Notas iniciais
Espero que gostem, escrevi com todo o meu coração.

Precisamos saber dizer adeus...


É incrível como a vida nos proporciona as maiores soluções nos momentos mais inoportunos. Encurralados pelas turbulências, ficamos cegos e incapazes de ver a cura para todos os nossos problemas. Crescemos com a ideologia de que a vida é assim mesmo; sofrida, que um dia tudo vai melhorar. Viajamos na fantasia dos contos de fadas e descobrimos que imaginar uma história de amor verdadeiro nos dá esperança para carregar o fardo que arrastamos todos os dias.
Andamos pelas ruas e percebemos o aglomerado de sentimentos frios que carregam as pessoas. A internet carrega um número estúpido de casais que se iludem com mensagens, fotos e vídeos, tornando o relacionamento algo midiático e transparente. Hoje em dia está impossível amar, dizia eu. Então, eis que um dia surge alguém... Um ser tão frio quanto a própria frieza do gelo. Atos e sentimentos tão gelados por dentro mas em contato comigo, queimava, ardia. Era uma paixão cheia de fogo e pensamentos intermináveis de como seria um futuro entre nós. Sim, eu já usava a palavra nós!
Era um “relacionamento” engenhoso vindo de um coração recheado com peças de carência, desalento e melanconia. Os fios da razão que preenchiam meus pensamentos não estavam corretamente ligados e eu levava uma vida de ilusão. Realmente, eu estava estragado! É incorreto dizer, no entanto, que uma chave de fenda fazia a mesma função que um martelo. Um carro não funciona se você não abaixar o freio de mão assim como um amor conturbado não te leva às alturas da plenitude que você tanto procura. O amor não se esconde atrás de incertezas e contradições mas é sustentado pela delicadeza de pisar num terreno frágil e florido. Deve-se tomar cuidado antes de se entregar em alguma paixão avassaladora, que mais parece um terremoto que abala até os pontos mais afastados do nosso interior. Foi diante de um dia ensolarado no emprego, descartando uniformes fétidos que deixavam minha luva toda encardida que eu descobri duas verdades que poderiam mudar a minha vida se eu quisesse.
A primeira delas é que eu precisava aprender dizer Adeus, principalmente para quem não fazia o mínimo de esforço para ficar. O amor é uma via de mão única. Se não for recíproco e com objetivos similares, não adianta seguir em frente porque não há mecânico que faça reparo em coisas que não têm conserto. E a segunda verdade seria a descoberta do amor verdadeiro. Conheci alguém que seria capaz de me amar mais do que qualquer coisa ou pessoa. Alguém que não me machucaria e não me deixaria no meio da tristeza, alguém com quem eu poderia contar sempre que eu quisesse. Esse alguém era nada mais, nada menos, que o próprio eu. Percebi que não existia felicidade maior que amar-se. Assim, ninguém te engana, ninguém te machuca, ninguém vai embora. Amor próprio é tudo, é saber respeitar seus momentos e suas limitações, saber o que gosta e até que ponto pode ir. No dia em que aprendi dizer adeus aos que me machucavam, encontrei o elixir dos Deuses.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!