Notas iniciais
Capítulo dedicado a Lullie que fez a segunda recomendação de PSV ♥ Obrigada, eu amei cada palavra!

Capítulo 5 –

Metaleiros e irmãs problemáticas.

[Levy McGarden On]

Eu acho que joguei minha coleção de livros do Harry Potter no fogo. Só pode! Tudo que eu queria era voltar pra casa depois de um dia cansativo, tomar um banho quentinho e dormir na minha cama macia. Mas não poderia né! Aquele metaleiro desgraçado tinha que estragar meus planos.

Gajeel resolveu que estava entediado e que queria assistir um filme de terror, mas não termina aí, agora vem à parte boa na história: Ele resolveu que queria ver o filme COMIGO! E eu nem pude contestar a ideia dele. Tive que aguentar quatro filmes ridículos sobre espíritos, sangue, assassinatos e policias e não pude assistir NENHUM romance.

Estava esfaqueando o moreno em pensamentos. Que ódio! Olhei para um dos livros que estavam na mesinha da sala e quase o peguei para jogar bem na face daquele besta. Tirei essa ideia da cabeça quando notei que poderia estragar meu livro novo.

—Baixinha rabugenta! –Soltou aquela risada escrota que só ele consegue dar. -Ficou com essa cara de bunda os filmes inteiros, tsc. –Gajeel se espreguiçou. Ri para tentar controlar minha raiva.

Respira Levy, respira Levy!

—Eu estudei e trabalhei o dia inteiro. Estou cansada! –Bufei. – Queria estar dormindo agora, mas tenho que ficar aqui aguentando você e esses filmes completamente idiotas!-Sabia que estava com um beiço enorme.

—Eu sei que você gostou de assistir esses filmes de terror, principalmente por que você ficou agarradinha em mim! Ge hehe — Reprimi a vontade de lhe dar um chute. Lá no fundo, eu sabia que era verdade. Era gostoso ficar nos braços musculosos dele.

—Cale a boca! –Lhe dei um tabefe. –Eu nem gostei! –Mostrei a língua. Okay, isso é uma atitude completamente infantil. Me julguem.

Gajeel riu e eu revirei os olhos. Era incrível como Gajeel era a única pessoa que conseguia me fazer rir quando estava irritada. Metaleiro chato! Puxei ainda mais os cobertores até o pescoço e me aninhei em seu peito musculoso. Gajeel tinha um perfume tão masculino. É difícil de explicar, mas eu garanto que é muito cheiroso.

—Eu disse. Ge hehe — Me abraçou enquanto desligava a TV. A sala ficou completamente escura e silenciosa. Gajeel estava acariciando meus cabelos delicadamente. Às vezes ele consegue ser bem fofo. –Você é tão pequena. Acho que cabe até no meu bolso. Ge hehe – Pronto. Acabou o clima!

—Já mandei você calar a boca! –Lhe dei uma mordida no braço.

—Deu pra morder agora? Que coisa sexy. –Passou suas mãos por minhas coxas. Senti minhas bochechas corarem gradativamente.

—G-Gajeel! Controle-se! –Lhe dei um tapinha na testa. Ele bufou e resmungou algo que eu não pude ouvir. -Não mereço nem um beijinho?

—Haha, você só me fez perder tempo, não é mesmo? –Me contorci no sofá, tentando achar uma posição melhor. Resolvi parar quando Gajeel começou a ficar mais animadinho.

—Vai dizer que não gostou de passar a noite com esse delicia? –Apontou para si mesmo. Soltei uma gargalhada. Esse garoto é um besta mesmo!

—Não sei o motivo da risada. Eu sou mesmo! —É Gajeel, você é um besta mesmo.

—Claro Gajeel, e a Juvia nem gosta do Gray! –Ironizei.

—Eu sei que você tem um tesão por mim. –Riu – Levy McGarden não sabe mentir, ela não resiste aos meus encantos. –Nos aproximou ainda mais, me puxando para cima e ficando bem próximo.

Eu ia responder da maneira mais grossa possível, mas fui impedida. Gajeel pressionava seus lábios deliciosamente contra os meus.

[Natsu Dragneel On]

—Sinceramente, qual o problema desses panacas? –Lisanna rasgou o bilhete que o garoto da turma 021 havia lhe dado e quase espancou a lixeira. Que garota revoltada.

—Calma Lis, a culpa não é da lixeira. –Enfiei as mãos no bolso e ri da expressão de ódio da albina. –A culpa é sua, você é bonita demais pra ser lésbica.

—Ah, cale a boca! –Bufou raivosa –Estou cansada de receber esses bilhetinhos com declarações, isso é patético! –Puxou sua mochila colorida e fez um sinal para sairmos da sala de aula.

—Você é a única garota que não gosta de coisas assim. Sabe, todas as garotas gostam de flores e poemas românticos. –Ajeitei minha mochila nas costas e continuei andando até a saída.

—Eu sei, mas isso é grudento demais. Não gosto de pessoas grudentas. –Lisanna estava de TPM, essa era a única explicação provável. Ela andava muito revoltada ultimamente.

—Já mandei você parar de culpar os meninos. A culpa não é deles. Você que esconde sua opção sexual! –Lisanna fez uma careta e soltou um resmungo. Ri, era divertido encher a paciência dela.

Lisanna e sempre fomos amigos, desde o jardim de infância. Nossas famílias eram próximas também, então passamos quase toda a infância juntos. Quando minha família resolveu mudar de cidade, nunca perdemos o contato, ela sempre estava ali para ouvir minhas reclamações sobre a nova cidade. Foi por culpa dela que eu voltei e me matriculei naquela escola.

—Então, soube que ela se declarou para você. –Ótimo. Lá vem a albina com esse assunto. –Você tem sorte, ela é muito linda...–Eu sabia que ela estava magoada comigo. Só não sabia o motivo.

—Lis, eu não quero falar sobre ela. –Fui grosso, eu sei. Mas realmente não queria falar sobre aquela garota.

—Natsu! –Me deu um tabefe. –Você foi um estúpido com ela? –Lisanna me puxou — com uma força que eu não sabia que ela tinha- e me fez olhar para seus olhos azuis. –Não minta para mim!

—Não! –Praguejei. –Eu fui indiferente, só isso!

—Indiferente?–Havia um desapontamento em sua voz. –Não acredito nisso! Natsu Dragneel, você é um otário! –E saiu. Deixando-me parado no corredor.

Estávamos brigando muito ultimamente, e sempre pelo mesmo motivo. Resmunguei e chutei um dos armários que estavam na minha frente. Droga! Prometi que iria manter distancia dos problemas, mas os problemas estavam me perseguindo.

...

—Mano, vamos sair? –Wendy enfiou sua cabeça para dentro do meu quarto. Seus cabelos azuis estavam bagunçados e ela tinha lantejoulas coloridas espalhadas pelo rosto. –Estou com fome, papai não deixou nada pronto para comer.

Terminei de abotoar meu uniforme e enfiei meus tênis de qualquer jeito. Sorri para Wendy e concordei com a cabeça.

—Vou pedir pra Kinana fazer um doce pra você. –Peguei algumas notas e enfiei dentro do bolso da calça. Wendy sorriu e adentrou meu quarto, se jogou em minha cama e começou a futricar nos meus cadernos. –Não bagunce minhas coisas! Você riscou todos os meus cadernos da última vez. –Era verdade, todos os meus cadernos tinham coraçãozinhos e florzinhas desenhadas com canetinhas gel cheirosas.

—Quando vou aprender essas matérias? –Fez uma careta. E ignorou totalmente a minha bronca. –São estranhas. –Riu de uma maneira infantil. –Mano, você já decepou algum sapo?

Wendy tinha apenas nove anos, era uma cabeça de vento, problemática, adorava gritar e cantar no chuveiro. Só pensava em cantores internacionais e coisas coloridas. Lembro-me de quando ela ficou duas semanas fazendo greve de fome, só para ir ao show do 2ne1. E eu ainda tive que ir junto com ela no show. Foi horrível ficar naquela multidão que pulava e cantava todas as músicas, eu parecia um pamonha ali no meio, não sabia cantar nenhuma música.

—Quer ir junto comigo? –Perguntei. Já sabia a resposta, Wendy odiava ficar sozinha em casa. Ela preferia sair e incomodar as pessoas na rua.

—Óbvio! –Me mostrou a língua.

—Então vá colocar uma roupa e tirar essas coisas coloridas do rosto, não vou me atrasar novamente. –Wendy deu um pulo da cama e saltitando até a porta.

Eu trabalhava meio período em um restaurante/ café, era um dos garçons e também cozinhava algumas coisas para ajudar a Mira. Meu pai trabalha em uma empresa de seguros, não passávamos necessidade e tínhamos dinheiro suficiente para viver bem, porém, achei que era minha obrigação arranjar um emprego e pagar minhas próprias despesas. Não fazia nada importante pela tarde mesmo.

Terminei de arrumar algumas coisas que estavam espalhadas pelo quarto e fui procurar aquela pestinha. Quando entrei no quarto de Wendy, quase resbalei em um ursinho de pelúcia. Acho que alguém havia feito uma guerra de purpurina e pelúcias ali.

—Seu quarto está uma bagunça! –Wendy estava jogada na cama, com Charlie em seu colo.

—Não seja chato! Normalmente os garotos não se importam com bagunça. – Pegou algumas fitas e começou a enrolar no pescoço da gata branca. Pobre Charlie. A gata sofria nas mãos daquela maluca.

—Vai matar a Charlie enforcada. –Chutei um urso roxo para longe, ele começou a cantar uma música de ninar. Bufei. –Largue ela, estou quase atrasado!

—Ah! –Largou a gata no chão. Charlie miou e correu até a porta. –Você nunca pode se atrasar! Que coisa chata! –Revirou os olhos e saiu. Seguimos até a porta de casa.

—Quer que a Mira me demita? –Tranquei a porta e enfiei o molho de chaves no bolso.

Wendy me ignorou totalmente, começou a mexer com os cachorros da vizinhança. Peguei meu celular e mandei um SMS para Lis, tentando puxar algum assunto. Ela não me respondeu, então guardei o celular e apressei o passo até o Orangerie.

...

—Boa tarde, Natsu! –Kinana sorriu amigável. –Ah, você apareceu, Wen!

Kinana aparentava ter a mesma idade que eu, mas era mais velha. Era fissurada em jogos do Mario e estava sempre com camisas de algum jogo ou banda. Era uma garota bem divertida e animada, foi uma das minhas primeiras amigas que consegui no trabalho, por isso confiava bastante nela para deixar Wendy aos seus cuidados.

—Kin! –Wendy sorriu. –Tudo bem?

Kinana era a pessoa que Wendy mais gostava, acho que o sonho dela era me tirar da família e botar Kinana no meu lugar. Deixei as duas conversando e adentrei a cozinha. Todo o restaurante tinha cores vibrantes e quadros de grandes dimensões nas paredes.

—Boa tarde, Natsu! –Mirajane sorriu animada.

Mirajane era a irmã mais velha da Lisanna. As duas eram quase idênticas, porém a mais nova tinha cabelos curtos e era mais rabugenta.

—Boa tarde, Mira. — Peguei alguns pratos que estavam no balcão e comecei a ajeitar na bandeja. A albina começou a cantarolar animada enquanto temperava alguma coisa que estava na panela. –Está animada hoje, aconteceu algo? –Mira sempre foi animada, mas hoje ela estava animada demais.

—Sim! –Soltou um gritinho quase tosco. –Consegui uma pessoa para ajudar vocês com o trabalho. –Mirajane e seus exageros! Achei que ela tivesse ganhado na loteria. –Para sua sorte, é uma garota! –Soltou um risinho malicioso.

— Mira, não estou desesperado. –Peguei a bandeja e rodopiei, só para fazer um charminho.

—Eu sei! –Bufou. –Mas a Lisanna disse que você a conhece. Achei que ia ficar feliz. –Fez um beicinho idêntico ao que Lisanna fazia quando estava chateada.

—Você não me falou quem é, eu conheço uma penca de meninas. –Revirei os olhos. –Desembucha!

Mira riu e colocou os temperos no balcão. Pegou uma colher enorme e começou a misturar o conteúdo da panela. Achei que ela não ia falar nada, então peguei os pedidos e me dirigi até a porta.

Lucy. – Quase derrubei a bandeja.

—Oi? –Dei uma de idiota.

— O nome da garota é Lucy. –Agora realmente posso afirmar que o destino quer mesmo acabar comigo.

Notas finais
Capítulo editado.