Precisamos um do outro
4 Irmãos
Notas iniciais
POV Riley
Quando Maya foi embora, na noite passada, eu liguei para o número que eu tinha conseguido.
Ouvir a voz dele, do meu irmão, foi loucura. Meu corpo inteiro tremia e uma parte de mim gritava, implorava que eu dissesse a verdade para ele.
Quando eu desliguei o telefone fiquei deitada sendo esmagada pelo peso daquele segredo e pelo silêncio ensurdecedor da noite. Mais uma noite em claro.
— Bom dia! — Meu tio Josh entrou no quarto depois de bater na porta. — Ainda dormindo?
— Não. Eu já acordei. — Sorri para ele enquanto sentava na cama.
— Sua mãe está nos chamando para o café da manhã.
O café foi calmo, nada fora do comum. Assim que eu terminei voltei ao meu quarto e escutei meu celular tocando.
— Alô?! — Atendi sem olhar quem era.
— Riley? — Era a voz dele.
— Eu sou o filho do xerife. Stiles.
Eu continuei em silêncio.
— Eu só queria dizer que você pode confiar em mim. — Ele respirou fundo. — Ontem você me deixou preocupado.
Meu corpo estava gelado. Sentei na escada de incêndio na esperança que ninguém me escutasse.
— Eu ainda acho que eu não devia te contar isso. — Engoli em seco — Mas se eu estivesse no seu lugar, eu iria querer saber.
Eu contei para ele como encontrei os documentos, como fiz minha pesquisa e como eu estive guardando isso sozinha durante os últimos dias.
Quando eu terminei o silêncio pairou por alguns instantes. Eu só ouvia a respiração dele.
— Isso não é possível. — Ele parecia se esforçar para se manter calmo. — Eu não lembro de ter visto a minha mãe grávida. Eu era novo quando ela morreu, mas eu me lembraria de uma irmã.
Mais silêncio se instalou.
— Não tem nenhuma chance de você ter lido o nome errado? — Ele perguntou ainda em choque.
— Eu estou no escuro, Stiles. E eu não sei o que fazer, nem tenho ninguém para falar sobre isso.
— Eu vou descobrir a verdade, Riley. — Ele disse confiante.
— Obrigada! — Desliguei o celular sem saber se estava aliviada ou ainda mais tensa.
Busquei as fotos dos documentos no meu celular, enviei para o Stiles e desliguei o celular. Eu precisava de um tempo.
Sentei na minha cama e me forcei a fazer as atividades da escola. Eu tinha certeza que muitas estavam erradas, mas não tive paciência para procurar pela resposta certa. Só faltava estudar para o teste de espanhol. Joguei os livros de lado e abri meu notebook.
Não tinha nada que eu quisesse ver. Simplesmente fiquei encarando a tela por uns minutos, até o Auggie entrar correndo pelo meu quarto.
— O que foi? — Eu perguntei, mas fui ignorada.
Ele examinou meu quarto, olhou embaixo da cama, atrás das cortinas e saiu correndo.
— Eu vou te achar, tio Josh!
POV Stiles
Uma irmã? Eu não tenho uma irmã! É impossível eu ter uma irmã.
Peguei meu celular que estava jogado na cama. Não tenho como falar com meu pai. Andei de um lado para o outro no quarto. Eu lia aqueles documentos repetidas vezes enquanto andava.
Melissa McCall. Liguei para ela num impulso. Ela deve saber de alguma coisa. Ela sabe de tudo. Ela é parte da família, ela trabalha no hospital e provavelmente se lembra melhor daquela época.
— Stiles? — Ela atendeu surpresa. — Aconteceu alguma coisa?
— Eu tenho uma irmã? — Eu perguntei de uma vez e ela ficou em silêncio. — Então eu tenho uma irmã.
— Stiles. De onde você tirou isso? — Ela tentou disfarçar.
— Quando estiver com meu pai. Empresta seu celular para ele. — Eu estava muito irritado e confuso para continuar aquela conversa. — Eu preciso falar com ele o quanto antes.
Desliguei o celular sem escutar o que ela tinha a dizer. Sai do quarto enfurecido e esbarrei com algumas pessoas no corredor. Desci as escadas correndo e corri pelas ruas. Corri por horas. Quando eu parei já estava muito longe do alojamento. Sentei num banco do parque e peguei o celular do bolso.
Melissa McCall — o nome apareceu na tela do celular e eu atendi correndo.
— Stiles? — Meu pai estava desconfiado.
— Oi, pai. — Eu respirava com dificuldade por causa da corrida.
— Tudo bem? — Ele estava enrolando.
— Eu sei que a Melissa já contou sobre a nossa conversa mais cedo. — Eu precisava da verdade. — Porque você não vai direto ao assunto.
— Que assunto? — A voz dele pesava.
— Eu sei quando você está evitando alguma coisa. E eu sei quando está mentindo.
— Sim. — Ele iria desmoronar. — Você tem uma irmã.
Era verdade. Como isso era verdade?
— Como?
— Quando a sua mãe morreu. — Ele respirou fundo tentando formar palavras. — Ela estava grávida. 6 meses.
Eu fiquei em silêncio esperando ele terminar.
— Os médicos cuidaram da sua irmã. Ela sobreviveu. — Ele parou.
— E por que ela não está com a gente, pai? — Uma lágrima caiu.
— Eu não aguentava, filho. — Ele estava chorando. — Eu não conseguiria cuidar dela.
Choramos juntos em silêncio.
— Quando eu recobrei a consciência. — Ele falava entre soluços. — Depois que o luto passou. Depois que eu parei de beber. Eu me arrependi!
— Se arrependeu?
— De ter dado ela para a adoção. — Ele explicou. — Mas era tarde demais. Ela já tinha sido adotada. E eu não consegui descobrir muita coisa. Eu a perdi também. E não podia deixar você perder mais nada, filho.
— Ela me encontrou, pai. — Eu segurava as lágrimas. — Ela está procurando você.
O choro dele era o único som.
— Eu encontrei a minha irmã.
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