Prazeres da vida
3 Primeiro segundo encontro
Notas iniciais
Voltei á minha mesa pensando onde poderia encontrar com o cara, claro, tinha que ser em um lugar público, vai que ele é um maníaco pedófilo e tals, enfim, pensei pensei e achei legal nos encontrarmos naquela lanchonete que havia aqui perto, já que eu queria meu celular rápido e obvio ver aquele cara mega hiper super lindo. Deu o horário de almoço e fui eu e Pâmela para a lanchonete, nos sentamos e peguei o celular dela, liguei para o meu celular e ele atendeu com uma voz um pouco rouca, mas completamente sedutora:
–Alo – okay um simples “alo” fez meu coração disparar e eu me arrepiar inteira.
–Ah, é, boa tarde, você é Carlos, certo? – tentei parecer informal, mas meu nervosismo transparecia em minha voz.
– Sim sou eu, você é Luiza? Posso levar o celular hoje se quiser... É só dizer onde – ele pareceu prestativo... Prestativo até demais.
– se pudesse eu agradeceria... Será que pode encontrar comigo agora?
– sim, só me diga o lugar, contanto que não demora, não haverá problema – ele pareceu sorrir do outro lado da linha, e aquela voz, me deixava estranhamente arrepiada.
Passei o endereço e ele desligou dizendo que em quinze minutos chegava aqui... E por incrível que pareça depois de quinze minutos olhei para a porta e vi um rapaz alto, moreno, com um sorriso inegavelmente arrepiante e contagiante, um paletó e uma pasta, parecia um advogado importante, e só de olhar em seus olhos, vi meu mundo parar por um segundo, acho que demorei uns cinco minutos para voltar para a realidade, pois quando o vi já estava sentado á minha frente com o celular estendido um sorriso cativante nos lábios e Pâmela havia desaparecido.
– Ah, obrigada – sorri envergonhada e peguei o celular da mão dele tomando cuidado para não encostar minha mão na sua – foi muito gentil de sua parte vir me trazer o celular, bastava ter me dito onde ir buscar e- ele me interrompeu levantando a mão e abrindo um largo e belo sorriso.
– Não tem o que agradecer, e não precisa se preocupar, foi tanto uma boa ação do dia quando um pretexto para te ver novamente – ele corou e abaixou os olhos.
– Eu, ahn, é, obrigada – seria legal ter um lugar onde enfiar a cabeça uma hora dessas. Olhei para eu relógio de pulso e notei que o horário de almoço havia terminado. – Tenho que ir, meu horário de almoço acabou – me levantei.
– Ah, claro, espero não ter tomado seu tempo – ele disse com um olhar realmente sedutor.
– De forma alguma – digo em um tom brincalhão – estou te devendo uma – sorrio e mecho nos cabelos, sim eu faço isso quando estou nervosa.
– Maravilha, sei como pode me pagar o que me deve – ele me olhou de cima a baixo, como se estivesse me examinando, aquilo me incomodou. – Perdoe-me por ficar te olhando, estou vendo se esta vestida para ir a um jantar ou um cinema.
– Acho que nenhum dos dois.
Então vamos... – Ele me olhou de um jeito tão excitante que eu seria capaz de atacá-lo ali mesmo – Vamos dançar.
Ele me tomou nos braços e saiu girando comigo no meio da lanchonete, que por acaso estava tocando uma valsa na hora, fiquei vermelha, pois alem de estar pagando mico por estar dançando no meio da lanchonete, paguei mico também porque não sabia dançar, então tá legal, imagina a cena, eu, uma pessoa toda desengonçada, tentando dançar valsa, obviamente que quase fiz eu e Carlos cairmos em cima de uma mesa, depois pisei no pé dele, e acho que ele notou que eu estava ficando vermelha e ofegante e parou.
– Acho que você precisa de aulas de dança antes de mostrar seu talento em público. – Ele sorriu e depois ouvi algumas palmas, que depois aumentaram ate todas as pessoas da lanchonete estarem virados para nós batendo palma, assoviando e gritando bis. Curvamos-nos e agradecemos mandando beijos e acenando, saímos da lanchonete ás pressas rindo e zombando um da cara do outro. Ele se ofereceu para me pagar um sorvete e como eu sabia que chegaria atrasada achei que cinco minutinhos a mais não faria muita diferença.
– Eu nunca mais volto nesse lugar na minha vida! – eu disse á Carlos enquanto ele me acompanhava até a porta da empresa.
– Tem certeza que quer ir dançar comigo? – falei com os olhos vidrados no sorvete derretendo na minha mão e eu tendo que me matar para não derrubar tudo no chão. – Não quero passar vergonha novamente.
– Certeza absoluta, adoraria passar vergonha novamente com você. – ele sorriu, depois segurou em minha mão que estava suada e melecada de sorvete de chocolate. – Aceita ir dançar comigo hoje à noite?
– Acho... Acho que não posso, não hoje... Eu teria que avisar minha mãe em cima da hora e ela precisa de ajuda em casa, mas poderíamos marcar pro final de semana... Pode ser?
–Ah, claro... Me passa teu numero que eu te mando mensagem para marcarmos direitinho, agora eu preciso ir, e você também. – Ele deu um beijo nas costas da minha mão e eu passei meu número pra ele... Sorrimos um pro outro enquanto nos despedíamos, ele passou a mão no sorvete e lambuzou a ponta do meu nariz, beijou-o e piscou pra mim antes de olhar pra frente e apertar o passo.
“Oh... my... god... não acredito que isso esteja acontecendo comigo, ele é bom demais pra ser verdade e... espera, onde está a Pâmela?” eu perdida nos meus devaneios havia me esquecido da Pâmela, corri até a mesa dela e ela estava lá me esperando, olhou para mim com aquele olhar super malicioso dela e sorriu balançando a cabeça negativamente.
– Hum, hum... Mas moça, aquele garotão é um pedaço de mau caminho. – dei risada e contei a ela tudo o que havia acontecido.
– E porque cargas d’água você saiu de lá e me largou sozinha? – dei um tapa no braço da Pâmela a melecando de sorvete e ela me olhou como se eu fosse uma completa retardada.
– Duuh, eu não sou castiçal para ficar segurando vela não okay? Mas se ele tiver algum amigo bonitão pode me apresentar que não tem problema. – demos risada e nos olhamos com aquele olhar de “huuuum”.
– Vamos ao banheiro comigo, preciso me limpar – eu disse sujando Pâmela com sorvete.
– Tenho alguma escolha? – ela sorriu e fez cócegas em mim enquanto íamos em direção ao banheiro. Entramos e nos limpamos me olhei no espelho tentei pensar o que um cara daquele queria com uma pessoa como eu. Sou só uma garota qualquer, morena, alta, meio desengonçada, relativamente atraente, mas eu não diria que sou bonita, não como a garota do trem. Pâmela estalou os dedos na minha frente.
– Aiaiai, amiga apaixonada é problema – Disse ela em tom brincalhão, mas com um fundo de verdade.
– Eu não... Definitivamente NÃO – dei um grito no “não” – não mesmo, nunquinha, never, jamais, estaria apaixonada, conheci o cara hoje okay, não inventa Pã... Não inventa! – Ela fez uma carinha de “aham... Me engana que eu gosto” e saímos do banheiro com nossos típicos batons vermelhos.
Voltei para minha mesa para terminar tudo o que eu tinha para fazer antes de dar o horário de ir embora. Deu seis e meia da tarde e saímos eu e a Pâmela em direção á estação de trem, conversando sobre o dia hoje e o que havia nos acontecido. Ela deu seus pitacos dizendo “Lu não adianta me dizer que não, você está caidinha pelo bofe, admita” e “Ele é um partidão... você tem sorte garota”. Eu pegava o trem do sentido contrário ao dela, então nos abraçamos combinando se encontrar mais cedo amanhã para passar no hospital para visitarmos a mãe dela, que estava internada por ter tido um AVC. Nos despedimos e eu passei a catraca, andando até o final da estação para poder pegar o vagão menos lotado, estava exausta do primeiro dia de trabalho, com certeza não era nada fácil como eu pensava, mas ainda sim, muito compensador. Liguei o celular e coloquei os fones de ouvido e quando vi havia algo gravado no bloco de notas do celular estava escrito assim:
“Por acaso você acredita em destino?
Pode parecer bobo
Coisa de sonhador
Sonho de menino
Mas acredito que por um acaso desconhecido
O destino nos uniu
De uma forma totalmente estranha ou impensada
Talvez fosse para seguirmos caminhos distintos, mas caminhamos na mesma estrada.
Quando a luz do teu olhar
Veio de encontro ao meu
Eu poderia subir ao céu
Escrever-te rimas e poesias
Fazer de ti minha estrela guia
Contemplar teu sorriso foi a melhor coisa que me aconteceu
Pode ser que seja engano meu
Mas meu destino
Estranhamente
Está conectado ao seu”
Desculpe Luiza, mas foi mais forte que eu, li os lindos poemas que escreve e resolvi escrever um para você, sei que foi o poema mais porcaria que você já leu, mas eu tentei, espero que não me odeie.
Atenciosamente
Carlos Andreas.”
Sim eu poderia ter um ataque no momento, mas vi também que ele havia anotado seu numero na minha agenda, então resolvi retribui-lhe a gentileza.
Mandei uma mensagem assim:
“Carlos.
Seu poema esta lindo, eu particularmente amei.
“sim acredito
Acredito que o futuro nos reserva mais do que possamos entender
Uma simples troca de olhares pode me fazer sonhar uma noite inteira com você
Acredito que meu caminho cruza o teu
E mesmo que possa ser o contrario do que pudéssemos pensar
Teu sorriso já me acolheu.”
O meu ficou pior, então se sinta um ótimo poeta,
Atenciosamente,
Luiza Martins”
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