Notas iniciais
O capítulo de hoje é ligeiramente menor - Eu não quis estender os acontecimentos e acho que o final não merece uma cena extra só para "ficar maior", então aí está n.n Espero que gostem do capítulo de hoje, faço com todo amor e carinho

Não preciso de uma fala perfeita

Não importa se as críticas seguem uma fila

Eu vou revelar todos os meus segredos

Quando Aiolia, já calmo, andava no corredor para finalmente encontrar Máscara da Morte no quarto, viu seu irmão em pé, cabisbaixo e balançando os pés, ao lado da porta do quarto do italiano.

– Fazendo o quê aqui, Aiolos?

– Vim trazer suas coisas.

– Não isso, disso eu sei — o leonino girou os olhos — Digo "aqui" de "aqui fora".

– Ah. Oh. — respondeu sem graça, desviando o olhar — Eu falei o que não devia e Máscara me enxotou do quarto.

– O quê você disse?

– Ah... Eu só disse que a culpa era dele de todo mundo ter achado bom ele ter ficado paralítico...

– SÓ? — Aiolia viu sua irritação voltar num misto de culpa. Se estivesse perto do canceriano durante o dia, isso não teria acontecido — Porra, Aiolos! Já tava sendo muito difícil pro cara sem saber disso!

– Não foi minha culpa, ok?

– Ah, e a culpa foi de quem? Chapeuzinho Vermelho? — Aiolos permaneceu calado, no que Aiolia continuou — Como ele tá?

– Sei lá... Pelo que ouvi, teve um acesso de fúria, depois parece que estava chorando, mas não acredito muito na hipótese. — volveu divertido — Ele não é o tipo de cara que chora.

– Ele tem chorado quase todas as noites, Aiolos.

O sagitariano realmente não acreditava que Máscara tivesse muitos sentimentos além dos decorrentes da carnificina. Para ele, Máscara da Morte voltaria para o Santuário e continuaria como sempre, com o adendo da cadeira de rodas. E jurava que todos pensavam o mesmo.

– Ah, Aiolia, para. Duvido.

Aiolia não respondeu, apenas abriu a porta do quarto e puxou Aiolos para dentro junto, encontrando Máscara da Morte chorando calmamente, fitando o teto. O lençol da cama estava salpicado de vermelho-sangue na altura das coxas e a parede oposta à maca e o chão sujos de comida.

– Bem vindo de volta, leone.

– Cara, você tá bem? — respondeu Aiolia, preocupado. Não, o outro não estava bem. Era visível — Isso é sangue? De onde veio isso?

Ouvir a voz de Aiolia fez as lágrimas rolarem mais espessas, fazendo Ettore tentar enxugá-las em vão, respondendo em meio a soluços, enquanto Aiolia o abraçava forte, recostando a cabeça no ombro do grego — Por onde você esteve, filho de uma puta?

– Desculpa, cara, eu...

Ver Máscara da Morte aos prantos abalou os sentimentos dos irmãos de maneiras diferentes: Aiolia viu toda sua raiva e chateação se esvair e dar lugar a uma vontade cada vez maior de proteger o italiano, enquanto Aiolos se culpava por ter dito coisas tão rudes. Verdadeiras, mas rudes.

O sagitariano saiu do quarto assim que pôde, fechando a porta. Tal movimento foi percebido por Aiolia, mas procuraria o irmão assim que Máscara se sentisse melhor.

Minutos se passaram em que o italiano continuou abraçado ao leonino, chorando. Aiolia também vertia lágrimas tímidas por ver o amigo naquele estado. Com pouco esforço, Máscara da Morte adormeceu nos braços do outro, com o nariz entupido e as faces vermelhas de chorar.

Decidido por procurar Aiolos, Aiolia aconchegou Máscara na maca e pensou que ele parecia tão devastado agora e seria tão difícil voltar para casa... Estremecia de pensar na recepção dos outros, nas palavras rudes e animosidade. Não seria divertido, seria aterrorizador, seria cruel.

Então escreveu um bilhete rápido para Ettore, fui procurar Aiolos, já volto e encaixou os mesmos na mão do cavaleiro adormecido. Não queria que o outro acordasse e se sentisse sozinho.

Desta feita, não demorou a encontrar o irmão por meio de cosmo. Aiolos não havia ido longe, ainda estava no hospital, sentado em um banco de cimento em frente à entrada principal.

– Eu fui um idiota, não fui? — disse Aiolos quando viu o irmão se aproximando — Não foi de propósito, não imaginei que ele ficaria assim.

– Sei que não foi proposital — Aiolia se sentou ao lado do mais velho e continuou — Máscara também sabe. Só que... Só de imaginar como vai ser quando ele chegar em casa e já está sendo tão difícil...

– Vai ser o inferno — o sagitariano suspirou fundo e continuou — Mesmo que ele esteja colhendo o que plantou, vai ser o inferno.

– É...

– Vocês estão se dando melhor que eu imaginei — Aiolos sorriu — Eu pensei que fossem se estapear e um acabar matando o outro.

Aiolia corou. Falar com Aiolos sobre o que aconteceu nos últimos dias era uma boa ideia. Não tinha pessoa melhor para confidenciar o que estava sentindo.

– Estamos nos dando bem.

– Por que corou? — sorriu amplamente. Aiolia não ficava envergonhado facilmente, só conseguia imaginar o que havia acontecido nesses dias — O quê aconteceu?

– Eu... Nós... — o mais novo gaguejou e desviou o olhar — Nós nos beijamos, Aiolos. Acho que estou apaixonado. Pensei nisso o dia todo, não vejo alternativa. Ou isso ou me drogaram com uma poção do amor.

– Tem certeza? — Aiolia o olhou incisivo e Aiolos tratou de corrigir — Digo, vocês se conhecem a tanto tempo, por que agora?

– Nós sempre brigamos, nunca tínhamos parado para conversar... Dessa vez, com ele doente, eu tive que tomar cuidado, então conversamos muito. Ele é diferente do que mostra.

– Então como ele é? — Aiolos se divertia. Pelo pouco que ouvira, percebeu que Aiolia estava caidinho pelo canceriano.

– Ele é sensível, engraçado, simpático, ele se importa comigo, é romântico e tem uma aura melancólica também, que não vem da situação de agora. Ele também é solitário e não gosta disso, ele é que nem um caranguejo, tem a casca grossa para proteger o interior molengo e ele não me contou, mas acho que já machucaram muito ele. O sorriso dele é lindo também — sorriu — e tem o beijo doce.

– Tem certeza que estamos falando do Máscara da Morte?

– O nome dele é Ettore. Ettore Rossi. Li no prontuário.

Aiolos abraçou forte o irmão. Era óbvio para qualquer um que ouvisse o discurso recente de Aiolia que o leonino estava perdidamente apaixonado por Ettore– E ele?

– Não sei... Eu tenho medo de falar para ele do que eu tô sentindo e ouvir um não ou coisa pior ou de ele rir com escárnio e dizer que fingiu ser o que eu estou vendo — Aiolia cobriu o rosto com as mãos e continuou — Eu não sei de nada, tenho medo de dar mais um passo, hoje eu disse para ele que achava que estava gostando dele e ele respondeu que gostava da minha companhia. Isso me angustiou em níveis inimagináveis!

Aiolos ficou surpreso com a insegurança que Aiolia demonstrava. Tinha certeza que o irmão não mostraria esse lado para mais ninguém. — Às vezes ele sente o mesmo que você. Vai ver ele não queria dizer e depois você falar para ele que é brincadeira. E o emocional dele está bem mais abalado que o seu.

– O que eu faço, Aiolos?

– Não faço ideia.

– Que tipo de irmão mais velho é você? — respondeu, entre risos. Só Deus sabia como sentira falta do irmão — Você devia me dar conselhos amorosos!

– É, mas eu passei 13 anos morto e você é gay. — Aiolos disse, bagunçando o cabelo de Aiolia — Não tenho muita experiência com relacionamentos, principalmente homo.

– Pô, é que nem como se o cara fosse uma moça, só que é um cara.

– Pode ser, mas eu nunca tive um relacionamento com um. Sacou?

– Saquei — Aiolia sorriu e continuou — Mas agora eu vou, não quero deixar o Máscara sozinho.

– Tudo bem.

– Você volta amanhã?

– Volto, eu quero pedir desculpas para ele — Aiolos disse enquanto se levantava junto com Aiolia, dando um abraço de despedida — Se cuida e cuida bem dele também.

– Pode deixar.

Dito isto, Aiolos virou as costas e saiu, acenando de leve e recebendo um aceno do mais novo de volta. Aiolia voltou para o quarto do hospital pensativo. Será que Aiolos estava certo e Máscara da Morte também se sentia apreensivo? Balançou a cabeça em negativa. Era melhor ignorar esse tipo de pensamento ou não demoraria e divagaria sobre se casar na praia e morar em uma casa perto de um lago com três filhos.

Ou melhor, não dá para casar na praia, por conta da cadeira de rodas. Um casamento no campo, ao ar livre e só os dois e um padre ou em uma igrejinha estilo gótico (porque combina com Máscara da Morte) com decoração à base de lírios e...

Antes que pudesse completar os pensamentos românticos, Aiolia abriu a porta do quarto e encontrou, Máscara acordado, olhando diretamente para a porta e com um semblante mais calmo.

– Já acordou?

– Já. Agora pouco.

– Mais calmo.

– Acho que sim. — Máscara da Morte passou as mãos pelo cabelo nervosamente e continuou — Eu estive pensando... Eu não devia me sensibilizar tanto.

– Não é sua culpa, cara. — Aiolia sorriu com ternura, se aproximando e sentando ao lado, na maca — Tudo bem chorar.

– Não é isso... É que... — o italiano desviou o olhar, corando, tentando não encarar os olhos verdes brilhantes do grego — É que eu devia me importar com a opinião de quem se importa comigo. Não faz sentido me sentir mal pela opinião do povo do Santuário, não é como se eu esperasse outra coisa... Só que, ao mesmo tempo, é tão difícil não me importar...

– Aonde quer chegar?

– Daí eu comecei a pensar que às vezes a gente machuca as pessoas que se importam com a gente sem querer — Máscara continuou, como se não tivesse sido interrompido — E daí eu percebi o porquê de meu dia ter sido horrível.

– Por quê? — Aiolia já sentia seu coração palpitar e sua face corar ante as palavras do outro, sentindo onde isso levaria.

– Me desculpe por não ter te respondido adequadamente mais cedo — Máscara da Morte disse enquanto mexia no cabelo de Aiolia, tentando colocar atrás da orelha — Acho que tenho que te dizer a resposta correta.

– E qual é?

– Eu me sinto muito atraído por você, fisicamente falando. — deu uma pausa, vendo o humor de Aiolia baixar um pouco, então sorriu e continuou — Mas eu não quero um relacionamento embasado em sexo, por que eu não sei se vai dar. Eu sei que eu gosto de você, Aiolia, muito. Só que eu não quero dar um passo maior que a perna.

– Eu também gosto muito de você. Acho que tenho certeza.

– É suficiente.

Sorriram, aproximando os lábios, trocando mais um beijo doce e quente. Máscara pôs a mão na nuca de Aiolia, o aproximando, enquanto o leonino se apoiava com as mãos na maca. Tempo depois, se afastaram e continuaram perto, fitando um os olhos do outro.

– Quer namorar comigo?

Aiolia riu com gosto. Era estranho o pensamento de namorar com Máscara da Morte, mas parecia tão gostoso...

– Não gosto de suspense, Aiolia.

– Eu aceito, Ettore. Eu aceito.

Notas finais
E aí? *-* Eu achei o final extremamente fofo, apesar de que, na minha cabeça, meio que apressado demais (eu esperava que o primeiro beijo fosse mais ou menos pelo capítulo 7, não o pedido de namoro xDDDDDDD) Como acredito que dá pra perceber, o Aiolos ainda vai aparecer nos próximos capítulos - acredito que ele vai ser figura constante na fic, para equilibrar as coisas e não ficar tudo resumido a Máscara da Morte e Aiolia. Estou pensando em classificar a fic também em "songfic", o que acham? Se for assim, nas notas iniciais de todos os capítulos vou colocar créditos ao autor da música (cujos versos são os iniciais de toda fic, em itálico e alinhados à esquerda) e, obviamente, mudar a classificação lá xDDDDD De qualquer forma, fiquem bem e até a próxima :3