso tudo. Dino não tinha coragem para encará-la.



- Eu não sei ao certo o que meu filho viu em você — Ela continuou, só que dessa vez mais calma — Mas eu agradeço imensamente por fazê-lo feliz — Ela deu o primeiro sorriso verdadeiro — E peço que tenha paciência. Ele é uma criança insegura então, por favor, não o faça sofrer. Ele já sofreu demais... — a última frase não foi dita totalmente para Dino, mas talvez pra ela mesma.



- Não se preocupe. Eu jamais o farei chorar — Dino tentou sorrir, mas não conseguia encará-la.



- Obrigada — Ela tirou um pequeno e estranho embrulho de seu kimono — E um presente, espero que goste... E que me perdoe — Ela saiu da sala sem dizer nem olhar mais nada.



Dino não sabia o que pensar. Tudo havia sido tão doido e novo. Ele olhou para o presente, mas não mexeu nele. Ouviu passos perto da porta e logo Romário abria para saber se estava tudo bem.



- Eu estou bem, Romário. Não se preocupe — Dino olhava para o mais velho com um olhar vago. Romário tinha certeza que o loiro não prestava atenção nele.



xxx



Hibari estava tento um péssimo dia. Tsuna ligava a cada dez minutos querendo saber como estava. Lambo andava rodando a sua rua desde que amanhecera. Kusakabe o obrigava a comer coisas o tempo inteiro e para piorar seu dia ele recebeu uma visita que com certeza era um problema.



Takahiro estava em sua casa com a cara fechada de sempre. O motivo? Simples, ele ERA assim.



- Achei que você nunca iria me procurar — Hibari bebia um chá — Mas por qual motivo devo a honra dessa visita? — O sarcasmo na voz do menor era imenso. O Guardião da Nuvem não tinha paciência para aquela pessoa.



- Eu não queria vir. — Takahiro tinha uma voz firme e forte, e sua raiva era algo notável — Mas eu vim até aqui para dar um aviso.



- Eu também não quero lhe ver. — Fez uma pequena pausa – Diga o quê quer e saia.



- Não quero mais ver a cara daquele... seu “companheiro” em minha casa pode ser um péssimo exemplo para Azumi — A arrogância e nojo do mais velho era visto em cada palavra proferida ao menor.



Hibari não gostou de saber que Dino havia ido até a casa de seu tio sem ele saber. Já imaginava quem havia sugestionado a ideia. Mas uma coisa chamou a sua atenção, uma coisa muito peculiar.



- Azumi? — A voz do mais novo saiu como um sussurro, mas pôde ser ouvida pelo maior.



- Vejo que você não sabe. Eu tive uma filha alguns meses após sua partida. Sakura a teve. — Um estranho sorriso formou-se no rosto do mais velho — Então mantenha coisas imundas como você longe dela!



- Imundas? — a raiva do Guardião da Nuvem dos Vongolas era palpável.



- Sim! Vermes imundos como você e aquele loiro imbecil e... — não pode completar a frase devido a uma tonfa estava apertando sua garganta ferozmente.



- Não ouse falar assim deles – O instinto de matar do menor nunca esteve tão grande quanto naquele momento — Dino e Tsuna não são iguais a bichos podres como você. — Hibari apertava cada vez mais a garganta do mais velho, não se importando se aquilo o mataria.



Takahiro não demorou em revidar o golpe do menor, segurando o pescoço de Hibari para enforcá-lo.



- Igual àquela vez... só que agora não há papai para te salvar — Takahiro sabia que o pai de Hibari tinha dado a ideia de expulsar apenas para que o filho ficasse em segurança.



A fúria de Hibari explodiu naquele momento. Um soco foi dado na barriga no homem mais velho e foi revidado com um chute na costela do mais novo. Tanto Hibari quanto Takahiro lutavam bem. Uma luta entre eles poderia durar horas e ambos ainda teriam disposição para mais.



Mas Hibari não podia fazer isso naquele momento. Ele estava doente e lutar certamente não estava na lista de coisas para se fazer.



- Saia da minha casa! — O menor falou elevando o tom de voz enquanto se levantada do chão — Saia agora!



Quando o mais velho se foi, Hibari caiu no chão. Não aguentava mais lutar como antes. Seu corpo não era mais o mesmo forte e implacável de antes.



- Isso está me matando.



xxx



- Não precisa se preocupar — A voz do castanho era inconfundível até mesmo pelo telefone — Não, eu já disse que vai ficar tudo bem... Eu sei mãe... Relaxe com o pai aí na praia que estamos todos bem — Tsuna desligou. Fazia exatos quarenta minutos desde que atendera o telefonema de sua mãe que estava em uma viagem com o seu pai.



- E então? — disse o moreno sentado no sofá, lendo jornal.



- Está tudo bem. — Tsuna tinha um sorriso um pouco melancólico no rosto.



- Tem certeza? — Reborn sabia que a hiper-intuição do menor havia alertado seu aluno sobre um possível problema.



- Pior que não. — Tsuna admitiu a derrota — Pior que não. — voltou a repetir.



xxx



Após a vista da mãe de seu amado, Dino estava numa noite inacreditável. Não havia saído, não havia feito nem metade de seu trabalho e nem comido. Depois de ter conversado com ela, o loiro não fez absolutamente nada! A única coisa que fez além de andar pela casa, foi tomar um banho rápido e cair na cama, exausto.



- Até daqui a três dias, Kyoya — Disse para a foto do moreno que estava em cima do criado-mudo. Ele planejava voltar ao Japão o mais rápido possível.



xxx



Kusakabe estava desesperado. Ele tinha a certeza que Hibari estava bem então porquê o mais novo estava inconsciente no chão da casa?



Havia marcas roxas por todo o corpo do menor, devia ser algo da doença, mas a cena era digna de susto.



Não demorou muito para a ambulância chegar e levar o mais novo para o hospital. Kusakabe não tardou em ligar para Tsuna alertando sobre o estado de saúde do Guardião da Nuvem dos Vongola. Quando o Guardião do Céu recebeu a notícia, se assustou e Kusakabe teve certeza de ouvir um tombo, como se alguém tivesse caído de sua própria cama.



- Obrigado, Kusakabe-san — A voz do mais novo demonstrava tristeza e pânico– Estaremos indo para lá — disse o jovem Chefe Vongola ao desligar o telefone.



Não demoraram muito para chegar ao hospital, já que não moravam longe do centro da cidade e não tiveram problemas com o tempo.



Dentro da ambulância, Kusakabe se perguntava se era correto ligar para o jovem Cavallonne. Não queria deixar Dino mais nervoso do que já estava, mas infelizmente parecia não ter outra forma. Mandou uma mensagem rápida para o braço direito do Cavallonne enquanto se encaminhava para o hospital.



xxx



- Senhor Dino — Romário atrapalhou o café da manhã de seu Chefe — Tenho uma notícia para lhe dar.



Notas finais
Beijos