Notas iniciais
Qualquer coisa...

- O que está fazendo aí?

- Olhando... — Você diz em um tom baixo, quase sussurrando. Está sentada na janela, observando os carros na rua.

- E no que está pensando? — Você sorri, mas não me olha, ainda observa o movimento.

- Tantas coisas.

- Está longe esta manhã, o que houve?

- Nada.

- Hum... Eu preciso de uma história.

- Que tipo?

- Qualquer coisa.

- Escreva sobre mim. Sobre o quanto você me ama. Me descreva daquele jeito todo romântico e único, como se eu fosse perfeita.

- Mas você é... Pelo menos para mim. — Ela olha para baixo e sorri.

- Escreva isso, então. Diga o que mais gosta em mim.

- De novo? — Ri ironicamente. — Já escrevi sobre tudo isso que você disse.

- Escreve sobre nós então. Sobre o nosso amor, sobre a nossa história. Nossa vida. — O silêncio inundou o local por longos minutos. E Ela, então, se levantou e caminhou até mim. — Escreve sobre o nosso mundo sem sentido. Escreve aquilo que você sabe que eu sinto por você, não é só desejo, não é apenas tesão. Diz como a minha vida seria estranha e sem graça sem você nela. Diz que você fica bem melhor cantando aquela parte da música. — Rimos nesse momentos.

- Esse último é mentira. Você canta melhor. — Eu disse e ela riu.

- Escreve que quase todas as noites, nós nos deitamos e ficamos horas olhando uma para outra, sem dizer nada. Eu fico contemplando a sua beleza. — Não pude segurar o sorriso. — Você deve ficar olhando aquela perdida que te levou para o mal caminho.

- Eu quis ir com você, nos perdemos juntas.

- Escreve sobre as nossas orações. Fala que eu peço para cuidarem de você e nunca te levarem de mim, isso seria muito injusto, seriam muitas perdas. Que peço perdão pelos pecados que fiz você cometer. Escreve que seus pais me odeiam. — Mais risadas. — Claro que eles odeiam, eu roubei a filha deles. — Mais silêncio. — Escreve o quanto eu te amo. — Algumas lágrimas escorreram dos meus olhos. Ela finalmente disse aquelas palavras.

Ela secou minhas lágrimas e me segurou em seus braços.

- Escreve que sem você a minha vida não tem sentido, minha escritora. — Ela gritou andando de braços abertos pelo apartamento, me fazendo rir. — Escreve que eu te amo!!! — Ela gritou de frente para a janela, para que todos ouvissem. — Você ouviu? Será que o mundo ouviu que eu te amo? — Ela gritou novamente, ouvimos algumas pessoas reclamando, pois já era noite. — Bom, se eles não ouviram um dia eles irão ler, não irão? — Ela se virou para mim toda empolgada e eu apenas concordei com a cabeça com um sorriso enorme nos lábios e os olhos marejados. — Ótimo! Mas não me impede de gritar de novo: Eu Te Amo!!!

Notas finais
Espero que tenham gostado. Me perdoem caso tenha qualquer erro. Se leu, não custa nada deixar um comentário.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!