Notas iniciais
Adivinha quem faz cap de Natal e nn posta no Natal? Isso mesmo, Arya! #palmas PELO MENOS TEM MILAGRE NATALINO NESSA CARALHA, OK? RECLAMA NN Q NO FINAL VAI VALER A PENA. O cap nn ta tão grande, mas acho que está engraçado. Mas né... Gosto de rir da trouxice alheia. #apanhahard Boa leitura e FELIZ NATAL ATRASADO! XOXO OBS:. Todo cap terá uma "lição", que é um fato sobre a Irene q tem alguma coisa a ver com um ato dela. Espero q tenham entendido essa coisa... Enfim, boa leitura again... XOXO

Lição Um: Irene gosta de neve. Faz a lembrar-se de seu país natal.

***

Havia se passado uma semana desde o incidente do armário. Kirino tinha reparado que a albina tinha ficado mais próxima dele, de alguma forma. Ela até mesmo o levou na casa dela e o deixou entrar em seu quarto, mesmo que fosse apenas para fazer um trabalho de final de ano do professor de Biologia.

Sobre o armário? Bem…

Irene chegou à sala, naquele dia, e disse para o professor o que tinha ocorrido e logo os meninos foram punidos, já que tinham escrito o nome deles no caderno da garota. Uma semana de suspensão e mais dois sábados de detenção.

Agora Kirino estava olhando para um folheto preso na parede á frente de onde fica seu armário, vendo o seu melhor amigo mexendo em seus livros a procura do de Matemática e esperando não ter se esquecido de trazer.

—Baile de Natal… — disse Kirino lendo o grande título que tinha no folheto. —Por isso as ajudantes estavam tão eufóricas.

—Ah, graças a Deus. —ele disse pegando uma apostila e a beijando três vezes seguidas, fechando a porta do armário e se apoiando nela, ficando ao lado de Kirino. —É um baile, as meninas devem estar ansiosas para algum garoto a convidar para ir ao baile. E talvez também tenha vários garotos querendo ir…

Kirino o olhou e Shindou pensou melhor, fazendo cara de negação. Eles respiraram fundo e começaram a ir em direção a sala deles.

—Eu não estou. —eles falaram juntos.

—Não vou achar um par legal. — disse Shindou olhando o folheto.

—E eu prefiro ficar de boas colocando meus seriados em dia. —Kirino colocou uma das chiquinhas para trás do ombro fazendo a mesma coisa que Shindou.

—Você poderia chamar a Irene. — brincou Shindou.

Kirino parou e olhou o garoto, dando um sorriso como se tivesse uma grande ideia em mente. O moreno ao seu lado deu uma olhada rápida e depois encarou Kirino, que começou a balançar a cabeça em concordância. O garoto negou com a cabeça, levantando um dedo para o Ranmaru não pensar nem em falar aquilo.

— Chamar a Irene para o baile de Natal? Está louco? Ok, você não deve estar no seu melhor estado mental, só pode! É a única justificativa lógica para isso. — disse Shindou. – Dimitri vai te matar!

— Porque eu iria matá-lo? — perguntou um garoto loiro aos dois, colocando o braço em volta do pescoço de Kirino e o outro de Shindou, esperando a resposta.

Kirino e Shindou se encararam como se o Diabo tivesse acabado de dar um abraço nos dois e eles olharam ao garoto. Ranmaru deu de cara com a queimadura que o mesmo tinha na cara, já que o mais velho estava com o cabelo preso em um rabo de cavalo sabe-se lá o motivo.

Para quem não conhece essa figura que acabou de aparecer, esse é o Dimitri Morozov, um dos cinco irmãos da naja albina. Todos nascidos na família Morozov são albinos, mas não quer dizer que todo Morozov é albino.

Dimitri é adotado e tem a idade entre a de Irene e a de Yuri Morozov, o segundo mais velho. Sendo assim, ele é o terceiro mais velho e se encontra no terceiro ano do ensino médio. Não se sabe como ele ganhou a queimadura na cara, e seria indelicado para Kirino, que mal fala direito com ele, chegar perguntando aonde o garoto queimou a cara.

Talvez seja relacionado a algum acidente na infância ou esfregaram a cara dele no asfalto quente mesmo. De qualquer modo, Kirino deixou a curiosidade de lado a partir do momento que o loiro estourou uma garrafa de Coca ao tentar abri—la, depois de todos do time de futebol não conseguirem.

— Ah… Nada não! — disse Kirino e Takuto ao mesmo tempo, e o garoto deu um olhar de relance que, se fosse uma faca, o rosado estava em pedacinhos.

— Eu quero chamar a Irene para ir ao baile. — disse Kirino rapidamente e o melhor amigo deu uma olhada de: “Você é suicida?”.

— Me chamar para o baile?

Os três viraram a cabeça ao mesmo tempo e viram Irene ao lado de Akane, que estava com o rosto vermelho ao ver Shindou. Sabia disso porque a Yamana nunca iria gostar dele, Dimitri é muito problemático para ela e… Ela é apaixonada pelo o Shindou desde que soube que ele existia e ocupava um lugar no espaço.

Coisas assim não mudam facilmente.

Irene estalou os dedos, tirando Kirino de seus pensamentos.

— Oh… É. — disse Kirino e Dimitri soltou os dois, indo para trás de Irene e do lado de Akane, bagunçando o cabelo dela. O rosado sorriu amarelo.

— Você é a décima oitava pessoa que me chama para ir ao baile de inverno ou cogita essa ideia. — disse a mesma, cruzando os braços. — Me dê três motivos para ir com você. Se pelo menos um deles for um motivo real para mim… Eu vou com você.

— Shindou, quer ir ao baile comigo? — disse Akane rapidamente e a garota albina a olhou, arqueando a sobrancelha e dizendo algo em russo que Dimitri concordou e bateu palmas rapidamente.

Shindou passou a mão no cabelo e afirmou, sorrindo.

— Ok, agora se calem que eu quero só escutar o Kirino. — disse a russa.

Kirino começou a pensar em alguns motivos que iriam agradar a Morozova e, ao mesmo tempo, o irmão da mesma. Ele engoliu em seco.

— Ok. — começou. — Eu não tenho interesse algum em você, então não tentaria nada. Não faz meu tipo, não gosto de albinas.

Acho que vou para o inferno depois dessa mentira.

— Eu sou adorável e seus pais gostam de mim. — disse Kirino e viu que nada adiantou muito, já que ela fingiu bocejar. Não era um bom sinal.

Ele tinha que apelar agora. O rosado chegou mais perto da mesma e falou em um sussurro:

— Eu já te vi chorando.

Ele se afastou e todos ficaram pensando um pouco, sem saber o que escutaram naquele momento. Irene o olhou, parando de mexer no cabelo.

— O baile é as sete? — Kirino afirmou. — Se encontramos aqui às sete e meia em ponto. Ninguém chega no horário certo mesmo. E não precisa ir me buscar em casa.

O sinal bateu e a mesma olhou os dois meninos, acenando a Akane e Dimitri que seguiram para suas respectivas salas. Ela ficou no meio de ambos e os olhou, vendo que Shindou estava de boca aberta e Kirino com um olhar assustado.

— O que foi? Viram um fantasma? — perguntou. — Vamos para a sala.

Eles a olharam e sorriram, começando a andar. Shindou parou um segundo e os outros dois o olharam raciocinar.

— Eu vou com a Akane para o baile?

***

— IRENE MOROZOVA? — gritou Hamano. — Eu estou tentando a convidar para ir ao baile comigo desde que eu descobri da existência desse baile, e você em alguns míseros segundos consegue? Você usou dinheiro, não é?

Kirino estava amarrando o cadarço da sua chuteira enquanto o moreno surfista estava eufórico com a notícia.

— Apenas dei um motivo para a mesma ir comigo. — disse Kirino. — Um motivo real.

Kirino estaria até feliz se não estivesse ocupado pensando em uma coisa que normalmente ninguém iria pensar: Porque ela se importaria tanto se Ranmaru falasse para todos que ele a viu chorar naquele dia do armário? A Morozova parece ser alguém que se importaria com nada, não.

O mesmo ajeitou o cabelo de forma que não fosse soltar durante o treino e fechou a porta do armário, dando de cara com o Kariya Masaki com um sorriso triunfante.

— Qual é o problema ele ir com a Irene ao baile? Não é como se ele fosse a beijar. — disse o mesmo, sorrindo forçadamente ao Ranmaru, que nem fez esforço de retribuir. — Não é uma ameaça, Hamano. Você ainda tem chances, nulas, de conquistar a garota.

O Ranmaru abriu a porta do armário novamente e fingiu mexer em alguma coisa. Kariya fechou a porta.

— Que tal fazermos uma aposta? — o mesmo disse. — Se você beijar a Morozova, eu e mais três pessoas do time de futebol terão que dançar, na Praça de Inazuma e no Natal, Jingle Bell Rock. E com a coreografia e figurino de Meninas Malvadas. Se não beijar… Você terá que cortar o seu cabelo.

Kirino riu do mesmo e cruzou os braços.

— Isso é infantil. — disse indo para a saída do vestiário com Shindou e Tenma, que estavam analisando a situação de longe.

— Oh, está com medinho, Pocahontas rosa? — perguntou Kariya. — O franguinho está com medo de perder! — disse o mesmo agitando os braços que nem uma galinha. — Ou, pelo menos, ele tem a consciência que nunca irá conseguir beijar a Morozova.

Nesse momento, veio uma revolta em seu corpo e seu sangue pareceu borbulhar. Ele se virou rapidamente ao Masaki, de modo que até o mesmo recuasse e disse:

— EU NÃO ESTOU COM MEDO DE PERDER! — gritou. — Se quer tanto, então está apostado, idiota.

E assim ele se virou, vendo Shindou fazendo a mesma cara de “Você é suicida” e saiu andando. Assim que a porta se fechou atrás dele e dos outros dois, ele andou mais um pouco, acalmando-se, e se apoiou na parede, deslizando até sentar, com as mãos na cabeça.

— Eu sou louco.

— Você é louco. — disse Tenma. — Mas segundo Alice no País das Maravilhas, isso é bom. As melhores pessoas são.

— Ele não é louco. Ele é idiota mesmo. — disse Shindou, passando a mão na cabeça. — Vou procurar o número do cabeleleiro da minha mãe quando chegar a casa. Parece que ele cobra barato.

***

Kirino chegou a casa, retirando os sapatos na portaria e respirou fundo, passando as mãos no cabelo. Seus pais deveriam estar trabalhando e a sua irmã mais velha, como sempre, trancada no quarto estudando. Era até melhor a mesma assim, não irritava. A sua irmã fazia faculdade de medicina.

Ele subiu as escadas, onde dava ao andar dos quartos e foi ate o dele, jogando a mochila na cama de qualquer jeito e retirando o casaco do colégio e depois a blusa.

— Olá. — disse uma voz feminina e Kirino deu um pulo, olhando para trás e vendo a sua irmã ali. Uma garota de cabelo longo e rosado, amarrado em um rabo de cavalo, com os olhos pretos. — Irmãozinho, você está em forma.

— Cala a boca, Hinata. — disse o mesmo, jogando a blusa na cara dela e colocando uma blusa verde que tinha pendurada no cabide.

A garota retirou a blusa da cara e, com a cadeira de rodinha da mesa do computador, ela foi deslizando para perto do mesmo.

— Uma garota veio aqui hoje e pediu para lhe entregar a prova de Matemática. Eu nem olhei, ela está debaixo de seu travesseiro. — disse a mesma. — Eu agradeci pela a gentileza dela e a mesma apenas disse que o professor a pagou por isso. Mas ok, ela era bem bonita. De cabelos brancos longos e olhos vermelhos, era alta e tinha umas vestes elegantes e esperando por ela tinha um carro de marca muito bonito e grande.

— Irene. — disse o mesmo, puxando o travesseiro e pegando a nota de matemática. Tinha tirado oito, como sempre. — Ela vai me acompanhar no baile de Natal, que é esse sábado.

— Sério? Pagou quanto para ela?

O rosado olhou a irmã, que apenas se encolheu e fez coração com as mãos.

— Vou ignorar. — disse. — Você sabe se o papai tem como encolher o terno dele para eu conseguir ir ao baile?

Ela riu do mesmo e cruzou os braços.

— Pede um emprestado para o Shindou. — disse Hinata. Kirino fez cara de negação, mordendo o lábio. — Por que não?

Kirino sempre pede esse tipo de coisa para o Takuto, e aquilo incomoda o rosado mesmo que o melhor amigo não se importe. Ele não sabe exatamente o porquê, talvez pelo o olhar que o pai do garoto faz para o mesmo quando Shindou o empresta um terno, por exemplo, é o mesmo que todos fazem para uma criança da África.

— Você doa seu tempo para conversar com aquele bebê chorão, não deveria sentir vergonha de pedir emprestado, quando puder. — disse e Kirino riu do início da frase, mas logo se jogando na cama.

— Eu sei, mas…

— Quer saber? Se não quer pedir para o Shindou, vou pedir para um amigo meu. — disse Hinata. — Ele é um pouco mais alto, mas acho que deve ter algo. Não da para comprarmos em cima da hora um terno, é daqui a dois dias esse baile. Não vamos conseguir ir ao centro comprar pra você.

Ela se levantou, pegando o celular e saindo do quarto, indo falar com alguém sobre isso. Ele olhou a porta se fechar e revirou os olhos, pegando o celular do bolso da calça e vendo algumas notificações.

Tenma Matsukaze adicionou uma foto com você no Facebook e mais 12 pessoas.

Shindou Takuto marcou você em uma publicação no Facebook.

Tumblr: snow-and-storm reblogou uma postagem sua.

Whatssap: 900 mensagens de 5 conversas.

Oito ligações perdidas de Naja Queen.

O garoto ia eliminar essa última quando arregalou os olhos ao interpretar por completo a frase, ficando sentado e vendo que ele colocou o celular em modo de silêncio total. Ele se levantou, colocando som e desbloqueou o aparelho correndo, clicando em um canto da notificação que dava a opção de retornar a chamada.

Ele colocou no ouvido e esperou alguém atender, andando para o lado e para o outro.

— Quem incomoda? Não li o nome. — disse uma voz sem saco, parecendo que estava lendo ou fazendo qualquer outra coisa, menos se importando com o que iria conversar.

— Irene? — perguntou algo óbvio.

— Não, é o Naldo. Vodka ou água de coco? — perguntou Irene em sarcasmo, mas Kirino ignorou.

— Você me ligou oito vezes. — disse Kirino.

— Eu sei, tive que clicar oito vezes no seu nome. — disse ela, e um barulho de música clássica começou no fundo. — Eu já resolvi o que queria com o Shindou, não se preocupe.

— Ah… — Kirino mordeu o lábio. — O que era?

— Queria saber se tinha vaga no time de futebol.

— Você quer entrar? Você é boa, só não gosta de jogar. — perguntou Kirino. — Achei que você estava como assistente apenas para não fazer educação física.

— Não é para mim e eu estou como assistente apenas para não fazer educação física. — ela falou e Kirino riu de leve. — O meu irmão quer jogar porque é bom para o TDAH dele e ele quer tentar parar de tomar remédios.

— O Pavel quer jogar? — disse Kirino. — Nada contra ele, mas ele é péssimo em esportes. Se fossemos pensar no namorado dele, eu não teria muito que falar, mas…

— Pavel? Claro que não. E não fala daquela coisa não vacinada, ele comeu meu último pedaço de bolo. — disse Irene. — E o Pavel não tem TDAH, mas o Sebastian sim.

Kirino travou e memórias do passado voltaram à tona, o fazendo ficar arrepiado até o último fio de cabelo no seu corpo. Não precisa de um flashback para alguém saber como é a peça no qual Irene titula como o seu “prodígio”, apenas tem que escutar essa frase:

Satanás começa com S de Sebastian.

Deixa jogado no ar mesmo.

— E tem vaga?

— Shindou disse que o time vai ficar faltando membro porque um dos membros vai ser transferido, então obviamente vai ter vaga para abrirem aos novatos do próximo ano. — ela disse. — Meu irmão tem algumas técnicas, não são as melhores, mas com o tempo ele vai melhorar.

— Tem certeza? — brincou.

Os Morozov não tinham um histórico legal de pessoas que jogam futebol bem. Pavel, por exemplo, tentou chutar para o gol e acertou o “gol” do Endou.

— Sim. — disse Irene. — Ah, precisamos ir combinando para o baile? De qualquer modo, eu vou de preto e branco.

Kirino pensou em algumas possibilidades do vestido da mesma, mas logo voltou à realidade ao vê-la perguntar sobre Shindou e Akane.

— O que o Shin acha da Akane? Bem… — ele pensou um pouco. — Teve uma época que ele gostou um pouco dela, mas logo entendeu que era apenas amizade.

— Você sabe que ela não sente só amizade, certo? — ela disse e Kirino afirmou. — Só espero que ela não se iluda depois dessa noite, pessoas apaixonadas me estressam.

— E… Eu gostaria de saber o motivo das meninas terem me colocado no grupo do skype… De meninas. — disse Kirino e Irene ficou em silêncio, mas ele a imaginou dando um sorriso sarcástico.

— Aoi disse que você é o mais sensível e que tem intimidade com a gente, então ela colocou para termos contato com você e quando alguém precisar de uma opinião masculina… Temos você, mesmo não sendo a melhor escolha. — disse Irene. — Tenho que ir, ensaio com o pas de deux.

— Ok, tchau. — disse Kirino. — Beijos.

Ele tampou a boca naquele momento e escutou Irene resmungar algo em russo.

— Beijos recusados. Tchau, Ranmaru. — disse a garota, desligando.

O garoto sorriu de leve e jogou o celular para trás, sabendo que ele ia cair na cama. Repassou o final da conversa em sua cabeça e reparou que ela o chamou pelo o nome, Ranmaru, e não pelo o sobrenome.

“Tchau, Ranmaru.”

— Ela deve ter feito isso sem querer. — disse o mesmo cruzando os braços e se virou, pegando o celular na cama e abrindo o Google, começando a falar o que estava escrevendo. — É verdade que as garotas chamam pessoas íntimas pelo o nome?

Logo a porta se abriu com Hinata segurando um enorme pacote com um cabide, colocando delicadamente em sua cama como se fosse algo precioso e que ela não poderia nem respirar em cima. Logo outra pessoa entrou no quarto, o que o fez olhar para a porta... E querer se matar.

Você manda Jesus entrar na sua casa e na sua vida, mas quem vem? Isso mesmo, o Satanás.

— Oh, você. — disse o garoto albino de olhos vermelhos com um sorriso digno de demônio no rosto. Sebastian Morozov. — Que mundo pequeno, não sabia que você era irmão da Hinata.

— Vocês se conhecem? — perguntou Hinata. Kirino olhou o garoto, que afirmou. — Ele é o meu professor de piano, Kirino. Ficou me devendo uma na aula passada por ter emprestado uma borracha para ele, mas acabou perdendo. Nem ia cobrar essa dívida, mas...

— Então você vai ao baile com a minha irmã com o meu terno? Se soubesse teria escolhido o que eu usei para ir ao casamento dos amigos do meu pai. — disse Sebastian. — Ele da azar. No dia, a noiva disse não e fugiu com o irmão do melhor amigo do noivo.

Hinata riu um pouco, mas logo parou por conta do irmão. Ranmaru cruzou os braços.

— Eu vou usá-lo com muito carinho, obrigado por ter me emprestado o seu terno. — disse seriamente e se curvou, fazendo o garoto rir levemente e sair do quarto.

Ranmaru podia se lembrar como se fosse ontem daquela peste roubando as suas roupas quando ele tomou banho na banheira enorme da casa dos Morozov após pegar uma chuva, ou ele abrindo e fechando a porta na cara dele... Ou dos cento e cinquenta palavrões que ele fala em apenas uma frase. Só de lembrar-se disso faz os ouvidos de Ranmaru coçarem por ele ainda não ter soltado um “Vai se fuder”.

Mal chegou o Natal, no entanto Ranmaru acredita que isso deve ser milagre natalino.

***

SÁBADO, VÉSPERA DA VÉSPERA DE NATAL.

O terno era muito bonito para Kirino.

Irene era muito bonita para Kirino.

Ou talvez fosse apenas algum efeito invertido do Natal que o deixasse inferior a tudo. É melhor culpar o Natal do que se sentir um bosta.

Todas as meninas estavam bonitas, até mesmo a Akane que sempre se encontrava um pouco indiferente, conseguiu um grande destaque com um vestido que ia até o meio das suas coxas, azul escuro e de uma manga longa e solta, deixando o outro braço nu. Usava sapatilhas pretas e o cabelo solto.

Irene, por sua vez, estava linda como sempre. Seus cabelos estavam amarrados em um rabo de cabalo bem feito e sua maquiagem era leve, portanto o batom vermelho destacava seus lábios e talvez fosse isso que chamava atenção. Usava um cropped preto, justo e liso, com as mangas cumpridas que mudavam os tons de branco para os tons de preto quanto mais perto do final estavam. A sua saia começava na cintura, deixando um breve espaço entre o cropped e a saia, e ela era preta e longa, dando a impressão que, se Irene girasse, ela iria rodar.

Eles estavam à meia hora sentada em uma mesa com Shindou e Akane, que conversavam sobre alguns casais que apareciam ali e rindo, enquanto Irene estava calada olhando para o maravilhoso nada e o rosado tentava puxar assunto, mas não tinha tanto.

Logo começou uma versão lenta de “Last Christimas”, cantada por Pavel. Ele tinha uma voz doce, combinando com tons de músicas lentos. O garoto procurou o namorado dele com o olhar, vendo se via o garoto no canto vendo-o cantar, mas Shindou o cutucou, fazendo-o virar e o ver apontar para Irene, enquanto Akane deu uma cotovelada nada discreta em Irene. Eles se levantaram e foram dançar.

O garoto a olhou mexer na borda do copo e negar o salgadinho de calabresa. Afinal, era vegetariana.

— Quer... — ele apontou para a pista e ela olhou para o mesmo, se levantando.

— Venha comigo. — disse Irene, o pegando pela a mão e o levando para fora do baile.

Ele olhou Shindou fazendo joinha com as duas mãos assim como Akane, mas logo o garoto pegou na cintura da mesma, o que a fez se virar para ele. E essa foi à última cena que Kirino viu deles dois naquela noite.

***

Irene o soltou no meio do caminho, não falando nada para onde eles estavam indo. A única coisa que a garota fez foi soltar os cabelos, colocando o elástico branco em seu braço e se virou para o mesmo, parando na frente de um prédio que era conhecida por ter uma roda gigante que era de graça à noite.

— Você quer ir? — perguntou Kirino e Irene o olhou.

— Não teria andado isso tudo apenas para ver a estrutura do prédio, não é? — Irene cruzou os braços e Kirino respirou fundo, aceitando a patada de braços abertos como se fosse sua melhor amiga.

Eles andaram na direção da roda gigante e o homem pediu a identidade, já que menores de catorze anos só podiam acompanhados por um maior de idade. Não tinha muito sentido, já que nenhum dos dois tinha cara de catorze ou menos, mas... Todo cuidado é pouco.

Eles entraram e Kirino se sentou, depois Irene entrou e se sentou perto da porta, puxando a saia para não prender na porta ao fechar. Eles ficaram em silêncio até a roda gigante começar a rodar. Irene ficou olhando pela a janela.

— Kariya confiou em Dimitri Morozov que ele não ia abrir a boca para mim. Ele não abriu, mas abriu para o Ivan, e aquele dali não sabe mentir. — disse a mesma. O rosado já sabia o que provavelmente ele queria falar. — Parece que você fez uma aposta com ele sobre me beijar.

— Eu sou louco. — disse Kirino. — Realmente eu não queria fazer, mas ele ficou me pressionando e acabou que explodi e...

— Não estou querendo dar sermão. Eu imaginei que fosse isso, você não é infantil como o Kariya, mas sei que ele tira você do sério com muita facilidade. — disse a mesma chegando mais perto. — Se quiser, eu posso o beijar. Estamos de baixo de um visco mesmo. — disse e Kirino olhou para cima, vendo um enfeite de visco na cabine da roda gigante. — E como estou de batom vermelho, vai marcar na sua boca. Podemos tirar uma foto e mandar para ele.

Kirino engoliu em seco.

— Mas... — Ferrou. Foi tudo que Kirino pensou ao escutar a garota falar isso. — Eu vou escolher os quatro garotos que vão dançar Jingle Bell Rock no meio da Praça de Inazuma.

— Portanto que não me escolha.

— Você de vestido ia dar um dano colateral pior que olhar na cara da Medusa. — disse Irene secamente e Kirino sentiu uma facada no coração de leve. — Eu estava pensando em Hamano, Kariya, Hayami e Nishiki. Hamano e Hayami porque eles ficaram me irritando sobre ir ao baile com eles, Kariya porque ele é chato e Nishiki... Sei lá, ele ia ficar cômico de saia.

Kirino sorriu.

— Por mim, está tudo bem com os escolhidos, mas... — ele olhou Irene. — Você quer mesmo me beijar?

— Você prometerá que não irá começar a sentir qualquer coisa por mim? — perguntou Irene, e ela respirou fundo, soltando o ar pela a boca e olhando para suas mãos em cima de sua saia. — Os garotos me veem, na maioria das vezes, como... Um desejo, digamos assim. Eles sempre querem ficar comigo, então acaba que eles chegam perto de mim com segundas intenções, e não para serem meus colegas.

Kirino pensou um pouco e se lembrou do primeiro dia de aula da Irene. A única coisa que se falava era de como ela era perfeita e a garota dos sonhos de qualquer um, e então muitos se aproximaram dela no intuito de conquistá-la... O que sempre dava errado.

— Mas você se aproximou de mim... Por aproximar. — falou. — Ok, a minha aparência deve ter sido uns de alguns motivos? Sim, mas... Não foi o único.

Sabe aquela vontade de colocá-la em um potinho e guardar para sempre? Foi a que ele teve naquele momento, mas se controlou para não a abraçar e a chamar de fofa, porque talvez isso custasse a sua vida.

— Não irei. — disse Kirino. — Ao menos que você queira?

Ela logo levantou a cabeça, fazendo uma cômica cara de nojo para ele.

— Vamos logo? — perguntou a mesma.

Kirino riu de leve e deu um sorriso convencido.

— Está tão desesperada assim? — perguntou Kirino provocando-a e Irene fez cara de nojo.

— Para te beijar? Não, mas o seu cabelo depende disso e você ficaria bem mais estranho do que já é se o cortar. — disse Irene. Novamente ele aceitou a patada como uma velha amiga.

E então Kirino passou a mão na nuca e chegou mais perto. A garota o olhou se aproximar e se ajoelhou na cabine e na frente dele, colocando uma das mãos em seu rosto e fechando os olhos, o que Kirino também fez. E então, ele sentiu os lábios de Irene tocar no dele suavemente.

Espera...

Oi?

Kirino abriu os olhos levemente para conferir se era isso mesmo e voltou a fechá-los ao ver que era. Fogos de artifício podiam ser escutados na mente do garoto, assim como alguém abrindo uma garrafa de champanhe para comemorar.

Quando se separaram, Irene pegou o celular de Kirino e tirou foto da cara dele. Não precisava desbloquear para fazer isso, e provavelmente ela descobriu isso naquele exato momento. O devolveu e se sentou, se equilibrando ao ver que a cabine deu uma remexida.

Kirino ficou sem jeito, não sabia o que falar. Irene o encarava curiosamente, abrindo a janela ao seu lado da cabine, deixando o vento entrar e bater em seus cabelos albinos, os mexendo graciosamente.

Ele tampou o rosto, não sabia o que falar, aquela cena estava bonita demais que parecia uma fanfic. Foi então que ele escutou um início abafado de um riso, o que o fez levantar a cabeça rapidamente e a ver mordiscando o lábio e olhando pela a janela.

— Foi o seu primeiro beijo? — perguntou a garota.

— Beijo de avó conta? — perguntou.

Irene o olhou e, depois de alguns segundos, caiu na risada. Ele até ficaria sem graça com a mesma rindo daquilo dele, mas não ficou porque estava assustado ao ver que deu tempo de vê-la rir antes de morrer.

E logo o mesmo caiu na risada junto com ela, que não se importou muito. Pararam ao mesmo tempo e Irene reparou o que fez, virando o rosto para a janela e evitando olhá-lo.

— Parece que você tem um senso de humor.

— Cala a boca, Ranmaru. — disse Irene e ela parou, o olhando. — Posso o chamar de Ranmaru, certo? É um nome meio feio, mas eu estou me enjoando de Kirino.

Kirino a olhou por um tempo e assentiu.

— Isso significa que somos próximos. — disse o mesmo, e ela olhou-o. — Eu a chamo de Irene mesmo na época que você me ignorava de Irene porque é estrangeira, mas na cultura japonesa, você chama a pessoa pelo o nome quando é muito próximo dela.

Irene fez um “ah”, se virando para a janela. Eles tinham chegado ao topo da roda-gigante.

— Está começando a nevar. Deve ser véspera de Natal. — ela disse baixinho, se virando para a janela e olhando a neve cair. O garoto fez o mesmo.

Desculpe as palavras que vou dizer agora, mas são as únicas que define o que Kirino Ranmaru sente naquele momento, enquanto tenta se concentrar na neve que caia.

Quando Irene riu, soltando aquele som lindo e que poucos seres humanos conseguiam escutar, ele percebeu o quão fudido, e sem adição de lubrificante, estava dali por diante.

***

“Papai Noel, me diga se você está realmente aí.
Não faça eu me apaixonar novamente
Se ele não vai estar aqui ano que vem
Papai Noel, me diga se ele realmente se importa,
Pois posso desistir se ele não vai estar aqui ano que vem."
Santa Tell Me

Notas finais
ISSO MESMO GENTE! ELA RIIIIU! MILAGRES NATALINOS ACONTECEM E... Eu sei q nn aconteceu no Natal, mas ok... Espero que tenham gostado. Os caps vão aumentando durante a fic. Críticas, sugestões, elogios... Estou aceitando. o/ OBS:. (ignorem isso)Eu pensei três vezes em talvez fazer PFSI ser do mesmo universo de XOXO, só q em pontos de vista diferentes, já q um estaria centrado em Sebs e Akane, e no outro Kirino e Irene, q só aparecem pra fazer ponta msm em PFSI. E enfim... Não vai ser. Vão ser histórias totalmente diferentes mesmo que vai parecer estar indo no rumo de PFSI: Shindou ferrando o sentimental da Akane, Sebs entrando... Afinal, eu to fazendo cap de XOXO. Quem sabe o milagre natalino dura mais um pouco qui e eu consigo postar, ein? (ignorado) Pq ignorar? Pq PFSI vai ser no mesmo universo de XOXO ss. E é isso. Enfim... Até a próxima! XOXO
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.