Notas iniciais
Fiquei muito feliz por ter vocês no meu facebook *---* Mal entro nele, mas manter contato nunca é ruim e eu adoro conversar kkkk Sim, eu sou uma tagarela natural desde quando era um folículo na barriguinha da mamãe kkkkk
Enfim... Mais um capítulo. Meu bebê está perto de acabar e isso me deixa triste outra vez, porque eu ainda amo Leonor&Duncan *ooo*
Enfim... BOA LEITURA!!
P.S.: Prometo que vou responder os reviews!!!!

CAPÍTULO VINTE E UM

→ Pacto ←

Sua cabeça latejou, como se a estivessem espremendo até rachar o crânio. O que estava acontecendo? Como ele poderia estar vivo, se todos esses anos lhe deram como morto? Se estava vivo, por que não foi em busca de sua mãe, que morreu de tanta tristeza? Ela estava confusa, era demais para assimilar de uma única vez. Não conseguia raciocinar com clareza.

Olhou para ele. Sua única semelhança com ele eram os cabelos escuros. Ah, e a altura, não deveria se esquecer. Tinha os olhos azuis de sua avó, as feições de sua mãe... De acordo com sua tia, alguns trejeitos dele... Fora isso, não eram tão parecidos. Mas era ele. Hugh Knightley estava vivo, mais do que teria imaginado e toda a sua vida. Depois de anos rezando para tê-lo de volta...

-- Pai... Como você...?

-- Eu estava me recuperando – ele disse seriamente – Lachlan me feriu gravemente e eu estava para morrer. Uma mulher que viajava por Londres me achou e cuidou de mim. Passei anos desejando encontrar você, minha menina. Quando pude ficar de pé, ainda estava fraco e tive de me treinar para recuperar minhas forças, para ser capaz de proteger minha família outra vez.

-- Mamãe morreu de tristeza – Leonor falou com amargura na voz, deixando transparecer seus sentimentos mais reprimidos por anos – Você poderia ter mandado uma carta.

Ele semicerrou os olhos castanhos.

-- Poderia, mas não fiz – respondeu rispidamente – Temia ser encontrado e morto. De verdade, desta vez.

-- Se achavam que estava morto, ninguém suspeitaria de nada.

-- Não podia correr os riscos, entenda, Anna Leonor. As notícias de suas bodas estouraram em Londres como a mais recente das fofocas e muitos disseram que você morreria nas mãos do Mensageiro da Morte do rei escocês. Passei muito tempo treinando meu novo exército e finalmente chegara a hora de dar a ele alguma utilidade.

A compreensão estalou na cabeça dela e se sentiu nauseada outra vez.

-- Os guerreiros de preto... – sibilou, mal encontrando a própria voz. Seu pai anuiu com a cabeça.

-- A mulher que cuidou de mim se chamava Arian. Depois soube que era filha do bastardo McGregor – bradou Hugh com desprezo e Leonor estremeceu. – Ela voltou para Skye depois de cuidar de mim. Os guerreiros de preto foram treinados por mim, mas acreditavam que serviam a ela, principalmente depois de virmos pra cá. Ela seguia minhas ordens.

-- Mas, como você chegou aqui?

Os olhos dele escureceram de ódio.

-- Eu sei onde meu inimigo mora – rosnou entre dentes – Arian era meu peão o tempo todo. Comunicávamo-nos por missivas codificadas. Ela me contou da morte de Lachlan e eu percebi sua loucura. Era o ambiente perfeito, entende-me?

Não, não entendia, mas escolheu permanecer em silêncio.

-- Induzia-a a odiar o irmão. O bastardinho logo se tornou chefe. Sempre estive de olho em você, minha filha. Mas só pude agir depois que soube onde realmente você estava. Seria mais fácil te proteger agora e...

-- Me proteger? – rosnou Leonor alterada, a raiva bulindo em seu interior como um vulcão em erupção – Alasdair McDonald quase me estuprou e você estava me protegendo?

-- Você já havia se sacrificado ao dar seu corpo ao inimigo. E mesmo assim, eu prometi você ao McDonald se ele conseguisse matar o último McGregor. Não seria um estupro, ele estaria reavendo uma posse.

Leonor respirou profundamente para se acalmar. Aquela raiva toda não fazia bem ao seu bebê. O que era aquilo tudo que ele estava falando? Fechou os olhos com força. Estava decepcionada com o que via. Idealizara seu pai como um homem apaixonado, um honorável e feroz guerreiro. Não como alguém capaz de vender a própria filha por uma aliança para conseguir destruir um inimigo. Um inimigo que é meu marido. Alguém que conheço muito mais do que a esse estranho que se diz meu pai.

Tudo estava errado. Seu pai não podia ser tão cruel, ser tão indiferente com ela. Ele deveria ama-la, mesmo que apenas um pouquinho... Ela não era uma posse. Não era um objeto ou um pedaço de terra. Acariciou o punho de sua espada, buscando conforto, claridade para seus pensamentos. Mo shíorghrá. Definitivamente, algo estava errado ali.

-- Você sequer se preocupou pela minha mãe esses anos todos?

-- Claro que sim! Se houvesse como falar com ela... Soube recentemente de sua morte. Eu amava Isabel, Anna. Amava mais do que a mim mesmo.

Pois eu duvido. Mas tinha de se aferrar a qualquer traço de humanidade vindo dele.

-- Edgar quer a paz, pai...

-- O Pacificador é um tolo. Nunca haverá paz entre um McGregor e um Knightley; e Henrique está sendo muito ingênuo. Fergus me disse que o chefe McGregor ama você. Fez muito bem seu papel, minha filha. Quando planejava mata-lo?

Inconscientemente, recuou outro passo. Estava com medo. De seu próprio pai. Estava aterrorizada. Não sabia o que esperar dele e aquele encontro destruiu qualquer sonho seu de criança. O pai heroico e amoroso que imaginou não existia e agora que via a criatura cruelmente fria que ele era com os próprios olhos... Nunca pensou que aconteceria – tanto por ser um ato covarde como por realmente nunca ter pensado no futuro – mas seu maior desejo era fugir de Hugh Knightley e se jogar nos braços de Duncan McGregor.

-- Eu não... – as palavras engasgaram em sua garganta – Não planejava... Quero dizer, estamos em paz e...

Ele estalou a língua em negação, balançando a cabeça de um lado a outro, reprovando.

-- Claro, é uma moça, eu não deveria ter esperado tanto – disse com desdém, acentuando as terríveis condições do instável humor dela – Pois agora é a sua chance, minha filha. Acabe com a guerra.

-- Mas...

-- Toda a sua família morreu por causa deles – ele continuou com desprezo – Vingue-os para que possam descansar em paz.

-- Papai, não há necessidade. Acabou.

-- Você não entende... Sua mãe era mais esperta... Anna, sua família precisa disso, depois de tudo o que esses desgraçados fizeram conosco. Nem será um sacrifício tão grande. Vai se livrar desse casamento de brincadeira, veja bem.

-- E se eu não quiser desfazer meu casamento?

Hugh franziu as sobrancelhas.

-- Claro que quer. Ele é um McGregor! Mesmo assim, um homem de saia não é homem de verdade, é uma moça. Não pode lhe dar prazer, nem herdeiros, se não tem nada entre as pernas. É apenas um animal sedento por morte.

Oh, ele estava muito enganado, mas ela não diria nada. Até porque, sua voz estava perdida em alguma parte dentro dela.

Leonor não sabia o que fazer. Esperara tantos anos por aquele momento... Tanto tempo rezando por ele, por sua mãe, sentindo-se sozinha, abandonada, vivendo do bom coração de seus tios, infiltrando-se entre seus primos. Devia lealdade a ele, mas... Não. Duncan é mais importante. É o pai do meu filho e eu o amo.

E sua família? Vai trai-los? Que tipo de filha é você?

Olhou para Hugh, para aquele rosto estranho e familiar ao mesmo tempo, a confusão fazendo redemoinhos em seu peito.

-- O que quer dizer?

Hugh sorriu cruelmente.

-- Eu o mataria com minhas próprias mãos, mas você é meu xeque-mate perfeito, Anna. – enfiou a mão em uma bolsa de couro pendurada em seu cinto e retirou lentamente um punhal embainhado, que fez o sangue dela gelar só com a visão – Quero que o mate enquanto dorme.

O coração dela foi aos pés e precisou se concentrar muito para não permitir que os joelhos fraquejassem.

-- Você não escutou? – ela esbravejou, porque canalizar a raiva era melhor que dar vazão ao terror que lhe oprimia o peito – Estamos em paz, não vou destruir isso!

Ele se aproximou dela como um predador violento, tentando intimida-la com seu tamanho. Leonor aprumou orgulhosamente os ombros e tombou a cabeça para trás para olha-lo nos olhos em silencioso desafio.

-- Sou seu pai e vai me obedecer – disse ele entre dentes, em uma fria calma que preludiava morte. Todas as células dela gritavam para que corresse, para que fugisse e alertasse Duncan, mas se forçou a ficar. Queria extrair mais informações, como por exemplo, como ele entrara ali sem ser morto pelos sodados de seu marido. – Vai pegar este maldito punhal e crava-lo no coração dele.

-- Por que quer isso?

Ódio cego deformou seu rosto.

-- Porque são McGregor e destruíram nossas vidas desde o começo, quando mataram seus avós, depois ao nosso clã. Por causa deles minha Isabel morreu. Não entende isso, minha filha? Deveria entender. Não seja uma vergonha para os Knightley, traga honra ao nosso nome antes que seja muito tarde. – ele segurou o punhal pela lâmina e pressionou o ventre dela com o punho da arma. Leonor engoliu em seco. Olhou para o ventre. Fixou o olhar ali, imaginando um garotinho de cabelos e olhos negros como os do pai. Um garotinho que ouvia o que ela ouvia, que sentia o que ela sentia. Que morreria se o pai dela tivesse um ataque de fúria se ela fosse tonta para recusar a oferta dele, mesmo que não fosse cumprir os termos.

E se fosse uma garotinha de encaracolados cabelos e olhos negros? Uma garotinha que amaria seu pai, que a amaria... Ou que já amava, ela não entendia bem de gravidez. Recuou, agora olhando para o punhal como se fosse uma cobra peçonhenta. Suas costas bateram contra uma árvore, impossibilitando criar mais distância entre ela e o pai.

-- Use o punhal, Anna – prosseguiu Hugh, esticando a arma para ela. – Se mata-lo, não haverá mais guerra. Se mata-lo, tirarei os exércitos McDonald e o meu e ninguém sairá ferido. Ninguém. O menino, Drustan, também poderá viver. Mary não se ferirá. Todos ficarão bem, inclusive você mesma. Basta mata-lo enquanto dorme. Ao contrário do que aconteceu ao nosso clã, todos ficarão vivos e inteiros. Centenas de vidas poupadas em troca de uma única. O que me diz?

Sua família estava ali. Se continuassem sitiados, morreriam de fome. Se aceitasse, ela morreria, pois não era capaz de viver sem Duncan. Não era forte o suficiente para mata-lo. Meses atrás, teria aceitado a oferta sem titubear. Mas, agora? Se matasse Duncan, todo o clã McGregor estaria a salvo. Todos viveriam, ao contrário do que ocorreu aos Knightley treze anos atrás. Se matasse Duncan, vidas seriam poupadas, todos seriam liberados para voltar a viver e Iain assumiria o posto de chefe até Drustan ter mais idade...

Se Duncan morresse...

... Estaria me tirando a vida também.

A decisão estava nas mãos dela. Sua família ou seu amor?

Mo shíorghrá. Como poderia traí-lo tão cruelmente? Se o maior medo dele era perdê-la, qual seria sua reação se ela o traísse, se ela o desprezasse em prol de outros? Terminaria como sua mãe, largada e sofrendo eternamente, sozinha, sem ser capaz de cuidar da própria filha, sofrendo pela ausência do amor que jamais voltaria?

Com as mãos tremendo e as lágrimas ardendo nos olhos, segurou o punhal.

☺

Erik olhou para a fortificação diante de si. As muralhas de Dragon Seafront Castle aguentavam muito bem, mas por dentro, eles estavam quase acabados. Tinham de manter o poço aquecido para que a única fonte de água disponível não secasse, a comida estava acabando e não poderiam caçar mais e os McDonald continuavam sitiando, espreitando, tentando entrar insistentemente. Esperava que os reforços chegassem o quanto antes e que Iain obtivesse resultados positivos em sua missão.

As aldeãs e criadas que passavam por ele lhe dedicavam libidinosos sorrisos e ele sorria de volta. Amava a todas as mulheres, nunca a uma única. Àquela manhã já recebera um bom dia especial de Annie na despensa da cozinha, o que lhe deixaria mais relaxado o resto do dia.

Duncan estava falando algo com Seamus e Ian, tão sério e antipático que dava calafrios. Aproximou-se de seu amigo, curioso para se inteirar do assunto que lhe rendia tantas caretas. Ele estava cada vez mais babão com a esposa. Erik não sabia se ele via suas caretas quando estava babando rios de saliva por ela. Uma revirada de olhos, levando as mãos aos céus, uma maldição... Particularmente, ele estava muito feliz tendo a todas disponíveis ao invés de se prender a uma única.

Mas estava feliz por Duncan. Seu amigo já tivera uma vida suficientemente ruim, merecia um pouco de alegria. E ele gostava de Leonor. Era uma moça corajosa, sincera e cheia de vida, que não se acovardava como as demais ante os urros enraivecidos do marido que tinha. Quando eles brigavam, Erik se distanciava e só voltava a aparecer quando tudo estava bem. Então se iniciava o que todos chamavam de ciclo: as discussões, o distanciamento, depois estavam de mãos dadas com aquele brilho asqueroso de ternura nos olhos um para o outro, para logo começarem outra discussão. Erik achava que eles se divertiam com isso.

Ele não desejava casar. Nunca. Preferia ter a liberdade que possuía agora do que se prender a uma única mulher.

-- Estou dizendo, meu senhor – dizia Seamus, as feições estranhamente pálidas – Hugh Knightley estava observando as muralhas.

As sobrancelhas de Duncan ficaram ainda mais franzidas.

-- Tem certeza do que viu? – grunhiu Duncan.

-- Sim – respondeu Ian – Eu também vi! Era ele, meu senhor, mais vivo do que nunca e cercado pelos guerreiros de negro.

Isso que era fofoca das boas.

-- Então, nosso amiguinho perfumado a rosas não morreu – Erik sorriu – E está com o inimigo?

Os dois homens anuíram com a cabeça.

Se Hugh estava vivo e com o inimigo, significava problemas, porque a filha dele estava com Duncan. Em todos os sentidos imagináveis. Erik não acreditava nisso, mas Leonor poderia ter um colapso de lealdade e ficar do lado do paizinho. A expressão de Duncan dizia claramente que pensava o mesmo. Oh, como Erik desejava chutar o traseiro perfumado e pomposo do inglês!

Colocou a mão no ombro do amigo. O gesto foi o suficiente para Duncan saber que Erik confiava que Leonor não o trairia. A moça era apaixonada e tinha opiniões fortes, não se deixaria influenciar facilmente. Assim ele esperava. Sabia que questões familiares podiam matar um homem, pior ainda com uma mulher. Mesmo que ela brandisse uma espada melhor que uma valkyria.

-- Reforcem a patrulha – disse Duncan – Atirem em qualquer um que se aproximar das muralhas para matar.

-- Sim, meu senhor.

Seamus e Ian partiram.

-- Vai contar a Leonor que o pai dela está vivo?

Duncan ponderou.

-- Sim.

-- Tranquilo, irmão, sua esposa também baba por você.

Duncan lhe lançou um olhar fulminante, sem dizer uma palavra sequer. Era provável que não notasse, mas sua mão estava fechada em punho com tanta força que os nódulos dos dedos estavam brancos. Ódio de Hugh? Insegurança para com a esposa? Erik não saberia dizer. Nunca tinha estado em uma situação como aquela e, pela primeira vez em seus vinte e quatro anos de vida, não sabia palavras suficientes para confortar um amigo. Não estava acostumado a lidar com o coração dos outros.

-- Mexa sua bunda asquerosa e vamos treinar um pouco – falou por fim – A monotonia está me tirando a paciência.

Imediatamente, Duncan desembainhou suas espadas – as mesmas que ganhou da esposa – e se preparou para o confronto. Erik puxou sua claymore e sorriu pela expectativa do combate. Duncan não só era um espadachim fenomenal, mas também conhecia umas técnicas sarracenas que Erik estava muito disposto a vender os ossos da sua ama de chaves para aprender. Eles se encararam, olhos nos olhos, sondando, lendo fraquezas. Com um rosnado, ambos se lançaram um para o outro em uma dança fatal que falava muito mais que ridículas palavras.

☺

Leonor estava banhada outra vez, os cabelos soltos e emoldurados por uma tiara de lápis-lazúli que Will lhe dera de presente de casamento – com um livro – os cachos se formando na base de sua coluna, usando um gracioso vestido azul-marinho, tão arrumada que parecia uma princesa. Mary sorria ao seu reflexo enquanto a ajudava a se aprontar. Bessie trouxera bandejas com comida e arrumara os pratos sobre a mesa. A lareira estava acesa, queimando pequenas quantidades de turfa apenas para aromatizar levemente o ambiente, deixando o quarto em uma deliciosa penumbra. A janela estava aberta, revelando a lua-cheia prateada no fundo de veludo negro salpicado de estrelas luminosas e belas, algumas escondidas por nuvens. O vento entrava como uma suave brisa gélida, condensando-se ao calor do fogo. Tudo estava perfeito para eles. Para tudo.

Mas a opressão em seu peito só fazia ganhar força.

Quando tudo esteve devidamente em seus lugares, Mary se retirou para ir chamar Duncan, antes que ele começasse a comer com os outros na mesa. Já deveria ter notado a ausência dela. O coração de Leonor estava acelerado no peito e ela queria simplesmente... desaparecer. Agitou a cabeça, lutando para expulsar tais pensamentos da mente. Oh, vamos, comemore com seu marido... Ao menos algo de bom vai acontecer hoje.

Como o quê?

Sorria. Seu bebê e ele merecem isso.

Os olhos arderam, mas tragou dificultosamente cada lágrima. Felicidade. Sim, felicidade. Sorriu, mas não lhe chegou aos olhos. Estava feliz pela gravidez, claro. Estava feliz por seu casamento, sem dúvida alguma. Mas... Aprumou os ombros e empinou o queixo, olhando com desprezo para seu reflexo no espelho. Seu queixo tremia, precisava remediar isso. Respirou fundo. Certo. Tudo ficaria bem. Ficaria... Claro que ficaria...

A porta do quarto se abriu e ela mordeu o lábio inferior, resistindo ao ímpeto de encolher os ombros e querer jogar tudo para o alto. Talvez devesse ter matado seu pai. Apesar de tudo, ele era um estranho para ela e ela estava horrorizada com ele. E o quê? Vai devorar criancinhas como seu marido? Parabéns, Leonor, está pensando como um monstro. Matar seu pai? Ficou louca?

Não quero feri-lo...

Braços a rodearam e ela se recostou naquele peito forte e largo, permitindo que o calor dele, que seu cheiro, que cada parte dele a relaxasse, a fizesse esquecer tudo. Duncan beijou a curva de seu pescoço. No espelho de corpo inteiro que Bessie lhe arranjara os olhos dele brilhavam de desejo e admiração, contemplando cada pedacinho dela com um carinho que ela jamais veria em outros olhos.

-- Mary disse que tinha algo para mim, mo gra.

Sim, ela tinha...

Virou-se em seus braços e rodeou seu pescoço com os braços, olhando naqueles olhos azeviche. Ele pressionou suavemente os lábios contra os dela.

-- É uma surpresa – disse, abrindo um radiante sorriso – Pedi a Bessie para preparar um jantar especial para nós dois. Esta noite você é totalmente meu.

As comissuras dos lábios dele se repuxaram em um sorriso.

-- Como em todas as outras, não?

-- Não. Hoje é diferente.

-- Então, tem tudo planejado?

-- Sim. Hm... – ela enrubesceu e lambeu os lábios pelo nervosismo – Quer jantar?

Ele anuiu com a cabeça.

O jantar ainda estava quente quando se sentaram à mesa. Havia pescado e lebre assada, com uvas, maçãs e amoras. Para Leonor, Bessie enchera uma taça com hidromel e para Duncan, com vinho. O aroma fresco do jantar inebriava os sentidos, superando o delicioso aroma da turfa. Duncan os serviu e ela esperou que ele comesse primeiro, os olhos brilhando de expectativa para ouvir o que ele achara. Ele comeu um pedaço da lebre e ergueu o olhar para o dela... Ela se viu refletida naqueles olhos tão escuros. Viu-o mastigar olhando-o aos olhos. Queria beija-lo, mas se conteve. Ele bebeu um gole do vinho. Então ela começou a comer também. Deus, Bessie nunca cozinhara tão bem na vida. Os banquetes romanos pareceriam areia se comparados ao que aquela mulher era capaz de fazer em uma cozinha.

-- Não vai me dizer o que é surpresa?

-- Não. É por isso que o nome é surpresa. Espere até a hora certa.

E a impaciente era ela? Estava claro que ele era muito mais!

-- Mas se é para mim...

Ele se silenciou quando ela capturou uma uva entre os lábios. Observou o movimento de sua língua ao levar a fruta para dentro, os olhos azeviche demonstrando desejo cru e em sua forma mais selvagem. Ela lambeu os lábios e mastigou. Suas bochechas enrubesceram.

-- Não olhe para mim assim – sussurrou, desviando o olhar.

-- Assim como?

-- Como se quisesse me comer.

-- Não está muito longe...

-- Duncan!

Ele deu de ombros e voltou a comer em silêncio.

Estar com ele era a coisa mais especial do mundo para ela. Sua companhia era o suficiente para fazê-la sentir-se segura e querida, capaz de lutar contra o mundo desarmada e vencer. Observou aqueles traços cinzelados, a cicatriz no rosto, os lábios deliciosos, o cabelo escuro, o pescoço marcado de cicatrizes, os ombros largos e fortes... A confiança com a qual se movia, como se fosse um predador... O tórax definido sem um grama de gordura, o quadril estreito, as pernas fortes e... O coração gentil dentro de uma carapaça de frieza e brutalidade. Os lábios que recentemente aprenderam a sorrir. Os olhos que recentemente viram o amor sincero. O corpo que recentemente conheceu o toque que não vinha para ferir, mas para acariciar.

Se mata-lo, tirarei os exércitos McDonald e o meu e ninguém sairá ferido.

De repente, já não tinha mais fome. Nenhum pouco. Comeu outra uva e se ocupou de beber o resto do hidromel, que já não tinha mais um gosto saboroso para ela. Duncan comia com vontade, saboreando a carne e o vinho como um animal faminto. Definitivamente, não tinha os modos de um cavalheiro. Não tinha a educação refinada que os lordes que ela conheceu, nem a polidez aristocrática das palavras. Mas ela gostava de observa-lo. E a comida de Bessie estava estupenda, perfeita.

-- Como foi seu dia? – ela disse para quebrar o silêncio, os lábios tremendo ao sorrir.

-- Como todos os outros – ele respondeu com indiferença – Eles ainda não foram embora e... – o tique de raiva apareceu em sua mandíbula e ele deu de ombros, ficando subitamente rígido e mais concentrado na comida que nela.

-- O que houve?

-- Nada.

-- Duncan.

-- Não houve nada, moça. Não vai mais comer?

-- Não, estou satisfeita. Agora me diga qual é o motivo do seu estresse, porque dessa vez eu não fiz nada.

-- Os... – bebeu um gole do vinho – Os McDonald ainda não foram embora, só isso. Estamos ficando sem provisões para o inverno. E Erik ainda não recebeu retorno de seus homens.

Ela não acreditou nele, mas deixou passar dessa vez.

Quando ele terminou de jantar, permaneceram sentados. Vez ou outra, Leonor cutucava uma uva e a colocava na boca. Em breve diria a ele... A ansiedade a consumia. Queria uma vida diferente para seu bebê, não a mesma que ela tivera, senão pior. Tinha de decidir logo o que ia fazer para solucionar aquilo, sem que alguém saísse ferido. Tinha de pensar rápido.

Ele devia ter visto a aflição em seu rosto, porque voltou a franzir o cenho.

-- Venha aqui, moça – disse ele em tom de ordem. Ela arqueou uma sobrancelha para ele, desafiando-o. – Venho logo, Leonor. – revirando os olhos, ela se levantou e foi até ele. Duncan a puxou para seu colo, sentando-a sobre suas pernas e rodeando sua cintura com os braços, apoiando um cotovelo em sua coxa, o queixo no ombro. Esticou a mão e pegou uma uva – Por que ficou triste?

-- Eu não fiquei triste.

-- Leonor – ele a repreendeu, delineando o lábio inferior dela com o polegar, forçando-o a se abrir. Ela suspirou. Ele colocou a fruta sobre sua língua e ela lhe mordeu o dedo – O que tem em mente?

-- Fazer amor com você à noite toda – ronronou ela, derretendo sobre ele – E te revelar a surpresa...

Ela se acomodou, sentindo a ereção contra as nádegas.

-- Falo do que te fez ficar triste.

Pegou outra uva quando ela engoliu a primeira. Leonor a tirou de seus dedos e se voltou para ele, ouvindo-o gemer quando se movimentou sobre sua masculinidade rija. Selou os lábios aos dele, encantada por seu sabor, por todo ele... A cadeira gemeu, mas ela nem ouviu. Quando Duncan abriu os lábios para dar passagem àquela língua maravilhosa, ela se forçou a se afastar e colocou a uva em sua boca. Ele tragou a fruta e sugou seus dedos entre os lábios, lambendo o suco da uva das pontas, excitando-a.

-- Está tudo bem, eu só... estou nervosa.

Não era mentira, mas não era totalmente verdade.

Ele colocou uma mão nas costas dela e a outra usou para lentamente lhe erguer a saia, deslizando a palma pela panturrilha, subindo pela coxa, erguendo a saia pouco a pouco, enquanto desfazia os laços da túnica. Ela queria seu toque, queria seu amor, mas se sentia imunda. Não se sentia digna. Era uma traidora para Hugh por amar um McGregor e era uma traidora para Duncan porque falara com Hugh, ouvira seus termos.

Em todo o momento, ele a estava olhando nos olhos. Ela não conseguia sequer piscar, nem mesmo quando o sentiu tomar uma nádega em concha na palma, acariciando, provocando, enquanto a outra retirava a túnica por sobre a cabeça.

-- Desta vez... – a voz dele soou baixa e rouca, com um timbre gutural e excitante – Quero fazer amor contigo te olhando nos olhos. Lentamente. Quero saborear cada parte do teu corpo, provar o sabor da tua pele... Ver o que há nos teus olhos quando somos um. Vai permitir que eu te ame, Leonor?

As bochechas dela esquentaram de tão enrubescidas e ficou sem palavras. Era a coisa mais linda que ela já ouvira na vida. Como poderia trai-lo? Como poderia escolher seu pai ao invés de aquele homem tão incrível? Encheu as mãos com seu cabelo espesso e escuro e o puxou para si, anuindo desesperadamente com a cabeça, porque, se falasse, desabaria em indesejadas lágrimas. Duncan era tudo para ela. Beijou-o com toda a paixão que queimava em seu interior, com todo o amor que nunca teve medo de lhe dar – mesmo sem ter a certeza de que receberia o mesmo de volta – aprofundando o beijo com um desespero vívido e descontrolado.

-- Eu te amo – ela sussurrou rente aos lábios dele. Duncan a beijou outra vez.

-- Eu sei. Eu também te amo, mo shíorghrá.

Ela sorriu.

-- Agora... Ao contrário dos meus compatriotas ingleses, você vai me mostrar como um selvagem dá prazer a sua mulher?

-- Oh, sim, minha inglesa indômita, à noite toda.

-- E além dela?

-- Muito além.

Ele a segurou nos braços e se levantou, caminhando até a cama. Depositou-a suavemente no centro, debruçado sobre ela, olhando-a nos olhos quando afagou sua bochecha, afastando uma mecha rebelde de seu rosto. O coração dela batia rápido no peito, tão acelerado e... Sempre por causa dele.

-- Sabe, McGregor... Poderíamos dar uma utilidade mais... criativa para as uvas, não acha?

Os olhos dele chisparam maliciosamente.

-- Sim, acho que tenho algumas ideias.

Leonor lambeu propositalmente os lábios.

-- Vai me mostrar?

-- Mostrar? – ele negou com a cabeça e a beijou – Vamos fazer juntos, Leonor.

-- E o que está esperando?

Duncan sorriu.

☺

Oh, sim, eles fizeram amor. Muitas vezes e de diferentes formas. E as uvas realmente encontraram uma função bem criativa e deliciosa antes de serem completamente devoradas, assim como as amoras. Depois de horas de maratona, finalmente caíram no colchão, exauridos e suados, com ela por cima dele, abraçados, unidos. Amados. Posições que ela jamais teria imaginado foram postas a prova naquele momento e, Deus a ajudasse, uma foi mais prazerosa que a outra. Agora, ouvindo o coração dele batendo, relaxou completamente, com um bobo sorriso nos lábios. Ele acariciou seu cabelo, afagando suas costas até a base da coluna e voltando a subir. Os olhos dela estavam fechados, então apenas sentiu o suave beijo depositado no alto de sua cabeça. Embalada sobre ele, saciada, permitiu-se cochilar um pouco para recuperar as forças. Ele lhe transmitia calor e segurança, uma confiança sobre-humana que a fortalecia. Era o suficiente.

-- Duncan – ronronou, a mente meio dormindo e meio desperta, entre um mundo e outro. Só soube que ele lhe respondeu porque o peito dele vibrou, como um trovão ecoando em uma caverna. – Está mais acordado que eu?

-- Sim – ele disse.

Ela estava esparramada sobre ele, os cabelos abertos como cobertores cobrindo os dois, o rosto enterrado na garganta dele, as mãos sobre o peito forte, escarranchada sobre seu estômago. Ele tinha as mãos em seu quadril, a boca em seu cabelo. Hmm... estava muito bom daquela forma.

-- Eu... tenho que te contar uma coisa.

-- O que você fez?

-- Nada – Leonor riu. Sentia o coração dele contra as costelas e quase não respirava pelo próprio, que batia cada vez mais rápido – Quero dizer, nós fizemos.

Ela sabia que ele estava franzindo as sobrancelhas.

-- O que você...?

-- Eu... Eu estou grávida.

Subitamente, ele a segurou pelos ombros e a ergueu bruscamente, olhando-a nos olhos com assombro e outra expressão que ela não reconhecia. Oh, Deus, ele não gostou. Ele não queria ser pai. Ela mordeu o lábio inferior e se encolheu, desviando o olhar. Bom, estava muito feliz por ter um bebê em seu ventre, mesmo que desagradasse a ele. O silêncio que perdurou foi estranho, carregado de tensão e ela não sabia o que fazer. Ser rejeitada não estava em seus planos. Ele rolou sobre ela na cama, deitando-a no colchão e... Ficando longe. Por que estava se distanciando? Não era como se ela estivesse doente. Ele não engravidaria só por olhar para ela. Duncan se levantou da cama e ela sentiu uma dor no coração superior a qualquer outra que já tivesse sentido, porque ele a estava abandonando. Estava rejeitando o filho deles. Magoada, viu como ele andava de um lado a outro no quarto, irrequieto, como um leão trancado em uma jaula.

Ela estava feliz pelo bebê e era assim que ele reagia?

Duncan veio para ela como um predador, banhado pela luz da lua como um anjo vingador que acabara de perder as asas por cometer um pecado do qual não se arrependia.

Eles nunca haviam conversado sobre filhos, em nenhum momento, e sequer o pensamento passara por sua mente antes, mas agora... Bom, agora já era muito tarde. Não se arrependia e teria o filho custe o que custasse. Se ele não queria a criança, que arranjasse outra esposa. Uma dócil e infértil. Oh, não, se ele fizer isso, mato-o.

Afundou-se na cama. Mata-lo... Não, não podia pensar nisso. Não, não, não. Estava pronta para explodir toda a sua frustração e raiva sobre ele, quando ele, lentamente, ajoelhou-se ao lado dela e... Hesitantemente, pousou a enorme e calosa mão sobre seu ventre. Leonor enrubesceu profundamente e arregalou os olhos em surpresa. Já havia visto a mão dele – as mãos – por todos os cantos de seu corpo, por cada pedacinho dela, mas agora parecia... diferente. Uma intimidade nova, um sentimento mais profundo. Estranho. Ela não sabia o que fazer ou o que falar.

-- Está falando sério, Leonor? – a voz dele, profunda e grave, atraiu a atenção dela para seus olhos. O contato visual não se rompeu e ela sentiu aquela corrente invisível se formando entre eles, como se fosse a coisa mais correta do mundo que estivessem juntos, que tivessem um filho e... Amor. Sim, porque o amava a um nível incomensurável e jamais cansaria de repeti-lo. Inconscientemente, levou uma mão e cobriu a dele, ambas sobre o ventre dela, sobre o bebê que ela esperava. Os olhos dele brilhavam, mas ela não sabia o que ele estava pensando. – Está esperando um filho meu?

-- Oh, não – replicou com ironia – Fecundei-o sozinha. – ele arqueou uma desafiadora sobrancelha e ela não conseguiu conter o riso frouxo – Sim, falo sério. Quero dizer, sobre esperar um filho seu, não sobre tê-lo feito so...

Ele a interrompeu com um brusco e carinhoso beijo, cortando imediatamente suas palavras e seus pensamentos, fazendo com que ela derretesse debaixo de sua boca, entrelaçando os dedos ao cabelo denso e escuro dele, puxando-o para mais perto, para um beijo selvagem e sincero, aprofundando, as línguas se buscando em um sensual duelo de erotismo e amor, enroscando-se, lambendo, sentindo cada pedaço até o mais profundo da alma, gravando a fogo lento e febril cada gemido, cada reação. Duncan apoiou a testa na dela e sorriu, acariciando-lhe o ventre com uma ternura surpreendente para alguém de seu tamanho e força.

-- Ficou feliz? – ela perguntou em um suspiro.

-- Sim, mo shíorghrá – sussurrou ele rente aos seus lábios.

O sorriso que lhe dedicou fez seu coração bater mais rápido e mais forte no peito. Foi o primeiro sorriso que mostrava totalmente aquelas adoráveis covinhas em suas bochechas, fazendo brilhar os profundos olhos negros de felicidade. Embevecida e encantada, Leonor sorriu para ele, quase chorando de tanto amor. Olhou para as mãos entrelaçadas sobre o ventre; a dele, grande e calosa pela vida que tivera, a dela, pequena e delicada, com algumas cicatrizes provenientes dos treinos com seu mestre. Depois olhou dentro daqueles olhos que tanto a fascinavam.

-- Já disse que amo os seus olhos, McGregor?

Ele pareceu hesitar, como se tivesse sido pego de surpresa, as sobrancelhas arqueadas.

-- Sabe que é a primeira que diz isso, não é?

O sorriso dela se ampliou.

-- Sim – falou Leonor radiante – Sou sua primeira em muitas coisas, assim como você é o meu. E nosso filho terá olhos negros, porque eu quero.

-- Você foi minha primeira em tudo, Leonor.

A boca dela caiu e a surpresa ficou estampada em sua face, assim como o regozijo, porque se sentia extremamente poderosa tendo aquele homem todo só para si. Oh, sim, morram de inveja, mulheres otárias que temeram o filho do Diabo. Ele pressionou os lábios contra os dela e foi o suficiente para que ela derretesse debaixo do poder daquela boca.

Mas foi um beijo curto e ela gemeu um protesto, o que pareceu diverti-lo.

-- Você disse que...

-- Você é meu primeiro amor. Meu primeiro beijo, a primeira com a qual fiz amor... E a primeira que me enfureceu de ciúmes a ponto de me enlouquecer. Todas as minhas experiências boas foram com você, Leonor. Apenas... – ele desviou o olhar e meneou o cabelo, como se estivesse constrangido e desconfortável – Tenha paciência, tudo ainda é novo para mim. Estou aprendendo a amar e...

Ela se jogou sobre ele como uma flecha, rodeando o pescoço dele com os braços e reivindicando seus lábios assim como Esparta reivindicou Atenas séculos atrás. Duncan quase caiu para trás, mas recobrou o equilíbrio, abraçando-a com força comedida, os corpos se encaixando perfeitamente, como se houvessem sido feitos para estarem sempre juntos. Ela entrelaçou os dedos aos cabelos dele, puxando-o mais para perto, enquanto as mãos dele a seguravam pelas nádegas. Ela suspirou e a língua dele finalmente entrou em ação, apropriando-se possessivamente da boca dela, lambendo, gladiando com a língua dela, ambas se entrelaçando, movendo-se em um apaixonado ritmo, que se tornava mais profundo e intenso à medida que as respirações se tornavam ofegantes. Como se não pudesse mais se conter, ele a pegou nos braços e se ergueu. Leonor riu quando giraram pelo quarto. Ela escondeu o rosto na curva do pescoço dele, rindo como uma criança, enquanto ele beijava seus cabelos e soltava um poderoso e ensurdecedor urro de alegria. Bom, se ela não ficasse surda, o bebê teria ficado, principalmente porque o som reverberou pelas paredes do quarto e toda a Península deve ter ouvido aquilo. Quando pararam de girar, ela riu mais alto ainda e havia um sorriso repuxando aqueles lábios deliciosos. Sorrir para ele se tornou extremamente natural, o que era ainda mais belo. Ele a apertou contra si e choveu beijos sobre seu cabelo.

-- Duncan! – ela riu – O que está fazendo? Ficou louco?

-- Creio que sim e a culpa é sua.

-- Bom, não posso fazer nada por você além de te enlouquecer um pouquinho mais. – ela ergueu o olhar para ele, apenas para ver uma travessa expressão naquela face sempre tão austera – Tudo bem, muito mais. Está disposto a passar o resto da sua vida comigo, mesmo correndo os riscos de ficar careca antes do tempo?

-- É um caminho sem volta, não tenho mais como fugir de você, Anna Leonor de Westminster.

-- Ainda bem que você sabe, mo chroí.

Ele a beijou outra vez. De repente, a porta do quarto se abriu e Erik entrou brandindo a claymore, as sobrancelhas franzidas, olhando ao redor como se esperasse encontrar um monstro em alguma parte. Duncan rapidamente a deitou com suavidade na cama e a cobriu, escondendo o corpo dela de qualquer olhar curioso. Para sua surpresa, ele andou rapidamente até a porta, completamente nu, exibindo-se a quem quisesse viver como se estivesse tão coberto quanto um monge. Leonor puxou as cobertas até o nariz, tentando ver Erik, mas era impossível, seu marido cobria seu maldito campo de visão. Ela bufou.

As pessoas pareciam ter o costume de invadir seu quarto quando eles estavam de forma constrangedora. Sem ter mais o que fazer, ela bebeu maliciosamente a visão do firme traseiro do marido, mordendo o lábio inferior. Bom, crescer com homens lhe ensinara a ser desinibida e a fazer o que desejava, então... Desejava seu marido agora e era provável que se levantasse nua e o agarrasse diante de Erik. Quer dizer, o que eles faziam no quarto não era segredo para ninguém e Erik estava atrapalhando. Preocupado ou não, estava atrapalhando.

-- O que houve? – ela ouviu Erik perguntar – Ouvi um grito...

-- Eu vou ser pai, seu idiota! – grunhiu Duncan, puxando o amigo para um abraço. Erik ficou boquiaberto e se esticou para olhar por cima do ombro do seu marido. Leonor acenou timidamente para ele. Erik lhe respondeu com um amplo sorriso e uma piscadela, silencioso sinal de seu apoio. Duncan o empurrou para o corredor.

-- Toda essa gritaria por causa disso e nem me chamaram pra comemorar! – Erik se fingiu de ofendido e ela riu. Duncan devia estar fazendo uma terrível careta de desgosto.

-- Como se eu fosse te chamar – Duncan bufou com impaciência – O que ainda faz aqui mesmo, Ferguson?

Erik sorriu como uma criança.

-- Esperando meu convite para entrar – ele brincou, desviando agilmente de um soco de Duncan – Oh, vá logo, Duncan, não quero ficar olhando para o seu brinquedinho de encaixe. Tenho certeza de que Leonor já cansou de ver esse seu traseiro horroroso.

Leonor engoliu o riso.

-- Na verdade, cansei de apenas olhar – ela brincou. Duncan a olhou, perplexo, as bochechas corando. Sim, era um complô contra ele – O quê? – ela fingiu inocência – Erik está certo, o que você ainda faz aí fora, marido?

-- Viu? – Erik disse – Leonor, posso comemorar com vocês?

-- Sim – ela respondeu; Erik fez menção de entrar, mas Duncan o barrou, realmente furioso – Amanhã, que tal?

-- Que pena – Erik brincou – A h-uile là sona dhuibh arma là Idir dona dhuibh.

Leonor não conseguiu responder de imediato. Quando Duncan fechou a porta e voltou para ela, deixou que ele se enfiasse debaixo das peles e a puxasse para seus braços, envolvendo-a possessivamente com um braço e pousando a palma sobre seu ventre, como se quisesse dizer ao bebê que também estava ali por ele.

Ela se aninhou em seus braços, sentindo-se segura e amada como jamais fora.

-- Tenha paciência com ele, Erik é apenas carente – Leonor bocejou. Duncan a apertou, amoldando-se a ela, os dedos traçando delicados carinhos em seu ombro nu, arrepiando sua pele.

-- Carente é uma palavra que se encaixa bem a ele.

-- Duncan, se nosso bebê for menino, vai me deixar treina-lo também?

-- Se eu disser que não, você não vai me ouvir. Então, sim, eu deixaria.

-- E se for uma menina, ela também pode treinar?

Ele ponderou. Franziu as sobrancelhas. E suspirou.

-- Ela precisa saber se defender.

-- Isso é um sim?

-- Sim, é. Agora vá descansar; se não por você, pelo nosso filho.

Leonor fez uma careta.

-- Nosso filho está muito bem, sim? Mary disse que os bebês gostam de ouvir as vozes dos pais.

-- Pela madrugada? – ele arqueou uma sobrancelha – Ele não dorme?

-- Bom... Eu não sei.

-- Vá dormir, esposa – e beijou o alto de sua cabeça em um gesto de carinho e proteção – Amanhã faremos uma surpresa a todos os McGregor.

-- Eu te amo, Duncan.

-- Eu sei. Eu também te amo, Leonor. Mas qual parte do vá dormir, esposa ainda não foi compreendida?

-- Aquela em que eu te chuto da cama, que tal?

O peito dele vibrou com uma breve risada.

-- Tudo bem, mo shíorghrá – beijou-a nos lábios – Boa noite.

Que cada dia seja feliz para vocês, sem um único dia ruim, dissera Erik em gaélico. Assim ela esperava. Ela rogava para que fosse certo. Mas sabia que não seria.

Notas finais
Eu amo o Erik *-* E três vexes mais o Duncan *ooo* E odeio o pai dela... -.-'
Alguém concorda comigo ?? kkkkk
Troquemos um personagem da história com sexys roupas natalinas, um pote de sorvete de doce de leite (EU QUERO, ALGUÉM ME DÁ ???) e chocolate e morangos por um comentário hahaha É uma deliciosa Santa Ceia, não ? kkkkk
Cantada do meu irmão: Você não é Papai Noel, mas me deu um presente. kkkkk PQP xD