Precioso G

1 Transformação


Notas iniciais
Então, sempre fui fã de Resident Evil 2 desde a primeira vez que o joguei. Acho o jogo muito cativante e principalmente os personagens William e Sherry. Levem em consideração que mudei alguns diálogos e alterei algumas coisas, relacionando com informações mais gerais da série. Essa cena pra mim sempre foi uma das melhores que já vi em todos os jogos de Resident Evil e tive vontade de descrevê-la do meu jeito, e pra deixar não tão longa, tomei a liberdade de não descrever muito o ambiente, já que este é bem demonstrado na cena em si. Espero que gostem.

Pronto. Estava pronto. Era a obra perfeita de sua criação, o precioso G. Era assim que William o chamava. Depois de anos a fio dentro de um laboratório, finalmente tinha alcançado algo pelo quê se orgulhar. Claro que, tanto para ele como para Annette, o orgulho era certamente relativo, já que não havia nada em que se orgulhar ao usar a pobre menina como uma cobaia ferrenha, além do mais, dentro de uma empresa que produzia armas biológicas e as vendia, de modo que no futuro o precioso G poderia gerar a pior de todas as guerras já existentes: Uma guerra completamente biológica.

Os testes com as células de Lisa foram bem promissores, uma vez que se adaptaram bem ao vírus. Entretanto, ao entrar em contato com suas próprias células e até as de Annette, o vírus reagia de forma muito violenta, chegando a alterar o DNA e promover uma replicação tão rápida de devastadora quanto uma célula cancerígena. As células testes foram completamente descartadas, uma vez que William encontrou nessas células tantas alterações no DNA que células do sangue conseguiram inclusive gerar células cerebrais, o que seria demais para a Umbrella saber disso.

–William, você sabotou as câmeras ontem, não foi?

–Sim meu amor... Sabotei todas, mas temo que a Umbrella já tenha esse conhecimento. É possível que eles venham atrás do vírus ainda hoje.

Annette se desesperou.

–Mas... Eles não podem levar você! Se eles realmente tiveram conhecimento de tudo, imagina o que podem fazer com você!

–É por isso que você precisa sair daqui e cuidar da nossa pequena Sherry! Nunca vi ninguém tão teimosa quanto você, Annette!

Ela sai da sala preocupada. William retorna aos seus pensamentos. Umbrella... É lógico que eles tinham o conhecimento de que o vírus havia sido concluído, embora William não soubesse exatamente os seus efeitos. Pelos testes em laboratórios com células humanas e animais, os resultados tinham dado fortes alterações genéticas e em animais coo ratos e coelhos, o resultado foi assustador. Quando o animal conseguia sobreviver, recebendo assim doses menores, seu comportamento se alterava de dócil ou estressado para violento. As modificações genéticas também não eram demonstradas, pois os animais morriam logo ao receber sua primeira dose do vírus. Apenas um rato sobreviveu, e o seu DNA foi alterado de tal forma que, ao ser morto pelo próprio William – que o fez por medo da Umbrella – não tinha mais nenhuma característica de rato. Pareceria qualquer coisa, menos um pequeno camundongo. E como isso aconteceria caso o vírus fosse administrado em um humano? Mas esse era exatamente o fim o qual o vírus tinha sido criado.

Talvez houvesse uma possibilidade. Se William conseguisse fugir pelos esgotos, poderia salvar o vírus e não entrega-lo a Umbrella. Era evidente para ele que se a corporação colocasse as mãos no vírus, a primeira coisa a ser feita seria testá-lo e isso estaria fora de questão, pois os danos seriam terríveis. Ele tinha que fugir e resguardar sua criação para si. Segundo suas previsões, o vírus baseado no sangue de Lisa poderia gerar um ser capaz de se reproduzir, mas sem órgãos genitais, o que lhe daria uso de um implante através de um embrião geneticamente igual, isso é, com o DNA completamente alterado. Era apenas uma suposição, pois o vírus nunca havia sido testado. Mas se isso fosse verídico, então apenas um teste seria o suficiente para acabar com Raccoon City inteira e particularmente a cidade ainda não estava pronta para isso, na verdade, nunca estaria.

William começou a se sentir ansioso. Não sabia o que fazer. A única forma que encontrou foi dar uma pequena amostra do vírus quase pronto para sua filha Sherry, assim, se ele fugisse e desse um fim ao vírus para que a Umbrella não pegasse, poderia retornar e encontrar a amostra e finalizar a criação dele, pois, embora temeroso, William Birkin era completamente orgulhoso e de modo nenhum abriria mão de algo que lhe faria vencer a Srta. Aléxia Ashford por desenvolver o T-Verônica. Então ele decidiu: iria fugir e não deixaria sua criação cair em mãos erradas. Williams então prepara uma maleta com frascos do T-Vírus e G-Vírus e com uma espécie de antídoto que criara para a sua própria criação. Fugiria e levaria tudo embora. Caso mudasse de ideia, algum dia poderia expor a Umbrella e todos os seus experimentos doentios.

...

–Vamos logo! A missão é entrar, pegar as amostras e apagar o cientista.

Os quatro homens prontamente armados e paramentados invadiram os esgotos, indo em direção ao complexo de laboratórios da Umbrella Corporation. Direcionados pelo GPS, logo entraram no complexo e passaram por todos os cientistas, que provavelmente conheciam o trabalho de Birkin e sabiam que provavelmente era o fim dele. Era sempre assim. Eles abriram espaço e deixaram os homens passarem.

...

A maleta estava completamente fechada. Tudo pronto, a exceção de uma amostra que tinha não coubera dentro. Essa ele a levaria em seu próprio bolso. William ficou observando o pequeno frasco injetor com um líquido púrpura balançando calmamente ali dentro. Era o seu precioso G, o que lhe faria finalmente melhor do que uma menininha de dezesseis anos. Ele sorriu e então a porta foi arrombada. Ele coloca rapidamente a última amostra no bolso do jaleco segurou a maleta, empunhando uma pistola com a outra mão.

–O que querem aqui?

–Não faça nenhum movimento brusco e eu atiro. Queremos apenas as amostras que pertencem à Umbrella.

–Não tem nada aqui!

William recua para trás e sem querer derruba um objeto fazendo um grande barulho brusco no chão abafado em seguida por barulhos de projéteis vindos da metralhadora do líder da equipe. Birkin cai no chão sofrendo de dor e perdendo muito sangue. Os tiros acertaram o seu pulmão esquerdo e talvez até o coração. Não lhe restaria muito tempo. A Umbrella venceu, venceu mais uma vez. O líder da equipe pega a maleta e sai do laboratório sem nem olhar para trás. O cientista continua gemendo no chão, sem saber o que fazer.

–William!! Não!!

Annette entra no laboratório e corre até ele sem acreditar.

–Mas... Mas... Eu vou te ajudar, vou chamar ajuda, fazer alguns curativos! Tenha calma, vai ficar tudo bem.

Desesperada, ela sai do laboratório na tentativa de encontrar alguém ou algo que possa ajuda-lo. William continua gemendo e ao perceber que era inútil e que morreria logo e não poderia deixar que a Umbrella pegasse o vírus, tentou a primeira coisa que lhe passou na cabeça: o pequeno injetor que repousava no bolso. Seria loucura, mas já não havia mais o que ser feito. William então pegou o injetor, abriu e injetou contra seu próprio tronco.

A primeira coisa que sentiu foi uma dor lancinante. Era uma dor tão forte que não conseguiu se conter e gritou muito alto. A dor foi se irradiando pelo seu corpo e aos poucos se intensificou de tal forma que ele não conseguia mais ficar ali no chão sentado. William se levantou e foi então que a dor sumiu. Diante dos seus olhos, seu corpo começou a se alterar. Ele agora estava um pouco mais alto e seu braço parecia ter crescido um pouco, dando ênfase principalmente as suas unhas. Não estava mais morrendo, mas se sentia mais vivo do que nunca. Sem medo, William começou a correr pelos corredores na tentativa de recuperar o que havia perdido: sua obra prima.

Pouco a pouco, William foi os encontrando um a um e a cada vez que os encontrava, ele levava uma rajada de tiros que causava dores muito intensas, mas toda vez que isso acontecia, era como se o seu corpo reagisse de uma forma curativa, repondo os buracos e sarando as dores. Logo William percebeu que estava ainda mais alto e seu braço maior. Mas tudo que ele queria era matar todos aqueles homens, não importasse o que fosse acontecer. Ele continuou correndo, agora já dentro dos esgotos de Raccoon City e finalmente encontrou o soldado com sua maleta. Ele atirou, mas William pouco se importou com isso e desferiu um golpe com suas unhas crescidas no homem, de tal modo que perfurou o colete à prova de balas matando-o. A maleta caiu aberta no chão e agora não fazia mais sentido guarda-la, não para ele. Então, Birkin quebrou todos os frascos que tinham ali, derramando seus conteúdos pelo chão. Faltava mais um. Ele continuou vasculhando pelos esgotos e finalmente o encontrou no canto da parede. Era o último e depois dele poderia finalmente viver em paz. O soldado atirou freneticamente nele, que recuou um pouco. A dor mais uma vez se propagou pelo corpo, fazendo-o crescer mais uma vez e deixando seu braço ainda mais letal. Por fim, William percebeu que estava enxergando por outro lugar também e isso era magnífico. Estava vendo suas garras grandes e nítidas, ele estava enxergando pelo seu braço, pois se abrira um olho ali. O soldado ficou sem balas e desesperado no canto da parede foi golpeado letalmente pelas garras do monstro o qual William havia se tornado. Era isso, havia acabado a sua vingança e agora poderia morrer em paz. Morrer? O cientista já não sabia o que era morrer e na verdade, o cientista não sabia mais nada. Pouco sabia quem era ou onde estava. Mas algo em sua mente sussurrava pra sim um nome, um nome que parecia familiar:

–Sherry! – Ele pronunciou com dificuldade.

Sim, era a única coisa que lhe restava agora, a única lembrança que tinha algum sentido em sua mente confusa e alterada: Sherry. Tinha que encontra-la. William então começou a vagar pelos esgotos na tentativa de encontrar qualquer pessoa que tivesse algo a ver com Sherry e disposto a matar qualquer um que o encontrasse. Ele continuou procurando pelos esgotos, perdido em seus pensamentos que já não existiam, perdido agora em sua mente confusa que já não fazia mais sentido, estava cheio de nada, preenchido por um vazio a não ser Sherry.

Notas finais
Então, caso tenha gostado não esqueça de comentar. Se não gostou por algum motivo, comenta também (:
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!