Notas iniciais
Aiquelindo!! Ohgod, relutei muito em postar por insegurança, mas meu amor pelo meu casal principal foi maior !! É um romance, sim, com ação, sim, porque trata da temática da guerra e vingança daquela época, mas não é exatamente o foco. Espero que gostem tanto quanto eu e... Estou me segurando para não dar spoilers kkkkk E aí está o prólogo *o*

PRÓLOGO

Toda existência é circular, um processo de Yin-Yang no qual o preto e o branco fundem-se em um cinzento vívido

Deng Ming-Dao, A Sabedoria do Tao

10 de novembro de 1088, Westminster, Inglaterra

O castelo estava em chamas. Ardia como se as portas do inferno tivessem se aberto exatamente naquele lugar, devorado por labaredas incontroláveis que se erguiam até a escuridão do céu noturno, crepitando e consumindo a tudo impiedosamente, alastrando-se por cada pedacinho de terra dos Knightley. Dezenas de pessoas jaziam no fogo com seus olhos arregalados e frios de terror: homens, mulheres, crianças... Não havia distinção. Os McGregor avançavam sem consciência, como um exército de demônios atravessando as chamas do povoado, seguindo o rastro de destruição até o castelo do duque de Westminster. O kilt com suas cores chamava a atenção: verde e vermelho. Eram todos homens enormes e de aparência selvagem, montados em cavalos iguais de gigantescos e imponentes. Os animais vestiam couraças negras como armaduras com espinhos nos flancos e nas patas, o que os deixavam com uma aparência diabolicamente mortífera. Os soldados... Por que haveriam de usar armaduras? Todos os temiam e suas peles eram tão duras que diziam serem capazes de deter a lâmina de uma espada. Urravam como bestas enquanto esporeavam suas montarias e empunhavam claymores.

Hugh de Westminster não podia fazer nada para deter o ataque. Por infindáveis décadas a guerra entre os McGregor e os Knightley perdurara, tirando os reis da Escócia e da Inglaterra do sério incontáveis vezes. Não importavam quantas vezes acordos pacificadores fossem criados, um dos lados sempre o quebrava para ganhar a batalha. Hugh já o fizera, assim como Lachlan McGregor. Era involuntário. Se Hugh não ganhasse, algo como aquilo aconteceria. A derrota era inevitável.

Inaceitável também.

Lachlan McGregor encabeçava seu exército de demônios, gritando o nome de Hugh, exigindo que mostrasse seu covarde traseiro ante a miséria de seu povo.

Tudo estava acabado. Seus homens estavam mortos, suas terras destruídas e inférteis – fogo e sal faziam um trabalho cruel – e sua família encurralada. Só podia rogar pela clemência do McGregor, mas isso feria seu orgulho. Um Knightley nunca se ajoelhava. Nunca baixava a cabeça.

E nunca por um McGregor.

Voltou-se para sua esposa, Isabel, que abraçava com todas as forças sua pequena filha. Por muitos anos repudiara a menina por sua estranha aparência, mas sempre a amara. Era seu sangue, sua herdeira. Orgulhou-se ao ver que ela não chorava, ao contrário de Isabel, que desmoronara em lágrimas e soluços. Aproximou-se delas.

Isabel estava de pé ao lado da lareira, passando a mão com desconsolo pela cabeleira negra da pequena Leonor. Abraçou-as com todo o amor que não era capaz de expressar em palavras.

-- Marido, o que faremos? – desesperou-se Isabel, apertando Leonor contra o peito. Pela primeira vez em três anos, Hugh beijou sua filha – Lachlan...

-- Onde está sua donzela?

-- Ela está na despensa com os outros criados.

-- Vá com ela e meu escudeiro para a casa de sua irmã, esposa. Depois mande uma missiva ao rei explicando o ocorrido.

Os olhos de Isabel abriram-se como pratos ao compreender o significado daquela ordem.

Hugh nunca se esqueceria de como conhecera sua esposa. Ainda podia recordar a forma em que ela entrou no grande salão do rei Henrique, vestida com um belíssimo vestido verde de cetim, que realçava seus olhos cor de jade. A juba dourada fora recolhida no alto da cabeça e estava mais linda que a rainha. Era apenas uma moça com dezesseis anos e aquele guerreiro endurecido pelas batalhas instantaneamente se encantou por sua beleza. Viu como ela era inteligente e sutil ao abordar assuntos sérios com os homens que nunca uma mulher pediu para saber. Não era frívola. Desde aquele momento, soube que seria sua e na semana seguinte ao baile iniciou os cortejos. Agora, com dezoito anos, Isabel permanecia bela.

Se fosse possível, diria que se apaixonou de novo.

Beijou-a. Estava mandando sua esposa embora e, sabendo o que lhe esperava, queria sentir seu doce sabor uma última vez. Ela sabia que era uma despedida tanto quanto ele.

-- O que vai fazer, Hugh?

Ele não respondeu. Olhou para Leonor. Aqueles enormes olhos cristalinos o encaravam com curiosidade e ela esticou os bracinhos gordinhos para ele, como se pedisse por seu abraço.

Hugh não era dado a demonstrações de afeto, mas foi capaz de fazê-lo uma última vez ao passar a mão calosa e cheia de cicatrizes pelos macios cabelos escuros de sua filha. A pequena sorriu antes que Isabel corresse pela porta secreta que os antecessores de Hugh fizeram para ocasiões como aquela. Sua esposa desapareceu na escuridão indecifrável do túnel, deixando-o sozinho no aposento do duque e da duquesa. Com o coração virando pedra, empurrou a pedra da lareira que voltava a fechar a passagem. Agora enfrentaria a batalha com a honra de um guerreiro que escapara da morte incontáveis vezes. Com a mão sobre o punho de sua espada, dirigiu-se para fora do quarto, percorrendo os corredores como uma silenciosa sombra.

Isabel e Leonor estavam em segurança e nada o deteria naquela batalha. McGregor ajoelhar-se-ia ante ele como o covarde que era, baixando a cabeça e lhe pedindo clemência. Hugh Knightley, duque de Westminster e de Ulster – patrimônio de Isabel –, marido de Isabel de Aquitânia, jamais se renderia e só voltaria para os braços de sua esposa vitorioso.

Saiu pela porta da torre de comemoração, descendo a escadaria para o pátio. Era um caos. Ingleses e escoceses travavam um batalha impiedosa e voraz, mesclando-se em um mar de corpos, chamas e sangue, brandindo suas espadas e urrando do mais fundo de sua alma. E entre eles estava Lachlan McGregor, com uma lança em uma mão e uma espada na outra, sorrindo como o diabo.

-- Finalmente arrastou seu real traseiro gordo para cá, inglês.

Hugh desembainhou sua espada e abriu um sorriso sardônico.

Faria o bastardo pagar por tudo o que lhe fizera.

Notas finais
Pesquisei como uma condenada pra poder escrever. Uma coisa é ler livros, outra é ter total conhecimento sobre todos os assuntos.
Para começar, naquela época, Westminster não pertencia a Hugh Knightley, mas a um homem lá que eu não me lembro quem é (esqueci kkk) e as terras lhe foram dadas pelo William o Conquistador, normando que virou rei da Inglaterra em 1066. Mas a história é minha e eu quero que seja dos Knightley kkkk e o clã McGregor é originalmente da Escócia. Não encontrei muitas informações sobre eles, mas quem dominava a ilha de Skye eram os McDonald (haha) e os McLeod. Trotternish ( a Península da ilha onde o noivo da Leonor mora) realmente existe, mas não achei nenhuma informação sobre um castelo lá e como achei o lugar muito bonito e perto das montanhas místicas, quis criar praticamente um reino lá. Eu moraria lá kkkkk
E o meio de transporte marinho da época são os birlin, uma embarcação feita para ter grande velocidade nas águas, principalmente quando venta muito.
Juro, até aprendi a falar gaélico e vocês verão isso no decorrer da história.
Qualquer dúvida, falem comigo! ;D
Enfim... Fora essas exceções, tudo aí é verídico. O Google me apoia !!
Para você que leu e gostou, comente. Para você que leu e não gostou, também comente. E para você que é dotado de grande timidez, falta de criatividade, indisposição momentânea (=preguiça), também comente, faça uma pessoinha feliz *u* Prometo que dou uma jujuba a quem comentar !! kkkkk