Prazeres da vida

5 Sem ideia para um titulo decente


Notas iniciais
desculpem a demora

Gostaria de saber exatamente o que aconteceu comigo. Não sou de me deixar levar assim, a vi pela primeira vez e senti como se a conhecesse uma vida toda, será que estou perdendo a razão? Eu, Carlos, 17 anos, pretendendo ser um futuro advogado, era o "garoto prodígio" e terminei o ensino médio aos dezesseis anos, ganhei uma bolsa de um ano de curso nos Estados Unidos e de volta ao Brasil, tentando voltar a uma vida normal, tenho certeza que não é sensato simplesmente me deixar levar pelas emoções. Ela me causou um efeito estranho, me fez sentir indefeso, não sei bem dizer, mas ela me deixou hipnotizado, só de encontrar seu olhar, ou a ver mexer no cabelo nervosamente e sorrir envergonhada, me dá arrepios... Eu só podia estar sonhando. Pergunto-me como isso pode acontecer, mas a resposta eu não sei, mas quero descobrir, mais que isso, quero descobrir com ela.

Luiza

– triiiiim — acordo em um pulo, porque foi que eu coloquei esse celular pra despertar justo sábado? Ah, minha mãe saiu, lá vou eu dar uma de babá/faxineira, troquei mensagens com Carlos a semana toda e hoje nenhuma mensagem dele até agora, todos os dias havia uma mensagem de bom dia, mas hoje não, resolvi retribuir a gentileza e mandei uma mensagem de bom dia a ele. — Luuu — disse uma voz baixinha e chorosa — Luiza eu estou com fome — olhei por cima das cobertas e lá estava ele com sei cabelinho todo desgrenhado, magrinho e com uma cara de danado inconfundível. — A mamãe não te deu café antes de sair Pedro? — ele me olhava com uma carinha remelenta e fofa, cara de quem havia acabado de acordar. — não, quando eu acordei, ela já tinha saído — ele disse dando uma pausa em cada uma das palavras como se estivesse cansado. — Ta bom, desce que eu já estou indo arrumar alguma coisa pra gente comer, enquanto isso vai lavar esse rostinho vai — me levantei e dei um beijo na bochecha dele que agarrou meu pescoço e me abraçou com um carinho que só o Pedro tinha. O encaminhei até a porta e mandei-o ir lavar o rosto que eu já descia e ele foi aos pulinhos em direção ao banheiro. — Ju — eu disse baixinho sacudindo a perna da minha irmã que acabara de entrar na adolescência (13 anos de pura chatice aguda) e odiava dividir o quarto comigo "eu não tenho privacidade e essa chata quer mandar em mim" ela dizia olhando pra mim com uma cara de bunda que só ela sabia fazer "quer privacidade vá morar sozinha" eu rebatia arqueando uma sobrancelha e sorrindo sarcástica enquanto ela dava de ombros e bufava. — hmmm me deixa- ela se encolheu nas cobertas até parecer uma bola de cobertas. — você me pediu para te acordar cedo. Ela olhou pra mim e sorriu me fazendo lembrar que minha jujuba não era tão chata como parecia ser nos últimos tempos. Desci as escadas correndo e fui até a cozinha e lá estava Pedro me esperando com os cantos da boca pretos. — já te disse que não é pra comer achocolatado puro. — mas eu não comi — ele olhou para mim com uma cara de anjo e se não fossem as provas eu teria certeza que ele estaria dizendo a verdade — Dessa vez eu deixo passar mocinho, mas só dessa vez hein! Preparei café da manhã para eles e pra mim comemos e cada um foi fazer uma coisa, o Pedro foi desenhar e ler um gibi, pois prometi a ele ajudar nas tarefas da escola depois, a Julia arrumou a cama dela lavou a louça se trocou e foi para a casa da Rafaela a amiga dela, eu arrumei a casa rápido e já deixei o almoço da minha mãe pronto e fui ajudar o Pedro com a tarefa. "Até agora nenhuma mensagem, nada" comecei a ficar apreensiva e insegura, ele não se deu ao trabalho de responder e isso me afetou mais do que deveria.

Terminei de ajudar o Pedro e mais uma vez ele foi ler, me sentei-me à mesa com o caderno aberto em uma folha limpa e comecei a escrever.

"A espera é angustiante

Penso que possa ter sido só um sonho

Um sonho muito distante

Da minha realidade

Bem sei que isso é verdade

E essa espera insuportável é só um anseio incontrolável

De querer ter-te só para mim

Enfim

Fazer de meu seu coração

Dividir contigo essa emoção

Usufruir da paixão

Andar de mãos dadas contigo num dia de verão

E saber

Que mesmo o calor do sol

Não tem o poder

Só você sabe como me aquecer."

Reli o que acabei de escrevi e abri a boca em um O porquê eu realmente não entendia minhas palavras.

Carlos

Acordei duas horas da tarde, ai merda, não era pra ser assim tão tarde, eu me olhei no espelho e vi um zumbi com cara de bobo, ri da minha desgraça enquanto ia pegar o celular para colocar música enquanto tomava uma ducha. Peguei o celular e tinha uma mensagem dela, sorri meio que instintivamente, era só um bom dia, mas vindo dela não era só um bom dia, se é que você me entende. "Poxa Lu desculpe a demora em responder, mas só acordei agora acredita? Um beijo e tenha um bom dia" Enviei na esperança dela me perdoar por não ter mandado o bom dia diário para ela. Coloquei Engenheiros do Hawaii no último volume e fui tomar um banho rápido, fiz meu show cantando "Depois de nós" com a mangueirinha do chuveiro e já sai do banho animado, me enrolei na toalha depois só vesti a cueca, não preciso ficar vestido na minha casa, não tem ninguém aqui mesmo. Quando peguei o celular ela já havia respondido.

Luiza

–Rápido demais — bati na minha testa e tentei me concentrar no caderno enquanto pensei que poderia ter esperado algum tempo para responder a mensagem, eu não queria parecer desesperada, apesar de eu ser um poço de desespero. E a culpa é minha de ele ser lindamente perfeito?

Notas finais
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